Você provavelmente chegou até aqui porque já tentou de tudo. Já tomou os anti-inflamatórios que o médico receitou, já colocou bolsas de gelo até perder a sensibilidade da pele e, talvez, já tenha feito dezenas de sessões de fisioterapia convencional com aqueles choquinhos e ultrassom que parecem não resolver o problema em definitivo. A dor no ombro, no cotovelo ou no calcanhar insiste em voltar assim que você retoma sua rotina de exercícios ou trabalho. É frustrante, exaustivo e, sinceramente, desanimador sentir que seu corpo não está colaborando com a sua vontade de se mover livremente.
Essa sensação de estar “preso” em um ciclo de dor é o que traz muitos pacientes ao meu consultório buscando respostas sobre a Terapia por Ondas de Choque. É muito comum que as pessoas confundam o nome com eletricidade, imaginando que levarão choques elétricos dolorosos, mas a realidade é completamente diferente e muito mais fascinante do ponto de vista biológico. Estamos falando de uma tecnologia que usa a física acústica para “acordar” as células do seu tendão que pararam de tentar se curar. É uma virada de chave no tratamento de lesões que já se tornaram crônicas e teimosas.
Neste artigo, vamos conversar francamente sobre como essa terapia funciona, por que ela tem sido um divisor de águas para casos de tendinites antigas e se ela é realmente a solução que você estava procurando. Quero que você entenda o processo, sem “fisioterapeutês” complicado, para que possa tomar a melhor decisão para a sua saúde. Vamos mergulhar fundo no que acontece dentro do seu corpo quando aplicamos essa técnica e por que ela pode ser a peça que faltava no seu quebra-cabeça de reabilitação.
Entendendo a dor que não vai embora: A transição de agudo para crônico
A diferença crucial entre Tendinite e Tendinose
Você costuma ouvir o termo “tendinite” para qualquer dor no tendão, mas, na prática clínica, o que você provavelmente tem, se a dor persiste há meses, é uma “tendinose”. A tendinite é uma inflamação aguda, aquela que acontece logo que você machuca: o local fica quente, vermelho e inchado. É uma reação ativa do seu corpo tentando se defender de uma agressão recente. Nessa fase, o repouso e os remédios anti-inflamatórios costumam funcionar muito bem porque o objetivo é apenas acalmar essa resposta exagerada do sistema imunológico.
No entanto, quando a lesão não cura corretamente e o tempo passa, a inflamação vai embora, mas o tecido do tendão não volta ao normal.[1] Ele começa a sofrer um processo degenerativo. Pense no tendão saudável como um punhado de espaguete cru, com as fibras todas alinhadas e fortes. Na tendinose, as fibras ficam bagunçadas, como um espaguete cozido e misturado. O colágeno, que dá força ao tendão, perde qualidade e organização. Não há mais células inflamatórias ali para combater, há apenas um tecido fraco e desorganizado que dói quando solicitado.
É por isso que tratar uma dor crônica (tendinose) como se fosse uma dor aguda (tendinite) é um erro comum. Você toma remédio para inflamação, mas não há inflamação clássica para ser combatida. O que existe é uma falha na estrutura do tecido. Entender essa diferença é o primeiro passo para compreender por que as Ondas de Choque são indicadas: elas não são para “desinflamar” no sentido tradicional, mas para estimular a regeneração de um tecido que parou de tentar se consertar sozinho.
Por que o repouso e o gelo pararam de funcionar?
No início da lesão, o repouso era seu melhor amigo. Parar de mexer doía menos, e o gelo trazia um alívio quase imediato. Mas agora, meses depois, você percebe que ficar parado às vezes até piora a rigidez, e o gelo já não faz mais aquela diferença mágica. Isso acontece porque o metabolismo do tendão crônico é lento. Ao repousar excessivamente nessa fase tardia, você está sinalizando para o corpo que aquela estrutura não precisa ser forte, o que pode levar a mais fraqueza e atrofia muscular ao redor da lesão.
O gelo, que é um vasoconstritor (fecha os vasos sanguíneos), pode ser contraproducente em lesões crônicas degenerativas onde o que mais queremos é sangue chegando. O tendão já é naturalmente pouco vascularizado; ele é branco e brilhante, ao contrário do músculo que é vermelho e cheio de sangue. Se diminuirmos ainda mais o fluxo sanguíneo com gelo constante em uma fase onde não há calor ou rubor, estamos dificultando a chegada de nutrientes necessários para o reparo tecidual.
Você precisa mudar a estratégia. O que funcionou na primeira semana não é o que vai funcionar no sexto mês. O corpo entrou em um estado de “dormência” em relação àquela lesão. Ele meio que desistiu de gastar energia ali e aceitou aquele tecido de má qualidade. As terapias passivas, como apenas colocar gelo e esperar, não dão o estímulo forte e necessário para dizer ao organismo: “Ei, ainda tem trabalho a ser feito aqui, precisamos reconstruir isso direito”. É aqui que precisamos de intervenções mais ativas e estimulantes.
O impacto da má vascularização na cura do tendão
Para que qualquer tecido do nosso corpo cicatrize, ele precisa de oxigênio e nutrientes, que chegam através do sangue. Como mencionei, os tendões são estruturas nobres, feitas para aguentar muita tração, mas têm um “calcanhar de Aquiles” biológico: recebem pouco sangue comparado aos músculos. Isso faz com que o metabolismo deles seja muito lento. Uma lesão muscular pode curar em semanas, enquanto uma lesão tendínea pode levar meses justamente por essa falta de “abastecimento” constante.
Nas tendinites crônicas, essa situação piora. O tecido cicatricial que se formou de maneira desorganizada cria uma barreira física que dificulta ainda mais a penetração de novos vasos sanguíneos. É como tentar regar um jardim onde a terra está tão compactada que a água não penetra; ela escorre e não nutre a raiz. O corpo tenta criar novos vasinhos, mas eles costumam ser frágeis e insuficientes para dar conta da demanda de reparo que um tendão de carga exige.
Sem um fluxo sanguíneo adequado, as células responsáveis pela limpeza do tecido morto e produção de colágeno novo (os fibroblastos e tenócitos) ficam inativas ou trabalham muito abaixo da capacidade. A dor crônica, muitas vezes, é um grito desse tecido isquêmico (com pouco sangue) pedindo socorro. A Terapia por Ondas de Choque entra exatamente para resolver esse problema de engenharia biológica, forçando a criação de uma nova rede de irrigação sanguínea para que a cura possa finalmente acontecer.
O que é exatamente a Terapia por Ondas de Choque (TOC)?
Desmistificando o nome “Choque”: Não é eletricidade
A primeira coisa que preciso que você tire da cabeça é a imagem de levar um choque elétrico na tomada. O termo “Ondas de Choque” vem da tradução física de “Shockwave”, que se refere a um impacto acústico, uma onda de som muito forte e rápida. Pense no estrondo que um avião faz quando quebra a barreira do som. Aquilo é uma onda de choque atmosférica. Na clínica, usamos um aparelho que gera uma onda similar, mas controlada e direcionada especificamente para o ponto da sua dor.[1][2]
Não há eletricidade passando pelo seu corpo durante a aplicação. O que você sente é uma percussão, como se fosse um pequeno martelinho batendo muito rápido e fundo no tecido. É uma energia mecânica, cinética. O aparelho converte eletricidade em energia sonora de alta pressão que viaja através da pele e da gordura até chegar ao tendão ou ao osso. É, portanto, um tratamento físico, não elétrico.
Essa distinção é fundamental para você perder o medo. Muitos pacientes chegam tensos, esperando uma sensação de “eletrocução”, mas relaxam assim que entendem que é uma terapia baseada em som e impacto. É seguro, não interfere em marca-passos (diferente de algumas correntes elétricas) e não oferece risco de queimadura elétrica. É pura física aplicada à medicina para gerar movimento dentro das suas células.
A física por trás do tratamento: Ondas acústicas de alta energia[2][3][4]
Imagine que você joga uma pedra em um lago calmo. As ondas se espalham a partir do ponto onde a pedra caiu. Agora, imagine que essa pedra carrega uma energia muito alta e consegue viajar através da água sem perder força até atingir o fundo. No nosso caso, o “lago” são os tecidos do seu corpo (que são feitos majoritariamente de água) e a “pedra” é o pulso sonoro gerado pelo aparelho. Essa onda viaja mais rápido que a velocidade do som nos tecidos.
Quando essa onda acústica encontra um tecido com densidade diferente — como um ponto de calcificação duro dentro de um tendão mole ou uma fibrose — ela libera sua energia. Esse fenômeno físico causa uma compressão seguida de uma tensão rápida nas células. Isso gera um estresse mecânico proposital. Parece contraditório machucar para curar, não é? Mas é exatamente esse “microtrauma” controlado a nível celular que reinicia o processo de cura que estava estagnado.
Além disso, existe um fenômeno chamado cavitação. A passagem rápida da onda cria microbolhas de gás dentro dos fluidos do tecido que, ao explodirem, geram uma força local intensa. Essa força é capaz de quebrar depósitos de cálcio duros e soltar aderências fibrosas que estão limitando seu movimento.[4] É uma limpeza interna feita através da vibração e da pressão, sem precisar de bisturi ou agulhas para chegar lá no fundo da lesão.
Tipos de Ondas: Focais vs. Radiais[4]
No universo da fisioterapia, você vai encontrar basicamente dois tipos de equipamentos: as ondas focais e as ondas radiais.[4] Saber a diferença é importante para alinhar suas expectativas. As ondas radiais são mais comuns em clínicas de fisioterapia. Elas funcionam como uma espingarda de chumbinho: a energia se espalha logo que sai da ponteira, cobrindo uma área maior, mas com menos penetração profunda. São excelentes para lesões mais superficiais e para tratar a musculatura tensa ao redor do tendão.
Já as ondas focais funcionam como um rifle de precisão. A energia é concentrada em um ponto específico lá na profundidade, convergindo para o alvo.[3] Elas são capazes de atingir tecidos mais profundos sem perder energia na pele ou na gordura. São ideais para calcificações pontuais, esporões ósseos difíceis ou tendões que ficam mais escondidos, como algumas partes do quadril ou ombro. A sensação delas é mais aguda e pontual.
Muitas vezes, utilizamos uma combinação das duas. Começamos com a radial para preparar a musculatura e soltar a fáscia superficial, e depois entramos com a focal (se disponível e necessário) para atacar o ponto crítico da lesão. O importante é que o fisioterapeuta saiba avaliar qual a profundidade da sua lesão e escolha a ponteira e a intensidade corretas. Não existe “melhor” ou “pior”, existe a ferramenta certa para a profundidade do seu problema.
Como a TOC atua biologicamente no seu corpo[5]
O fenômeno da Neovascularização: Criando novos caminhos[5][6]
Lembra que falamos sobre a falta de sangue no tendão crônico? Aqui está a mágica da Terapia por Ondas de Choque. O estímulo mecânico das ondas provoca a liberação de fatores de crescimento vascular, como o óxido nítrico e o VEGF (fator de crescimento endotelial vascular). Em português claro: o tratamento dá uma ordem química para o corpo construir novos vasos sanguíneos naquela região deserta.
Esse processo é chamado de neovascularização.[2][5][6] É como se estivéssemos abrindo novas estradas para que os caminhões de suprimentos (sangue com oxigênio e nutrientes) pudessem chegar ao canteiro de obras (o tendão lesionado). Com o aumento da circulação sanguínea permanente na área, o tecido que estava morrendo ou degenerando ganha uma nova chance de se revitalizar. O metabolismo local acelera e a troca de células velhas por novas acontece de forma mais eficiente.
Essa não é uma resposta imediata de um dia para o outro, mas é uma mudança estrutural duradoura. Diferente de um remédio que passa o efeito em 8 horas, os novos vasos sanguíneos criados permanecem ali, garantindo que o tendão continue sendo nutrido meses após o fim do tratamento. É por isso que os resultados das ondas de choque costumam ser sustentáveis a longo prazo, pois mudamos a biologia da região.
Analgesia imediata e tardia: Como a dor é “desligada”
Um dos efeitos mais interessantes que você vai perceber logo após a sessão, ou nas 24 horas seguintes, é uma diminuição significativa da dor. Isso acontece por dois mecanismos. O primeiro é a “Teoria das Comportas”: o estímulo intenso das ondas de choque sobrecarrega as terminações nervosas sensoriais. É tanta informação chegando ao cérebro vinda daquela área que ele temporariamente “inibe” a percepção da dor. As fibras nervosas ficam incapazes de transmitir o sinal de dor por um tempo.
O segundo mecanismo, mais duradouro, envolve a diminuição da “Substância P”. A Substância P é um neurotransmissor responsável por levar a informação de dor e inflamação para o sistema nervoso central. Estudos mostram que as ondas de choque reduzem a concentração dessa substância na área tratada. Com menos mensageiros da dor circulando, você sente menos incômodo, o que permite que você comece a se movimentar melhor.
Isso cria um ciclo virtuoso. Com menos dor, você consegue fazer os exercícios de reabilitação com mais qualidade. Fazendo os exercícios, você fortalece o tendão. Fortalecendo o tendão, a dor diminui ainda mais. A analgesia promovida pela TOC não é apenas para conforto, ela é uma janela de oportunidade terapêutica para que possamos introduzir o movimento, que é o verdadeiro remédio para o tendão.
Efeito Mecânico: Quebrando calcificações e fibroses
Muitas tendinites crônicas, especialmente no ombro (manguito rotador) e no calcanhar (esporão), vêm acompanhadas de calcificações.[5] O corpo, na tentativa errada de “reforçar” um tendão fraco, deposita cálcio onde não deveria. Isso forma uma pedrinha dentro do tendão que corta e machuca o tecido a cada movimento, gerando uma dor excruciante e pontadas agudas.
A ação mecânica das ondas de choque atua diretamente sobre essas calcificações.[5] A energia do impacto fragmenta os depósitos de cálcio, transformando uma pedra grande em poeira ou pasta de cálcio. Uma vez que essa estrutura dura é quebrada, ela deixa de ser uma barreira física e o próprio sistema linfático do corpo consegue reabsorver e eliminar esses resíduos ao longo das semanas seguintes. É como demolir um muro tijolo por tijolo.
O mesmo vale para as fibroses, que são cicatrizes internas duras que deixam o tecido sem elasticidade. As ondas de choque ajudam a “amaciar” esse tecido, reorganizando as fibras de colágeno. O resultado é um tendão mais maleável, elástico e capaz de suportar carga sem se romper ou doer. Você sente a diferença na amplitude de movimento; aquele braço que não levantava ou aquele pé que travava de manhã começam a soltar.
Para quem é indicado este tratamento?
O drama do ombro congelado e tendinite calcária
Se você tem dor no ombro, sabe como é incapacitante não conseguir pentear o cabelo ou pegar o cinto de segurança no carro. A tendinite calcária do manguito rotador é uma das indicações “padrão ouro” para as ondas de choque. As taxas de sucesso são altíssimas, muitas vezes evitando cirurgias para raspagem do cálcio. O tratamento ataca a causa física da dor (o depósito de cálcio) e estimula a cicatrização do tendão supraespinhal, que costuma ser o mais afetado.[4]
Outra condição comum é a capsulite adesiva ou ombro congelado, embora aqui o foco seja mais no alívio da dor e na quebra de fibroses capsulares. Pacientes que sofrem com dores noturnas no ombro, que não conseguem dormir de lado, relatam uma melhora significativa na qualidade do sono após algumas sessões. A terapia ajuda a reduzir a inflamação crônica intra-articular e a ganhar graus preciosos de movimento.
É importante ressaltar que, no ombro, a precisão é fundamental. Usamos exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância, para mapear exatamente onde está a calcificação e mirar o aparelho nela. Não é um tiro no escuro. Você sentirá o aparelho trabalhando exatamente em cima daquela “dorzinha chata” que você aponta com o dedo.
Cotovelos e joelhos: Epicondilites e Tendinite Patelar[1][7][8]
A famosa “cotovelo de tenista” (epicondilite lateral) ou “cotovelo de golfista” (medial) são clássicos exemplos de lesões que se tornam crônicas por excesso de uso. Quem trabalha digitando, fazendo força manual ou pratica esportes de raquete sofre muito. A região do cotovelo tem pouquíssima circulação sanguínea, o que torna a cura natural muito difícil. As ondas de choque nessa região costumam ter resultados excelentes, reduzindo a sensibilidade ao toque e devolvendo a força de preensão da mão.
Já no joelho, a tendinite patelar (“joelho do saltador”) afeta corredores, jogadores de vôlei e basquete. É aquela dor logo abaixo da rótula que pinça quando você sobe escadas ou agacha. O tendão patelar é espesso e forte, e quando ele adoece, fica rígido. A TOC ajuda a diminuir essa rigidez e estimula a remodelação das fibras de colágeno, permitindo que o atleta volte a saltar e correr sem aquele medo da “fisgada” no joelho.
Em ambos os casos, a terapia permite que mantenhamos um nível de atividade física durante o tratamento, o que é ótimo para o psicológico do paciente. Não precisamos imobilizar o braço ou a perna. Pelo contrário, o movimento controlado ajuda a orientar as novas fibras que estão sendo formadas pelo estímulo das ondas.
Pés e Tornozelos: Fascite Plantar e Tendão de Aquiles[1][7][9]
Talvez a aplicação mais famosa e consagrada das ondas de choque seja para a fascite plantar e o esporão de calcâneo. Aquela dor matinal, nos primeiros passos ao sair da cama, como se estivesse pisando em agulhas, é clássica. A fáscia plantar é um tecido fibroso grosso que, quando inflama e cronifica, é muito difícil de tratar apenas com alongamento. A TOC atua relaxando essa fáscia e desativando os pontos de gatilho da dor na sola do pé.
O Tendão de Aquiles é outro grande beneficiado.[1][7] Ele é o tendão mais forte e espesso do corpo, e quando sofre tendinose, pode ficar inchado e muito sensível. O risco de ruptura em tendões de Aquiles degenerados é real. O tratamento com ondas de choque aumenta a produção de colágeno tipo 1 (o tipo forte) e melhora a resistência do tendão. Isso é vital para quem quer voltar a correr ou simplesmente caminhar sem mancar.
Para corredores e pessoas que trabalham muito tempo em pé, esse tratamento é um salvador. Muitas vezes, conseguimos evitar a cirurgia de liberação da fáscia plantar com um ciclo bem feito de ondas de choque associado a palmilhas e exercícios. É devolver a liberdade de caminhar sem pensar em cada passo que vai dar.
O que acontece durante e depois da sessão?
A sensação durante a aplicação: Dói ou não?
Vou ser muito sincero com você, como faço com todos os meus pacientes: o tratamento não é uma massagem relaxante. Existe um desconforto, sim. A sensação varia de “suportável” a “dolorosa”, dependendo muito do nível de inflamação e da sua sensibilidade pessoal. No entanto, é uma “dor terapêutica”. A maioria dos pacientes descreve como uma dor que “pega no lugar certo”, como se estivesse mexendo na raiz do problema.
A boa notícia é que o fisioterapeuta tem controle total sobre a intensidade. Começamos sempre com uma energia baixa para você se acostumar e vamos aumentando gradativamente conforme a sua tolerância. O aparelho faz um barulho rítmico (tec-tec-tec) e você sente a percussão. A sessão de aplicação efetiva dura poucos minutos, geralmente entre 5 a 10 minutos por área. É rápido. Você consegue aguentar porque sabe que vai acabar logo.
Além disso, após os primeiros minutos de aplicação, ocorre aquele efeito analgésico que expliquei antes. A área fica meio anestesiada e o final da sessão costuma ser muito mais tranquilo do que o começo. Nunca faremos algo que seja insuportável para você. A comunicação é constante: você me diz “está doendo muito” e eu ajusto na hora. Você está no controle.
O protocolo de tratamento: Frequência e Duração
A Terapia por Ondas de Choque não é um tratamento que você precisa fazer para sempre. Ela tem início, meio e fim. Um ciclo padrão geralmente envolve de 3 a 6 sessões, realizadas uma vez por semana.[9] O intervalo de 7 dias entre as sessões é crucial. Não adianta querer fazer todo dia para “curar mais rápido”. O corpo precisa desse tempo para processar o estímulo biológico, realizar a neovascularização e começar a reparar o tecido.
Em alguns casos mais leves, 3 sessões são suficientes para zerar a dor. Em casos de calcificações antigas ou tendinoses muito severas, podemos estender um pouco mais, mas raramente passamos de 8 a 10 sessões. Se não houver melhora nenhuma após 3 ou 4 sessões, nós reavaliamos o diagnóstico ou a estratégia. Não insistimos em algo que não está dando resultado.
Os resultados costumam ser progressivos. Alguns pacientes sentem alívio imediato após a primeira sessão, outros notam a melhora significativa a partir da terceira. E o mais interessante: o efeito de cura continua agindo no seu corpo por semanas ou até meses após a última sessão. O estímulo dado hoje colhe frutos lá na frente.
Cuidados pós-sessão e retorno às atividades
Após sair da sessão, você pode sentir um alívio imediato da dor (efeito analgésico) ou, em alguns casos, um leve desconforto dolorido, como se tivesse feito um treino muito pesado na academia. Isso é normal e esperado. Pode ocorrer um pequeno inchaço ou vermelhidão no local, mas hematomas são raros se a técnica for bem aplicada. Vida normal segue: você pode dirigir, trabalhar e caminhar.
A principal recomendação é o “repouso relativo”. Eu geralmente peço para você evitar atividades de alto impacto ou carga excessiva nas 48 horas após a sessão. Se tratamos o tendão de Aquiles, nada de corridas longas ou saltos nos dois dias seguintes. Mas você não deve ficar imobilizado na cama. Movimentos leves e rotineiros são bem-vindos para estimular a circulação.
Evite tomar anti-inflamatórios (comprimidos) durante o tratamento com ondas de choque, a menos que seu médico exija. Como a terapia funciona justamente estimulando uma resposta inflamatória controlada para curar, tomar um anti-inflamatório potente pode cortar o efeito do tratamento. Queremos que o corpo reaja, não que ele seja silenciado quimicamente. Gelo pode ser usado se o desconforto local for grande, mas com moderação.
Terapias complementares indispensáveis no processo
A importância vital dos exercícios de fortalecimento excêntrico
Agora vamos falar sobre o que realmente garante que a dor não volte. As Ondas de Choque preparam o terreno, mas quem constrói a casa é o exercício. Especificamente, os exercícios excêntricos. O exercício excêntrico é aquele onde você faz força enquanto o músculo e o tendão estão se alongando (por exemplo, a descida lenta no movimento de ficar na ponta dos pés).
Esse tipo de exercício é o “alimento” mecânico do tendão. Ele organiza as fibras de colágeno novas que as ondas de choque estimularam a produzir. Sem o exercício para dar a direção, as fibras crescem bagunçadas novamente. No meu consultório, assim que a dor permite, iniciamos um protocolo de carga progressiva. Começamos leve e vamos aumentando. O tendão precisa aprender a suportar carga de novo, e isso só se consegue… dando carga a ele.
Não existe cura de tendinite crônica apenas com aparelhos passivos. Se você fizer apenas as Ondas de Choque e voltar para o sofá, a chance de recidiva é alta. Você precisa se comprometer com o fortalecimento. É uma parceria: a tecnologia faz a parte biológica difícil, e você faz a parte mecânica ativa.
Terapia Manual e liberação miofascial como suporte
Muitas vezes, a dor no tendão vem acompanhada de tensão muscular ao redor. Se você tem uma tendinite no cotovelo, provavelmente os músculos do seu antebraço estão duros como pedra. Se o problema é no Aquiles, sua panturrilha deve estar encurtada. A terapia manual e a liberação miofascial entram aqui como coadjuvantes de luxo para o tratamento.
Enquanto as ondas de choque focam no ponto exato da lesão, minhas mãos trabalham soltando a musculatura vizinha, melhorando a mobilidade das articulações próximas e garantindo que toda a cadeia de movimento funcione bem. Usamos técnicas de massagem profunda, mobilização articular e instrumentais (como raspadores) para soltar aderências.
Isso melhora a biomecânica do seu corpo. Se o seu tornozelo se move melhor, o tendão de Aquiles sofre menos tensão a cada passo. Se sua escápula se move corretamente, o tendão do ombro não é pinçado. A visão do fisioterapeuta deve ser global, não apenas focada no ponto da dor. O corpo é uma máquina integrada.
Reeducação postural e correção do gesto esportivo
Por fim, precisamos entender por que você teve essa tendinite. Foi erro na técnica da corrida? Foi a cadeira do escritório que está baixa demais? Foi excesso de treino sem descanso? Se não corrigirmos a causa raiz, estamos apenas enxugando gelo. A Terapia por Ondas de Choque conserta o dano, mas a reeducação previne que ele aconteça de novo.
Analisamos o seu movimento. Se você corre, vamos olhar sua pisada. Se você joga tênis, vamos ver seu “backhand”. Se trabalha sentado, vamos ajustar sua ergonomia. Pequenos ajustes posturais podem reduzir drasticamente a sobrecarga nos tendões. Às vezes, fortalecer o quadril resolve uma dor no joelho. Corrigir a postura da coluna alivia o ombro.
Esse trabalho educativo é o que transforma o paciente. Você sai do tratamento não apenas sem dor, mas conhecendo melhor seu corpo e sabendo como protegê-lo. A Terapia por Ondas de Choque é uma ferramenta poderosa, talvez a mais poderosa que temos hoje para dores crônicas, mas ela brilha de verdade quando inserida nesse contexto completo de cuidado, exercício e correção biomecânica. Se você está sofrendo com dor crônica, saiba que existe saída e ela é muito mais científica e eficaz do que apenas “conviver com a dor”.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”