Você chega na clínica mancando, com uma dor no joelho ou talvez aquele incômodo chato no ombro que não passa nunca, e a primeira coisa que eu peço é para você deitar e respirar. Eu sei, parece que eu estou ignorando o local da dor, mas acredite em mim, existe um método nessa loucura. A estabilidade do core não é apenas uma moda de academia ou algo para quem quer ficar bonito na praia. É a fundação absoluta de qualquer movimento atlético que você queira fazer, desde amarrar o tênis até correr uma maratona ou levantar peso olímpico.
Muitos atletas, e até mesmo pessoas ativas no dia a dia, têm uma visão completamente distorcida do que é o “core”. Eles acham que ter core forte é conseguir fazer mil abdominais ou ter os gominhos aparecendo. Na reabilitação esportiva, a estética é a última das nossas preocupações. Estamos focados em função, em sobrevivência articular e em eficiência mecânica. Se o seu centro é mole, a força que você gera se perde, suas articulações periféricas sofrem e a lesão se torna uma questão de “quando”, e não de “se”.
Nesta nossa conversa, vamos desconstruir tudo o que você acha que sabe sobre abdômen e coluna. Vamos mergulhar na biomecânica de uma forma que faça sentido para o seu treino de amanhã. Quero que você entenda por que, às vezes, para curar o pé, precisamos consertar a respiração e a parede abdominal. Prepare-se para descobrir que o segredo da sua performance e da sua longevidade no esporte está literalmente no centro do seu corpo.
O Que Realmente é o Core? (Esqueça o Tanquinho)
A anatomia da “Caixa de Pressão”: Diafragma, Assoalho e Paredes
Imagine o seu tronco não como um conjunto de músculos isolados, mas como uma lata de refrigerante pressurizada. Essa é a melhor analogia para o core funcional. O topo dessa lata é o diafragma, o principal músculo da respiração. O fundo da lata é o assoalho pélvico, aquela rede de músculos que segura seus órgãos lá embaixo. As laterais e a frente são o transverso do abdômen e os oblíquos, e a parte de trás são os multífidos e os eretores da espinha. Todos eles precisam trabalhar juntos, em perfeita sincronia, para criar estabilidade.
Quando você respira e contrai esses músculos corretamente, você aumenta a Pressão Intra-Abdominal (PIA). É essa pressão interna que cria uma coluna de ar rígida na frente da sua coluna vertebral, protegendo os discos e as vértebras. Se o diafragma não funciona bem ou se o assoalho pélvico é fraco, a pressão vaza. Uma lata amassada ou furada não suporta peso em cima dela. Da mesma forma, um core com vazamento de pressão não suporta a carga de um agachamento ou o impacto de uma corrida.
O erro mais comum que vejo é o atleta focar apenas na “parede da frente”, o famoso reto abdominal (o músculo do tanquinho). Ele é importante, claro, mas ele é apenas a fachada. A segurança real vem do transverso do abdômen, que age como um cinto de couro natural, abraçando suas vísceras e sua coluna. Sem esse cinto apertado e sem a tampa (diafragma) e o fundo (assoalho) selados, a estrutura colapsa sob estresse.
Músculos Locais versus Globais: Quem segura o tranco e quem faz o show
Na fisioterapia, dividimos os músculos do tronco em dois times: os locais e os globais. Os músculos locais são os estabilizadores profundos, como o transverso do abdômen e os multífidos lombares. Eles são pequenos, estão colados na coluna e não geram muito movimento visível. A função deles é “segurar o tranco”. Eles têm sensores que percebem quando você vai se mexer e se ativam milissegundos antes, enrijecendo a coluna para que ela não sofra cisalhamento. Eles são os guardiões silenciosos.
Já os músculos globais são os grandes produtores de torque: o reto abdominal, os grandes dorsais, os oblíquos externos. Eles são feitos para gerar movimento e força bruta. O problema na reabilitação começa quando o atleta tem músculos globais muito fortes, mas locais fracos ou inibidos. É como colocar um motor de Ferrari em um chassi de Fusca enferrujado. O motor gera tanta força que a estrutura não aguenta e quebra.
Você pode ver isso claramente quando alguém vai fazer um levantamento terra e a coluna curva, ou quando tenta chutar uma bola e o tronco gira descontroladamente. Os músculos grandes estão puxando com força, mas os pequenos estabilizadores profundos falharam em manter as vértebras alinhadas. Nossa missão na reabilitação é garantir que os “pequenos” estejam acordados e fortes o suficiente para controlar a potência dos “grandes”.
A função real: Transferência de força e não apenas flexão de tronco
Pare e pense: quantas vezes no seu esporte você faz o movimento de “abdominal tradicional” (deitar e levantar o tronco)? Quase nunca. No futebol, no tênis, no crossfit ou na corrida, a função principal do seu core não é gerar flexão de tronco. A função dele é impedir movimento indesejado e transferir energia. Ele funciona mais como um conector rígido do que como um gerador primário de movimento.
Imagine que suas pernas geram uma força enorme contra o chão para você correr. Essa força precisa subir pelo seu corpo e chegar aos seus braços para ajudar no balanço e na propulsão. O core é a ponte. Se a ponte for mole (instável), a energia se dissipa no meio do caminho. Você corre fazendo muito esforço, mas sai pouco do lugar porque a energia vazou pelo centro do corpo.
Portanto, reabilitar o core significa treinar o corpo para resistir à gravidade e às forças externas. Significa ser capaz de manter o tronco estável enquanto seus braços e pernas se movem freneticamente. É transformar o seu tronco em um pilar de concreto que permite que as extremidades operem com máxima eficiência e segurança. Se você entende isso, você para de fazer abdominais intermináveis e começa a fazer pranchas e exercícios de estabilidade real.
A Relação Core e Lesões: O Elo Perdido da Reabilitação
Estabilidade Proximal para Mobilidade Distal: Salvando seus joelhos
Existe um mantra na fisioterapia esportiva: “estabilidade proximal gera mobilidade distal”. Isso significa que, para você mover seu pé ou sua mão com precisão e força, a base de onde esse membro sai (o tronco e os quadris) precisa estar travada. Se a base se move, o membro perde a referência. Imagine tentar disparar um canhão a partir de uma canoa na água. A canoa vai recuar, balançar e o tiro vai sair fraco e sem precisão. O canhão precisa estar no chão firme.
Quando aplicamos isso ao joelho, a mágica acontece. Muitas dores no joelho, como a síndrome da dor patelofemoral ou tendinites, não são culpa do joelho. São culpa de um core e um quadril instáveis. Se o seu tronco balança a cada passo da corrida, o fêmur (osso da coxa) roda internamente para tentar encontrar equilíbrio. Essa rotação interna detona a mecânica do joelho, causando atrito e dor.
Ao estabilizarmos o core, paramos esse balanço excessivo do tronco. O fêmur fica mais estável, o joelho trabalha alinhado e a dor desaparece. É fascinante ver como fortalecer o abdômen pode curar uma dor no pé ou no joelho. Estamos consertando a canoa para que o canhão possa disparar com segurança.
Dor lombar e a inibição dos Multífidos: O ciclo da dor
A dor lombar é a queixa número um em atletas e não atletas. O que descobrimos é que, após o primeiro episódio de dor nas costas, ocorre um fenômeno chamado inibição reflexa. O cérebro “desliga” os multífidos, aqueles pequenos músculos que estabilizam as vértebras. Mesmo que a dor passe depois de uma semana, esses músculos muitas vezes não voltam a funcionar automaticamente. Eles ficam dormentes e atrofiam.
Isso deixa a coluna vulnerável. Sem a proteção dos estabilizadores locais, qualquer movimento brusco joga a carga direto nos discos e ligamentos, causando uma nova crise de dor. É o famoso “travou as costas”. O atleta entra num ciclo vicioso de dor, inibição muscular, instabilidade e mais dor.
A reabilitação precisa quebrar esse ciclo. Não adianta apenas alongar ou tomar remédio. Precisamos reensinar o cérebro a encontrar e contrair esses músculos profundos novamente. É um trabalho de reconexão neural. Só quando os multífidos voltam a proteger a coluna é que o ciclo de lesões recorrentes é interrompido.
Vazamento de Energia: Por que você cansa mais rápido quando está instável
Você já reparou como corredores cansados começam a se desmontar? A cabeça cai, os ombros rodam, o tronco balança. Isso é a falha do core. Quando os músculos estabilizadores fadigam, o corpo perde sua eficiência biomecânica. Cada passo passa a exigir muito mais energia para manter o corpo em linha reta.
Chamamos isso de vazamento de energia. O atleta com core fraco gasta uma quantidade absurda de combustível apenas para tentar manter a postura, sobrando menos energia para a performance esportiva em si. É como dirigir um carro com os pneus desalinhados; você gasta muito mais gasolina e pneus para andar a mesma distância.
Na reabilitação, focamos na resistência muscular do core, não apenas na força máxima. Seu core precisa estar ativo do primeiro ao último minuto do jogo. Se ele falha aos 30 minutos do segundo tempo, é nesse momento que o risco de lesão dispara e o desempenho despenca. Um core resistente é sinônimo de um atleta econômico e durável.
Avaliação e Ativação: Acordando o Sistema Nervoso
O mito do “encolher a barriga”: Bracing versus Hollowing
Durante anos, ensinou-se a técnica de “Hollowing” (encolher o umbigo em direção às costas) para ativar o transverso. Embora isso ative o músculo isoladamente, descobrimos que, para o esporte, isso não é funcional. Encolher a barriga diminui a base de suporte e reduz a estabilidade da coluna sob cargas altas. Ninguém aguenta um empurrão ou levanta um peso pesado murchando a barriga.
A técnica correta para o esporte é o “Bracing”. Imagine que alguém vai te dar um soco no estômago. O que você faz? Você endurece a parede abdominal inteira, empurrando levemente para fora e travando tudo ao redor, inclusive as laterais e as costas. Isso é o Bracing. Ele ativa todas as camadas musculares simultaneamente e cria aquela cinta de segurança super rígida.
Na clínica, passo muito tempo reeducando meus pacientes a pararem de murchar a barriga e começarem a criar essa armadura de 360 graus. O Bracing é o que permite levantar cargas pesadas e absorver impactos violentos sem que a coluna sofra. É a diferença entre uma parede de tijolos e uma cortina de seda.
A respiração como ferramenta de estabilização
Você não consegue estabilizar o core se não souber respirar. O diafragma tem uma função dupla: respirar e estabilizar. Durante o esforço máximo, muitos atletas prendem a respiração (manobra de Valsalva) para aumentar a pressão e a estabilidade. Isso funciona, mas você não pode prender a respiração durante uma maratona ou uma partida de tênis inteira.
Precisamos ensinar o seu corpo a manter a tensão abdominal (o Bracing) enquanto o diafragma continua bombeando ar. Isso é coordenação de alto nível. Você precisa ser capaz de expandir as costelas lateralmente e respirar “atrás do escudo” da parede abdominal tensa.
Se a sua respiração é apical (só no peito) e curta, você está perdendo a ajuda do diafragma na estabilidade lombar. Reeducar o padrão respiratório para uma respiração diafragmática funcional é muitas vezes o primeiro passo para curar uma dor lombar crônica ou melhorar a performance atlética.
Avaliando o controle motor sob carga baixa
Antes de colocar você para fazer pranchas com peso ou agachamentos pesados, eu preciso saber se você tem controle fino. Usamos um aparelho chamado Biofeedback de Pressão (um manguito de pressão que colocamos sob as costas) para ver se você consegue manter a coluna neutra enquanto move as pernas.
É um teste humilhante para muitos atletas fortes. Peço para deitar, manter a pressão no manguito estável e apenas esticar uma perna. Muitos tremem, a coluna arqueia, a pressão dispara ou cai. Isso mostra que, apesar da força bruta, eles não têm controle sutil da pelve e da lombar.
Começamos a reabilitação aqui, no chão, com cargas ridículas, focando na qualidade absoluta do movimento. Se você não consegue controlar sua coluna deitado no chão sem peso, não tem negócio em fazer levantamento terra ainda. Construímos a fundação neurológica primeiro, para depois adicionar os tijolos da força.
Progressão Funcional: Construindo uma Armadura
O conceito de Anti-Movimento: Anti-rotação e Anti-extensão
A melhor forma de treinar o core para o esporte não é criando movimento (como abdominais), mas resistindo a ele. Chamamos isso de treino de Anti-Movimento. O objetivo é impedir que a força externa mova sua coluna. Dividimos isso em categorias como Anti-Extensão (impedir que a coluna arqueie para trás) e Anti-Rotação (impedir que o tronco gire quando não deve).
Um exemplo clássico de Anti-Extensão é a Prancha Frontal ou o exercício de rolar a roda abdominal. Você luta para não deixar a lombar cair. Um exemplo de Anti-Rotação é o Pallof Press, onde você segura um elástico lateralmente e estica os braços, lutando para não deixar o elástico girar seu tronco.
Esses exercícios são ouro para a reabilitação. Eles ensinam o core a fazer seu trabalho principal: travar a coluna e proteger os discos enquanto forças externas tentam quebrá-la. É assim que prevenimos hérnias e estiramentos musculares. Você constrói uma resistência de ferro contra forças indesejadas.
Adicionando o caos: Perturbações e superfícies instáveis
A vida e o esporte não são previsíveis. O chão é irregular, o adversário te empurra, a bola desvia. Depois que você domina o controle no chão estável, precisamos introduzir o caos controlado. Usamos elásticos, bolas suíças ou eu mesmo empurro o paciente levemente enquanto ele tenta manter a postura.
O objetivo é treinar o tempo de reação dos músculos do core. Eles precisam ser capazes de se ativar reflexamente quando o equilíbrio é ameaçado. Se você só treina em ambiente perfeito e estável, seu core fica “burro” para o imprevisto.
Essa fase é divertida e desafiadora. O atleta precisa manter o foco total para não perder a estabilidade. É aqui que transformamos a força de academia em força de jogo. Preparar o corpo para o inesperado é a melhor vacina contra lesões traumáticas.
Integração com as extremidades: O corpo como uma unidade
O último estágio da progressão básica é integrar o core com movimentos complexos de braços e pernas. Não adianta ter um core forte se ele se desliga quando você agacha ou levanta o braço acima da cabeça. Começamos a combinar pranchas com movimentos de perna, ou agachamentos com press de ombro unilateral.
Exercícios como o “Farm Walk” (caminhar segurando peso pesado em uma mão só) são fantásticos. Eles obrigam o core a trabalhar insanamente para manter você reto enquanto você caminha. É funcionalidade pura. Você está treinando o abdômen sem fazer um único abdominal tradicional.
Essa integração garante que a “ponte” de energia que falamos lá no começo esteja sólida e funcional. Quando o atleta consegue mover cargas pesadas nas extremidades mantendo o tronco imóvel como uma rocha, sabemos que a reabilitação foi um sucesso.
O Cérebro no Comando: Controle Neuromuscular
Mecanismo de Feedforward: A antecipação é a chave da proteção
O sistema nervoso tem dois modos de operar: reagir ao erro (feedback) e antecipar o erro (feedforward). Em situações rápidas do esporte, reagir é lento demais. Se você esperar seu pé tocar o chão e torcer para depois contrair o abdômen, já lesionou. O core precisa trabalhar em modo de antecipação (feedforward).
Estudos mostram que, em pessoas saudáveis, o transverso do abdômen se contrai milissegundos antes de você mover o braço. Ele prepara o terreno. Em pessoas com dor lombar crônica, essa antecipação desaparece. O braço move, a coluna balança e só depois o músculo acorda. Tarde demais.
Nossos exercícios visam restaurar esse timing. Usamos movimentos rápidos de braços e pernas para forçar o cérebro a recalibrar esse sistema de previsão. Queremos que a proteção seja automática e prévia, não uma reação atrasada de socorro.
Fadiga do Sistema Nervoso Central e o colapso da postura
A fadiga não acontece só no músculo; ela acontece no comando neural. Quando o sistema nervoso cansa, a primeira coisa que perdemos é a coordenação fina e a estabilidade postural. O atleta começa a “desabar”. É no final do jogo que a maioria das lesões de LCA (ligamento cruzado anterior) acontece, muitas vezes porque o core fadigou e parou de controlar o tronco, que por sua vez desestabilizou o joelho.
Na reabilitação avançada, precisamos treinar o core sob fadiga. Eu vou fazer você cansar cardiovascularmente ou muscularmente e, imediatamente, pedir um exercício de alta precisão de estabilidade. Você precisa aprender a recrutar esses músculos mesmo quando o corpo quer desistir.
Isso cria resiliência mental e física. Ensinamos o atleta a reconhecer os sinais de que a postura está quebrando e a retomar o controle consciente do Bracing. É a diferença entre terminar o jogo seguro ou sair de maca nos acréscimos.
Treinando a reação sob estresse cognitivo e físico
No jogo, você não está só pensando em “contrair o abdômen”. Você está pensando na tática, na torcida, no placar. O controle do core precisa ser subconsciente. Para testar isso, usamos a dupla tarefa. Eu peço para você fazer uma prancha ou um exercício de equilíbrio enquanto resolve uma conta matemática ou pega uma bola que eu jogo.
Se, ao focar na bola ou na conta, sua estabilidade desmorona, significa que o controle ainda não está automatizado. Você ainda precisa pensar muito para estabilizar. Precisamos treinar até que a estabilidade seja o padrão automático do seu sistema, liberando seu cérebro para focar na estratégia do jogo.
Esse é o nível elite de reabilitação. Prepara o atleta não só para o movimento, mas para o ambiente caótico e mentalmente exigente da competição.
Transferência para o Esporte: A Hora da Verdade
Aterrissagem e desaceleração: Onde as lesões acontecem
O momento mais crítico no esporte é a desaceleração. Aterrissar de um salto ou frear uma corrida. É aqui que as forças são gigantescas. Um core forte impede que o tronco colapse para frente ou gire excessivamente na aterrissagem. Se o tronco cai para frente, o centro de gravidade muda e o joelho sofre uma pressão absurda.
Treinamos exaustivamente a técnica de aterrissagem com foco no controle do tronco. O atleta precisa aterrissar como um ninja: silencioso, estável e pronto para explodir para qualquer direção. O core é o freio que ajuda a dissipar essa energia cinética com segurança.
Sem esse controle de tronco na desaceleração, os ligamentos do joelho (como o LCA) tornam-se a única linha de defesa. E, infelizmente, eles frequentemente perdem essa batalha. Core forte salva joelhos.
Potência Rotacional: A base do chute, arremesso e soco
Para gerar potência em movimentos rotacionais (golfe, tênis, beisebol, luta), você precisa criar uma separação entre o quadril e os ombros e depois liberar isso como um elástico. O core é o elástico. Ele precisa ser flexível o suficiente para carregar energia e rígido o suficiente para transmitir essa energia explosivamente.
Trabalhamos com medicine balls, arremessando-as contra a parede com força máxima, usando a rotação do tronco. O foco é ensinar a sequência correta: quadril gira, tronco transfere, braço finaliza. Se o core for fraco, o ombro ou a lombar tentam gerar a força sozinhos e se lesionam.
A potência vem do chão e flui pelo centro. A reabilitação de atletas rotacionais foca absurdamente nessa capacidade de gerar e, principalmente, frear a rotação. A frenagem é tão importante quanto a aceleração para evitar lesões na coluna e nos oblíquos.
Corrida eficiente: Mantendo a pélvis neutra por quilômetros
Na corrida de longa distância, o core tem um papel de resistência. Ele precisa manter a pélvis neutra por milhares de passos. Se o core cansa, a pélvis cai para frente (anteversão) ou para os lados (Trendelenburg). Isso muda a biomecânica da perna, causando canelites, dores no quadril e na lombar.
A eficiência da corrida depende de uma plataforma estável. Treinamos o core para resistência de longa duração, com isometrias longas e exercícios de estabilidade em pé simulando a passada. O objetivo é que o corredor consiga manter a postura “alta” e alinhada do km 1 ao km 42.
Menos movimento desnecessário no tronco significa mais energia direcionada para frente. É economia de combustível e proteção articular, tudo em um pacote só.
Terapias Aplicadas e Recursos Tecnológicos
Para finalizar, é importante que você saiba que não estamos sozinhos nessa jornada. Utilizamos ferramentas para acelerar o processo e dar feedback ao seu corpo.
Biofeedback e Ultrassom na reabilitação
Muitas vezes, você acha que está contraindo o músculo certo, mas não está. Usamos o Biofeedback de Pressão (o manguito que mencionei) ou até Ultrassom de Imagem em tempo real. Eu coloco o ultrassom na sua barriga e você vê na tela o seu músculo transverso contraindo (ou não). Isso é revolucionário. O paciente entende instantaneamente o que precisa fazer. Transforma a sensação subjetiva em dado visual objetivo.
Pilates Clínico e Estabilização Segmentar
O Pilates é uma ferramenta fantástica quando bem aplicado. Usamos os equipamentos (Reformer, Cadillac) para assistir ou resistir ao movimento, facilitando a ativação correta em ambientes controlados. A estabilidade segmentar foca em controlar cada vértebra individualmente, essencial para quem tem hérnias ou instabilidade vertebral. É a precisão cirúrgica do movimento.
Terapia Manual e Liberação Miofascial
Às vezes, o core não funciona porque está travado. Músculos tensos, diafragma rígido ou fáscia aderida podem impedir a ativação correta. Minhas mãos entram para “soltar o freio de mão”. Liberamos o diafragma para você respirar melhor, soltamos o psoas e a lombar para permitir que a pélvis se mova. A terapia manual cria a janela de oportunidade de movimento livre para que o exercício de fortalecimento seja eficaz.
Recuperar a estabilidade do core é devolver ao seu corpo a inteligência central que ele perdeu. É um processo que exige paciência e consciência, mas que te devolve um corpo muito mais forte, inteligente e resistente a lesões.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”