Você já se perguntou por que se machucou justamente naquela semana em que estava se sentindo invencível. Ou talvez por que aquela dorzinha antiga voltou logo depois de um treino que parecia fácil. A resposta raramente está na falta de força ou na má sorte. A resposta quase sempre está na gestão inadequada da carga. No mundo da fisioterapia esportiva moderna, paramos de olhar apenas para o músculo rasgado ou o tendão inflamado. Agora, olhamos para a planilha, para o histórico e para como você distribuiu o esforço ao longo do tempo. Controle de carga não é sobre treinar menos. É sobre treinar de forma inteligente para que seu corpo consiga absorver o impacto e se transformar, em vez de quebrar.
Muitos atletas chegam ao meu consultório com a ideia de que reabilitação é repouso. Eles acham que precisam parar tudo, esperar a dor sumir e depois voltar com tudo. Esse é o erro mais clássico e perigoso que existe. O tecido biológico precisa de estímulo para se organizar. Se tirarmos a carga, ele atrofia. Se colocarmos carga demais, ele falha. O segredo da reabilitação de sucesso é encontrar o ponto exato — a zona de adaptação — onde o estímulo é forte o suficiente para gerar mudança, mas seguro o suficiente para não causar danos. Nós chamamos isso de “Sweet Spot”.
Nesta conversa, quero desmistificar o conceito de carga. Vamos sair do básico “peso na barra” e entender como seu corpo contabiliza o estresse. Vou te ensinar a pensar como um fisiologista e a agir como um gerente do seu próprio corpo. Se você entender os princípios que vamos discutir aqui, você terá nas mãos a ferramenta mais poderosa para prevenir lesões e garantir longevidade no esporte. Prepare-se para mudar a forma como você encara sua rotina de treinos e recuperação.
O Que é Carga de Verdade? (Não é Só Peso)
Carga Externa: O que você fez na planilha
Quando pergunto para um paciente “qual foi sua carga hoje?”, ele geralmente me responde com números. “Corri 10km”, “Levantei 100kg” ou “Joguei 90 minutos”. Isso é o que chamamos de Carga Externa. É o trabalho mecânico objetivo que você realizou. É fundamental medir isso, claro. Sem saber o volume (quanto) e a intensidade (quão forte) absolutos, ficamos no escuro. A carga externa é o dado frio, a matemática do treino que está no papel ou no aplicativo.
No entanto, a carga externa é traiçoeira se olhada isoladamente. Ela não considera quem está executando a tarefa. Correr 10km em um dia fresco, bem dormido e alimentado é uma carga externa. Correr os mesmos 10km sob sol de 40 graus, após uma noite de insônia e com estresse de trabalho, é a mesma carga externa, mas o impacto no corpo é brutalmente diferente. A planilha aceita tudo, mas o corpo não.
Na reabilitação, usamos a carga externa para planejar a progressão. Definimos quantos saltos você vai dar, quantos metros vai correr. Mas eu preciso que você entenda que atingir o número da planilha não é o objetivo final. O número é apenas um guia. Se você ficar obcecado apenas em bater a meta de distância ou peso, ignorando o contexto, você está flertando com a lesão. A carga externa é o convite para o baile, mas não garante que você vai dançar bem.
Carga Interna: O custo fisiológico para o seu corpo
Aqui é onde a mágica acontece. A Carga Interna é como o seu corpo reage à Carga Externa. É o “custo” biológico do exercício. Se a carga externa é correr 10km, a carga interna é a sua frequência cardíaca subindo, o lactato acumulando no sangue e, principalmente, a sua percepção de esforço. É o quanto aquilo custou para o seu sistema. Dois atletas podem fazer o mesmo treino (carga externa igual) e ter respostas internas completamente opostas. Um sai fresco, o outro sai destruído.
Monitorar a carga interna é vital na reabilitação. Se eu peço para você fazer um agachamento e sua frequência cardíaca dispara e você sente que está fazendo uma força descomunal, a carga interna está alta, mesmo que o peso seja leve. Isso me diz que seu corpo ainda não está eficiente naquela tarefa ou que você está fatigado. Ignorar a carga interna é como dirigir um carro olhando apenas para o hodômetro (distância) e ignorando o medidor de temperatura do motor.
Para você, atleta, a lição é: respeite o custo fisiológico. Se um treino habitual está gerando uma carga interna muito alta (você termina exausto demais), isso é um sinal amarelo. Significa que sua tolerância baixou ou que fatores externos estão influenciando sua fisiologia. A reabilitação exige que mantenhamos a carga interna controlada para não estourar o sistema imunológico e hormonal, permitindo a reparação tecidual.
Por que o GPS e o relógio contam apenas metade da história
Vivemos na era dos smartwatches e GPS. Eles são ferramentas fantásticas que nos dão gráficos coloridos sobre nossa performance. Eles medem passos, velocidade, potência e distância com precisão milimétrica. Mas eles têm limitações sérias. O relógio não sabe que você brigou com seu chefe. O GPS não sabe que você está preocupado com uma conta para pagar. Esses dispositivos medem, majoritariamente, a carga externa e alguns parâmetros fisiológicos básicos.
Eles falham em capturar o contexto biopsicossocial. A carga mecânica nos seus tendões pode ser estimada pelo relógio, mas a carga total no seu sistema nervoso central é invisível para o algoritmo. Muitas vezes, vejo pacientes com dados de GPS perfeitos, “dentro da zona”, que se lesionam. Por quê? Porque o dispositivo ignorou a fadiga acumulada de outras fontes da vida.
Não terceirize sua percepção corporal para um algoritmo. Use a tecnologia como uma bússola, não como o capitão do navio. O capitão é você. Se o relógio diz que você está “recuperado” mas você se sente um lixo, confie na sua sensação. A tecnologia é uma ferramenta de suporte para a reabilitação, mas a sua autopercepção é soberana na hora de decidir se deve acelerar ou frear.
A Matemática da Segurança: Razão Aguda e Crônica
Entendendo o conceito de ACWR (Acute:Chronic Workload Ratio)
Pode parecer complicado, mas o conceito de Razão de Carga Aguda:Crônica é simples e revolucionário. Imagine que a Carga Aguda é o que você fez nesta última semana (sua fadiga recente). A Carga Crônica é a média do que você fez nas últimas quatro semanas (seu condicionamento físico ou “fitness”). A relação entre esses dois números nos diz se você está preparado para o treino de hoje.
O objetivo é manter um equilíbrio. Se a carga desta semana (Aguda) for muito maior que a média do último mês (Crônica), você está em zona de perigo. Significa que você fez mais do que seu corpo estava acostumado a suportar. Por outro lado, se a carga aguda for muito menor que a crônica, você está destreinando. A “Zona Segura” ou “Sweet Spot” geralmente fica entre 0.8 e 1.3. Isso significa que você pode aumentar o treino, mas de forma gradual, puxando a média para cima devagar.
Na reabilitação, usamos isso para evitar o erro clássico: voltar rápido demais. Se você ficou parado um mês (Carga Crônica baixa) e tenta voltar correndo o que corria antes (Carga Aguda alta), sua razão dispara para 2.0 ou mais. O risco de quebrar é altíssimo. Precisamos construir a Carga Crônica tijolo por tijolo, semana a semana, para que você tenha lastro para suportar esforços maiores.
O perigo dos picos súbitos de volume e intensidade
Os “Spikes” ou picos de carga são os maiores vilões das lesões esportivas. O corpo humano é incrivelmente adaptável, mas ele precisa de tempo. Ele odeia surpresas. Um aumento súbito de volume (correr o dobro da distância) ou intensidade (correr muito mais rápido) em um curto espaço de tempo choca os tecidos. Tendões, em particular, demoram para reagir metabolicamente. Eles não conseguem fortalecer suas fibras de colágeno da noite para o dia.
Muitas lesões que parecem acidentais não são. Aquele estiramento na coxa no final do jogo ou a dor no Aquiles após um treino longo muitas vezes são resultado de um pico de carga que aconteceu semanas antes. Existe um “delay” (atraso) entre o erro de carga e a dor. Você erra na dose hoje e a conta chega daqui a duas ou três semanas.
Por isso, a regra de ouro na reabilitação é a consistência. Evite picos. Se você perdeu uma semana de treino por gripe ou viagem, não tente compensar tudo na semana seguinte. Isso cria um pico artificial. Aceite a perda, ajuste a carga para baixo e reconstrua. Tentar “pagar a dívida” do treino perdido com juros altos é a fórmula certa para a falha mecânica.
Construindo um lastro de proteção a longo prazo
Existe um paradoxo interessante no controle de carga: treinar muito protege contra lesões, desde que você chegue lá gradualmente. Atletas com Carga Crônica alta (que treinam muito e consistentemente há muito tempo) são mais resistentes do que atletas que treinam pouco. O problema não é a carga alta, é chegar na carga alta rápido demais.
Pense no seu corpo como uma conta bancária. A Carga Crônica é o seu saldo acumulado. A Carga Aguda é o saque. Se você tem um saldo alto, pode fazer saques maiores sem entrar no vermelho. Se seu saldo é baixo, qualquer saque médio te quebra. Na reabilitação, nosso foco é aumentar seu saldo bancário fisiológico.
Queremos que você se torne robusto. Isso significa expor seu corpo a cargas progressivas até que ele se torne “duro na queda”. Não protegemos você da carga para sempre; nós preparamos você para suportá-la. Um atleta bem condicionado, com um histórico de carga crônica sólida, pode suportar o caos e a intensidade de uma competição sem quebrar. É essa robustez que buscamos.
Capacidade Tecidual e a Resposta Biológica
O envelope de função e a zona de homeostase
Imagine um gráfico onde existe uma zona de segurança chamada “Envelope de Função”. Dentro desse envelope, a carga aplicada é tolerada e gera adaptação positiva. Fora desse envelope, entramos na zona de lesão estrutural. Quando você se machuca, esse envelope encolhe drasticamente. O que antes era um treino leve (dentro do envelope), agora está fora e causa dor.
A reabilitação é o processo de empurrar as paredes desse envelope para fora novamente. No início, a capacidade do seu tecido é baixa. Qualquer esforço mínimo pode irritar. Precisamos aplicar a dose mínima eficaz de carga para estimular as células, mas sem romper a homeostase (equilíbrio) de forma agressiva. É um trabalho de precisão cirúrgica.
Se respeitarmos o envelope, o tecido se fortalece. O osso fica mais denso, o tendão mais rígido, o músculo mais forte. Se desrespeitarmos, o tecido entra em falência. Entender que seu “envelope” muda dia a dia é crucial. Em dias de estresse ou doença, seu envelope encolhe temporariamente. Saber recuar nesses dias é sinal de inteligência esportiva.
Diferenças de adaptação entre músculos, tendões e ossos
Nem todo tecido se recupera na mesma velocidade. Isso é fonte de muita frustração. Os músculos são muito vascularizados (cheios de sangue) e se recuperam e adaptam rápido. O sistema cardiovascular também melhora rápido. Você sente que tem fôlego e força muscular em poucas semanas. Porém, tendões e ligamentos são tecidos “brancos”, com pouco sangue e metabolismo lento.
O descompasso ocorre aqui: seu músculo e coração dizem “vai”, mas seu tendão diz “espera”. Você se sente bem, aumenta a carga, e o tendão inflama. Tendões precisam de carga mecânica para alinhar o colágeno, mas precisam de mais tempo de descanso entre sessões intensas para não degenerar. Ossos também têm um ciclo lento de remodelação e são sensíveis a impactos repetitivos.
Na reabilitação, o ritmo é ditado pelo tecido mais lento. Se você teve uma tendinopatia, não importa se seu músculo aguenta levantar 100kg; se o tendão só aguenta 50kg, treinamos com 50kg. Respeitar a biologia de cada tecido evita recaídas. Você precisa ter paciência com seus tecidos conectivos; eles são teimosos, mas quando fortalecidos, são incrivelmente resistentes.
Dor durante o treino: interpretando o sinal de alerta
A dor é um sistema de alarme, mas nem sempre indica dano. Na reabilitação moderna, não exigimos “dor zero” para treinar. Aceitamos um certo nível de desconforto, desde que controlado. Usamos um sistema de semáforo. Dor de 0 a 3 (numa escala de 10) é “Luz Verde”. É seguro continuar, é apenas adaptação.
Dor de 4 a 5 é “Luz Amarela”. Atenção. Observe se a dor muda a sua técnica. Se você começar a mancar ou compensar o movimento, pare. Se a técnica se mantém, pode ser aceitável, mas não aumente a carga. Dor acima de 6 é “Luz Vermelha”. Pare imediatamente. A demanda excedeu a capacidade.
O teste mais importante é a resposta nas 24 horas seguintes. Se você treinou com desconforto leve, mas acordou no dia seguinte sem dor e sem rigidez, ótimo. O corpo absorveu a carga. Se acordou pior, com dor matinal ou inchaço, a carga foi excessiva. Ajustamos para baixo na próxima sessão. Você precisa aprender a “negociar” com sua dor, não ignorá-la nem temê-la excessivamente.
O Fator Humano e Subjetivo no Controle de Carga
A Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) como ferramenta ouro
Pode parecer tecnologia antiga, mas a Percepção Subjetiva de Esforço (PSE) é, cientificamente, uma das melhores formas de monitorar a Carga Interna. É simples: de 0 a 10, quão difícil foi a sessão? Essa nota subjetiva engloba tudo: o peso levantado, o calor, o seu cansaço prévio, sua motivação. É o resumo final de como seu cérebro interpretou o estresse.
Multiplicamos a duração do treino (em minutos) pela nota da PSE para ter um valor de Carga Arbitrária. Isso nos dá um número para monitorar semana a semana. Se a carga total está subindo muito rápido, sabemos que há risco. A PSE é honesta. O GPS pode dizer que você correu devagar, mas se sua PSE foi 9/10, para o seu corpo aquilo foi uma final de Copa do Mundo.
Eu ensino meus atletas a serem honestos com a PSE. Não é para ser durão. Se foi difícil, dê a nota alta. Isso permite que eu, como fisioterapeuta, ajuste a sua recuperação. Se a PSE está consistentemente mais alta do que o esperado para treinos fáceis, é um sinal clássico de que você não está recuperando e precisamos intervir antes que a lesão ocorra.
Estresse mental e emocional somam no balde da carga
Seu corpo tem apenas um “balde” para lidar com estresse. Nesse balde entra o treino físico, mas também entra o prazo do trabalho, a briga com o namorado, a preocupação financeira e a falta de sono. O cérebro não distingue muito bem a fonte do estresse; a resposta hormonal (cortisol) é similar.
Se o seu balde já está cheio de estresse emocional, cabe pouco treino físico. Se você tentar forçar um treino intenso em uma semana de crise pessoal, o balde transborda. E o transbordamento é a lesão ou a doença. Períodos de alta demanda cognitiva ou emocional exigem redução da carga física. Isso não é fraqueza, é fisiologia básica.
Na reabilitação, pergunto “como você está?” antes de “como está o joelho?”. Se a vida está caótica, adaptamos o treino. Talvez foquemos mais em mobilidade e controle motor do que em força bruta naquele dia. Respeitar o momento de vida do atleta é essencial para o controle de carga real.
Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC) e o sistema nervoso
A Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC ou HRV) é uma métrica que mostra o estado do seu Sistema Nervoso Autônomo. Basicamente, mede a variação de tempo entre batimentos cardíacos. Ao contrário do que se pensa, alta variabilidade é bom: significa que seu coração está responsivo e adaptável (domínio parassimpático/recuperação). Baixa variabilidade significa estresse (domínio simpático/luta ou fuga).
Monitorar a VFC ao acordar nos dá um “boletim meteorológico” do seu corpo. Se a VFC está baixa por vários dias, seu sistema está sobrecarregado, mesmo que você não sinta dor muscular. É um indicador precoce de fadiga sistêmica.
Quando vemos uma VFC deprimida, reduzimos a intensidade da reabilitação naquele dia. Em vez de forçar adaptação em um sistema que já está lutando para sobreviver, damos espaço para recuperação. Usar esses dados biológicos nos ajuda a tomar decisões mais inteligentes do que apenas seguir a planilha cegamente.
O Treino Invisível: Recuperação é Parte da Carga
O sono como a principal ferramenta anabólica
Não existe modalidade de fisioterapia, suplemento ou bota de compressão que chegue aos pés do poder do sono. É durante o sono profundo que você libera Hormônio do Crescimento (GH) e Testosterona, essenciais para reparar músculos e tendões. É no sono que você faz a “limpeza” neurológica e consolida o aprendizado motor dos exercícios de reabilitação.
Dormir menos de 7 horas por noite aumenta drasticamente o risco de lesão. A privação de sono deixa você mais lento, menos coordenado e, pior, aumenta a sua sensibilidade à dor. Um tecido que doeria nota 3, após uma noite ruim, dói nota 6.
Priorize o sono como parte do seu treino. Eu digo aos meus atletas: se você tem uma hora para treinar, mas só dormiu 5 horas, durma mais uma hora e não treine. O ganho fisiológico do sono extra será maior do que o treino feito em estado de zumbi. Higiene do sono é tratamento médico na reabilitação.
Nutrição e hidratação na disponibilidade energética
O conceito de Disponibilidade Energética é crucial. Se você gasta mais energia do que consome, entra em déficit. Em curto prazo, perde peso. Em longo prazo, o corpo começa a desligar funções “supérfluas” para economizar energia. A primeira coisa que ele desliga? A manutenção óssea e a reparação tecidual.
Atletas que comem pouco para o tanto que treinam (Déficit Energético Relativo – RED-S) têm muito mais fraturas por estresse e tendinopatias rebeldes. Você precisa comer para sarar. A reabilitação gasta energia. A construção de tecido novo gasta energia. Proteínas são os tijolos, carboidratos são os pedreiros.
A hidratação também é fundamental. Discos intervertebrais, cartilagens e tendões dependem de água para manter suas propriedades viscoelásticas. Um tendão desidratado é mais rígido e propenso a microlesões. Beba água consistentemente ao longo do dia, não só durante o treino.
O impacto do estilo de vida sedentário na tolerância à carga
Muitos “atletas de fim de semana” ou recreativos têm um estilo de vida extremamente sedentário durante a semana. Passam 8 a 10 horas sentados numa cadeira, travando o quadril e a coluna, e depois querem exigir performance máxima no treino. Esse contraste é perigoso.
A inatividade prolongada diminui a tolerância dos tecidos à carga. Ficar sentado comprime os discos lombares e diminui a circulação nos membros inferiores. Quando você levanta para treinar, o sistema está “frio” e rígido.
Na reabilitação, incentivamos o “movimento snack” ou pausas ativas. Levantar a cada hora, fazer alguns agachamentos, caminhar. Isso mantém a viscosidade dos tecidos e a prontidão neuromuscular. O que você faz nas 23 horas que não está treinando é tão importante quanto a hora do treino.
Terapias Aplicadas e Ferramentas de Gestão
Para finalizar, quero falar sobre as intervenções práticas que usamos na clínica para gerenciar tudo isso. Lembre-se: a terapia passiva ajuda, mas a gestão ativa cura.
Tecnologia de Monitoramento e Dados
Utilizamos aplicativos e wearables para rastrear a Carga Aguda e Crônica. O GPS fornece dados de distância e velocidade, enquanto aplicativos de bem-estar monitoram o sono e a VFC. Cruzamos esses dados para ajustar a planilha semanalmente. Se os dados mostram fadiga acumulada, trocamos um treino de impacto por um treino de mobilidade ou piscina. A tecnologia nos dá a objetividade que falta na sensação pura.
Recursos Regenerativos na Fisioterapia
Quando o tecido está sobrecarregado, entramos com recursos para acelerar a recuperação e permitir que você continue treinando. A Fotobiomodulação (Laser e LED) é excelente para otimizar a função mitocondrial e reduzir a fadiga muscular pós-treino. As Botas de Compressão Pneumática ajudam na drenagem metabólica e na sensação de alívio. A Terapia Manual serve para “resetar” o tônus muscular e aliviar áreas de tensão excessiva, quebrando padrões de rigidez que alteram a biomecânica.
Educação e Autogerenciamento
A ferramenta mais poderosa é o conhecimento. Ensinamos você a calcular sua PSE, a entender os sinais de dor e a respeitar os dias ruins. Um atleta educado sabe quando puxar o freio sem que eu precise mandar. O objetivo final da reabilitação com foco em carga não é deixar você dependente de mim, mas torná-lo autônomo. Quando você entende a lógica da carga, você se torna o dono da sua performance e da sua saúde.
Controlar a carga é a arte de equilibrar o desejo de vencer com a necessidade de sobreviver. Respeite os números, ouça seu corpo e lembre-se: a consistência sempre vence a intensidade.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”