Você já parou para pensar que o sucesso do seu exercício ou da sua reabilitação começa literalmente por baixo dos seus pés? Vejo muitos pacientes chegarem ao consultório com dores nos punhos ou nos joelhos que não são causadas pela falta de força, mas sim pela superfície onde treinam. Escolher o material errado para o seu colchonete é como tentar correr uma maratona usando sapatos de sapateado: o esforço é maior e o risco de se machucar também. Quando falamos de EVA, NBR e PVC, não estamos apenas discutindo siglas industriais, estamos falando sobre como o seu corpo interage com o solo.
Entender a diferença entre esses materiais vai muito além da estética ou do preço que você vê na etiqueta. Como fisioterapeuta, analiso esses componentes sob a ótica da biomecânica, da absorção de impacto e da estabilidade articular. O “tapetinho” que você estende na sala de casa tem a função nobre de ser a interface entre o seu esqueleto e o chão duro. Se essa interface falha, suas articulações pagam o preço. A boa notícia é que, com um pouco de informação técnica traduzida para o nosso dia a dia, você consegue fazer a escolha perfeita para a sua necessidade.
Nesta conversa, quero guiar você pelas características de cada um desses três gigantes do mercado fitness. Vamos mergulhar nas texturas, nas densidades e nas respostas que cada material devolve ao seu corpo quando você aplica carga sobre ele. Esqueça as descrições genéricas de embalagem. Aqui, vamos falar de “vida real”, de suor, de aderência e de como garantir que sua prática seja segura, eficiente e, claro, prazerosa.
Desvendando a Sopa de Letrinhas: As Propriedades Físicas dos Materiais
EVA: A Escolha Leve e Econômica para o Dia a Dia[1]
O Etileno Vinil Acetato, popularmente conhecido como EVA, é provavelmente o material com o qual você teve o primeiro contato, talvez ainda na escola. Ele é aquele material com aspecto emborrachado, extremamente leve e que domina as prateleiras de lojas de departamento. Do ponto de vista estrutural, o EVA é uma espuma sintética de células fechadas. Isso significa que ele tem uma capacidade razoável de ser impermeável, o que facilita muito aquela limpeza rápida após o treino. Para quem precisa transportar o colchonete para o parque ou para o estúdio de pilates, a leveza do EVA é um argumento fortíssimo; você mal sente que está carregando algo.
No entanto, é preciso alinhar as expectativas quanto à densidade.[2][4][5] O EVA é conhecido por ser um material mais “seco” e com menor memória elástica em comparação aos seus concorrentes. Quando você pressiona o dedo com força em um colchonete de EVA mais simples, ele pode demorar um pouco para voltar à forma original ou, com o tempo, criar vincos permanentes. Na prática clínica, indico o EVA para exercícios de baixo impacto ou para quem está começando e não quer investir alto logo de cara.[3] Ele cumpre bem a função de isolar o corpo do frio do chão e oferece um amortecimento básico para a coluna em abdominais simples.
Outro ponto que você deve observar é a textura.[4][6] O EVA pode ser um pouco escorregadio se não tiver uma texturização superficial adequada, especialmente se você transpirar muito. Isso acontece porque a superfície dele tende a não absorver a umidade (o que é bom para higiene), mas cria uma película de suor que diminui o atrito. Por isso, se a sua intenção é fazer exercícios isométricos longos, como pranchas, verifique se o modelo possui ranhuras antiderrapantes. É um material honesto, acessível e funcional, desde que você entenda seus limites de performance.
PVC: Resistência e Aderência para Práticas Estáticas[2][5]
O Policloreto de Vinila, ou PVC, é o “trator” dos colchonetes. Quando bem fabricado, é incrivelmente durável e resistente à abrasão. Sabe aquele tapete que você usa, usa, usa e ele continua com a mesma cara? Provavelmente é de PVC.[2][4][7] Na fisioterapia, valorizamos muito o PVC de alta densidade por causa da sua consistência. Ele é um material que oferece uma firmeza maior, o que é excelente para quem precisa de estabilidade.[1][3][4][5][8][9] Diferente de espumas muito macias onde você “afunda”, o PVC te dá uma base sólida, permitindo que você sinta melhor o contato e distribua o peso do corpo de forma equilibrada.
A grande estrela do PVC é a aderência, ou o que chamamos de “grip”. Ele tem uma característica naturalmente “pegajosa” (no bom sentido) que ajuda a travar as mãos e os pés durante posturas que exigem tração. Isso é vital para a segurança articular. Imagine fazer um alongamento complexo ou uma postura de yoga como o “Cachorro Olhando para Baixo” e sentir as mãos deslizando; isso gera uma tensão desnecessária nos ombros e punhos para compensar a falta de atrito. Com um bom colchonete de PVC, essa preocupação diminui drasticamente, permitindo que você foque na execução correta do movimento.
Porém, nem tudo são flores. O PVC sintético tradicional tem levantado questões ambientais e de toxicidade ao longo dos anos, embora hoje existam versões “Eco-PVC” livres de ftalatos e metais pesados. Além disso, ele costuma ser mais pesado que o EVA e o NBR. Se você tem sensibilidade nos joelhos ao apoiar no chão, um PVC muito fino (de 3mm ou 4mm) pode parecer rígido demais, exigindo que você use uma toalha extra ou dobre o tapete para garantir conforto. É a escolha ideal para quem prioriza durabilidade técnica e precisão de movimento sobre o amortecimento fofo.
NBR: O Conforto da Espuma Densa para Proteção Articular
A Borracha de Nitrilo Butadieno (NBR) é a queridinha de quem busca conforto supremo. Se o PVC é firme e o EVA é leve, o NBR é macio. Geralmente, os colchonetes feitos desse material são mais espessos, variando comumente entre 10mm e 15mm. Essa espessura extra, combinada com a natureza da borracha sintética, cria uma superfície de alto amortecimento. Para meus pacientes com dores crônicas na coluna, quadris sensíveis ou problemas nos joelhos, o NBR costuma ser a primeira recomendação para exercícios de solo. É como fazer seus exercícios em cima de uma nuvem firme.
Essa maciez tem uma função terapêutica importante: reduzir a compressão óssea contra o solo rígido. Quando você deita em decúbito dorsal (de barriga para cima) num colchonete de NBR, as proeminências da sua coluna e da bacia são acomodadas suavemente, evitando aqueles pontos de pressão dolorosos que muitas vezes fazem a pessoa desistir do exercício. Além disso, o NBR tem uma boa resistência a óleos e suor, e sua estrutura de células fechadas também impede a absorção de líquidos, facilitando a manutenção e a higiene diária.
Entretanto, essa mesma maciez pode ser uma armadilha para exercícios de equilíbrio em pé. O excesso de amortecimento cria uma instabilidade proposital. Se o seu objetivo é treinar propriocepção, isso é ótimo; mas se você precisa de uma base firme para não virar o pé, o NBR pode ser instável demais. O material tende a ser mais elástico, mas também pode sofrer deformações permanentes se ficar muito tempo comprimido por objetos pesados. É a escolha perfeita para Pilates de solo, alongamentos passivos e exercícios de mobilidade onde o corpo fica a maior parte do tempo deitado ou apoiado.
Biomecânica e Segurança: Como o Material Afeta seu Movimento
Estabilidade ou Instabilidade? O Papel da Densidade no Equilíbrio[2][3]
Você já tentou ficar em um pé só em cima de um colchão de cama e depois no chão duro? A diferença é brutal, e a mesma lógica se aplica aos colchonetes. A densidade do material altera diretamente a resposta dos seus mecanorreceptores, que são os sensores no seu corpo que dizem ao cérebro onde você está no espaço. Um material muito macio, como um NBR de baixa densidade e alta espessura, desafia seu equilíbrio. Para reabilitação de tornozelo, isso pode ser uma ferramenta incrível, pois obriga os músculos estabilizadores a trabalharem dobrado. Mas, se você não tem essa intenção, pode acabar sobrecarregando ligamentos desnecessariamente.
Materiais mais rígidos e finos, como o PVC de alta densidade, oferecem o que chamamos de feedback tátil imediato. Quando você pisa, o chão “responde” instantaneamente. Isso é crucial para idosos ou pessoas em recuperação neurológica que precisam sentir firmeza para confiar no movimento. A instabilidade excessiva pode gerar medo de queda e aumentar a tensão muscular global, o que é contraproducente. Por isso, sempre avalio: seu treino exige base estável para força ou base instável para controle motor? A resposta define se você vai para o PVC ou para o NBR.[4][5]
O EVA fica num meio-termo interessante, mas muitas vezes perigoso se for de má qualidade. Um EVA muito fino e macio demais pode “dançar” embaixo dos pés, enrugando durante o movimento. Isso é um risco real de tropeços e entorses. A densidade ideal é aquela que permite que você afunde levemente para ter conforto, mas encontre resistência logo em seguida para ter impulsão. Se o seu pé afunda e não encontra fundo, você perde eficiência mecânica e gasta mais energia para realizar o mesmo movimento.
Absorção de Impacto: Protegendo Joelhos, Quadris e Coluna
A absorção de impacto não é apenas sobre conforto; é sobre preservação da cartilagem e das estruturas articulares a longo prazo. Quando realizamos exercícios que envolvem saltos, aterrissagens ou apoio de quatro apoios (joelhos e mãos), a força de reação do solo volta para o nosso corpo. Se o colchonete não dissipar parte dessa energia, quem absorve são seus meniscos e discos intervertebrais. Aqui, a estrutura física do NBR leva vantagem por ser naturalmente mais resiliente e espessa, agindo como um verdadeiro amortecedor automotivo para o seu esqueleto.
No entanto, absorção de impacto não significa apenas ser “fofo”. O material precisa ter a capacidade de deformar e retornar rapidamente (histerese elástica). Se o material deforma e fica “amassado” enquanto você ainda está precisando de suporte, ele falhou. O PVC de boa qualidade, apesar de mais fino, tem uma densidade que absorve choques secos de forma eficiente sem desestabilizar a articulação. Já o EVA, dependendo da espessura, pode comprimir totalmente até você sentir o chão duro embaixo, o que chamamos de “bottoming out”. Isso é terrível para quem tem bursite no joelho ou no quadril.
Oriento meus pacientes a fazerem o teste do cotovelo: apoie o cotovelo no colchonete e jogue peso sobre ele. Se você sentir o osso tocando o chão duro através do material, a absorção de impacto é insuficiente para suas articulações. Você precisa de um material que mantenha uma camada de proteção mesmo sob carga pontual.[9] Proteger suas articulações hoje é garantir que você continuará se movimentando sem dor daqui a dez ou vinte anos.
O Fator “Grip”: Prevenindo Deslizamentos e Lesões por Compensação
A aderência é um item de segurança não negociável. Escorregar durante um exercício não é apenas irritante; é o caminho mais rápido para uma distensão muscular (estiramento). Quando você sente que está escorregando, seu corpo entra em modo de defesa: você contrai excessivamente a musculatura para tentar se segurar. Essa co-contração desnecessária gera fadiga precoce, dores tensionais no pescoço e pode levar a lesões por esforço repetitivo. O “grip” do colchonete deve ser confiável tanto seco quanto molhado de suor.
O PVC geralmente oferece a melhor aderência inicial, aquela sensação de “cola”. Isso permite que você relaxe os músculos que não estão sendo usados no exercício, focando apenas no movimento alvo. O TPE (um material que às vezes compete com esses três) e o NBR texturizado também oferecem boa tração, mas o NBR liso pode virar um sabão quando molhado. Já o EVA, se não tiver uma textura de “colmeia” ou ranhuras profundas, pode ser traiçoeiro.
Como fisioterapeuta, vejo muitas lesões de ombro em pacientes que tentam fazer a prancha ventral em tapetes escorregadios. Eles forçam o manguito rotador para não deixar os braços abrirem. A solução é simples: o material certo. Se você transpira muito (hiperidrose), talvez precise de um colchonete de células abertas (PU) ou usar uma toalha antiderrapante sobre o seu colchonete de EVA ou NBR. A segurança do movimento depende de você confiar que, onde você colocar a mão ou o pé, ali eles ficarão.
Durabilidade e Higiene no Consultório e em Casa
Resistência à Tração e Deformação com o Uso Contínuo[9]
Ninguém gosta de ver seu equipamento se desfazendo, esfarelando ou rasgando após alguns meses de uso. A resistência à tração é a capacidade do material de ser esticado sem romper. Imagine aquelas aulas onde você afasta as pernas com força sobre o tapete; o material está sofrendo uma tensão enorme. O PVC reforçado com malha interna é campeão indiscutível nesse quesito. Ele é feito para aguentar pisões, tênis e tração intensa sem deformar. É um investimento que se paga pela longevidade.
O EVA, por ser uma espuma expandida, é o mais frágil nesse aspecto. Com o uso de tênis, é comum ver o EVA começar a esfarelar ou perder pedaços nas áreas de maior atrito. Ele também sofre com a “memória de compressão”: se você guardar ele dobrado ou com um peso em cima, ele pode ficar marcado para sempre. Para uso doméstico leve, ok.[3][8] Para uso intenso ou comercial, ele vai pedir troca rápida.
O NBR é resistente, mas sofre com cortes e perfurações. Unhas de gato, pedrinhas no chão ou tênis com solado agressivo podem rasgar a superfície macia da borracha. Uma vez rasgado, a estrutura começa a ceder. A durabilidade também está ligada a como o material reage ao sol e ao calor. O PVC e o NBR resistem bem, enquanto o EVA pode ressecar e encolher se esquecido dentro de um carro quente ou exposto ao sol direto por longos períodos.
A Importância da Célula Fechada na Prevenção de Fungos e Bactérias
No ambiente clínico e de estúdios compartilhados, higiene é lei. Materiais de célula fechada (como a maioria dos EVAs, NBRs e PVCs modernos) são higienicamente superiores porque não agem como esponjas. Eles repelem o suor, células mortas da pele e bactérias, mantendo tudo na superfície onde pode ser limpo. Isso é vital para prevenir micoses, foliculites e o mau cheiro característico de equipamentos velhos.
No entanto, a textura faz diferença. Colchonetes muito porosos ou com texturas profundas podem acumular sujeira nos vales das ranhuras, dificultando a sanitização completa. O PVC de célula fechada é excelente porque permite uma limpeza profunda sem absorver o produto químico. O NBR também é ótimo, mas cuidado com versões de baixa qualidade que podem ser mais porosas do que aparentam.
Você deve considerar isso se tiver alergias ou pele sensível. O acúmulo de bactérias pode causar irritações na pele, especialmente no rosto e nas costas. Um colchonete impermeável garante que, com uma passada de pano, você remova 99% dos contaminantes. Se o colchonete absorve suor (fica pesado e muda de cor quando molhado), ele é um meio de cultura para microrganismos e exige lavagem profunda, não apenas superficial.
Protocolos de Limpeza para Aumentar a Vida Útil do Material
Cuidar do seu colchonete é tão importante quanto cuidar do seu corpo. Vejo muita gente usando álcool puro ou produtos abrasivos que ressecam o material, fazendo com que ele perca a aderência e rache precocemente. Para EVA e NBR, a regra de ouro é água e sabão neutro ou detergente enzimático suave. O álcool em gel ou líquido 70% pode ser agressivo para a borracha NBR a longo prazo, ressecando a superfície e causando esfarelamento.
Para o PVC, você tem um pouco mais de liberdade, mas evite solventes fortes ou óleos essenciais puros diretamente no material, pois eles podem degradar o plástico. Uma mistura simples de água, um pouco de vinagre branco (para matar fungos) e algumas gotas de detergente neutro num borrifador funciona maravilhas para os três materiais. Use um pano macio ou esponja não abrasiva.
E o mais importante: a secagem. Nunca, jamais, guarde seu colchonete enrolado enquanto ele estiver úmido. Isso cria um microclima perfeito para o mofo, independentemente do material. Deixe-o secar à sombra (o sol direto degrada polímeros) e em local ventilado. Se o seu colchonete de NBR ou EVA começar a cheirar mal mesmo após a limpeza, é sinal de que a estrutura interna pode ter sido comprometida e bactérias estão proliferando lá dentro; nesse caso, a troca é a única solução sanitária segura.
O Fator “Conforto x Propriocepção” na Reabilitação
Quando o Excesso de Amortecimento Atrapalha a Resposta Sensorial
Existe um mito de que “quanto mais macio, melhor”. Na reabilitação, nem sempre. A propriocepção é a capacidade do seu corpo de saber onde cada parte dele está sem você precisar olhar. Essa informação vem, em grande parte, dos sensores na sola dos pés e nas articulações. Um colchonete de NBR muito grosso e fofo amortece tanto que “abafa” esses sinais. O cérebro recebe uma informação confusa, como se você estivesse pisando em areia fofa.
Para pacientes em fase final de reabilitação de ligamento cruzado anterior (LCA) ou entorses de tornozelo, introduzir instabilidade é bom, mas precisa ser controlado. Se o paciente ainda não tem força, essa instabilidade excessiva do colchonete fofo pode gerar falseios. Nesses casos, prefiro começar com o PVC ou um EVA de alta densidade (mais rígido), onde o paciente sente firmeza, e evoluir para superfícies instáveis propositalmente (como o balancim ou o próprio colchonete de NBR dobrado).
Você precisa sentir o chão para empurrá-lo. Em exercícios de potência ou pliometria (saltos), um chão muito fofo absorve a energia que você gerou para pular, diminuindo sua performance e aumentando o tempo de contato com o solo, o que pode ser lesivo para o tendão de Aquiles. O equilíbrio entre conforto e reatividade é a chave.
Superfícies Rígidas vs. Macias em Pós-Operatórios de Membros Inferiores
No pós-operatório imediato, o conforto é prioridade. O paciente muitas vezes precisa ficar de joelhos para ganhar amplitude de movimento ou fazer exercícios deitado por longos períodos. Aqui, o material rígido é inimigo. A pressão em cicatrizes recentes ou em áreas com edema (inchaço) é muito dolorosa. O NBR brilha nesse cenário.[6] Ele permite que o paciente realize os exercícios propostos sem dor residual por compressão.
Conforme a reabilitação avança e o foco muda para a carga e a marcha, precisamos transicionar para superfícies mais rígidas. O paciente precisa reaprender a pisar no “mundo real”, que geralmente é concreto, asfalto ou piso cerâmico. O PVC de alta densidade simula melhor essas superfícies, oferecendo uma transição segura. Usar apenas colchonetes ultra-macios pode criar uma dependência desse conforto, fazendo com que o paciente sinta dor ao caminhar descalço em casa.
Essa progressão de materiais faz parte do raciocínio clínico. Não usamos o mesmo colchonete para todas as fases. Se você está se recuperando em casa, pode simular isso: use o colchonete de NBR para os exercícios deitado e o chão direto (ou um tapete fino de PVC) para os exercícios de equilíbrio em pé.
Adaptações de Materiais para Pacientes Idosos e Neurológicos
Pacientes idosos ou com condições neurológicas (como Parkinson ou AVC) têm necessidades muito específicas. A pele do idoso é mais fina e frágil (sarcopenia e fragilidade dérmica), o que torna superfícies abrasivas, como alguns EVAs texturizados, perigosas. Um atrito brusco pode causar lesões na pele. Por outro lado, o material não pode ser escorregadio de jeito nenhum. O NBR macio é excelente para proteger a pele e as proeminências ósseas magras, mas cuidado com a altura: um colchonete muito alto (2cm ou mais) pode virar um obstáculo para tropeçar.
Para o paciente neurológico com espasticidade ou alterações de tônus, a superfície precisa oferecer feedback claro. Se o tapete escorrega, o tônus aumenta por medo. O PVC antiderrapante e pesado, que não sai do lugar e não levanta as pontas (efeito memória), é o mais seguro. Colchonetes leves de EVA que voam ou saem do lugar com um chute involuntário podem causar acidentes graves.
A dica de ouro aqui é a fixação: independente do material, para esse público, garanta que o colchonete não deslize no piso da casa. Às vezes, colocar uma tela antiderrapante de tapete comum embaixo do colchonete de exercício resolve o problema da segurança, permitindo focar apenas na terapia.
Investimento Inteligente: Escolhendo com Olhar Clínico
O Custo da Lesão: Por que o Barato Pode Sair Caro
É tentador comprar aquele colchonete de EVA de 20 reais na promoção. Mas qual é o custo de uma sessão de fisioterapia para tratar uma tendinite no punho ou uma dor lombar agravada? Eu sempre digo: seu equipamento de treino é equipamento de saúde. Um material que escorrega ou não amortece pode te custar meses de tratamento. Investir em um bom NBR ou PVC de alta qualidade é investir em prevenção.
Pense na durabilidade. Um colchonete barato que deforma em 3 meses vai te obrigar a comprar 4 por ano. Um bom colchonete dura anos. A conta fecha a favor da qualidade. Além disso, a motivação para treinar aumenta quando você tem um equipamento que te passa segurança e conforto.[8] Ninguém quer treinar sentindo dor nos ossos ou medo de cair.
Não estou dizendo que você precisa do tapete importado mais caro do mundo. Mas evite os materiais genéricos sem especificações de densidade. Procure marcas que informem a espessura, o material e a indicação de uso. O seu corpo merece esse respeito.
Versatilidade: Um Único Colchonete para Múltiplas Terapias?
Se você só pode ter um, qual escolher? Depende da sua atividade principal. Se você faz um mix de tudo — um pouco de yoga, um pouco de funcional, abdominais e alongamento — o PVC de alta densidade com espessura média (entre 5mm e 6mm) ou um NBR mais denso (não tão fofo) de 10mm são os “coringas”. Eles oferecem um meio termo aceitável entre estabilidade e conforto.[3][4][8]
Se o seu foco é exclusivamente Pilates de solo ou reabilitação de coluna, vá de NBR grosso (10mm+). O conforto será insuperável. Se o foco é transporte, viagens e uso esporádico em parques, o EVA fino resolve pela portabilidade, sabendo das limitações de conforto.
A versatilidade também está em como você usa.[8] Você pode dobrar um tapete fino de PVC para ter o dobro de amortecimento nos joelhos quando precisar, ganhando a função do NBR momentaneamente. Mas você não consegue fazer um tapete grosso de NBR ficar fino e estável para equilíbrio. Nesse sentido, os tapetes mais finos e densos são mais versáteis mecanicamente.
O Teste do Toque: Como Avaliar a Qualidade Antes da Compra
Vai comprar em loja física? Faça o teste sensorial. Aperte o material com o polegar e veja quão rápido ele volta. Se ficar a marca do dedo por muito tempo, a densidade é baixa e ele vai deformar rápido. Passe a mão com força na superfície para testar o atrito; se sua mão esquentar mas não deslizar, o grip é bom.
Sinta o cheiro. Materiais de baixa qualidade, especialmente PVC e EVA baratos, podem ter um cheiro químico muito forte e tóxico. Um cheiro leve é normal e sai em alguns dias, mas um cheiro insuportável indica plastificantes de má qualidade.
Verifique o peso. Qualidade tem massa. Um colchonete de PVC ou NBR muito leve geralmente indica que há muito ar injetado na mistura, o que reduz a durabilidade e a absorção de impacto real. O bom material tem uma “substância”, um peso que o mantém no chão.
Terapias Aplicadas e Indicações[4]
Para encerrar nossa conversa técnica, é fundamental conectar o material à prática clínica. Como fisioterapeuta, prescrevo o uso desses materiais dentro de contextos terapêuticos específicos, maximizando os benefícios de cada um:
- Mat Pilates e Core Training (Foco em NBR): A base do Pilates é a fluidez e o controle central (Powerhouse). O colchonete de NBR é a indicação padrão-ouro aqui, pois a maioria dos exercícios envolve rolamentos da coluna (rolling like a ball) e apoio sobre o sacro e trocânteres. A terapia foca na mobilidade vertebral e fortalecimento abdominal sem o desconforto do impacto ósseo.
- Reeducação Postural Global (RPG) e Stretching (Foco em EVA/NBR firme): Nessas terapias, o paciente permanece longos períodos na mesma posição (posturas estáticas). O material precisa ser confortável, mas não pode permitir que o corpo “afunde” e altere o alinhamento biomecânico. Um EVA de alta densidade ou NBR mais rígido funcionam bem para isolar termicamente e dar suporte sem mascarar as compensações posturais que o terapeuta precisa corrigir.
- Yoga Terapêutico e Reabilitação Proprioceptiva (Foco em PVC): Para pacientes que precisam recuperar o equilíbrio, a consciência corporal e a força em cadeias cinéticas fechadas (pés/mãos fixos), o PVC é essencial. A aderência permite tração para descompressão vertebral (como no Adho Mukha) e segurança para descargas de peso em membros superiores pós-fraturas ou tendinites, garantindo que o foco esteja na ativação muscular e não no medo de escorregar.
- Treinamento Funcional e Cinesioterapia Ativa (Híbrido): Aqui a dinâmica muda rápido — deitado, em pé, saltando. Usamos materiais de densidade média. A terapia visa o retorno às atividades de vida diária e ao esporte. O colchonete serve como delimitação de espaço e proteção para quedas controladas, sendo o EVA de alta densidade (tatames) muito utilizado para cobrir grandes áreas de solo, permitindo liberdade de movimento multidirecional.
Escolher seu colchonete é o primeiro passo do seu tratamento ou treino. Agora que você tem o conhecimento de um especialista, faça sua escolha com segurança e bons treinos!

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”