Entenda de uma vez por todas o que acontece debaixo daquelas marcas circulares na pele e por que elas fazem parte do processo de cura.
Ventosaterapia é uma técnica terapêutica milenar que usa copos com vácuo aplicados sobre a pele para estimular a circulação, liberar tensões musculares profundas e acelerar a recuperação dos tecidos. E sim, aquelas marcas roxas circulares que ficam depois da sessão têm um motivo muito específico para existir — e não são nenhum sinal de alarme.
Se você já viu alguém com aquelas marcas circulares roxas nas costas e ficou curioso querendo entender o que aconteceu, você está no lugar certo. Talvez você mesmo já tenha feito uma sessão, olhou para o espelho depois e pensou: “Isso aqui tá bom ou eu me machuquei?” Essa dúvida é muito mais comum do que parece, e a resposta envolve entender um pouco de como o seu corpo reage ao estímulo da sucção.
Nesse artigo eu vou te explicar, de um jeito bem direto e sem firula, tudo o que você precisa saber sobre a ventosaterapia: de onde ela veio, como funciona, o que significam as cores das marcas, os benefícios reais para o seu corpo, como é uma sessão na prática e quem pode ou não fazer. Preparado?
O que é a ventosaterapia e de onde veio essa técnica
A ventosaterapia, também conhecida como cupping therapy, é uma das técnicas mais antigas da medicina natural. Ela consiste na aplicação de copos — que podem ser de vidro, silicone ou plástico — sobre a pele, criando um efeito de vácuo que suga o tecido para dentro do recipiente. Esse movimento de sucção estimula a circulação local, mobiliza as fáscias, libera aderências musculares e promove um processo de renovação celular bastante potente.
O que muita gente não sabe é que a ventosaterapia não é uma moda. Ela existe há mais de 3.500 anos e aparece nos registros históricos da medicina tradicional chinesa, egípcia e árabe. Quando eu falo isso para meus pacientes, quase sempre vejo um olhar de surpresa. Mas faz todo sentido: antes de qualquer tecnologia sofisticada, as civilizações antigas já entendiam que manipular a circulação sanguínea tinha efeitos terapêuticos poderosos.
Hoje, a ventosaterapia ganhou um novo impulso. Atletas olímpicos apareceram com as marcas nas Olimpíadas de 2016 e o assunto explodiu nas redes sociais. Mas o que mudou foi a visibilidade, não a técnica. Os princípios continuam os mesmos de sempre: criar pressão negativa sobre a pele para reorganizar o fluxo de sangue e energia no tecido.
A origem milenar das ventosas
Os primeiros relatos do uso de ventosas aparecem no Ebers Papyrus, um dos documentos médicos mais antigos do Egito, datado de 1550 a.C. Os egípcios usavam chifres de animais e bambu aquecido para criar o efeito de sucção. Na China, a técnica foi incorporada formalmente à medicina tradicional chinesa como parte do sistema de tratamento pelos meridianos — os canais de energia vital do corpo chamados de Qi.
Na medicina árabe medieval, o médico Ibn Sina descreveu o uso das ventosas com riqueza de detalhes no Canon da Medicina, uma obra que orientou a prática médica ocidental por séculos. O que une todas essas tradições é a mesma observação clínica: quando você cria sucção sobre um ponto dolorido ou tenso do corpo, algo muda para melhor. O paciente sente alívio. A musculatura relaxa. A mobilidade melhora.
A Medicina Tradicional Chinesa explica esse fenômeno pelo conceito de “estagnação de Qi e sangue” — quando o fluxo de energia e circulação está bloqueado em determinada região, surgem dor, tensão e desconforto. A ventosa age exatamente nesses pontos, desbloqueando o fluxo e restaurando o equilíbrio. Hoje, a ciência ocidental traduz esse conceito em termos fisiológicos mais mensuráveis, como vasodilatação, ativação de fibroblastos e liberação de óxido nítrico, mas o efeito prático é o mesmo que os antigos já descreviam.
🏺Ilustração 1 — A ventosaterapia ao longo da história
Da medicina egípcia às clínicas modernas de fisioterapia: o uso terapêutico de ventosas atravessou milênios e continua cada vez mais relevante na prática clínica contemporânea.
Como funciona o mecanismo de sucção
Quando a ventosa é posicionada sobre a pele e o vácuo é criado, acontece algo muito interessante: a pressão negativa puxa o tecido subcutâneo, a fáscia e a camada muscular superficial para cima, na direção do interior do copo. Esse movimento de descolamento entre as camadas de tecido é o que gera toda a resposta terapêutica da técnica.
A sucção provoca uma hiperemia local — um afluxo aumentado de sangue para a região. Os capilares se dilatam, o fluxo sanguíneo aumenta visivelmente, e os tecidos recebem uma carga maior de oxigênio e nutrientes. Ao mesmo tempo, o processo facilita a remoção de metabólitos acumulados no músculo, como ácido lático, que são uma das causas principais da dor pós-treino e das contraturas musculares.
Outro mecanismo importante é o efeito sobre a fáscia. A fáscia é o tecido conjuntivo que envolve músculos, tendões e órgãos como uma espécie de rede tridimensional. Quando há tensão crônica, má postura ou lesões repetitivas, a fáscia pode desenvolver aderências — áreas onde o tecido “gruda” e perde mobilidade. A ventosa, ao elevar e mobilizar essas camadas, quebra essas aderências de forma mecânica e muito eficaz, algo que outras técnicas manuais demoram muito mais para alcançar.
Os tipos de ventosas usadas hoje
Na prática clínica atual, você vai encontrar basicamente quatro tipos de ventosas. As de vidro são as tradicionais, usadas com chama para criar o vácuo — bonitas na apresentação, mas exigem muita habilidade do terapeuta. As de silicone são as mais práticas e democráticas: você pressiona o copo com os dedos, aplica na pele e a sucção se forma automaticamente. São ótimas para mobilização dinâmica, deslizando sobre a pele com óleo.
As ventosas de plástico com bomba manual oferecem um controle maior da pressão, o que é especialmente útil quando o paciente tem baixo limiar de dor ou pele mais sensível. Já as ventosas elétricas permitem ajustar a intensidade do vácuo com precisão e manter a sucção por tempo controlado — são muito usadas em protocolos de recuperação esportiva e estética.
Existe também a técnica de wet cupping, ou Al-hijama na tradição árabe, em que pequenas incisões são feitas na pele antes da aplicação da ventosa para extrair sangue da região. Essa modalidade é menos comum nas clínicas de fisioterapia convencionais e requer treinamento específico. Na maioria dos consultórios de fisioterapia e nas clínicas de terapias manuais, o que você vai encontrar é o dry cupping, com as ventosas de vidro, silicone ou plástico, sem qualquer incisão.
Por que aparecem aquelas marcas roxas na pele
Essa é, sem dúvida, a pergunta que mais ouço no consultório. O paciente levanta da maca, vai ao espelho, vê aquelas marcas circulares roxas nas costas e inevitavelmente pergunta: “Isso é normal? Parece um hematoma.” Deixa eu te tranquilizar de cara: as marcas roxas da ventosaterapia são um sinal esperado e, em muitos casos, desejado do tratamento. Elas indicam que a técnica está fazendo exatamente o que precisa fazer.
O que acontece é que a sucção criada pela ventosa rompe capilares superficiais — vasinhos minúsculos que ficam logo abaixo da pele — e faz com que uma pequena quantidade de sangue extravase para o espaço intersticial, ou seja, para fora dos vasos. Esse sangue acumula sob a pele e forma as manchas avermelhadas ou arroxeadas que você vê. Tecnicamente, esse processo se chama púrpura de sucção, e é completamente diferente de um trauma mecânico.
A intensidade da cor varia de pessoa para pessoa e de região para região do corpo. Áreas com mais tensão crônica acumulada, circulação mais comprometida ou maior concentração de toxinas metabólicas tendem a produzir marcas mais escuras. Já regiões com boa circulação e musculatura mais saudável costumam apresentar apenas um leve rosado. As marcas desaparecem sozinhas em 3 a 10 dias, sem qualquer intervenção.
O que acontece nos vasos sanguíneos durante a sucção
Para entender bem as marcas, você precisa entender um pouco sobre o que acontece nos tecidos durante a aplicação. Quando a ventosa cria pressão negativa sobre a pele, a diferença de pressão entre o interior do copo e o ambiente externo force os capilares a se dilatar além do seu limite fisiológico normal. Os capilares são estruturas muito finas — tão finas que os glóbulos vermelhos passam por eles em fila indiana — e quando submetidos a essa pressão intensa, acabam se rompendo.
O sangue que sai desses capilares rompidos se deposita no espaço entre as células, formando a mancha visível na pele. Esse processo, chamado de extravasamento ou diapedese, desencadeia uma resposta inflamatória local controlada. O corpo reconhece o sangue fora dos vasos como um sinal para ativar a cascata de cicatrização: macrófagos chegam ao local, metabolizam as células sanguíneas extravasadas e estimulam a produção de colágeno e novos capilares.
Em outras palavras, a mancha roxa é literalmente o início de um processo de regeneração tecidual. O tecido que estava cronicamente tensionado, mal oxigenado e com circulação comprometida recebe, pela primeira vez em semanas ou meses, um estímulo poderoso de renovação. Eu costumo explicar para meus pacientes que a ventosa “acorda” o tecido que estava dormindo. Ele precisa desse susto controlado para começar a se recuperar de verdade.
🔬Ilustração 2 — O que acontece sob a pele durante a ventosaterapia
A pressão negativa da ventosa dilata e rompe capilares superficiais, promovendo extravasamento sanguíneo local — a fonte das marcas roxas — e desencadeando uma resposta regenerativa nos tecidos.
O significado das cores — do rosa ao roxo intenso
As marcas deixadas pela ventosaterapia são como um mapa do estado dos seus tecidos. Cada cor conta uma história diferente sobre o que está acontecendo naquela região do seu corpo. Um profissional experiente usa a cor das marcas como parte da avaliação clínica, ajustando o protocolo de tratamento a partir do que observa na pele.
| Cor da Marca | O que indica |
|---|---|
| Rosa claro / vermelho suave | Boa circulação local, tecido saudável, pouca estagnação |
| Vermelho vivo | Calor e inflamação ativa na região; fluxo sanguíneo mais intenso |
| Roxo médio | Tensão muscular moderada, circulação levemente comprometida |
| Roxo escuro / quase preto | Estagnação intensa, acúmulo de toxinas, tensão muscular crônica |
| Borda visível sem coloração central | Deficiência de circulação local, região energeticamente “fria” |
Na minha prática, quando vejo uma marca quase preta em um paciente que nunca fez ventosaterapia antes, já sei que estamos diante de uma região com comprometimento circulatório importante e tensão muscular de longa data. Com as sessões seguintes, conforme o tecido vai respondendo ao tratamento, as marcas vão ficando progressivamente mais claras. Essa evolução da cor é uma das formas mais concretas de acompanhar o progresso do tratamento.
Importante: a cor da marca não é um indicador de dor ou de lesão. Você pode ter uma marca roxo-escuro sem sentir nenhum desconforto significativo, e pode ter uma marca rosada em uma área que dói bastante. A cor reflete o estado circulatório e a condição do tecido, não a intensidade da dor subjetiva. Por isso, nunca interprete a cor da marca sozinho — sempre converse com o seu terapeuta sobre o que está observando.
Marcas roxas são diferentes de hematomas
Essa confusão é muito comum e compreensível. Visualmente, uma marca de ventosa e um hematoma se parecem bastante — ambas são manchas arroxeadas na pele. Mas os mecanismos que as geram são completamente diferentes, e isso faz toda a diferença na forma como o corpo lida com cada uma.
Um hematoma resulta de um trauma mecânico — uma pancada, uma queda, uma contusão. Nesse caso, um vaso de calibre maior se rompe abruptamente por causa de uma força externa, e o sangue se acumula de forma desordenada nos tecidos. A resposta inflamatória é intensa, o local fica inchado, quente e muito dolorido. O tempo de absorção é longo, e dependendo da profundidade, o hematoma pode durar semanas.
A marca da ventosa, por outro lado, resulta de um processo controlado e gradual. São os capilares superficiais — os menores vasos do sistema circulatório — que se rompem de forma homogênea sob a pressão negativa. Não há trauma, não há impacto externo, não há tecido destruído. O sangue extravasado fica confinado nas camadas mais superficiais da pele, é facilmente reabsorvido pelo sistema linfático e não deixa sequelas. Em média, as marcas somem entre 3 e 7 dias, e em regiões com boa circulação, às vezes em menos de 48 horas.
Os benefícios reais da ventosaterapia para o seu corpo
Vou ser direta com você: a ventosaterapia tem benefícios bem documentados e outros que ainda estão sendo estudados mais a fundo pela ciência ocidental. Mas na prática clínica, quem trabalha com essa técnica há anos vê resultados consistentes que vão muito além do placebo. Os pacientes voltam. Pedem mais sessões. E os seus corpos respondem de formas mensuráveis — com mais amplitude de movimento, menos dor e recuperação mais rápida.
A técnica age em múltiplas frentes ao mesmo tempo: melhora a microcirculação local, mobiliza as fáscias, estimula o sistema linfático, atua sobre o sistema nervoso autônomo promovendo relaxamento e ativa os processos naturais de regeneração dos tecidos. Cada um desses efeitos, por si só, já seria relevante. Juntos, eles fazem da ventosaterapia uma das ferramentas mais versáteis que um fisioterapeuta pode ter no seu arsenal terapêutico.
Abaixo, vou detalhar os três benefícios que mais aparecem na minha prática cotidiana, porque acredito que você vai se identificar com pelo menos um deles.
Alívio de dores musculares e contraturas
Dor nas costas, tensão no pescoço, ombros travados — essas são as queixas que mais chegam até mim todos os dias. E a ventosaterapia tem uma eficácia notável para lidar com dores musculares, especialmente as crônicas, que não respondem bem só ao alongamento ou à massagem convencional. O motivo está na forma como a técnica atua sobre os pontos-gatilho — aqueles nódulos de tensão dentro do músculo que irradiam dor para outras regiões do corpo.
Quando a ventosa é posicionada diretamente sobre um ponto-gatilho e mantida por 5 a 10 minutos, a sucção provoca uma isquemia seguida de hiperemia — primeiro o tecido fica sem sangue, depois recebe um afluxo intenso. Esse ciclo quebra o padrão de contração muscular involuntária que mantém o ponto-gatilho ativo. É como desligar e religar um circuito elétrico que estava com defeito. O músculo finalmente consegue relaxar de verdade.
Estudos publicados em periódicos de fisioterapia e medicina esportiva mostram redução significativa na intensidade da dor e na sensibilidade dos pontos-gatilho após protocolos de ventosaterapia. Na prática, eu vejo isso acontecer na maca: o paciente entra na sessão com dificuldade de girar o pescoço, e sai com amplitude de movimento visivelmente melhorada. Não é mágica — é fisiologia aplicada de forma inteligente.
Melhora da circulação e drenagem linfática
A ventosaterapia é, em essência, uma técnica de modulação circulatória. O vácuo criado pelo copo força o sangue arterial a chegar com mais intensidade na região tratada e facilita o retorno venoso. Ao mesmo tempo, o movimento das ventosas deslizando sobre a pele estimula os vasos linfáticos superficiais, que correm logo abaixo da derme e são responsáveis por drenar o excesso de fluido intersticial e transportar resíduos metabólicos para os linfonodos.
Isso explica por que a ventosaterapia é cada vez mais usada em protocolos estéticos e de reabilitação de edemas. Retenção de líquido nas pernas, inchaço após cirurgias, celulite fibrótica — todas essas condições se beneficiam da estimulação linfática que a técnica proporciona. Claro, não é a única intervenção necessária, mas quando combinada com drenagem linfática manual e mudanças de hábito, potencializa os resultados de forma bastante expressiva.
Outro grupo que se beneficia muito da melhora circulatória são pessoas sedentárias ou que ficam muito tempo sentadas. Quando você passa horas na mesma posição, a circulação nas regiões comprimidas — especialmente lombar, glúteos e posteriores de coxa — fica comprometida. O tecido acumula metabólitos, a fáscia perde mobilidade, e ao longo do tempo isso vira dor crônica. A ventosaterapia atua exatamente nesse ciclo, reestabelecendo o fluxo circulatório e devolvendo vitalidade ao tecido comprometido.
💪Ilustração 3 — Ventosaterapia e recuperação muscular
A técnica é amplamente usada por atletas e praticantes de atividade física para acelerar a recuperação muscular, reduzir inflamação e melhorar a amplitude de movimento antes e após os treinos.
Recuperação muscular para atletas e praticantes de atividade física
Depois das Olimpíadas de 2016, quando várias fotos de atletas com marcas de ventosa circularam o mundo, os consultórios de fisioterapia esportiva receberam uma enxurrada de curiosos querendo entender a técnica. E com razão: a ventosaterapia tem aplicações muito bem estabelecidas na recuperação esportiva. Ela reduz o DOMS — sigla em inglês para a dor muscular de início tardio, aquela que aparece 24 a 48 horas depois de um treino intenso — de forma eficaz e sem os efeitos colaterais dos anti-inflamatórios.
O mecanismo é simples: após um treino intenso, o músculo acumula microlesões e metabólitos como o ácido lático. A ventosaterapia acelera a remoção desses metabólitos ao aumentar o fluxo sanguíneo e linfático na região, e ao mesmo tempo estimula a regeneração das microlesões, ativando os processos de síntese proteica no tecido muscular. O resultado é uma recuperação mais rápida e uma menor sensação de rigidez no dia seguinte.
Corredores, nadadores, ciclistas e praticantes de musculação são hoje usuários frequentes da ventosaterapia. Muitos atletas de alto rendimento incluem sessões regulares no seu protocolo de recuperação semanal, alternando com crioterapia e mobilização miofascial. O que mais me impressiona é a versatilidade: você pode aplicar a técnica no pré-treino para preparar a musculatura e aumentar a mobilidade articular, ou no pós-treino para acelerar a recuperação. Em ambos os casos, os tecidos respondem muito bem.
Como é uma sessão de ventosaterapia na prática
Muita gente chega ao consultório com aquela mistura de curiosidade e apreensão. Ficou sabendo pela internet, viu algum vídeo, ou um amigo falou bem — mas não sabe muito bem o que esperar. Vou te contar como funciona uma sessão típica de ventosaterapia, desde a avaliação inicial até os cuidados depois que você sai da clínica. Acredite, saber o que vai acontecer já diminui bastante a ansiedade.
Uma sessão bem conduzida é uma experiência muito mais confortável do que a maioria das pessoas imagina. A pressão criada pelas ventosas pode causar uma sensação de aperto — não dor, mas uma pressão que você sente claramente. Muitos pacientes descrevem a sensação como “esquisita, mas boa”, e vários deles adormecem durante a sessão. Quando você entende o processo, fica muito mais fácil relaxar e deixar o tratamento acontecer.
Cada sessão costuma durar entre 30 e 60 minutos, dependendo da área tratada e do protocolo escolhido. A frequência ideal varia conforme o objetivo — tratamento de dor crônica, recuperação esportiva ou manutenção preventiva. Vou detalhar cada etapa a seguir.
Antes de começar: o que você precisa saber
Antes da sua primeira sessão, o terapeuta vai fazer uma anamnese detalhada — aquela conversa inicial onde você conta seu histórico de saúde, as suas queixas principais, medicamentos que usa, cirurgias anteriores e qualquer condição médica relevante. Isso não é burocracia: é essencial para garantir que a técnica seja segura para você e que o protocolo seja adequado para o seu caso específico.
Existe um preparo básico que eu sempre oriento para os meus pacientes. Evite fazer a sessão com o estômago cheio — espere pelo menos uma hora após uma refeição leve. Esteja bem hidratado: beba água suficiente nas horas anteriores à sessão. Hidratação adequada facilita a resposta circulatória e a absorção das marcas depois. Evite também cremes ou óleos corporais antes da sessão, pois podem interferir na aderência das ventosas.
Uma informação que muita gente não sabe: a ventosaterapia é oferecida gratuitamente pelo SUS, como parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC). Então, se você não tem como pagar por sessões particulares, vale pesquisar a disponibilidade nas Unidades Básicas de Saúde da sua região. Claro, em clínicas privadas você terá um atendimento mais personalizado e com equipamentos mais variados, mas a técnica em si é a mesma.
Durante a sessão: o que esperar sentir
Você vai deitar na maca, geralmente de barriga para baixo para trabalho nas costas, ou em outras posições dependendo da área a ser tratada. O terapeuta vai aplicar um óleo vegetal na pele — de preferência com arnica, que potencializa o efeito anti-inflamatório — e posicionar as ventosas uma a uma sobre os pontos de tratamento. Nas técnicas de ventosa fixa, os copos ficam estacionários por 5 a 15 minutos. Nas técnicas de deslizamento, o terapeuta move as ventosas suavemente pela pele, numa espécie de massagem profunda invertida.
Nos primeiros minutos você vai sentir uma pressão clara e um leve formigamento na região tratada. Algumas pessoas sentem um calor intenso — isso é normal e indica que a circulação está aumentando na área. Raramente a sensação é dolorosa. Se você sentir dor intensa em algum momento, avise o terapeuta imediatamente. A pressão pode e deve ser ajustada. Um bom profissional monitora seu limiar de conforto durante toda a sessão.
Ao longo da sessão, muitos pacientes entram num estado de relaxamento profundo. O sistema nervoso parassimpático assume o controle — a frequência cardíaca cai levemente, a respiração fica mais lenta e profunda, e a musculatura vai cedendo progressivamente. Não é incomum o paciente cochitar durante a aplicação. Quando as ventosas são retiradas, você vai sentir um alívio imediato da pressão e, em seguida, uma sensação de leveza nos tecidos que acabaram de ser tratados.
Cuidados essenciais após a aplicação
O pós-sessão é tão importante quanto a sessão em si. Beba bastante água nas horas seguintes — pelo menos 1,5 litros. A hidratação facilita a eliminação renal dos metabólitos que foram mobilizados durante o tratamento. Se você sair da sessão e não se hidratar adequadamente, pode sentir uma leve dor de cabeça ou cansaço excessivo, que nada mais são do que sinais de que o corpo está processando a descarga de toxinas mobilizadas.
Evite exposição ao sol, banhos quentes prolongados e atividades físicas intensas nas 24 horas após a sessão. A pele na região tratada ficará sensível, e o calor excessivo pode intensificar as marcas ou causar desconforto. Um banho morno é perfeito — e se quiser cuidar da pele nas regiões tratadas, uma massagem suave com óleo de rosa mosqueta ajuda a reduzir a intensidade das marcas e acelera a absorção.
As marcas roxas podem aparecer imediatamente ou nas horas seguintes à sessão. Não entre em pânico. Elas não doem ao toque (ao contrário de um hematoma, que é sensível à pressão), e vão sumindo gradualmente ao longo dos dias seguintes. Com as sessões regulares, você vai notar que as marcas ficam progressivamente mais claras, porque os tecidos vão respondendo ao tratamento e a circulação local vai melhorando. Isso é um ótimo sinal de progresso.
Quem pode e quem não pode fazer ventosaterapia
A ventosaterapia é uma técnica segura quando bem indicada e aplicada por um profissional capacitado. Mas como toda intervenção terapêutica, ela tem suas indicações e suas contraindicações. Conhecer os dois lados é fundamental para você tomar uma decisão consciente e para garantir que o tratamento seja realmente benéfico para o seu caso.
A lista de contraindicações existe para proteger você, não para afastar pessoas da técnica. Na minha experiência, a grande maioria das contraindicações é absoluta para a região específica de aplicação, não para o tratamento como um todo. Ou seja, muitas vezes é possível fazer a sessão em uma parte do corpo enquanto se evita outra. O bom senso e a avaliação individualizada são sempre o melhor caminho.
Se você tiver qualquer dúvida sobre se a ventosaterapia é indicada para você, o mais seguro é procurar um fisioterapeuta que tenha formação específica na técnica. Uma boa anamnese resolve a maioria das dúvidas antes mesmo de você deitar na maca.
Indicações mais comuns na clínica
A ventosaterapia tem uma lista de indicações bastante ampla, o que a torna uma das técnicas mais requisitadas nos consultórios de fisioterapia hoje em dia. As queixas mais comuns que se beneficiam do tratamento incluem: lombalgias e dores nas costas em geral, cervicalgia (dor no pescoço), ombro congelado, fibromialgia, síndrome do túnel do carpo, tensão muscular crônica por postura inadequada, dores articulares relacionadas à artrite, enxaquecas tensionais e dores menstruais.
No campo esportivo, a técnica é amplamente indicada para recuperação pós-treino, tratamento de lesões musculares de grau I e II, síndrome do trato iliotibial, dores na fáscia plantar e contratura dos músculos isquiotibiais. Em estética, é usada em protocolos de redução de celulite, drenagem de edemas pós-operatórios e melhora da qualidade da pele.
Além dessas indicações físicas, a ventosaterapia tem um efeito de relaxamento do sistema nervoso autônomo que a torna útil também em casos de estresse crônico, ansiedade somática — quando o estresse emocional se manifesta em tensão muscular intensa — e insônia associada a hipertonia muscular. Muitos dos meus pacientes relatam que dormem muito melhor nas noites que seguem as sessões.
Contraindicações importantes
Existem situações em que a ventosaterapia não deve ser aplicada. Trombose venosa profunda e tromboflebite são contraindicações absolutas: a sucção pode deslocar um trombo e causar complicações gravíssimas. O mesmo vale para distúrbios hemorrágicos e uso de anticoagulantes em doses terapêuticas altas — o risco de sangramento excessivo é real e não pode ser ignorado.
Varizes visíveis e vasinhos superficiais frágeis também são contraindicações para aplicação direta sobre eles, embora seja possível tratar as regiões ao redor com cuidado. Feridas abertas, queimaduras, dermatites ativas, psoríase em fase aguda e qualquer lesão de pele na área a ser tratada contraindicam a aplicação local. Pressão arterial muito elevada e sem controle medicamentoso também é uma contraindicação importante.
Durante a gravidez, especialmente no primeiro trimestre, a ventosaterapia deve ser evitada sem acompanhamento médico. Alguns pontos específicos do corpo têm efeito estimulante sobre o útero segundo a medicina tradicional chinesa, e mesmo que isso não seja consenso na ciência ocidental, o princípio da precaução deve prevalecer. Em crianças pequenas e idosos com pele muito frágil, a pressão precisa ser mínima e o tempo de aplicação bastante reduzido.
Com que frequência fazer as sessões
A frequência ideal depende muito do objetivo do tratamento e da resposta individual de cada paciente. Para condições agudas — como uma dor nas costas que surgiu depois de um esforço — 2 a 3 sessões em uma semana podem ser suficientes para resolver o quadro. Para condições crônicas, como fibromialgia ou tensão cervical de anos, o protocolo mais comum é 1 sessão por semana durante 6 a 8 semanas, com reavaliação após esse período.
Para atletas em fase de competição ou com carga de treino muito alta, sessões de manutenção 1 a 2 vezes por semana são bastante comuns. Em protocolos estéticos, o padrão é de 1 sessão por semana por 10 semanas, com intervalo de 2 semanas entre os ciclos. Em qualquer caso, é importante respeitar o intervalo mínimo de 48 horas entre sessões na mesma região, para dar tempo ao tecido de completar o processo inflamatório e de regeneração desencadeado pela técnica.
Uma coisa que sempre deixo claro para os meus pacientes: a ventosaterapia funciona melhor como parte de um protocolo de tratamento integrado. Ela potencializa os resultados da fisioterapia convencional, da acupuntura, da drenagem linfática e do exercício terapêutico. Usar a ventosa isoladamente pode trazer alívio, mas combinar técnicas é o que realmente promove mudanças duradouras na qualidade dos tecidos e na ausência de dor.
Exercícios para fixar o que você aprendeu
Exercício 1 — Reconhecimento das marcas
Imagine que você acaba de fazer uma sessão de ventosaterapia nas costas. Ao olhar no espelho, você percebe três tipos diferentes de marcas: uma área na lombar com cor roxo-escuro quase preto, uma área na região entre as escápulas com cor avermelhada viva e uma área no trapézio direito com uma coloração rosada clara. Com base no que você leu, explique o que cada uma dessas cores indica sobre o estado dos tecidos nessas regiões e o que esperar ao longo das próximas sessões.
Resposta do Exercício 1
A marca roxo-escuro na lombar indica estagnação intensa nessa região: circulação comprometida, acúmulo de toxinas metabólicas e provável tensão muscular crônica de longa data. Essa área vai exigir mais sessões para responder ao tratamento, e a tendência é que as marcas fiquem progressivamente mais claras conforme o tecido vai sendo reativado.
A marca avermelhada viva na região entre as escápulas indica calor e inflamação ativa — o fluxo sanguíneo nessa área está mais intenso, o que pode sugerir uma inflamação recente ou uma região que o corpo está tentando curar ativamente. Não é necessariamente negativo, mas o terapeuta deve monitorar essa área com atenção.
A marca rosada clara no trapézio direito é um sinal positivo: indica que a circulação nessa região está razoável e que o tecido tem boa resposta ao estímulo. A recuperação deve ser mais rápida nessa área, e as marcas devem desaparecer em 2 a 3 dias.
Exercício 2 — Indicação ou contraindicação?
Para cada caso abaixo, identifique se a ventosaterapia é indicada, contraindicada ou indicada com restrições, e justifique sua resposta:
a) Mulher de 35 anos, corredora, com dor no músculo iliopsoas após uma maratona, sem condições médicas prévias.
b) Homem de 58 anos com trombose venosa profunda diagnosticada na perna direita, em uso de anticoagulante.
c) Mulher de 28 anos, grávida de 4 meses, com dor lombar intensa, sem outras condições médicas.
d) Homem de 42 anos com fibromialgia, pressão arterial controlada com medicação, pele íntegra.
Resposta do Exercício 2
a) Indicada. Atleta saudável com dor muscular pós-maratona é um caso clássico de indicação para ventosaterapia. A técnica vai acelerar a remoção de metabólitos e a recuperação das microlesões musculares. Protocolo de 2 a 3 sessões nessa semana de recuperação pós-competição é adequado.
b) Contraindicada absolutamente. Trombose venosa profunda é uma contraindicação absoluta. A sucção da ventosa sobre a região afetada pode deslocar o trombo e provocar uma embolia pulmonar — uma emergência médica gravíssima e potencialmente fatal. O uso de anticoagulante também aumenta o risco de sangramento. Essa pessoa não deve receber ventosaterapia sob nenhuma circunstância até resolução completa do quadro trombótico.
c) Indicada com restrições. Gestante de 4 meses pode receber ventosaterapia para dor lombar, mas com restrições importantes: nunca sobre o abdômen, região lombossacral baixa ou pontos reflexos específicos que estimulam o útero. A sessão deve ser feita apenas por terapeuta com experiência em gestantes, com pressão reduzida e tempo de aplicação menor. Indicação médica ou obstétrica prévia é recomendada.
d) Indicada. Fibromialgia é uma das condições que mais se beneficia da ventosaterapia, e a pressão arterial controlada com medicação não é uma contraindicação — apenas requer monitoramento. O protocolo deve ser progressivo, com pressão inicial baixa para avaliar a tolerância do paciente, que em casos de fibromialgia costuma ter sensibilidade aumentada.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”