Olá! Como fisioterapeuta, vejo muitos tenistas entrarem no consultório reclamando de dor no ombro ou na lombar, achando que o problema está exatamente onde dói. Mas, na maioria das vezes, o verdadeiro culpado é um “bloqueio silencioso” no meio das costas: a coluna torácica. Se você sente que seu forehand perdeu potência ou que você precisa fazer muito mais força do que deveria para a bola andar, este guia é para você.
A coluna torácica é composta pelas 12 vértebras centrais onde as costelas se fixam.[1] No tênis, ela funciona como o motor de rotação do seu corpo.[2] Quando você prepara o golpe, precisa girar o tronco para acumular energia elástica.[3] Se essa região estiver rígida, seu cérebro vai buscar movimento em outro lugar, geralmente sobrecarregando articulações que não foram feitas para girar tanto, como a lombar.[4][5]
Neste artigo, vamos mergulhar fundo na biomecânica do seu forehand e entender por que “destravar” essa região pode ser o segredo para aquele golpe vencedor, livre de dores. Vamos conversar de forma prática, como se você estivesse aqui na minha maca de avaliação, entendendo o seu corpo para jogar melhor e por mais tempo.
Por que a Coluna Torácica é o Motor do seu Forehand[6]
A relação entre rigidez torácica e dor lombar[6]
Muitos tenistas chegam até mim com diagnósticos de lombalgia crônica e ficam surpresos quando começo a tratar o meio das costas deles. A explicação biomecânica é simples, mas fundamental. A coluna lombar é projetada principalmente para estabilidade e suporte de carga, permitindo pouquíssima rotação. A coluna torácica, por outro lado, é desenhada anatomicamente para girar e estender.
Quando sua torácica está rígida — seja por má postura no trabalho ou falta de mobilidade específica —, ela para de girar os 45 a 60 graus necessários para um bom forehand.[6] O corpo, na tentativa de manter a mecânica do golpe, força a lombar a realizar essa rotação. O resultado é um estresse excessivo nos discos intervertebrais e nas facetas articulares da região inferior da coluna, levando à dor e, eventualmente, lesões mais sérias.
Ao restaurar a mobilidade da torácica, nós “poupamos” a lombar. Você devolve a função correta para cada segmento da coluna: a torácica volta a ser móvel e a lombar pode focar em ser estável. É como tirar o freio de mão do seu corpo; o movimento flui sem que as estruturas de suporte precisem gritar por socorro a cada rebatida de fundo de quadra.
Potência versus Esforço[5][6]
Você já assistiu a profissionais jogando e notou como eles parecem gerar uma velocidade de bola absurda sem fazer cara de esforço excessivo? Isso é o que chamamos de “easy power” ou potência fácil. O segredo não é apenas a força do braço, mas a capacidade de criar uma grande amplitude de movimento rotacional (o coil) e desenrolar isso explosivamente.[6]
Se a sua coluna torácica está travada, sua rotação de tronco fica curta. Para compensar essa falta de amplitude e tentar gerar a mesma velocidade na bola, você acaba usando excessivamente a musculatura pequena do ombro e do braço. Isso não só é ineficiente energeticamente, cansando você mais rápido, como também gera uma potência menor do que a força gerada pelos grandes grupos musculares do tronco.
Uma torácica móvel permite que você use o corpo como um chicote. A rotação começa nos pés, passa pelo quadril, é amplificada pela rotação torácica e finalmente chega ao braço e à raquete. Quando esse elo central está livre, a energia flui sem interrupções. Você bate mais forte, cansa menos e sente aquela sensação gratificante de acertar o “sweet spot” com consistência.
O impacto na precisão do golpe[6]
A precisão no tênis depende muito da estabilidade da cabeça e do olhar no momento do contato. Quando a coluna torácica não se estende ou roda adequadamente, o jogador tende a compensar alterando a postura de todo o eixo vertebral. Isso muitas vezes resulta em uma cabeça que balança ou muda de nível durante a execução do forehand, dificultando o foco visual na bola.
Além disso, a rigidez torácica muitas vezes força o tenista a “abrir” o corpo cedo demais ou a usar o punho para corrigir a direção da bola no último milésimo de segundo.[6] Essas correções de última hora são as grandes inimigas da consistência. Se o tronco não roda o suficiente para cruzar a bola na diagonal, o braço tenta compensar e, frequentemente, a bola sai longa ou na rede.
Ter mobilidade torácica significa ter controle sobre o seu eixo de rotação. Com uma base rotacional sólida, seu braço serve apenas como o vetor final de direção, sem precisar fazer ajustes desesperados. Isso se traduz em bolas que vão exatamente onde você planejou, não onde o seu corpo permitiu que elas fossem naquele momento de rigidez.
A Biomecânica Oculta da Cadeia Cinética[6]
Transferência de energia dos pés à raquete[5][6]
Na fisioterapia esportiva, falamos o tempo todo sobre a cadeia cinética. Imagine seu corpo como uma série de elos de uma corrente. A força no forehand não nasce no braço; ela nasce na reação dos seus pés contra o solo. Essa força sobe pelas pernas, passa pelo quadril e precisa atravessar o tronco para chegar ao ombro. A coluna torácica é a ponte crítica nessa travessia.[4]
Se essa ponte estiver quebrada (rígida), a energia que veio das pernas se dissipa ou “vaza”. Chamamos isso de energy leak. Para a bola não morrer na raquete, você é obrigado a gerar nova energia a partir do ombro ou cotovelo isoladamente. Isso quebra a fluidez do movimento e sobrecarrega articulações menores que não foram feitas para gerar força primária, mas sim para direcioná-la.
Restaurar a mobilidade torácica repara essa ponte.[7] Permite que a força gerada pelas pernas fortes e pelo quadril chegue intacta até a raquete. É a diferença entre empurrar a bola apenas com o braço e lançar a bola com o peso de todo o corpo. Biomecanicamente, isso é o que separa um golpe amador de um golpe de alto nível.
O papel da fáscia toracolombar na rotação[5][6][8]
Abaixo da pele e envolvendo os músculos, temos um tecido conectivo chamado fáscia. Nas costas, a fáscia toracolombar é uma estrutura grande e em forma de diamante que conecta o ombro de um lado ao glúteo do lado oposto. Ela funciona como um elástico gigante. Durante a preparação do forehand, quando você gira o tronco, você estica esse elástico, armazenando energia potencial elástica.
Se a sua coluna torácica não roda, você não consegue pré-tensionar essa fáscia adequadamente. É como tentar atirar uma pedra com um estilingue sem puxar o elástico para trás: a pedra vai cair no seu pé. A rigidez articular impede que o sistema fascial faça o seu trabalho de recuo elástico, obrigando a musculatura a fazer todo o trabalho ativo, o que é muito mais custoso metabolicamente.[6]
Trabalhar a mobilidade torácica não é apenas sobre ossos; é sobre hidratar e liberar essa fáscia. Quando o tecido fascial desliza livremente sobre as costelas e vértebras, a rotação se torna elástica e reativa. Você sente o corpo “molar” na preparação e disparar no contato, aproveitando essa biomecânica natural dos tecidos moles.
Compensações comuns em ombro e cotovelo[3][6][9]
O ombro é a articulação mais móvel do corpo, mas ele paga um preço alto quando a torácica não colabora. Para levantar o braço acima da cabeça (como no saque) ou cruzar o braço à frente do corpo (no forehand), a escápula precisa deslizar sobre a caixa torácica. Se a torácica está curvada (cifótica) ou rígida, a escápula fica bloqueada, e o úmero (osso do braço) colide com as estruturas do ombro.[6]
Isso gera o famoso impacto subacromial ou tendinites no manguito rotador. No caso do cotovelo, a falta de rotação de tronco obriga o tenista a gerar velocidade chicoteando o antebraço. Isso coloca uma tensão absurda nos tendões extensores e flexores do punho, sendo uma causa clássica, porém frequentemente ignorada, do “Tennis Elbow” (epicondilite lateral).
Como fisioterapeuta, sempre avalio a coluna torácica de quem chega com dor no cotovelo. Tratar apenas o cotovelo sem liberar a rotação do tronco é enxugar gelo. Ao melhorar a mobilidade da coluna, tiramos a sobrecarga distal (braço e antebraço) e resolvemos a causa raiz da inflamação, prevenindo recidivas.
Avaliação Funcional da Sua Rotação Antes do Treino[6]
Teste de rotação sentada: O que ele revela
Você pode fazer um autoteste simples agora mesmo. Sente-se em uma cadeira ou banco, com os pés apoiados no chão e os joelhos juntos. Segure uma raquete ou um cabo de vassoura atrás dos ombros, apoiado no pescoço, e cruze os braços sobre ele. Gire o tronco para a direita e para a esquerda o máximo que conseguir, sem tirar o bumbum da cadeira.
O que estamos procurando aqui é uma rotação de aproximadamente 45 graus para cada lado. Visualmente, isso significa que seus ombros devem apontar quase para os seus joelhos opostos. Se você mal consegue passar dos 20 ou 30 graus, temos uma restrição significativa. Esse teste sentado é valioso porque, ao sentar, “travamos” o quadril, isolando a rotação pura da coluna torácica.
Se você notar que gira muito bem para o lado do seu forehand, mas é travado para o lado oposto, isso também é um problema. O tênis exige desaceleração e movimentos de backhand também. A falta de rotação para um lado pode indicar desequilíbrios musculares que, a longo prazo, torcem sua coluna e geram lesões por cisalhamento.
Diferenciando rigidez muscular de bloqueio articular[6]
É importante você saber distinguir o que está limitando seu movimento.[5] Quando você chega no final da rotação, o que você sente? Se a sensação é de um “elástico esticado” nos músculos laterais ou nas costas, provavelmente é um encurtamento muscular (tecidos moles). Isso geralmente responde bem a alongamento e aquecimento dinâmico.
Agora, se a sensação é de uma “parede dura”, como se o osso batesse e não fosse mais, chamamos isso de bloqueio articular. É uma restrição na própria cápsula da articulação ou no posicionamento das vértebras. Nesses casos, apenas alongar o músculo não resolve. Você precisa de exercícios de mobilidade articular ou manipulação para “abrir” essa articulação.
Saber essa diferença muda sua rotina de preparação. Para restrições musculares, rolo de liberação e alongamento funcionam. Para bloqueios articulares, precisamos de exercícios que mobilizem a vértebra, como o “open book” ou trações leves, muitas vezes precisando de ajuda profissional para destravar inicialmente.
Identificando assimetrias entre os lados[6][8]
Nenhum tenista é perfeitamente simétrico, afinal, é um esporte unilateral. Porém, uma assimetria muito grande é um sinal de alerta vermelho. Se você roda 50 graus para a direita e apenas 20 para a esquerda, sua coluna está trabalhando sob torsão constante. Isso altera a mecânica da sua pisada e até a altura do seu ombro em repouso.
Durante a avaliação, observe se um lado parece “deslizar” fácil enquanto o outro parece “enferrujado”. Essa assimetria pode ser causada por um hábito postural do dia a dia ou pela repetição excessiva do golpe sem compensação. O lado “rígido” geralmente é o lado que vai desenvolver dor, pois ele não consegue dissipar as forças de impacto.
O objetivo do seu treino de mobilidade não deve ser apenas “ficar flexível”, mas sim buscar a simetria. Trabalhe o lado rígido com o dobro de volume do lado móvel. Equalizar a rotação da sua coluna torácica é uma das formas mais eficazes de garantir longevidade no esporte, evitando o desgaste prematuro de discos e facetas.
Exercícios Práticos para Liberar sua Torácica[6][7][10][11][12]
O exercício “Open Book” e suas variações
O “Open Book” (Livro Aberto) é um clássico porque funciona. Deite-se de lado, com os joelhos dobrados e juntos na altura do quadril (isso protege sua lombar). Estenda os braços à frente na linha do ombro, palma com palma. Inspire fundo e, ao soltar o ar, leve o braço de cima para trás, girando o tronco e olhando para a mão que se move, tentando encostar o dorso da mão no chão do outro lado.[6][12]
O segredo aqui é a respiração e o olhar. Não force o braço a tocar o chão se o ombro doer; o foco é girar as costelas. A cada expiração, tente “derreter” um pouco mais no movimento. Seus joelhos não podem desencostar do chão; se eles levantarem, você está roubando com o quadril. Faça 10 a 12 repetições lentas para cada lado.
Uma variação excelente é fazer o “Rib Grasp”. Na mesma posição, em vez de abrir o braço longo, coloque a mão na sua caixa torácica (nas costelas) e puxe-a fisicamente para a rotação.[6] Isso ajuda seu cérebro a entender que o movimento vem do tronco, não do ombro. É uma forma de reeducação neuromuscular muito potente para quem tem dificuldade de dissociação.
Extensão torácica no rolo de liberação miofascial[6]
A postura do dia a dia (celular, computador, dirigir) nos deixa curvados para frente (cifose).[4] Para sacar e bater um forehand alto, precisamos do oposto: extensão.[4][5] Pegue um rolo de espuma (foam roller) e deite-se de costas com o rolo posicionado logo abaixo das escápulas. Entrelace as mãos atrás da nuca para apoiar a cabeça e junte os cotovelos (isso afasta as escápulas e expõe as vértebras ao rolo).
Mantenha o bumbum no chão o tempo todo. Inspire e deixe suas costas arquearam para trás sobre o rolo. Solte o ar e volte. Mova o rolo um pouco mais para cima e repita. Trabalhe toda a região entre o meio das costas e a base do pescoço. Evite ir para a lombar (parte baixa), pois ela já tem uma curva natural de extensão e não precisa ser forçada ali.
Você pode sentir alguns “cliques” ou estalos; isso é normal e geralmente é o gás escapando da articulação (cavitação), indicando que a articulação se moveu. A sensação deve ser de alívio, não de dor aguda. Esse exercício é fundamental para abrir a caixa torácica e permitir que o ombro atinja a amplitude máxima sem pinçamento.
Rotações dinâmicas em quatro apoios[6][11]
Fique na posição de quatro apoios (mãos e joelhos no chão).[5] Leve o bumbum levemente em direção aos calcanhares para travar a lombar. Coloque uma mão na nuca. Agora, tente levar o cotovelo dessa mão em direção ao cotovelo oposto (fechando o corpo) e, em seguida, abra girando o cotovelo para o teto, acompanhando com o olhar.[5][6]
Este movimento deve ser fluido. Diferente do “Open Book”, que é mais passivo e relaxante, aqui estamos ativando a musculatura paravertebral para criar a rotação. É um aquecimento ativo excelente para fazer antes de entrar em quadra. Certifique-se de que o braço de apoio (que está no chão) empurre o solo ativamente, ajudando na rotação do tronco.[12]
Faça cerca de 10 a 15 repetições para cada lado. Você vai perceber que, nas primeiras repetições, o movimento é curto, mas vai soltando conforme o fluido sinovial lubrifica as articulações. Se sentir dor no ombro de apoio, verifique se não está tensionando o pescoço; mantenha os ombros longe das orelhas.
Terapias Manuais e Tecnologias para o Tenista[6]
Manipulação vertebral e mobilização articular[6]
Quando os exercícios em casa não são suficientes para “soltar” uma vértebra bloqueada, entramos com a terapia manual. No consultório, utilizamos técnicas de manipulação de alta velocidade e baixa amplitude (o famoso “crack”) para restaurar a mobilidade imediata e reduzir a dor através de efeitos neurofisiológicos.[6] Isso “reseta” o tônus muscular da região.
Além disso, utilizamos mobilizações mais suaves, como o conceito Maitland ou Mulligan. Nessas técnicas, o fisioterapeuta aplica pressões rítmicas nas vértebras enquanto você realiza o movimento do forehand (mobilização com movimento). Isso mostra para o seu sistema nervoso que aquele movimento é seguro e indolor, aumentando a amplitude de forma funcional e específica para o esporte.
Essas terapias são essenciais para quebrar o ciclo de dor-espasmo. Muitas vezes, o músculo está tenso apenas para proteger uma articulação que não se move bem. Ao devolvermos o movimento à articulação com as mãos, o músculo relaxa naturalmente, permitindo que você volte a treinar a mecânica correta.
Dry Needling para pontos-gatilho na musculatura paravertebral[6]
O Dry Needling (agulhamento a seco) é uma ferramenta fantástica para tenistas. Com o uso excessivo da rotação, formam-se nódulos de tensão (pontos-gatilho) nos músculos romboides, trapézio e nos paravertebrais ao longo da coluna torácica.[6] Esses pontos podem referir dor para o ombro ou braço, confundindo o diagnóstico.
A técnica consiste em inserir uma agulha fina (semelhante à de acupuntura) diretamente no ponto de tensão muscular. Isso gera uma resposta de contração local seguida de um relaxamento profundo imediato e aumento da irrigação sanguínea na área. É uma forma muito rápida de “limpar” a musculatura acumulada de tensão após torneios ou semanas intensas de treino.
Diferente de uma massagem, que trata a superfície, o agulhamento chega nas camadas profundas da musculatura estabilizadora da coluna. Para o tenista, isso significa recuperar a elasticidade muscular necessária para o coil do saque e do forehand de forma muito mais eficiente.
O uso da termoterapia e eletroestimulação na recuperação[6]
Para finalizar o ciclo de cuidado, utilizamos recursos como calor e correntes elétricas. A termoterapia (calor) na região torácica antes da manipulação ou do exercício ajuda a aumentar a viscoelasticidade dos tecidos, tornando a fáscia e os músculos mais complacentes ao alongamento.[6]
Já a eletroestimulação (como o TENS para dor ou o FES para ativação) pode ser usada de forma estratégica. Em casos de dor aguda após o jogo, o TENS ajuda a controlar o desconforto sem remédios. Já correntes de fortalecimento podem ser usadas para “acordar” os músculos interescapulares que costumam ficar inibidos em quem tem muita cifose, ajudando a manter a postura ereta necessária para a rotação eficiente.
A combinação dessas terapias com os exercícios que discutimos cria um ambiente perfeito para a sua coluna torácica funcionar. Lembre-se: no tênis, a potência não vem da força bruta, mas da fluidez do movimento. Cuide da sua torácica, e seu forehand vai agradecer com mais velocidade e menos dor.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”