Reabilitação esportiva e fortalecimento excêntrico

Reabilitação esportiva e fortalecimento excêntrico

Você provavelmente chegou ao meu consultório focado em quanto peso consegue levantar, em quão rápido consegue correr ou em quão alto pode pular. É natural pensar assim, afinal, o esporte é feito de propulsão e aceleração. Mas eu preciso te contar um segredo que vai mudar a forma como você enxerga a sua recuperação e a sua performance futura. A maioria das lesões não acontece quando você acelera; elas acontecem quando você tenta parar. O fortalecimento excêntrico é a ferramenta mais poderosa que temos para ensinar o seu corpo a absorver cargas brutais sem desmontar.

Muitos atletas amadores e até profissionais negligenciam a fase de “volta” do movimento. Eles levantam o peso e deixam cair, ou correm e param de qualquer jeito. Na reabilitação esportiva moderna, invertemos essa lógica. O fortalecimento excêntrico não é apenas uma técnica de musculação; é uma estratégia de sobrevivência para os seus tecidos. Estamos falando de preparar seus músculos e tendões para agirem como amortecedores de alta performance, capazes de dissipar energia cinética antes que ela rompa uma fibra ou inflame uma articulação.

Nesta conversa, vamos mergulhar fundo na ciência e na prática desse tipo de treinamento. Quero que você entenda por que vou pedir para você “segurar a descida” até seus músculos tremerem. Vamos desmistificar a ideia de que fisioterapia é só massagem e choque, e vamos entrar no terreno do treinamento de força inteligente. Prepare-se para descobrir que o freio é, na verdade, a parte mais importante do seu motor.

A Mecânica do Freio: Entendendo o Movimento Excêntrico

O conceito de alongar sob tensão máxima

Para entendermos o que vamos fazer, você precisa visualizar como seu músculo funciona. Imagine que suas fibras musculares são como cordas que deslizam umas sobre as outras para encurtar o músculo. Isso é a contração concêntrica, o que você faz ao levantar um halter. A contração excêntrica é o oposto: é quando o músculo está fazendo força, mas as fibras estão se afastando, alongando o músculo de forma controlada. É como um cabo de guerra onde você está perdendo lentamente, mas mantendo a tensão máxima para não soltar a corda de uma vez.

No dia a dia do esporte, isso acontece a todo momento. Quando você aterrissa de um salto, seu quadríceps precisa alongar para dobrar o joelho e absorver o impacto, mas ele precisa fazer isso resistindo à gravidade. Se ele apenas relaxasse, você cairia no chão. Esse controle ativo durante o alongamento do músculo gera uma tensão mecânica interna gigantesca, muito maior do que na fase de encurtamento. É justamente essa tensão elevada que precisamos para estimular as adaptações que vão curar sua lesão.

O exercício excêntrico é, portanto, a prática deliberada de resistir a uma carga que está vencendo a sua força momentaneamente, ou simplesmente controlar a descida de um movimento a favor da gravidade. Na clínica, vamos enfatizar isso diminuindo a velocidade da fase negativa do exercício. Você vai lutar contra o peso enquanto ele desce. Isso cria microlesões controladas no tecido que, ao cicatrizarem, tornam a estrutura muito mais robusta do que era antes.

Por que seu corpo é mais forte na descida do que na subida

Você já reparou que consegue descer uma carga muito mais pesada do que consegue subir? Fisiologicamente, somos cerca de 20% a 40% mais fortes na fase excêntrica do que na concêntrica. Isso ocorre porque, durante o alongamento sob tensão, as pontes cruzadas dentro das suas fibras musculares (os ganchinhos que geram força) funcionam de maneira mais eficiente e passiva, oferecendo uma resistência mecânica natural sem gastar tanta energia química (ATP).

Essa característica é uma mina de ouro para a reabilitação. Significa que podemos usar cargas muito altas para estimular o fortalecimento, mesmo que você não tenha força para levantar esse peso sozinho. Podemos focar na parte do movimento onde você é naturalmente mais forte para criar um estímulo de sobrecarga que a fase concêntrica jamais conseguiria atingir isoladamente. Isso é vital quando queremos hipertrofia e ganho de força rápido sem fadigar o sistema cardiovascular.

Aproveitaremos essa vantagem biológica para “sobrecarregar” o sistema de forma segura. Em muitos exercícios, eu vou te ajudar a subir o peso (ou você usará a perna boa para ajudar a ruim a subir) e, na descida, você terá que segurar a carga sozinho com o membro lesionado. Isso maximiza o estresse mecânico no tecido alvo, acelerando a sinalização celular para a reparação e o fortalecimento, exatamente o que precisamos para sair da estagnação terapêutica.

O custo metabólico reduzido e a eficiência energética

Um dos aspectos mais fascinantes do treino excêntrico é o seu baixo custo metabólico. Apesar de gerar tensões altíssimas e causar grandes danos estruturais benéficos ao músculo, ele consome muito menos oxigênio e energia do que a contração concêntrica. Isso acontece porque a resistência ao alongamento depende muito das estruturas passivas do músculo, como a titina, uma proteína gigante que funciona como uma mola molecular.

Isso é excelente para a reabilitação de atletas que podem estar com o condicionamento cardiovascular comprometido ou para sessões onde queremos focar exclusivamente na estrutura local sem gerar uma fadiga sistêmica central enorme. Você vai sentir o músculo queimar e falhar, mas seu coração e pulmões não estarão tão estressados quanto estariam em um treino metabólico tradicional. Conseguimos isolar o problema mecânico com precisão cirúrgica.

No entanto, não se engane achando que será fácil. O baixo custo energético não significa baixo esforço percebido. A sensação de tensão e o controle motor exigido são exaustivos para o sistema nervoso e para a integridade muscular. Vamos usar essa eficiência para realizar um volume de trabalho de alta qualidade, garantindo que cada repetição conte para a reconstrução do seu tecido, sem desperdiçar energia com movimentos ineficientes.

O Salvador dos Tendões: Remodelagem e Carga

Tratando tendinopatias: do Aquiles ao Patelar

Se você está aqui por causa de uma dor no tendão de Aquiles, no tendão patelar (joelho do saltador) ou no ombro, o fortalecimento excêntrico será o seu melhor remédio. Tendões são tecidos que respondem mal ao repouso e muito bem à carga mecânica. Quando um tendão está doente (tendinopatia), suas fibras de colágeno estão desorganizadas e existe uma invasão de vasinhos sanguíneos e nervos que causam dor.

O exercício excêntrico atua como um “alisador” dessas fibras. A tensão gerada durante o alongamento controlado força as fibras de colágeno a se alinharem na direção da força aplicada. Além disso, a pressão interna gerada no tendão ajuda a “espremer” para fora o excesso de fluido e a colapsar os neovasos que estão causando a sensibilidade dolorosa. É um processo mecânico de remodelação tecidual que nenhum remédio consegue imitar.

Vamos focar em protocolos específicos, onde você realizará movimentos lentos e pesados de freio. Para o tendão de Aquiles, por exemplo, faremos a descida do calcanhar no degrau. Para o patelar, o agachamento em plano inclinado segurando a descida. O objetivo é aplicar uma carga que o tendão “sinta”, mas que ele consiga suportar, estimulando as células a produzirem um colágeno de melhor qualidade e mais resistente.

A teoria da flutuação da carga e alinhamento de colágeno

O segredo do sucesso no tratamento de tendões não é apenas a carga, mas como essa carga flutua. O tendão funciona como uma mola. Se a mola está enferrujada e fraca, não podemos simplesmente puxá-la rápido. O exercício excêntrico lento retira o componente de “mola” (energia elástica) e obriga a estrutura do tendão a suportar a tensão pura. Isso elimina a trapaça do movimento e foca o estresse exatamente onde precisamos: na matriz de colágeno desorganizada.

A carga excêntrica promove o que chamamos de mecanotransdução. As células do tendão (tenócitos) detectam essa deformação física e transformam esse sinal mecânico em uma resposta química, aumentando a síntese de proteínas estruturais. Estamos, literalmente, dizendo ao seu corpo: “essa estrutura está fraca para a demanda, construa algo mais forte aqui”. E o corpo obedece, desde que o estímulo seja constante e progressivo.

Você precisa entender que esse processo de realinhamento não acontece da noite para o dia. Estamos remodelando um tecido biológico denso e com baixo suprimento sanguíneo. A consistência nos exercícios excêntricos é o que vai garantir que, semana após semana, o tendão se torne mais rígido (no bom sentido de transmissão de força) e capaz de suportar as cargas explosivas do seu esporte sem reclamar.

Aceitando o desconforto: a dor permitida no tratamento

Aqui entramos em um terreno delicado. Na maioria das lesões, dizemos “se doer, pare”. No tratamento de tendinopatias com excêntricos, essa regra muda um pouco. Aceitamos e até esperamos um certo nível de dor durante a execução do exercício. Estudos mostram que exercícios que provocam um desconforto leve a moderado (até nível 4 ou 5 numa escala de 0 a 10) são mais eficazes para remodelar o tendão do que exercícios totalmente indolores.

Isso não significa que vamos te torturar. Significa que precisamos estressar o tecido o suficiente para gerar adaptação. Se estiver muito confortável, provavelmente não estamos mudando a estrutura do tendão. O limite de segurança é a resposta da dor nas 24 horas seguintes. Se a dor voltar ao nível basal (o normal do seu dia a dia) na manhã seguinte, o treino foi perfeito. Se você acordar pior e continuar pior, exageramos na dose.

Eu vou monitorar isso com você diariamente. Você precisa perder o medo de sentir o tendão trabalhando. Essa dor durante o excêntrico é o sinal de que estamos atingindo o alvo. Vamos trabalhar juntos para encontrar o “ponto doce” onde o exercício é desafiador e levemente desconfortável, mas seguro e produtivo para a sua recuperação a longo prazo.

Blindando os Músculos: A Prevenção de Estiramentos

O papel crítico na desaceleração esportiva

No mundo dos esportes, a maioria das lesões musculares, como os famosos estiramentos ou “fisgadas”, não acontece quando você está acelerando. Elas acontecem quando você precisa desacelerar bruscamente ou controlar um movimento de grande amplitude. Pense no chute de um jogador de futebol: depois que ele chuta a bola, a perna continua indo para frente com violência. Quem segura a perna para ela não voar longe? Os isquiotibiais (posteriores da coxa), agindo excentricamente.

Se esses músculos não tiverem força excêntrica suficiente para absorver essa energia cinética, eles falham e rompem. O fortalecimento excêntrico treina especificamente essa capacidade de frenagem. Estamos instalando freios ABS de alta performance nos seus músculos. Isso permite que você mude de direção, aterrisse de saltos e chute com potência máxima sem o risco constante de o músculo “abrir o bico” na fase de desaceleração.

Na nossa reabilitação, vamos simular essas situações de frenagem. Vamos fazer com que seus músculos aprendam a absorver carga enquanto estão esticados. Isso não só cura a lesão atual, como previne recidivas, que são o maior pesadelo de qualquer atleta. Um músculo que sabe frear é um músculo que raramente se machuca.

Sarcomêrogenese: construindo músculos mais longos e fortes

Aqui entra um termo técnico que explica a mágica do excêntrico: sarcomêrogenese. O sarcômero é a menor unidade funcional do músculo. Quando treinamos excentricamente, o estresse de alongamento sinaliza para o corpo adicionar novos sarcômeros em série, ou seja, um depois do outro, na ponta das fibras musculares. O resultado prático disso é que seu músculo fica fisicamente mais longo e mais flexível, mas com força ativa.

Diferente do alongamento passivo, que apenas estica o tecido temporariamente, a sarcomêrogenese muda a arquitetura do músculo. Isso desloca a curva de comprimento-tensão para a direita. Em português claro: seu músculo passa a conseguir gerar força máxima mesmo quando está muito esticado. Essa é a “vacina” contra estiramentos, pois a maioria das rupturas ocorre quando o músculo é forçado a contrair em uma posição de alongamento extremo.

Essa adaptação é fundamental para a sua mobilidade funcional. Você ganha flexibilidade e força ao mesmo tempo. É por isso que você vai sentir que, após algumas semanas do nosso protocolo, você não só está mais forte, mas também consegue alcançar amplitudes de movimento que antes eram restritas ou perigosas, com total controle e segurança.

O caso clássico dos isquiotibiais no futebol e na corrida

Os isquiotibiais (músculos posteriores da coxa) são as vítimas número um nos esportes de corrida e chute. A taxa de reincidência dessas lesões é altíssima. A razão é simples: a maioria das reabilitações foca apenas em fortalecer o músculo na máquina flexora concentrica (puxar o peso). Mas no esporte, o isquiotibial funciona principalmente como um freio excêntrico para controlar o joelho e o quadril na fase de balanço da corrida.

Para resolver isso de vez, utilizamos exercícios como o Nórdico (Nordic Hamstring Exercise) e a Cadeira Romana. Nesses exercícios, você segura o peso do seu corpo caindo para frente, usando apenas os isquiotibiais para frear a queda. É um exercício brutal, difícil, mas extremamente eficaz. Estudos mostram que ele pode reduzir em mais de 50% a incidência de novas lesões nesse grupo muscular.

Nós vamos introduzir o Nórdico gradualmente na sua rotina. No começo, você vai descer apenas alguns graus. Com o tempo, vai conseguir controlar a descida quase até o chão. Quando você tiver essa capacidade excêntrica, poderá dar o “tiro” de velocidade máxima no campo sabendo que seus freios traseiros dão conta do recado, não importa a velocidade que você atinja.

Adaptações Neurais e Controle Motor Fino

Recrutando unidades motoras que você não sabia que tinha

A força não vem apenas do tamanho do músculo, mas de quantas fibras musculares seu cérebro consegue ativar ao mesmo tempo. O treinamento excêntrico, devido à alta tensão gerada, obriga o sistema nervoso central a recrutar unidades motoras de alto limiar – aquelas fibras rápidas e fortes que normalmente ficam “dormindo” e só acordam em situações de emergência ou esforço máximo.

Durante a fase excêntrica pesada, o cérebro precisa enviar um sinal elétrico muito potente para controlar a carga que está tentando alongar o músculo. Isso melhora a eficiência neural. Você aprende a “ligar” mais partes do seu músculo. Mesmo que não haja ganho de massa muscular imediato, você se torna mais forte porque seu cérebro aprendeu a usar melhor o motor que já tem.

Essa “super ativação” neural tem um efeito residual. Quando você voltar a fazer movimentos concêntricos normais (como saltar ou correr), seu cérebro já estará acostumado a recrutar essas fibras poderosas, resultando em movimentos mais explosivos e eficientes. É um upgrade de software para o seu hardware muscular.

O cérebro aprendendo a controlar a gravidade

Controlar a gravidade é a essência do movimento humano eficiente. Um atleta desajeitado é aquele que “cai” a cada passo; um atleta de elite é aquele que “aterrissa” e aproveita a energia. O treino excêntrico é, basicamente, um treino de controle gravitacional. Você está ensinando ao seu cerebelo e córtex motor como modular a força necessária para desacelerar uma massa (seu corpo ou um peso) contra a aceleração da gravidade.

Isso refina o controle motor fino. Não é apenas sobre força bruta; é sobre a suavidade e a precisão da frenagem. Ao descer um peso lentamente, você é obrigado a corrigir micro-desvios de rota e estabilidade. Isso treina os músculos estabilizadores acessórios que muitas vezes são negligenciados em movimentos rápidos e explosivos.

Na prática clínica, isso se traduz em um atleta que se move com mais elegância e menos impacto nocivo nas articulações. Você vai aprender a “amortecer” suas aterrissagens de forma instintiva, protegendo cartilagens e meniscos, simplesmente porque seu cérebro agora domina a arte de controlar a força descendente com precisão milimétrica.

Vencendo a inibição muscular pós-lesão

Após uma lesão ou cirurgia, é comum ocorrer o que chamamos de inibição artrogênica. O cérebro, para proteger a área, “desliga” parcialmente os músculos ao redor, impedindo que você faça força máxima. É por isso que seu músculo atrofia tão rápido. O exercício excêntrico é uma das melhores ferramentas para quebrar esse ciclo de inibição.

Como a fase excêntrica exige menos ativação metabólica para gerar alta tensão, conseguimos “enganar” o sistema de proteção. Conseguimos aplicar cargas que o músculo inibido não conseguiria levantar (concêntrico), mas consegue segurar (excêntrico). Esse estímulo mecânico alto, mesmo na presença de inibição, envia sinais fortes de volta ao sistema nervoso de que a estrutura aguenta carga.

Isso ajuda a reativar as vias neurais adormecidas. Ao expor o músculo a cargas excêntricas controladas, aceleramos a recuperação da força voluntária e revertemos a atrofia muito mais rápido do que com exercícios convencionais leves. É a maneira mais eficiente de dizer ao seu corpo que o período de proteção excessiva acabou e que é hora de voltar ao trabalho pesado.

Dosagem e Periodização Clínica

A velocidade de execução: o segredo está na câmera lenta

Se você me vir contando os segundos enquanto você faz o exercício, saiba que isso é a parte mais importante do treino. No excêntrico, o tempo sob tensão é rei. Vamos usar cadências específicas, como “sobe em 1 segundo, desce em 3 a 5 segundos”. Essa descida em câmera lenta elimina o uso do impulso e da inércia, obrigando o tecido muscular a lidar com a carga real em cada milímetro do movimento.

A velocidade lenta também aumenta a segurança. Como não há movimentos bruscos, o risco de um pico de força repentino causar uma nova lesão é minimizado. Conseguimos aplicar cargas altíssimas com controle total. Você vai aprender a amar e odiar essa contagem lenta, pois é nela que a queimação e o tremor aparecem, sinalizando que estamos atingindo as fibras profundas.

Essa disciplina temporal é o que diferencia a reabilitação de um treino comum de academia. Não estamos interessados em quantas repetições você faz, mas em como você faz cada segundo da descida. A qualidade da desaceleração é o nosso indicador de sucesso.

A temida dor tardia (DOMS) e como gerenciá-la

Eu preciso te avisar: você vai ficar dolorido. O exercício excêntrico é famoso por causar a Dor Muscular de Início Tardio (DOMS), aquela dor que aparece 24 a 48 horas depois do treino e faz você andar como um robô. Isso acontece devido às microlesões estruturais nas fibras musculares. Embora seja desconfortável, essa dor não é uma lesão; é o sinal de que o estímulo foi forte o suficiente para iniciar a remodelação.

Muitos pacientes se assustam e acham que pioraram. Fique tranquilo. Essa dor é temporária e necessária. O “efeito de proteção da repetição” significa que, após a primeira sessão pesada, seu corpo se adapta rapidamente e as próximas sessões causarão muito menos dor, mesmo com cargas maiores. A primeira semana é a pior, depois melhora muito.

Vamos gerenciar isso espaçando as sessões de excêntrico pesado. Talvez a cada 48 ou 72 horas, dependendo da sua recuperação. Nos dias de intervalo, faremos trabalho de mobilidade, cardio leve e recuperação ativa para “lavar” os metabólitos do músculo e aliviar a rigidez. Não vamos parar, apenas modular a intensidade para permitir a supercompensação.

Integrando o excêntrico no ciclo de força e potência

O fortalecimento excêntrico não é o destino final; é uma fase crucial. Começamos com ele para construir a estrutura, alinhar tendões e ganhar força base. Mas o esporte exige também a fase concêntrica (aceleração) e o ciclo alongamento-encurtamento (pliometria). Conforme você evolui, vamos misturar as coisas.

Avançaremos para movimentos mais rápidos, onde a fase excêntrica deixa de ser lenta e passa a ser uma absorção de impacto rápida, preparando para o salto. Essa transição do “excêntrico lento” para o “excêntrico rápido” é vital para o retorno ao esporte. Se você só sabe frear devagar, não consegue jogar futebol. Você precisa aprender a frear instantaneamente.

Planejarei sua periodização para que o treino excêntrico puro vire um treino de manutenção. Uma vez recuperado, manteremos uma dose semanal de “Nórdicos” ou exercícios de freio para garantir que a blindagem continue lá, enquanto focamos o resto da semana em potência, velocidade e gestos esportivos. A reabilitação flui naturalmente para a preparação física.

Terapias Aplicadas e Ferramentas Tecnológicas

Para encerrar, quero te mostrar que não estamos sozinhos nessa. Usamos tecnologia de ponta para otimizar o seu ganho excêntrico.

Treinamento Isoinercial (Volante de Inércia)
Esta é a joia da coroa da reabilitação moderna. Usamos máquinas com um volante de inércia (parece um ioiô gigante). Quando você puxa a fita para acelerar o volante (concêntrico), ele acumula energia cinética. Quando a fita chega ao fim, o volante puxa de volta com a mesma força, e você é obrigado a frear essa energia (excêntrico). A máquina devolve exatamente o que você deu, mas na fase excêntrica ela te “puxa” com uma sobrecarga variável perfeita. É o estímulo máximo de desaceleração que podemos gerar em ambiente seguro.

Dinamometria e controle de carga objetiva
Não vamos chutar o peso que você usa. Usamos dinamômetros manuais ou células de carga para medir exatamente quantos Newtons ou Quilos de força você consegue gerar e frear. Isso nos dá dados concretos para saber se há assimetria entre a perna boa e a ruim. Só te libero para correr quando os números mostrarem que seu “freio” da perna lesionada está tão bom quanto o da perna saudável.

Recovery e Terapia Manual pós-treino
Depois de uma sessão intensa de excêntricos, seus tecidos estarão tensos e cheios de subprodutos metabólicos. Usamos botas de compressão pneumática, liberação miofascial e terapia manual para acelerar a recuperação, diminuir a percepção de dor e preparar sua musculatura para a próxima batalha. O cuidado pós-treino é essencial para manter a consistência do trabalho.

Agora que você entende o plano, sabe que não estamos apenas “fortalecendo”. Estamos reconstruindo a arquitetura dos seus músculos e tendões para que eles sejam inquebráveis. 

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