Quando você entra no consultório reclamando de uma dorzinha chata que aparece no quilômetro dez da corrida ou naquele momento crucial do saque no tênis, é natural pensar que o problema está exatamente onde dói. A gente foi ensinado a pensar assim. Se o joelho dói, coloque gelo no joelho. Se o ombro estala, fortaleça o ombro. Mas na fisioterapia esportiva moderna, e especificamente quando usamos a Reeducação Postural Global, o buraco é bem mais embaixo. Ou mais em cima. O fato é que seu corpo não é um amontoado de peças de Lego encaixadas individualmente. Ele é uma unidade indivisível e muitas vezes a causa da sua queda de rendimento está longe de onde você imagina.
Quero conversar com você hoje sobre como o RPG deixou de ser apenas aquela terapia para “corrigir coluna de adolescente” e se tornou uma arma secreta para atletas de alta performance. Não estamos falando apenas de ficar bonito na foto ou andar ereto. Estamos falando de eficiência mecânica. Um carro de Fórmula 1 pode ter o motor mais potente do mundo, mas se o chassi estiver desalinhado, ele vai perder velocidade na reta e destruir os pneus nas curvas. O seu corpo funciona exatamente da mesma maneira. Se sua estrutura está desalinhada, você está gastando energia à toa para se manter em pé e sobe menos energia para o que interessa: ganhar o jogo.
Vamos mergulhar nesse universo e entender como ajustar os parafusos da sua postura pode ser o detalhe que falta para você baixar seu tempo ou aumentar sua carga. Esqueça a ideia de que fisioterapia é só para quem está lesionado. O trabalho postural é a base da pirâmide do rendimento. Se a base é larga e sólida, o pico pode ser muito mais alto. Prepare-se para olhar para o espelho e para seus treinos com outros olhos a partir de agora.
RPG não é só “arrumar as costas”: Entendendo as Cadeias Musculares
O mito do músculo isolado e a visão global
Você provavelmente já treinou na academia fazendo cadeira extensora para o quadríceps ou rosca direta para o bíceps. Esse conceito de isolamento muscular é ótimo para hipertrofia estética, mas é péssimo para entender como o corpo se move no esporte. Na visão do RPG, o músculo isolado não existe. O que existe são cadeias musculares. Imagine que seus músculos são como elos de uma corrente longa que vai do topo da cabeça até a ponta dos pés. Se você puxar uma extremidade dessa corrente, a tensão vai se distribuir por todos os elos. Não tem como mexer em um sem afetar o todo.
Quando você corre, chuta ou salta, seu cérebro não comanda “contrai o vasto medial”. Ele comanda “estende a perna”. Para isso acontecer, uma série de músculos precisa trabalhar em harmonia, como uma orquestra. Se um violinista desafina lá no fundo (um músculo encurtado na panturrilha), a sinfonia inteira (o seu movimento) sai prejudicada. O RPG trabalha esticando e reequilibrando essas correntes inteiras de uma vez só. É por isso que, às vezes, tratamos seu pescoço e você sente o dedão do pé repuxar. Estamos mexendo na fiação completa do sistema.
Essa visão global é libertadora para o atleta. Ela explica por que aquele alongamento de posterior de coxa isolado que você faz há anos não melhora sua flexibilidade. Você está tentando esticar um elástico que tem nós em outros pontos. Enquanto não desatarmos os nós da cadeia inteira, o ganho de amplitude será medíocre. O RPG vem para organizar essa bagunça, permitindo que todos os músculos trabalhem no comprimento ideal, sem um “roubar” a função do outro.
A Grande Cadeia Mestra Posterior e o encurtamento
A maioria dos atletas sofre com o que chamamos de retração da cadeia posterior. Pense em todos os músculos que estão na parte de trás do seu corpo: panturrilhas, isquiotibiais, glúteos e os paravertebrais que sobem pelas costas até a nuca. Essa cadeia é responsável por nos manter em pé contra a gravidade. Ela trabalha o dia todo, todos os dias. Por causa desse trabalho incessante, ela tende a ficar tônica, rígida e encurtada. É como se você tivesse um suspensório gigante nas costas que está sempre apertado demais.
Esse encurtamento excessivo é um freio de mão puxado para sua performance. Imagine um velocista tentando correr com um elástico grosso puxando ele para trás. É isso que sua cadeia posterior faz quando está rígida. Ela luta contra o movimento que você quer fazer. Você gasta uma energia absurda só para vencer a própria resistência interna dos seus tecidos. No RPG, usamos posturas específicas para colocar essa cadeia inteira em tensão máxima e progressiva, “convencendo” esses músculos a cederem e ganharem comprimento real.
O resultado disso é uma liberdade de movimento que você talvez nunca tenha sentido. Quando soltamos essa cadeia, a passada da corrida abre com facilidade, o chute no futebol ganha amplitude sem esforço e o agachamento no crossfit desce mais fundo sem arredondar a lombar. Não é mágica. É física. Tiramos a tensão que estava te segurando e seu corpo naturalmente ocupa mais espaço e gera mais força.
A fáscia como uma roupa de mergulho apertada
Para entender profundamente o RPG, precisamos falar da fáscia. A fáscia é um tecido conectivo, uma espécie de pele interna branca e fibrosa que envolve todos os seus músculos, ossos e órgãos. Ela conecta tudo. Se você já limpou uma peça de carne crua e viu aquela pelinha branca difícil de tirar, aquilo é fáscia. No nosso corpo, ela funciona como uma roupa de mergulho que veste a gente por inteiro. Se essa roupa de mergulho encolher na lavagem e ficar dois tamanhos menor, você vai conseguir se mexer? Vai, mas com muita dificuldade e restrição.
Lesões antigas, cicatrizes, treinos repetitivos e má postura fazem essa “roupa de mergulho” ficar rígida e aderida. O RPG é uma das melhores ferramentas para remodelar a fáscia. As posturas estáticas e prolongadas que usamos durante a sessão geram um fenômeno chamado “creep” ou fluência nos tecidos. Diferente do alongamento rápido de 30 segundos que só atua na fibra muscular elástica, a postura mantida por 15 ou 20 minutos atua na deformação plástica desse tecido conjuntivo duro.
Estamos literalmente moldando sua estrutura. É como trabalhar com argila. Se você bater na argila rápido, ela quebra. Se você pressionar devagar e com constância, ela muda de forma. Ao liberar a fáscia através das posturas globais, devolvemos o deslizamento entre as estruturas musculares. O atleta sente que o corpo ficou “mais leve”. Essa leveza é a ausência de atrito interno. Menos atrito significa mais velocidade e menos desgaste articular a longo prazo.
Potência requer alinhamento: A biomecânica do rendimento
O conceito de “Vazamento de Energia” biomecânico
Agora vamos falar de potência. Muitos atletas acham que RPG vai deixá-los relaxados demais e que vão perder a explosão muscular. Isso é um erro enorme. O alinhamento postural é essencial para a transmissão de força. Imagine que você vai empurrar um carro enguiçado. Se você empurrar com os braços alinhados ao tronco, toda a sua força vai para o carro. Se você empurrar com o corpo torto ou os pés escorregando, metade da força se perde no caminho. Chamamos isso de “Energy Leak” ou vazamento de energia.
Quando você tem uma escoliose não tratada, uma hipercifose (aquela corcunda) ou um joelho valgo (para dentro), você tem vazamentos de energia em cada movimento. A força que você gera nas pernas para saltar, por exemplo, não chega 100% no solo porque se dissipa nas articulações desalinhadas. O RPG alinha os segmentos ósseos para que a transmissão de força seja limpa e direta. É tornar o sistema eficiente. Você faz menos força para gerar o mesmo resultado, ou faz a mesma força e gera muito mais resultado.
Isso é crítico em esportes de repetição como natação ou ciclismo. Se a cada braçada você desperdiça 2% de energia por causa de uma rotação errada do ombro, multiplique isso por milhares de braçadas em uma prova. O resultado final é a fadiga precoce. Corrigir a postura é tampar esses vazamentos. Você se torna uma máquina mais econômica. E no esporte, quem economiza energia no começo é quem tem gás para explodir no final.
A respiração diafragmática desbloqueando o core
O RPG dá uma ênfase absurda à respiração. E não é qualquer respiração. Falamos de desbloquear o diafragma. A maioria de nós respira curto, usando apenas a parte superior do tórax e os músculos acessórios do pescoço (os escalenos). Isso cria uma tensão enorme nos ombros e na cervical, além de oxigenar mal o corpo. O diafragma é o principal músculo da respiração e também é o teto do seu “core”, a base da estabilidade da coluna.
Um diafragma tenso e bloqueado rouba sua performance de duas formas. Primeiro, limita a troca gasosa, ou seja, chega menos oxigênio no músculo fadigado. Segundo, ele desestabiliza a coluna lombar. Durante as sessões de RPG, o fisioterapeuta trabalha incansavelmente para liberar esse músculo, ensinando o atleta a respirar “com a barriga”, expandindo as costelas inferiores. Isso reduz a ansiedade, baixa a frequência cardíaca basal e melhora a estabilização do tronco.
Quando você aprende a usar o diafragma durante o esforço, você ganha uma vantagem competitiva. Sua recuperação entre tiros de velocidade melhora. Sua estabilidade no contato físico melhora. É comum vermos atletas que sentiam dores lombares crônicas se curarem apenas porque aprenderam a soltar o ar corretamente e liberar a tensão que o diafragma exercia sobre as vértebras lombares. Respirar bem é o primeiro passo para se mover bem.
Economia de movimento e eficiência mecânica
A estética do movimento bonito geralmente está ligada à eficiência. Pense no Roger Federer jogando tênis ou no Usain Bolt correndo. Parece fácil, não parece? Parece que eles não estão fazendo força. Isso é o auge da organização postural. Quando as cadeias musculares estão equilibradas pelo RPG, o movimento flui sem resistências parasitas. O antagonista (músculo que freia o movimento) não luta contra o agonista (músculo que faz o movimento). Eles cooperam.
Atletas rígidos, com postura travada, parecem “robóticos”. Eles lutam contra o próprio corpo a cada passo. O RPG busca a fluidez. Ao reequilibrar as tensões, permitimos que as articulações trabalhem no seu eixo de rotação ideal. Isso significa que a cartilagem não é gasta de forma desigual. Significa que o tendão traciona o osso no ângulo correto, diminuindo o risco de tendinites.
Essa eficiência mecânica se traduz em rendimento puro. O ciclista consegue manter a posição aerodinâmica por horas sem dor nas costas. O nadador consegue girar o tronco para respirar sem afundar o quadril. São ganhos marginais que, somados, fazem uma diferença brutal no cronômetro ou no placar. O corpo deixa de ser um obstáculo a ser vencido e passa a ser o veículo perfeito para sua vontade de vencer.
Prevenção real: Tratando a causa e não o sintoma
A dor no joelho que nasce no quadril ou na coluna
A parte mais investigativa e fascinante do RPG é descobrir a origem do problema. Muitas vezes, recebo atletas com dor crônica no joelho (a famosa tendinite patelar ou condromalácia). Eles já fizeram dezenas de sessões de fortalecimento de quadríceps, ultrassom, gelo, e a dor sempre volta. Por quê? Porque o joelho muitas vezes é apenas a vítima, não o criminoso. O joelho está no meio do caminho entre o pé e o quadril. Se o pé pisa errado ou o quadril está rodado, o joelho sofre a torção.
Nesse exemplo, o problema pode estar em uma retração dos músculos rotadores do quadril ou até mesmo em uma escoliose lombar que faz o atleta descarregar mais peso em uma perna do que na outra. O joelho grita, mas a culpa é das costas. Se tratarmos apenas o joelho, estamos enxugando gelo. O RPG avalia o corpo inteiro para encontrar quem está “puxando a corda” errado.
Ao tratar a coluna e realinhar a bacia através das posturas globais, tiramos a sobrecarga mecânica do joelho. A dor desaparece não porque tratamos a dor, mas porque removemos a causa mecânica que estava irritando o tecido. É uma abordagem curativa e preventiva. Paramos de perseguir a dor e começamos a corrigir a função. Isso dá ao atleta a confiança de que o problema foi realmente resolvido.
Sobrecarga articular e os microtraumas de repetição
Lesões traumáticas, como uma pancada ou uma torção aguda, fazem parte do jogo. Mas as lesões que mais tiram atletas de combate são as de sobrecarga, os microtraumas de repetição. É aquela dorzinha que começa pequena e vira uma fratura por estresse ou uma ruptura de tendão meses depois. Isso acontece quando uma articulação está trabalhando fora do eixo, recebendo carga em uma área pequena demais da cartilagem.
O alinhamento postural promovido pelo RPG distribui a carga. Imagine carregar uma mochila pesada. Se as alças estiverem bem ajustadas e o peso distribuído nas costas, você aguenta horas. Se a mochila estiver pendurada em um ombro só, em 10 minutos você está lesionado. O RPG ajusta as alças da sua “mochila corporal”. Isso garante que o impacto da corrida, do salto ou da aterrissagem seja dissipado por toda a estrutura esquelética e muscular, e não concentrado em um ponto focal.
Isso é vital para quem treina volumes altos. Triatletas, maratonistas, nadadores de fundo. O volume de repetição é tão alto que qualquer desalinhamento milimétrico vira uma lesão grave com o tempo. Manter a postura em dia é a manutenção preventiva que garante que você possa continuar treinando pesado sem quebrar. É o seguro de vida das suas articulações.
A longevidade da carreira esportiva e o “prazo de validade”
Todo atleta tem medo da aposentadoria precoce. O corpo tem um limite, claro, mas muitas carreiras são encurtadas não pela idade, mas pelo desgaste excessivo causado pela má mecânica. O RPG é um investimento na sua longevidade. Ao manter as articulações descomprimidas e os músculos flexíveis, você retarda o processo degenerativo natural (artroses, degeneração discal).
Vemos atletas veteranos que se cuidam com trabalho global competindo em alto nível contra garotos de 20 anos. Eles podem não ter a mesma explosão da juventude, mas têm uma eficiência biomecânica que compensa. Eles não desperdiçam movimento. O corpo deles é uma máquina bem azeitada. O RPG ajuda a manter esse óleo nas engrenagens.
Pensar em postura hoje é garantir que você estará correndo, jogando ou nadando daqui a 10, 20 ou 30 anos. Não é só sobre a medalha do mês que vem. É sobre ter um corpo funcional e sem dor para a vida toda. O esporte deve ser saúde, não um processo de autodestruição. O equilíbrio postural é o fiel da balança que permite que o alto rendimento e a saúde caminhem juntos pelo maior tempo possível.
O fator mental e a consciência corporal no atleta
Propriocepção: Sabendo exatamente onde seu corpo está
Você sabe exatamente onde está seu pé esquerdo agora sem olhar para ele? Isso é propriocepção. É o GPS interno do corpo. Atletas de elite têm uma propriocepção refinadíssima. No entanto, desvios posturais e tensões crônicas “embaçam” esse sinal. Quando você tem uma tensão muito forte no pescoço, seu cérebro recebe tanto “ruído” daquela área que perde a precisão do movimento fino.
Durante uma sessão de RPG, o nível de exigência de atenção é altíssimo. O fisioterapeuta pede correções milimétricas: “baixe a costela, cresça o topo da cabeça, gire o joelho para fora, mantenha o sacro apoiado”. Você precisa sentir e controlar partes do corpo que nem sabia que existiam. Esse treinamento refina seu GPS interno. Você sai da sessão com uma percepção do seu corpo em alta definição (4K), enquanto antes estava em analógico.
No esporte, isso se traduz em técnica apurada. Você percebe mais rápido se está correndo torto. Você sente que o braçada na natação entrou no ângulo errado e corrige instantaneamente. Essa autoconsciência evita lesões porque você percebe o erro antes dele virar um trauma. Você se torna seu próprio treinador postural durante a prática esportiva.
O controle emocional refletido na postura rígida
O corpo fala, e muitas vezes ele grita o que a mente cala. Estresse, ansiedade de competição, medo de falhar e pressão por resultados geram um padrão postural defensivo. Geralmente, envolve encolher os ombros, fechar o tórax e travar a respiração. Chamamos isso de somatização. Essa armadura muscular que você cria para se proteger emocionalmente acaba travando seu desempenho físico.
No RPG, quando trabalhamos a abertura do tórax e a liberação do diafragma, muitas vezes tocamos nessas emoções guardadas. Não é raro um atleta ter uma liberação emocional durante a sessão. Ao soltar a musculatura tensa, soltamos também a tensão psíquica associada a ela. Um corpo rígido abriga uma mente rígida. Um corpo flexível e adaptável abriga uma mente resiliente.
Ajudar o atleta a “desarmar” essa postura de defesa permite que ele jogue mais solto, mais relaxado e, paradoxalmente, mais focado. A tensão excessiva atrapalha a tomada de decisão rápida. O relaxamento ativo (estar pronto, mas não tenso) é o estado ideal de fluxo (flow) no esporte. O trabalho postural ajuda a encontrar esse ponto de equilíbrio entre o tônus necessário e o relaxamento excessivo.
A concentração extrema durante a postura estática
Muita gente acha que RPG é só deitar na maca e relaxar enquanto o fiso puxa sua perna. Nada poderia estar mais longe da verdade. Uma sessão de RPG é mentalmente exaustiva. Manter uma postura de correção global por 15 ou 20 minutos, lutando contra seus próprios encurtamentos, sem prender a respiração, exige um foco monástico. É um treino de mindfulness aplicado à dor e ao desconforto.
O atleta aprende a lidar com o desconforto sem entrar em pânico. Ele aprende a manter a calma e a respiração fluida mesmo quando o músculo está queimando e tremendo. Essa resiliência mental é transferível diretamente para o esporte. Quando você está no final de uma maratona e tudo dói, a capacidade de manter a técnica e a respiração, desenvolvida na maca do RPG, faz a diferença.
Você treina seu cérebro a não fugir da dificuldade, mas a relaxar dentro dela. É uma habilidade psicológica poderosa. “Estou desconfortável, mas estou no controle”. Essa é a mentalidade que construímos sessão após sessão. O corpo treme, mas a mente permanece focada no objetivo.
Como é uma sessão de RPG para atletas na prática?
A avaliação inicial: Lendo as pistas que o corpo dá
Antes de qualquer coisa, precisamos olhar para você. A avaliação no RPG é detalhada. Você fica em trajes de banho ou roupa íntima esportiva e nós observamos tudo. A altura dos ombros, as curvas da coluna, a posição dos joelhos, o arco do pé. Mas não olhamos só você parado. Pedimos para dobrar o tronco, para fazer movimentos, para ver como essas retrações se comportam na dinâmica.
O fisioterapeuta está procurando as linhas de tensão. Onde a pele repuxa? Onde o movimento bloqueia? Frequentemente tiramos fotos para comparar depois. Explicamos para você o que estamos vendo: “Olha como seu ombro direito é mais baixo e como isso está fazendo sua bacia girar”. Essa educação é fundamental. Você precisa entender o seu “mapa de problemas” para poder ajudar na solução.
É um momento de descoberta. Muitos atletas ficam chocados ao verem no espelho desvios que nunca notaram, mas que explicam dores que sentem há anos. Essa avaliação não é estática; ela acontece um pouco a cada sessão, pois conforme vamos “descascando a cebola” e tirando as tensões superficiais, novos padrões mais profundos podem aparecer.
As posturas de tratamento: Trabalho ativo e não passivo
Esqueça a massagem relaxante. No RPG, você trabalha. O fisioterapeuta escolhe posturas específicas (deitado, sentado, em pé) dependendo de qual cadeia muscular precisa ser alongada. Por exemplo, se precisamos alongar a cadeia posterior, podemos usar a postura de “rã no chão” (deitado com as pernas para cima e abertas).
Você precisa manter a coluna totalmente apoiada, crescer o pescoço, manter os pés em uma posição específica e respirar. O fisioterapeuta vai guiando com as mãos (terapia manual), ajustando, ajudando a ganhar milímetros, mas quem sustenta a posição é você. É um cabo de guerra suave e constante contra o encurtamento. Os músculos começam a tremer, o calor sobe, e é aí que o ganho acontece.
É um trabalho ativo e isométrico (força sem movimento). O objetivo é cansar o músculo encurtado até que ele “desista” de ficar tenso e aceite o novo comprimento. O fisioterapeuta é um facilitador, mas o esforço é seu. Por isso chamamos de “Reeducação”. Estamos ensinando seu corpo, e ninguém aprende se for passivo.
A evolução do tratamento e a manutenção na temporada
O RPG não é para sempre, mas a manutenção é bem-vinda. Geralmente começamos com sessões semanais para tirar o atleta da crise de dor ou corrigir grandes desvios. Conforme a postura melhora e a consciência corporal aumenta, podemos espaçar as sessões para quinzenais.
A evolução é visível. O atleta relata que “sobrou perna” no treino, que a dor pós-treino diminuiu e que se sente mais alto. Durante a temporada competitiva, o foco muda um pouco. Somos menos agressivos nos ganhos de amplitude (para não mudar a biomecânica drasticamente na véspera de uma prova) e focamos mais em soltura, recuperação e alinhamento fino.
No período de base (fora de temporada), é a hora de “dar marretada”, ou seja, trabalhar pesado para mudar a estrutura e ganhar flexibilidade real. É um planejamento periodizado, assim como seu treino físico. O fisioterapeuta deve conversar com seu treinador técnico para que o trabalho de um potencialize o do outro. O objetivo final é sempre o mesmo: fazer você voar baixo.
Terapias aplicadas e indicadas
Para encerrar nosso papo, é importante você saber o que esperar tecnicamente de um tratamento voltado para essa área. O “padrão ouro” aqui é o método original de Reeducação Postural Global (Souchard), mas existem variações e técnicas complementares que usamos muito.
As posturas mais clássicas que você provavelmente vai vivenciar são:
- Rã no chão com braços abertos: Focada na cadeia anterior e na respiração, ótima para quem tem ombros enrolados para frente e tórax fechado.
- Rã no ar (pernas para cima): A matadora da cadeia posterior. Essencial para corredores e jogadores de futebol com isquiotibiais curtos.
- Postura em pé contra a parede: Desafia o equilíbrio e integra a correção postural na gravidade, simulando mais a realidade do dia a dia.
Além do RPG puro, frequentemente integramos:
- Liberação Miofascial Manual ou Instrumental: Para soltar os pontos de tensão (trigger points) antes de entrar na postura, facilitando o ganho.
- Exercícios de Estabilização Segmentar (Pilates Clínico): Às vezes, depois de alongar, precisamos fortalecer os músculos profundos para “segurar” a nova postura.
- Dry Needling (Agulhamento a seco): Para “resetar” músculos muito espásticos que não relaxam apenas com o alongamento.
Se você quer subir de nível no seu esporte, pare de brigar com seu corpo. Procure um fisioterapeuta especializado em RPG e biomecânica. Faça uma avaliação. Ajustar sua máquina pode ser o segredo para bater aquele recorde pessoal que parece impossível. Seu corpo foi feito para se mover com liberdade, não com freios puxados.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”