O saque representa o gesto motor mais complexo e exigente dentro do tênis de campo. Estamos falando de um movimento que requer uma coordenação fina entre potência explosiva e controle absoluto. A maioria dos pacientes que recebo aqui na clínica com queixas lombares subestima a violência que esse movimento impõe às estruturas da coluna. Você precisa entender que o problema raramente começa na dor em si. A dor é apenas o sinal de que a biomecânica falhou em algum ponto da cadeia cinética. Vamos analisar juntos o que acontece no seu corpo quando você decide lançar a bola para o alto e golpeá-la com toda a força.
Entendendo a Cadeia Cinética do Saque
A cadeia cinética funciona como um sistema de elos interligados onde a energia gerada em um segmento é transferida para o próximo. No saque essa transferência começa nos pés e termina na raquete. Se um desses elos falha ou trava a energia não se dissipa. Ela se acumula em pontos de estresse. A sua coluna lombar acaba sendo frequentemente o ponto de sacrifício dessa cadeia quebrada. Você precisa visualizar seu corpo como um chicote onde a base precisa ser sólida para a ponta atingir a velocidade máxima.
A transferência de energia das pernas
Tudo começa na força de reação do solo. Você flexiona os joelhos na fase de preparação para acumular energia elástica. Quando você empurra o chão o chão empurra você de volta. Essa força vertical precisa ser convertida em torque rotacional. Se você não usa as pernas de forma eficiente a sua lombar tenta compensar a falta de potência. É muito comum ver tenistas amadores que sacam apenas com o braço e as costas. Isso gera uma sobrecarga absurda nos discos intervertebrais e na musculatura paravertebral.
A flexão dos joelhos deve ser profunda e coordenada. O momento de extensão das pernas precisa coincidir exatamente com o início da rotação do tronco e a elevação do braço. Se houver um atraso de milissegundos a energia se perde. O seu corpo instintivamente força a região lombar a gerar uma extensão rápida para recuperar essa potência perdida. Isso cria um cisalhamento nas vértebras que é extremamente prejudicial a longo prazo. O uso correto das pernas poupa sua coluna de ter que gerar toda a força sozinha.
Além da geração de força as pernas oferecem a base de estabilidade para a aterrissagem. Após o contato com a bola o seu corpo precisa desacelerar. Se a musculatura das pernas não absorve esse impacto a coluna vertebral recebe o choque axial diretamente. Fortalecer quadríceps e panturrilhas não é apenas uma questão de estética ou velocidade em quadra. É uma questão de sobrevivência para a sua coluna lombar durante a prática do tênis.
O papel da rotação do tronco
A rotação do tronco é o motor principal da velocidade da raquete. Durante a fase de preparação você realiza uma rotação para trás criando uma tensão elástica no tronco. Chamamos isso de ciclo alongamento-encurtamento. A musculatura abdominal oblíqua e os músculos das costas trabalham como um elástico esticado. O problema surge quando essa rotação é feita sem o suporte adequado da mobilidade torácica. A coluna torácica deveria ser responsável pela maior parte da rotação.
Quando sua coluna torácica é rígida a lombar é obrigada a rotacionar além de sua capacidade fisiológica. A anatomia das vértebras lombares não foi desenhada para grandes graus de rotação. As facetas articulares da lombar limitam esse movimento para proteger o disco. Se você força a rotação lombar repetidamente você começa a desgastar essas facetas. Isso leva a inflamações crônicas e em casos mais graves a fraturas por estresse.
Você deve focar em dissociar a cintura pélvica da cintura escapular. Isso significa que seus quadris podem estar apontando para uma direção enquanto seus ombros apontam para outra. Essa separação cria o torque necessário sem destruir as articulações. O trabalho de mobilidade torácica é indispensável para qualquer tenista que queira sacar forte sem dor. Sem essa mobilidade você estará sempre roubando movimento da lombar e pagando o preço com dores no dia seguinte.
O chicote final do ombro e punho
A fase final da cadeia cinética envolve o ombro o cotovelo e o punho. O ombro realiza uma rotação interna explosiva no momento do contato. Essa ação é facilitada se a energia vinda do tronco chegar limpa e sem interrupções. Se houver bloqueios anteriores o ombro tentará compensar gerando tensão excessiva no pescoço e na parte superior das costas. Isso altera a postura de todo o eixo vertebral.
O grande dorsal é um músculo chave aqui. Ele conecta o braço diretamente à fáscia toracolombar na parte baixa das costas. Quando você acelera o braço para bater na bola o grande dorsal contrai violentamente. Se ele estiver encurtado ou se a ativação for desorganizada ele puxa a coluna lombar para uma extensão e rotação forçada. Muitos tenistas sentem a dor lombar exatamente no lado oposto ao braço do saque por causa dessa tração cruzada.
O controle do punho e a pronação final direcionam a bola. Mas se você chegar nesse ponto sem equilíbrio o corpo colapsa lateralmente. Esse colapso lateral comprime as raízes nervosas na saída da coluna. A técnica correta de braço depende inteiramente de uma coluna estável. Não adianta ter um braço rápido se a base da coluna não suporta a alavanca que esse braço cria.
O Momento Crítico da Hiperextensão Lombar
A hiperextensão lombar é o mecanismo de lesão mais frequente no saque. Durante a fase de armação muitos tenistas arqueiam as costas excessivamente para trás. Isso é feito na tentativa de ganhar mais amplitude de movimento e potência. Embora a estética do movimento possa parecer com a dos profissionais a realidade anatômica é perigosa. O arco excessivo fecha o espaço onde os nervos saem e comprime as estruturas posteriores da vértebra.
A fase de preparação ou Trophy Position
A “Trophy Position” ou posição de troféu é aquele momento onde a raquete está apontada para o céu e os joelhos flexionados. Nesse instante a coluna está em extensão. Se você não tiver força abdominal suficiente para controlar essa extensão a gravidade puxa seu tronco para trás sem freio. As vértebras lombares colidem umas com as outras. Isso é particularmente perigoso para as vértebras L4 e L5 que suportam a maior parte da carga.
O controle excêntrico do abdômen é vital aqui. Seus músculos abdominais precisam estar ativos mesmo enquanto alongam para evitar que a coluna quebre para trás. Muitos tenistas relaxam o abdômen nessa fase achando que isso aumentará a amplitude. É um erro fatal. O relaxamento retira a proteção da coluna e deixa toda a carga nos ligamentos e ossos.
A transição da “Trophy Position” para o ataque à bola é onde o perigo aumenta. Você passa de uma extensão extrema para uma flexão explosiva. Essa mudança brusca de direção cria forças de cisalhamento enormes. Se a técnica não for fluida o disco intervertebral sofre um efeito de esmagamento. Manter a integridade da parede abdominal durante essa fase é o que diferencia um saque saudável de um saque lesivo.
O impacto da carga combinada com rotação
O movimento do saque nunca é apenas em um plano. Ele combina extensão rotação e inclinação lateral simultaneamente. Essa combinação é a tempestade perfeita para a coluna lombar. Quando você estende e roda ao mesmo tempo a pressão sobre a pars interarticularis aumenta exponencialmente. Essa é a região do osso que conecta as articulações da vértebra. O estresse repetitivo aqui causa a espondilólise.
A espondilólise é uma fratura por estresse comum em tenistas jovens e em adultos que forçam demais o saque. Ela ocorre porque o osso não aguenta a carga cíclica de dobrar e torcer. A inclinação lateral necessária para saques com efeito como o kick serve agrava ainda mais a situação. O lado para o qual você inclina sofre uma compressão severa das facetas articulares.
Você precisa entender que a coluna suporta bem cargas verticais. Mas ela é vulnerável a cargas de torção sob compressão. O saque coloca a coluna exatamente nessa posição de vulnerabilidade. O treinamento técnico deve focar em minimizar a combinação excessiva desses movimentos. Buscar a potência através da extensão do quadril e não da quebra da coluna lombar é a chave para a prevenção.
Quando o arco se torna excessivo
Existe uma linha tênue entre um arco produtivo e um arco patológico. O arco produtivo distribui a curva por toda a coluna incluindo a torácica e o pescoço. O arco patológico concentra toda a extensão em um único ponto da lombar geralmente na charneira lombo-sacra. Você pode identificar isso visualmente quando parece que as costas do jogador têm uma “dobradiça” no final das costas.
Esse ponto de dobradiça sofre um desgaste acelerado. Os ligamentos longitudinais anteriores são estirados e os posteriores ficam frouxos. Isso cria instabilidade segmentar. Com o tempo essa instabilidade pode evoluir para uma espondilolistese que é o escorregamento de uma vértebra sobre a outra. Nesse estágio a dor se torna constante e pode irradiar para as pernas.
A correção desse arco excessivo passa pela consciência corporal. Você precisa aprender a sentir a diferença entre estender o quadril e estender a lombar. Muitas vezes a falta de flexibilidade nos flexores do quadril impede a extensão da perna. O corpo então compensa arqueando as costas. Tratar a causa raiz que muitas vezes está na frente do quadril e não nas costas resolve o problema do arco excessivo.
A Importância do Toss no Alinhamento Vertebral
O lançamento da bola ou toss dita toda a biomecânica subsequente do saque. Se o toss está errado seu corpo fará ajustes automáticos e subconscientes para acertar a bola. Esses ajustes quase sempre sacrificam a postura correta. Um toss inconsistente é o inimigo número um da saúde da sua coluna no tênis. Você obriga sua coluna a se contorcer para buscar uma bola que deveria estar no lugar certo.
Lançamento muito para trás
Quando você lança a bola muito para trás da linha da cabeça você obriga a coluna a hiperextender para buscar o contato. O seu centro de gravidade se desloca para trás dos calcanhares. Para não cair você arqueia as costas excessivamente. Isso coloca a lombar em sua posição de fechamento máximo sob carga. É a receita clássica para lesões das facetas articulares e inflamação aguda.
Sacar com a bola atrás da cabeça também impede a transferência de peso para frente. Toda a energia do saque fica retida na região lombar em vez de ir para a quadra. Você sente que fez muita força mas a bola não anda. Esse esforço desperdiçado é absorvido pelos tecidos moles das costas gerando espasmos musculares e dor miofascial.
Corrigir o toss para que a bola fique mais à frente permite que você ataque a bola. Isso mantém a coluna em uma posição mais neutra ou de leve flexão no momento do impacto. O peso do corpo ajuda a gerar potência poupando a musculatura das costas. O simples ato de jogar a bola 10 ou 20 centímetros mais para frente pode eliminar anos de dores crônicas lombares.
Lançamento muito lateral
O toss muito lateral obriga o tenista a realizar uma inclinação lateral excessiva do tronco para alcançar a bola. Se a bola sai muito à direita para um destro ele precisa curvar a coluna para o lado para manter a raquete alta. Isso fecha o espaço intervertebral do lado da inclinação pinçando nervos e discos. A compressão assimétrica desgasta o disco intervertebral de forma desigual.
Esse tipo de erro técnico é comum quando se tenta aprender o saque slice sem orientação adequada. O jogador tenta rodar a bola jogando-a muito para o lado em vez de usar o punho e a face da raquete. A coluna lombar não gosta de ser comprimida lateralmente de forma repetitiva e explosiva. Isso leva a desequilíbrios musculares severos como o encurtamento do quadrado lombar de um lado só.
O alinhamento vertical é crucial. O toss deve permitir que o corpo se mantenha o mais alinhado possível dentro do plano de movimento desejado. Mesmo em saques com efeito a busca pela bola não pode comprometer a integridade estrutural da coluna. O ajuste do lançamento deve trazer a bola para a zona de conforto biomecânico e não o contrário.
O ponto de contato ideal
O ponto de contato ideal ocorre no ponto mais alto que você consegue alcançar confortavelmente ligeiramente à frente do corpo. Nesse ponto a cadeia cinética está completamente estendida e a energia flui sem bloqueios. Acertar a bola no ponto ideal significa que as vértebras estão empilhadas de forma a suportar a carga axial com eficiência.
Quando o contato é baixo ou atrasado o braço e o ombro não têm alavanca. A musculatura lombar entra em ação para “empurrar” a bola tentando compensar a falta de alavanca mecânica. Isso gera um torque desnecessário na base da coluna. Você sente como se tivesse levado uma pancada nas costas a cada saque mal executado.
Treinar a consistência do toss é talvez a intervenção preventiva mais importante que podemos fazer em quadra. Não se trata apenas de acertar o quadrado de saque. Trata-se de garantir que cada repetição do movimento aconteça dentro de janelas de segurança biomecânica. Se o toss saiu errado não golpeie. Segure a bola e comece de novo. Sua coluna agradecerá por essa disciplina.
Mobilidade de Quadril e Ativação de Glúteos
A relação entre o quadril e a coluna lombar é íntima e direta. Na fisioterapia usamos o conceito de articulações adjacentes. Se o quadril que deveria ser móvel está rígido a coluna lombar que deveria ser estável torna-se móvel para compensar. Para sacar bem e sem dor você precisa de quadris que rodem livremente e glúteos que disparem como canhões. Sem isso a lombar assume o trabalho pesado.
Rotação interna e externa do quadril
Durante o carregamento do saque os quadris precisam realizar rotação interna e externa dependendo da base que você usa. A falta de rotação interna do quadril é um preditor clássico de dor lombar em tenistas. Se o fêmur não roda dentro do acetábulo a pélvis inteira precisa rodar. Isso torce a base da coluna lombar a cada movimento.
Trabalhar a mobilidade capsular do quadril é fundamental. Você precisa soltar as estruturas profundas que restringem o movimento. Exercícios de mobilidade dinâmica antes do jogo e alongamentos estáticos pós-jogo ajudam a manter essa amplitude. Um quadril solto permite que a pélvis gire em torno do fêmur sem arrastar a coluna lombar junto nesse movimento de torção.
A rotação externa é igualmente importante para a fase de preparação. Ela permite que você “sente” no saque e carregue a mola dos glúteos. Se você tem restrição aqui a tendência é inclinar o tronco para frente precocemente sobrecarregando os eretores da espinha. Testar e tratar as restrições de rotação do quadril é parte obrigatória da avaliação de qualquer tenista com dor nas costas.
O recrutamento do glúteo na desaceleração
Os glúteos são os principais desaceleradores do corpo. Após o saque quando você aterrissa na quadra o glúteo máximo deve absorver a energia do impacto. Se o glúteo está inibido ou fraco essa energia sobe diretamente para a articulação sacroilíaca e para a lombar. Chamamos isso de amnésia glútea e é muito comum em quem passa o dia sentado.
A ativação pré-jogo dos glúteos muda o jogo. Exercícios simples como pontes ou passadas laterais com elástico acordam essa musculatura. Quando o glúteo está ativo ele controla a pélvis durante a aterrissagem evitando que ela caia ou rode excessivamente. Isso mantém a base da coluna estável.
Além da absorção de impacto o glúteo é o extensor primário do quadril. No saque a extensão deve vir do quadril empurrado pelos glúteos e não da extensão da coluna. Se seus glúteos são fortes eles impulsionam você para cima e para frente. Se são fracos você usa os músculos das costas para puxar o tronco para cima o que é biomecanicamente ineficiente e doloroso.
O perigo do Ilio-psoas encurtado
O músculo iliopsoas é um potente flexor do quadril que se conecta diretamente às vértebras lombares. Quando você passa muito tempo sentado ou joga muito tênis sem compensar esse músculo tende a encurtar. Um psoas curto puxa as vértebras lombares para frente e para baixo aumentando a lordose lombar.
Durante o saque quando você tenta estender o corpo um psoas encurtado age como um freio de mão puxado. Ele impede a extensão completa do quadril. Para conseguir ficar ereto ou ir para trás na “Trophy Position” a sua coluna lombar tem que ceder e dobrar excessivamente. Isso cria uma compressão maciça nos discos lombares.
A liberação e o alongamento do psoas são vitais. Você precisa garantir que esse músculo tenha o comprimento adequado para permitir a extensão total do quadril sem arrastar a coluna. Manter o psoas saudável é proteger diretamente a parte frontal da sua coluna lombar contra forças de tração nocivas durante o saque.
Estratégias de Treino Preventivo Fora da Quadra
Você não previne lesões de saque apenas sacando mais. A prevenção real acontece na academia e no tapete de casa. Precisamos construir um corpo capaz de tolerar as demandas do esporte. O foco deve sair do espelho e dos músculos “de praia” para focar na função e na performance. O treino preventivo é a sua armadura contra a repetição estressante do tênis.
Fortalecimento excêntrico da cadeia posterior
O tênis é um esporte de acelerações e desacelerações brutais. A maioria das lesões ocorre na fase de desaceleração quando o músculo está alongando sob tensão. O fortalecimento excêntrico prepara o músculo exatamente para isso. Ele ensina as fibras musculares a absorverem carga enquanto se alongam. Isso é crucial para os músculos das costas e da coxa durante o saque.
Exercícios como o deadlift romeno ou o good morning controlados são excelentes. Eles fortalecem toda a cadeia posterior desde os isquiotibiais até os eretores da espinha. A ênfase deve ser na descida lenta e controlada do peso. Isso simula as forças que seu corpo precisa controlar quando você aterrissa do saque e inclina o tronco para frente.
Incorporar o treino excêntrico duas vezes por semana cria uma resiliência tecidual superior. Seus tendões e junções miotendíneas ficam mais fortes e menos propensos a rupturas. Um músculo que sabe frear o movimento protege as articulações que estão por baixo dele. No caso da lombar isso significa menos impacto direto nas vértebras.
Exercícios de anti-rotação e estabilidade
O “core” não serve apenas para fazer abdominais. Sua função principal é impedir o movimento indesejado e transferir força. No saque você gera muita força rotacional. O core precisa ser capaz de frear essa rotação para não lesionar a coluna no final do movimento. Exercícios de anti-rotação são mais específicos e seguros para tenistas do que crunches tradicionais.
O Pallof Press é o rei desses exercícios. Ele obriga você a resistir a uma força que tenta te rodar. Você mantém a coluna neutra enquanto luta contra a resistência. Isso recruta os oblíquos e o transverso do abdômen da maneira exata que eles precisam trabalhar para proteger sua coluna no tênis. Variações em pé e de joelhos desafiam a estabilidade pélvica.
A prancha dinâmica também é fundamental. Tirar um braço ou uma perna do chão durante a prancha cria instabilidade rotacional que você precisa controlar. Isso treina o cérebro a ativar a musculatura estabilizadora reflexamente. Quando você estiver sacando e perder o equilíbrio no ar essa ativação reflexa é o que vai salvar sua coluna de uma lesão.
Pliometria e mecânica de aterrissagem
O saque é um evento explosivo. A pliometria treina essa explosão mas também ensina a aterrissar. Muitos tenistas sabem pular mas não sabem cair. Uma aterrissagem dura transmite ondas de choque direto para a coluna. Ensinar o corpo a amortecer usando tornozelos joelhos e quadris é essencial.
Começamos com saltos baixos focando no silêncio da aterrissagem. Quanto menos barulho você fizer ao cair melhor está sendo a absorção. Progredimos para saltos unilaterais simulando a caída do saque sobre a perna esquerda (para destros). A estabilidade do joelho e do quadril nessa aterrissagem unilateral dita quanto estresse sobe para a lombar.
O treino pliométrico também melhora a taxa de desenvolvimento de força. Isso significa que você consegue gerar mais potência com menos esforço muscular prolongado. Um movimento mais eficiente é menos taxativo para o sistema musculoesquelético. Se você salta melhor e aterrissa melhor sua coluna lombar sofre muito menos desgaste ao longo de uma partida de três sets.
Terapias Aplicadas e Tratamentos Indicados
Agora que entendemos a biomecânica e a prevenção vamos falar sobre o que fazer se você já sente desconforto ou quer otimizar sua recuperação. Como fisioterapeuta uso uma combinação de técnicas para manter meus tenistas em quadra. Não existe uma pílula mágica mas sim um manejo inteligente do corpo. As terapias focam em restaurar o equilíbrio que o tênis tende a tirar.
Terapia Manual e Liberação Miofascial
A terapia manual é essencial para soltar as estruturas que ficam rígidas com a repetição. Focamos muito na liberação do quadrado lombar e do psoas. Essas áreas acumulam tensão protetora e precisam ser relaxadas manualmente para permitir o movimento normal da vértebra. A liberação miofascial da fáscia toracolombar também alivia a sensação de aperto constante na baixa das costas.
Técnicas de mobilização articular ajudam a restaurar o movimento das facetas articulares que podem estar travadas. Não se trata apenas de massagem mas de mobilizar o tecido profundo e a cápsula articular. Isso melhora a nutrição da articulação e reduz a dor mecânica imediata. Soltar os glúteos e os rotadores externos do quadril também alivia a tensão referida na lombar.
O uso de ventosas ou dry needling (agulhamento a seco) pode ser muito eficaz para pontos-gatilho. Esses pontos são nódulos de contração que causam dor e alteram o padrão de movimento. Desativar esses pontos permite que o músculo volte a funcionar com sua força total e coordenação correta protegendo a coluna durante o jogo.
Osteopatia e Quiropraxia no alinhamento
A osteopatia e a quiropraxia olham para o alinhamento global. Muitas vezes uma dor lombar no saque vem de uma disfunção no pé ou uma restrição na cervical. O ajuste quiroprático pode restaurar a mobilidade de um segmento vertebral bloqueado permitindo que a cadeia cinética flua novamente. Isso remove os bloqueios mecânicos que forçam outras áreas a trabalhar demais.
O trabalho osteopático na pelve é fundamental. Desalinhamentos do ilíaco ou do sacro criam uma base torta para a coluna. Se a sua base está torcida a coluna terá que fazer curvas compensatórias chamadas de escoliose funcional. Corrigir a base pélvica dá à coluna uma plataforma neutra para operar reduzindo o estresse assimétrico nos discos.
Essas terapias não substituem o fortalecimento mas criam a janela de oportunidade para treinar sem dor. É muito difícil fortalecer um corpo desalinhado ou travado. O alinhamento passivo facilita a ativação muscular correta. Manter visitas regulares para “alinhamento e balanceamento” é uma prática comum entre tenistas de alto rendimento para prevenir crises agudas.
Exercícios de Controle Motor e Pilates
O Pilates Clínico é talvez a ferramenta mais poderosa para a reabilitação e manutenção da coluna do tenista. Ele foca no controle motor fino e na ativação do “powerhouse” ou centro de força. Diferente da musculação tradicional o Pilates ensina a dissociar os movimentos mantendo a estabilidade central enquanto as extremidades se movem. Isso é exatamente o que o saque exige.
Os exercícios de controle motor reeducam o cérebro. Após uma lesão de costas os músculos estabilizadores profundos como o multífido tendem a desligar ou atrasar sua ativação. Exercícios específicos de baixa carga reaprendem esses músculos a disparar no tempo certo antes mesmo do movimento acontecer. Sem esse “timing” a coluna fica desprotegida durante as frações de segundo do impacto.
A integração desses conceitos no gesto esportivo é o passo final. Transferimos o controle aprendido no solo ou nos aparelhos de Pilates para a posição em pé e depois para o movimento do saque. Você aprende a sacar usando a respiração e a contração do core de forma coordenada. Isso transforma seu saque de um movimento agressivo para a coluna em um gesto fluido potente e sustentável.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”