Você já parou para pensar que a rede de beach tennis é muito mais do que apenas um divisor de quadra. Como fisioterapeuta, vejo muitos atletas amadores e profissionais focarem exaustivamente na raquete, no tipo de carbono ou na rugosidade da face, mas esquecerem completamente do equipamento que dita o ritmo e a segurança da partida. A escolha da rede influencia diretamente a dinâmica do jogo e, acredite, pode ter relação com lesões que tratamos no consultório.
Uma rede de má qualidade não apenas frustra o jogo com bolas que passam por onde não deveriam. Ela altera a sua percepção visual e força ajustes biomecânicos bruscos que seu corpo não estava esperando fazer. Quando você entende o equipamento com um olhar mais técnico e focado na saúde, seu investimento vale muito mais a pena.
Vou te guiar por esse processo de escolha com a mesma atenção que dou aos meus pacientes. Vamos analisar os detalhes técnicos, os materiais e, principalmente, como isso afeta seu corpo e seu desempenho na areia. Prepare-se para olhar para a quadra com outros olhos a partir de hoje.
A Importância da Rede na Biomecânica do Jogo
Muitos jogadores não percebem, mas a rede funciona como uma referência visual primária para o nosso sistema proprioceptivo. Quando você está na quadra, seu cérebro usa a linha superior da rede para calcular a altura da bola, a profundidade do golpe e a força necessária para o smash ou para o saque. Se a rede é flácida ou tem uma cor que não contrasta bem com o ambiente, seu cérebro precisa trabalhar o dobro.
Isso gera um esforço cognitivo e visual que atrasa seus reflexos em milissegundos preciosos. Esse atraso obriga você a realizar movimentos compensatórios de última hora. É nesses movimentos não planejados que ocorrem as distensões musculares e as sobrecargas articulares. Uma rede firme e bem visível permite que você antecipe o movimento, preparando a musculatura de forma adequada para receber o impacto da bola.
Além disso, a estabilidade da rede define a previsibilidade do jogo. Uma rede que balança excessivamente com o vento ou que cede quando a bola toca nela cria uma variável caótica. Para um fisioterapeuta, o caos biomecânico é o cenário perfeito para lesões. Manter a consistência do equipamento ajuda a manter a consistência da sua técnica e protege suas articulações.
O impacto visual e a propriocepção
A propriocepção é a capacidade do seu corpo de reconhecer onde cada parte dele está no espaço sem que você precise olhar. No beach tennis, a faixa da rede serve como uma linha do horizonte artificial. Se essa linha estiver torta ou “embarrigada”, sua referência espacial fica comprometida. Isso pode levar você a errar o tempo da bola e forçar o punho ou o cotovelo em ângulos perigosos para tentar salvar a jogada.
Uma rede de qualidade mantém a linha superior reta e tencionada. Isso permite que você alinhe sua postura corporal, especialmente a coluna cervical, de maneira mais neutra enquanto rastreia a bola. Quando a rede é ruim, observamos jogadores projetando a cabeça para frente ou tensionando o trapézio desnecessariamente na tentativa de focar melhor no jogo.
Escolher uma rede com faixas bem definidas ajuda na calibragem da sua visão periférica. Você consegue manter o foco na bola do adversário enquanto, inconscientemente, sabe exatamente onde está o obstáculo central. Isso reduz a carga mental e física, permitindo que você jogue mais solto e com menos tensão muscular acumulada.
A tensão da rede e a previsibilidade da bola
A tensão é um fator crítico que discutimos pouco. Uma rede com a tensão correta interage com a bola de uma forma padrão. Se a bola toca na fita, ela deve subir ou descer com uma física previsível. Redes de materiais inferiores perdem a tensão rapidamente sob o sol quente ou após alguns jogos, criando o que chamamos de “efeito cama elástica” ou, pior, absorvendo totalmente a energia da bola de forma irregular.
Essa imprevisibilidade obriga o jogador a fazer paradas bruscas ou mudanças de direção repentinas na areia fofa. Sabemos que o joelho e o tornozelo sofrem muito nessas desacelerações não planejadas. Uma rede que mantém sua tensão original por mais tempo protege a integridade física dos jogadores ao garantir que o jogo flua como esperado.
Você deve procurar redes que possuam sistemas de tensionamento robustos ou materiais que não dilatem tanto com o calor. O poliéster de baixa qualidade, por exemplo, tende a ceder no meio do dia. Isso altera a altura efetiva do jogo e força você a mudar a mecânica do seu saque durante a partida, o que é um convite para lesões no manguito rotador.
Segurança em quadra e prevenção de acidentes
Segurança não é apenas sobre evitar torções. É sobre evitar acidentes diretos com o equipamento. Redes baratas muitas vezes têm acabamentos cortantes, arames expostos ou malhas que se rompem, criando buracos. Já atendi pacientes que prenderam dedos ou a própria raquete em malhas rompidas durante uma disputa na rede, resultando em traumas agudos.
A qualidade da malha inferior também é vital. Se a rede é muito leve e voa com o vento, ela pode se enroscar nas pernas de um jogador que avança para um bloqueio. Cair na areia já é difícil, mas cair enroscado em uma rede aumenta exponencialmente o risco de fraturas ou luxações. Uma rede boa tem o peso certo para ficar estável.
Verifique sempre se a rede possui as laterais fechadas e reforçadas. Isso impede que a malha desfie e crie laços perigosos. O investimento em uma rede mais segura é infinitamente menor do que o custo e o tempo de recuperação de uma lesão traumática causada por material inadequado.
Materiais da Malha: Resistência e Desempenho
O material da malha é o coração da rede. Ele precisa resistir ao sol escaldante, à chuva repentina e à maresia corrosiva, tudo isso enquanto aguenta boladas a alta velocidade. Do ponto de vista da durabilidade, materiais sintéticos dominam o mercado, mas existem diferenças cruciais entre eles que afetam a longevidade e a segurança.
Não adianta comprar uma rede linda que, em três meses, estará esfarelando na sua mão. O pó que solta de redes degradadas pode irritar os olhos e a pele, além de ser um sinal claro de que a integridade estrutural do equipamento acabou. Escolher o material certo é garantir que seu setup de treino ou jogo permaneça confiável por temporadas inteiras.
Vamos analisar as composições mais comuns e o que cada uma entrega em termos de performance. Lembre-se que a “alma” da rede define como ela se comporta mecanicamente quando atingida pela bola e como ela resiste ao ambiente hostil da praia.
Polipropileno e Polietileno
O polipropileno (PP) e o polietileno (PE) são os materiais mais comuns nas redes modernas de beach tennis. Eles são polímeros plásticos leves, impermeáveis e com boa resistência à tração. A grande vantagem aqui é que eles não encharcam. Se chover, basta sacudir e a rede está pronta para o jogo, sem ficar pesada e sobrecarregar os postes de fixação.
Para nós, fisioterapeutas, o peso do equipamento molhado é uma preocupação na hora da montagem e desmontagem. Redes que absorvem água ficam pesadíssimas, exigindo um esforço lombar desnecessário para serem esticadas. O polipropileno mantém seu peso constante, facilitando o manuseio ergonômico.
Além disso, esses materiais têm um toque mais “plástico”. Isso significa que a bola desliza mais ao tocar na rede, em vez de travar. Isso é bom para a fluidez do jogo, pois evita que a bola morra subitamente na malha, mantendo o rali vivo e os jogadores em movimento contínuo, o que é ótimo para o condicionamento cardiovascular.
Nylon e a absorção de impacto
O nylon é um material tradicional, muito usado em redes de tênis de campo e vôlei indoor. Ele tem uma textura mais parecida com tecido e oferece uma durabilidade mecânica excepcional. No entanto, o nylon puro tem uma característica higroscópica, ou seja, ele absorve água. Na praia, isso pode ser um problema se não houver um tratamento impermeabilizante de alta qualidade.
A vantagem do nylon está na absorção de impacto. Quando uma bola forte bate na rede de nylon, o material dissipa a energia de forma muito eficiente, evitando que a rede balance excessivamente. Isso mantém o jogo visualmente limpo. Uma rede que não fica chacoalhando por 10 segundos após cada ponto ajuda na concentração visual dos atletas.
Se você optar por nylon, certifique-se de que é um modelo “seda” ou tratado especificamente para uso outdoor. Caso contrário, o sal e a umidade vão apodrecer as fibras rapidamente, e você perderá a tensão necessária para um jogo seguro e tecnicamente correto.
Tratamento UV e resistência climática
Este é o fator invisível que define a vida útil da sua rede. Sem proteção ultravioleta (UV), qualquer plástico ou tecido exposto ao sol vai sofrer fotodegradação. As ligações químicas se quebram, o material fica quebradiço e perde a cor. Uma rede desbotada não é apenas feia; ela oferece menos contraste visual, dificultando a leitura do jogo.
O tratamento UV deve ser incorporado à fibra durante a fabricação, e não apenas aplicado superficialmente. Verifique nas especificações se o fabricante menciona “proteção UV” ou “tratamento anti-UV”. Isso garante que a rede manterá sua flexibilidade. Uma rede ressecada é perigosa pois pode estourar e chicotear no rosto de um jogador próximo.
Além do sol, a maresia é implacável. Componentes metálicos na rede, como ilhoses ou cabos de aço revestidos, precisam ser de aço inoxidável ou ter revestimento espesso. A ferrugem não só mancha a rede, mas cria pontos de ruptura que podem causar acidentes durante o tensionamento da rede antes do jogo.
Medidas Oficiais e Padrões da ITF
Seguir as medidas oficiais não é preciosismo, é uma questão de treinar seu corpo para a realidade do esporte. A Federação Internacional de Tênis (ITF) estabelece padrões para garantir que o jogo seja justo e seguro em qualquer lugar do mundo. Se você treina em uma rede fora do padrão, sua memória muscular será calibrada erroneamente.
Isso é crítico para o gesto esportivo. Se você se acostuma a sacar em uma rede 5 centímetros mais baixa, quando chegar em um torneio oficial, todos os seus saques ficarão na rede. A frustração mental gera tensão muscular, e a tentativa de corrigir o movimento “na força” durante o jogo é uma receita clássica para lesões de ombro e cotovelo.
Portanto, ao escolher sua rede, verifique se ela atende às especificações de competição. Mesmo que você jogue apenas por diversão nos finais de semana, manter o padrão oficial protege sua técnica e evita vícios posturais que são difíceis de corrigir depois na fisioterapia.
Comprimento e altura regulamentares
A rede oficial de beach tennis deve ter entre 8,0 e 8,5 metros de comprimento para cobrir toda a largura da quadra, que é de 16 metros (duplas) ou 4,5 metros (simples), mas a rede precisa passar dos postes. A altura no centro deve ser de exatos 1,70 metros. Essa altura é calculada para permitir disputas de bola justas e exigir técnica apurada no saque.
Quando você compra uma rede “recreativa” que tem apenas 1,50m ou 1,60m, você está jogando outro esporte. A biomecânica do ataque muda completamente. Você não precisa saltar tanto ou estender tanto o braço. Isso pode parecer confortável no início, mas atrofia o desenvolvimento da sua potência muscular e da sua mobilidade de ombro.
Garanta que sua rede tenha o comprimento suficiente para ser bem tensionada nos postes sem deformar a malha. Redes curtas demais ficam “estranguladas”, criando uma tensão excessiva nos cabos e perigo de rompimento. Redes longas demais ficam frouxas. O equilíbrio nas medidas é vital para a estrutura do jogo.
A geometria da malha
O tamanho dos “quadradinhos” da rede, ou malha, também é regulamentado. Eles devem ser pequenos o suficiente para que a bola não passe através deles. Geralmente, as malhas variam entre 4x4cm e 5x5cm. Uma malha muito aberta permite que a bola atravesse em batidas fortes, gerando dúvidas na pontuação e paralisando o jogo para discussões desnecessárias.
Do ponto de vista de segurança, uma malha muito larga é um risco para os dedos. Em bloqueios próximos à rede, é comum a mão tocar o equipamento. Se o dedo passar pela malha e você estiver em movimento de descida do salto, o risco de entorse ou fratura de falange é real. Malhas mais fechadas são mais seguras para as mãos dos atletas.
Além disso, a geometria correta ajuda na visibilidade. Malhas muito densas podem criar uma barreira visual, dificultando ver o adversário do outro lado. O padrão oficial busca o equilíbrio perfeito entre barreira física e transparência visual, essencial para a antecipação das jogadas.
Diferenças entre redes de treino e competição
Redes de competição costumam ser mais robustas, com faixas mais largas e materiais mais pesados para garantir estabilidade total. Elas são feitas para ficarem montadas por longos períodos ou para aguentarem a intensidade de finais de campeonato. São investimentos mais altos, mas que entregam a experiência real do esporte.
Já as redes de treino ou recreação focam na portabilidade. Elas usam materiais mais leves e, muitas vezes, faixas mais finas. Para quem monta e desmonta a quadra todo dia, o peso menor é uma vantagem ergonômica considerável, poupando sua coluna. No entanto, elas duram menos e podem balançar mais com o vento.
Minha recomendação é: se você tem uma quadra fixa em um condomínio ou clube, invista na rede de competição. Se você é um “nômade” do beach tennis que leva a quadra no porta-malas, a rede de treino de alta qualidade é a melhor opção para sua saúde lombar, desde que você aceite a troca por um pouco menos de estabilidade.
As Faixas da Rede: Visibilidade e Acabamento
As faixas são o acabamento superior, inferior e lateral da rede. Elas não servem apenas para segurar a malha; elas são guias visuais fundamentais. No beach tennis, a velocidade da bola é alta e a distância entre os jogadores é curta. Seu cérebro precisa de contrastes nítidos para processar a profundidade e a velocidade do objeto em movimento.
Faixas desgastadas, sujas ou finas demais desaparecem na visão periférica. Isso força você a focar a visão central na rede para não errar, tirando o foco da bola ou do posicionamento do adversário. Esse “malabarismo visual” causa fadiga mental e reduz seu tempo de reação, deixando seu corpo sempre um passo atrás da jogada.
O material dessas faixas também determina a vida útil da rede. É ali que a maior parte da tensão é aplicada e onde o atrito com o cabo de aço ou corda acontece. Faixas frágeis rasgam nos ilhoses, inutilizando a rede inteira.
A importância das faixas superior e inferior
A faixa superior é a mais crítica. Ela define a altura do obstáculo. Pela regra, ela deve ter entre 5cm e 6,35cm de largura. Uma faixa dessa largura é facilmente detectada pelo olho humano, mesmo contra o sol. Redes baratas com faixas de 2cm ou 3cm são péssimas para a jogabilidade e devem ser evitadas.
A faixa inferior e as laterais ajudam a dar “corpo” à rede, mantendo-a retangular. Sem uma faixa inferior adequada, a rede tende a virar um “U”, subindo nas laterais e caindo no meio. Isso altera a altura regulamentar no centro da quadra, prejudicando o jogo.
Do ponto de vista terapêutico, faixas largas ajudam na orientação espacial. Quando você salta para um smash, a faixa superior serve de referência para o limite do seu movimento, evitando que você invada o espaço aéreo do adversário e cause choques perigosos no ar.
Cores e contraste visual
A cor da faixa importa mais do que você imagina. O ideal é que ela contraste tanto com a areia quanto com o céu e o mar. Faixas brancas, amarelas fluorescentes ou laranjas são excelentes. Faixas azuis ou bege podem se camuflar no ambiente da praia, dependendo da iluminação do dia.
O contraste visual ajuda na ativação neuromotora. Quando seu olho capta claramente o limite da rede, seu cérebro envia sinais mais precisos para seus braços e pernas. Isso resulta em golpes mais limpos e menor necessidade de correções bruscas de movimento que sobrecarregam as articulações.
Personalização é legal, mas cuidado com faixas muito estampadas ou cheias de logotipos poluídos. O excesso de informação visual pode distrair. A simplicidade e o alto contraste são os melhores amigos da sua performance e da sua segurança cognitiva em quadra.
Costuras reforçadas e ilhoses
A qualidade da costura é o que impede a rede de se desmontar quando você a estica. Procure por costuras duplas ou quádruplas nas faixas. O fio usado na costura também deve ser resistente a UV e à água, caso contrário, ele apodrece e as faixas se soltam da malha.
Os ilhoses (os anéis de metal ou plástico por onde passa a corda de fixação) devem ser reforçados. Se o ilhós rasga a faixa, a tensão se perde. Ilhoses de latão ou aço inox são essenciais na praia. Ilhoses de ferro comum enferrujam em dias e mancham a rede, além de ficarem ásperos e cortarem a corda de fixação.
Ao escolher, observe os cantos da rede. É ali que a tensão é máxima. Reforços extras de tecido ou PVC nos cantos indicam um produto pensado para durar e para aguentar a tensão necessária para um jogo saudável, sem “barrigas” na rede.
Sistemas de Fixação e Instalação
Como você prende a rede nos postes? Isso muda tudo. Um sistema complexo demais pode fazer você desistir de montar a quadra ou montá-la de qualquer jeito, deixando a rede frouxa. Um sistema simples e eficiente garante que você sempre jogará nas condições ideais.
A facilidade de instalação tem um componente ergonômico forte. Passar horas lutando com nós e cabos emperrados antes de jogar já fadiga seus ombros e costas antes mesmo do aquecimento. O processo de montagem deve ser fluido e rápido para preservar sua energia para o esporte.
Existem diferentes mecanismos, desde cordas simples até catracas profissionais. A escolha depende de onde e como você joga, mas a prioridade deve ser sempre a segurança da fixação e a facilidade de manuseio.
Cabos de aço vs. cordas
Redes de competição geralmente usam cabos de aço revestidos passando por dentro da faixa superior. O cabo de aço permite uma tensão muito maior, deixando a rede perfeitamente reta. No entanto, se o revestimento plástico quebrar, o aço enferruja e pode cortar a mão de quem manuseia. A inspeção constante é necessária.
Já as cordas (geralmente de polipropileno ou nylon) são mais seguras ao toque e mais leves, ideais para kits portáteis. Elas cedem um pouco mais que o aço, exigindo reajustes durante o dia, mas não oferecem risco de corte ou tétano. Para uso recreativo e familiar, as cordas são mais indicadas e amigáveis.
Se optar pelo cabo de aço, verifique as pontas. Elas devem ser crimpadas profissionalmente e ter loops (laços) seguros. Pontas de cabo de aço desfiadas são extremamente perigosas, agindo como agulhas que podem perfurar a pele profundamente.
Facilidade de montagem para evitar sobrecarga
Ninguém quer começar o jogo com dor nas costas porque fez força errada esticando a rede. Sistemas que utilizam catracas ou fitas de tensão (tipo slackline) são excelentes porque multiplicam a sua força. Você consegue esticar a rede com pouco esforço físico, poupando sua musculatura.
Se o sistema for de corda simples, aprenda nós de caminhoneiro ou use tensionadores plásticos. Tentar esticar a rede “no braço” e amarrar rápido enquanto segura a tensão é um mecanismo clássico de lesão no bíceps ou no ombro. Use a física a seu favor, não a força bruta.
Kits que vêm com marcações de onde prender ou mosquetões de engate rápido agilizam o processo. Quanto menos tempo você passa com os braços levantados montando a rede, menos fadiga pré-jogo você acumula nos ombros, que são a articulação mais exigida no beach tennis.
Estabilidade durante ventos fortes
Na praia, o vento é uma constante. Uma rede mal fixada vira uma vela. Isso força os postes (que podem cair sobre alguém) e deforma a rede. Sistemas de fixação que prendem tanto a parte superior quanto a inferior da rede nos postes são essenciais para evitar esse “efeito vela”.
Algumas redes possuem fitas laterais de velcro ou cordas extras para amarrar a parte de baixo da rede no poste. Isso é crucial. Se a parte de baixo fica solta, a rede levanta com o vento, a bola passa por baixo e o jogo para. Além disso, a rede balançando é um distrator visual potente.
Verifique se o kit ou a rede avulsa oferece essas opções de fixação inferior. A estabilidade do conjunto garante que o foco permaneça no jogo e na técnica, e não em consertar o equipamento a cada rajada de vento.
Prevenção de Lesões Relacionadas à Rede
Como fisioterapeuta, vejo a quadra como um ambiente de trabalho para o atleta. E a segurança desse ambiente é prioritária. A rede, se mal escolhida ou mal instalada, é um agente causador de lesões que muitas vezes passam despercebidas ou são atribuídas a “má sorte”.
Não é azar, é física. A interação entre o jogador e a rede acontece em momentos de alta velocidade e adrenalina. Se a rede não se comportar de maneira segura, o corpo paga o preço. Vamos explorar riscos específicos que você pode eliminar apenas escolhendo o material certo.
A prevenção é sempre o melhor remédio. Investir um pouco mais em uma rede segura é economizar muito em sessões de fisioterapia e tempo afastado das quadras.
O perigo da rede frouxa e o “efeito chicote”
Uma rede sem a tensão correta atua como um estilingue imprevisível. Se a bola bate na fita superior e a rede está frouxa, ela pode “enterrar” a bola ou, ao contrário, ejetá-la para cima de forma estranha. Isso obriga o jogador a realizar movimentos reflexos de correção.
Esses movimentos súbitos, sem a devida preparação muscular (pré-ativação), são os grandes vilões das lesões ligamentares. O “efeito chicote” também pode ocorrer com a própria rede se um cabo se soltar sob tensão. Cabos e cordas de má qualidade podem arrebentar e atingir o rosto ou os olhos.
Manter a rede tensionada e inspecionar o estado dos cabos regularmente é uma prática de saúde. Se notar desfiados ou ressecamento, troque imediatamente. Não espere arrebentar durante o jogo.
Tensão correta e o impacto no ombro
Jogar com a rede na altura errada (geralmente mais baixa por falta de tensão ou qualidade) altera a biomecânica do seu saque. Você começa a sacar mais “reto”, diminuindo o uso das pernas e sobrecarregando o ombro para gerar potência.
Ao longo do tempo, isso pode levar a tendinites e bursites. A altura correta de 1,70m obriga você a buscar a bola no ponto mais alto, realizando a extensão completa do corpo e usando a cadeia cinética correta. A rede certa é uma “professora” que te obriga a fazer o movimento certo.
Portanto, uma rede que mantém a altura oficial não é apenas regra, é ergonomia. Ela garante que você execute os movimentos dentro das amplitudes articulares para as quais o corpo foi treinado, preservando suas articulações a longo prazo.
Acidentes comuns na rede e como evitar
Os acidentes mais comuns envolvem choque contra o poste ou enrosco na malha. Redes com malhas muito finas e cortantes podem lacerar a pele em um choque acidental. Redes de materiais mais macios e com toque agradável minimizam esse dano em caso de contato.
Outro ponto é a fixação no chão. Se a rede usa cordas muito longas que se espalham pelo chão para fixação (os “estaios”), isso é um risco enorme de tropeço. Prefira sistemas onde a fixação é limpa e vertical, junto ao poste, ou enterrada na areia de forma segura.
Sinalizar os cabos de fixação com cores vivas ou proteções de espuma também é uma medida inteligente. A visão periférica muitas vezes não detecta uma corda fina na areia, e um tropeço ali pode resultar em torções graves de tornozelo ou joelho.
Ergonomia no Transporte e Manuseio do Kit
O jogo começa antes de você pisar na areia. O transporte do equipamento do carro até a praia é parte do esforço físico. Muitas lesões lombares acontecem nesse trajeto, carregando bolsas pesadas de forma assimétrica, e não durante o jogo em si.
A escolha da rede e do kit deve levar em conta o peso total e a facilidade de transporte. Se o equipamento é um fardo, você já chega na quadra com a musculatura paravertebral tensa e fatigada, aumentando o risco de travamento durante a partida.
Vamos falar sobre como escolher um equipamento que seja gentil com suas costas fora da quadra também.
Peso do material e transporte
Redes profissionais são pesadas. Se você tem um local fixo para guardar, ótimo. Se precisa carregar, considere redes de materiais mais leves como o polipropileno, que oferecem boa resistência com metade do peso de redes de nylon antigas ou com cabos de aço grossos.
Avalie o peso do conjunto (rede + marcação + fixadores). Cada quilo conta quando você está caminhando na areia fofa, que já exige mais das suas pernas e coluna. O equilíbrio entre durabilidade e portabilidade é a chave para o jogador amador.
Evite carregar todo o peso em um ombro só. Se a rede é pesada, use uma mochila de duas alças ou divida o peso do kit com seu parceiro de jogo. A saúde da sua coluna agradece.
A importância da bolsa de transporte correta
A bolsa onde a rede é guardada é frequentemente ignorada, mas é essencial. Uma bolsa ruim rasga, faz você perder peças e dificulta o transporte. A bolsa ideal deve ter alças largas e acolchoadas para não cortar a circulação do ombro.
Além disso, a bolsa deve permitir que a rede respire. Guardar uma rede úmida em uma bolsa impermeável fechada cria mofo e degrada o material. Procure bolsas com telas de ventilação. Isso preserva a rede e evita que você carregue um “peso morto” de água acumulada.
Organização interna também ajuda. Bolsos separados para os ganchos e cordas evitam que tudo vire um nó gigante, poupando seu tempo e sua paciência (e sua postura curvada) na hora de desembaraçar tudo antes do jogo.
Montagem consciente e postura
Ao montar a rede, preste atenção na sua postura. Evite dobrar a coluna para prender a parte de baixo; agache-se usando os joelhos. Ao esticar a rede no alto, não hiperestenda a coluna lombar; use um banquinho se necessário ou peça ajuda para baixar o poste, fixar e depois subir.
Muitos pacientes chegam com “dor nas costas do beach tennis” que, na verdade, é “dor da montagem da quadra”. Escolher uma rede com sistema de fixação rápido e inteligente reduz o tempo que você passa em posturas desconfortáveis.
Sistemas de “click” ou engate rápido são preferíveis a sistemas de rosca ou nós complexos, que exigem força fina dos dedos e posições estáticas prolongadas que fatigam a musculatura.
Terapias e Cuidados para Praticantes de Beach Tennis
Para finalizar nosso papo, não posso deixar de falar sobre como cuidar do corpo que usa essa rede. O beach tennis é um esporte maravilhoso, mas exige muito dos ombros, coluna lombar, joelhos e tornozelos. A prevenção e a recuperação são essenciais para uma vida longa no esporte.
Se você sentir dores constantes no ombro após os jogos, a Fisioterapia Esportiva é o primeiro caminho. Avaliamos se a causa é técnica, fraqueza muscular ou equipamento inadequado (como a rede na altura errada!). Exercícios de fortalecimento do manguito rotador e estabilização escapular são “obrigatórios” para quem joga.
A Osteopatia é excelente para alinhar a estrutura corporal. Muitas vezes, um bloqueio na articulação do quadril ou uma rigidez na coluna torácica sobrecarrega o ombro durante o smash. O osteopata libera essas restrições, permitindo que o movimento flua melhor.
Para a recuperação muscular, a Liberação Miofascial e a Massagem Desportiva ajudam a soltar a musculatura tensa das pernas (panturrilhas sofrem muito na areia) e do antebraço. E não se esqueça do Recovery com botas pneumáticas ou crioterapia (gelo) após torneios intensos para reduzir a inflamação e acelerar o retorno às quadras.
Cuide do seu equipamento, escolha a rede certa e, acima de tudo, cuide do seu corpo. Nos vemos na areia!

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”