Você já sentiu aquela dorzinha chata na lombar depois de três horas de pedal? Ou talvez tenha percebido que, no final de um treino longo, seu corpo parece “desmoronar” sobre o guidão? Isso é mais comum do que você imagina.[1] Muitos ciclistas focam obsessivamente em ter pernas fortes.[1] Eles querem quadríceps potentes e panturrilhas de aço.[1] Mas esquecem completamente do motor que sustenta tudo isso: o core.[1]
Como fisioterapeuta, vejo isso no consultório todos os dias. O atleta chega com dor no joelho ou queixa de rendimento baixo, mas a raiz do problema está no centro do corpo.[1] Imagine um canhão sendo disparado de uma canoa. A força do tiro é enorme, mas a base é instável.[1] O resultado? A canoa vira e a energia se perde na água.[1] O mesmo acontece com você. Se suas pernas são o canhão e seu tronco é a canoa instável, você está desperdiçando watts preciosos a cada pedalada.[1]
Neste artigo, vamos mergulhar fundo no universo do core para ciclistas de estrada e maratona. Não vamos falar de abdominais tradicionais que só servem para estética.[1] Vamos conversar de profissional para atleta sobre biomecânica, eficiência e longevidade no esporte. Prepare sua garrafinha de água, ajuste o capacete e vamos entender como transformar seu corpo em uma máquina eficiente de pedalar.
O Motor Oculto: Entendendo o Core Real[1][2][3][4]
Desmistificando a Anatomia: Não é Só Sobre os “Gomos”
Quando falo em “core” para meus pacientes, a maioria aponta imediatamente para a barriga.[1] É um erro clássico. O core não é apenas o músculo reto abdominal, aquele que forma os “gominhos” quando estamos com baixo percentual de gordura.[1] Na verdade, para o ciclista, o reto abdominal é o ator coadjuvante.[1] As verdadeiras estrelas são os músculos profundos que você não vê no espelho, mas sente (ou deveria sentir) quando está escalando uma serra dura.[1] Estamos falando de um cilindro de estabilidade que envolve todo o seu tronco.[1]
Esse cilindro é composto, principalmente, pelo transverso do abdômen, que funciona como um espartilho natural protegendo sua coluna e vísceras.[1] Temos também os multífidos, pequenos músculos ao longo da coluna que garantem a estabilidade vértebra por vértebra.[1] No assoalho desse cilindro, temos os músculos pélvicos, e no teto, o diafragma.[1] Sim, o músculo da respiração faz parte do seu core.[1] Se eles não trabalharem em harmonia, a estrutura colapsa.[1]
Para o ciclista de longa distância, essa anatomia profunda é vital.[1] Diferente de um esporte de explosão, onde a força bruta superficial resolve, no ciclismo de endurance precisamos de resistência isométrica.[1] Esses músculos precisam ficar “ligados” em baixa intensidade por horas a fio.[1] Se você treina apenas fazendo abdominais convencionais de academia, está treinando o músculo errado para a função errada.[1] Você precisa ensinar seu corpo a ativar essa musculatura profunda antes mesmo de mover as pernas.[1]
O Papel da Estabilidade Pélvica no Selim
A pelve é a base de onde saem as pernas.[1] Pense nela como o chassi do seu carro. Se o chassi estiver solto ou torcido, as rodas não vão girar alinhadas.[1] Um dos maiores sinais de um core fraco que observo em avaliações biomecânicas é o “rebolado” no selim.[1] O ciclista pedala e o quadril cai para um lado e para o outro a cada volta do pedivela.[1] Isso é desastroso para a articulação sacroilíaca e para a coluna lombar.[1]
A estabilidade pélvica depende diretamente da força dos glúteos (máximo e médio) e da coordenação com o abdômen inferior.[1] Quando você está firme no selim, seus ísquios (aqueles ossinhos do bumbum) devem servir de âncora.[1] O movimento deve acontecer apenas da articulação do quadril para baixo.[1] Se a pelve balança, você está dissipando energia lateralmente em vez de direcioná-la para baixo, para o pedal.[1]
Além da perda de energia, essa instabilidade gera atrito.[1] Muitos ciclistas sofrem com assaduras severas na virilha não apenas por causa do bretelle ruim ou selim inadequado, mas porque o excesso de movimento do quadril cria fricção constante.[1] Fortalecer o core estabiliza a pelve, reduz esse balanço excessivo e, “magicamente”, muitas queixas de conforto no selim desaparecem.[1] É a mecânica pura aplicada ao seu conforto.[1]
A Ponte de Energia: Conectando Tronco e Pernas
O ciclismo é, essencialmente, a transferência de força.[1][5][6] Você gera tensão muscular e a envia para a roda traseira.[1] O core é a ponte que conecta a parte superior do corpo (que está segurando o guidão) com a parte inferior (que está empurrando os pedais).[1][6] Se essa ponte for de concreto armado, a força passa limpa.[1] Se for uma ponte pênsil balançando ao vento, a força se perde no caminho.[1]
Muitas vezes, quando você faz força para subir uma parede inclinada, você puxa o guidão com as mãos.[1] Essa força dos braços precisa descer pelo tronco, passar pelo core rígido e chegar às pernas para aumentar a alavanca.[1] Se o seu abdômen e lombar são fracos, essa força dos braços morre no meio do caminho.[1] Você se cansa nos ombros, tensiona o pescoço, mas a potência não chega onde deveria.
Essa conexão é o que diferencia os profissionais dos amadores.[1] Observe um ciclista de elite no final de uma etapa de 200km. O tronco dele está imóvel, como uma estátua.[1] Apenas as pernas se movem, como pistões.[1] Isso não é acidental. É um core extremamente condicionado que permite isolar o movimento das pernas enquanto mantém o resto do corpo relaxado e estável, economizando uma quantidade absurda de energia metabólica.[1]
A Dor Lombar e o Ciclista de Longa Distância[1]
O Fenômeno da Fadiga Postural em Treinos Longos
Você começa o pedal fresco, postura perfeita, cotovelos flexionados.[1] Passam-se duas horas. Três horas. A fadiga chega.[1] O primeiro sinal não é nas pernas, é na postura.[1][7] Os ombros sobem em direção às orelhas, a coluna lombar arqueia excessivamente ou arredonda demais, e os braços travam esticados.[1] Chamamos isso de fadiga postural.[1] É o momento em que os músculos estabilizadores do core “abrem o bico” e desistem de sustentar o tronco.[1]
Quando os músculos param de fazer o trabalho de sustentação, a carga é transferida para as estruturas passivas: ligamentos, discos intervertebrais e articulações.[1] É aí que a dor começa. Aquela queimação no centro das costas ou a pontada logo acima do bumbum é o grito de socorro dos seus ligamentos sendo estirados porque os músculos já não aguentam mais segurar a estrutura.[1]
Para o ciclista de longa distância, isso é crítico.[1] Em uma prova de endurance ou um Audax, você vai passar muitas horas nessa posição.[1] Se o seu core tem resistência para apenas duas horas, as horas restantes serão de puro sofrimento e potencial lesivo.[1] Treinar o core para resistência — e não apenas força explosiva — é o que garante que você mantenha a postura aerodinâmica e segura do primeiro ao último quilômetro.[1][7]
Compensações Perigosas: Quando o Corpo “Rouba”
O corpo humano é uma máquina inteligente de sobrevivência.[1] Se ele precisa realizar uma tarefa (girar o pedal) e o músculo principal está cansado ou fraco, ele recruta outro para ajudar.[1][2] O problema é que esse “ajudante” muitas vezes não foi feito para aquela função.[1] No ciclismo, quando o core falha, quem costuma pagar a conta são os músculos paravertebrais lombares e os flexores do quadril.[1]
Vemos muito isso em subidas. O ciclista, sem força abdominal para manter o tronco estável, começa a usar a musculatura da lombar para puxar a perna para cima na fase de recuperação do pedal.[1] Isso gera uma sobrecarga absurda na região lombar baixa.[1] O resultado é aquela sensação de travamento nas costas ao descer da bike, onde você mal consegue ficar ereto para caminhar até o carro.[1]
Outra compensação comum é o uso excessivo dos braços e trapézio.[1] Sem um centro forte para ancorar o movimento, você tensiona o pescoço e os ombros, segurando o guidão com a força da vida.[1] Isso leva a dores de cabeça tensionais e formigamento nas mãos (pela compressão nervosa causada pela tensão excessiva).[1] Tudo isso poderia ser evitado se o centro de força estivesse fazendo seu trabalho corretamente.[1]
A Relação entre Core Fraco e Lesões nos Joelhos
Pode parecer estranho ligar o abdômen ao joelho, mas na fisioterapia, tudo está conectado.[1] O glúteo médio é um músculo lateral do quadril que faz parte do complexo do core.[1] Ele é o principal responsável por impedir que seu joelho caia para dentro (valgo dinâmico) quando você faz força.[1] No ciclismo, isso se traduz naquele joelho que roça no quadro da bicicleta a cada pedalada.[1]
Se o seu core e seus glúteos não estabilizam o fêmur, o joelho trabalha desalinhado.[1] Imagine uma dobradiça de porta que você força torta milhares de vezes por hora. Uma hora ela vai chiar. No joelho, isso gera condromalácia patelar, tendinites e dores na parte anterior ou lateral da articulação.[1] O ciclista trata o joelho com gelo e anti-inflamatório, mas a dor volta porque a causa é a fraqueza lá em cima, no quadril e core.[1]
Eu costumo dizer aos meus pacientes: “O joelho é uma vítima, o culpado mora no andar de cima”. Fortalecer a cadeia lateral do core e os rotadores externos do quadril corrige o rastreamento da patela de forma muito mais eficiente do que qualquer joelheira.[1] Se você quer pedalar longas distâncias sem dor no joelho, comece fortalecendo o core e o quadril.[1]
Exercícios Essenciais para Quem Pedala (O Guia Prático)
A Arte da Prancha Perfeita: Erros e Ajustes
A prancha é o arroz com feijão do fortalecimento de core, mas vejo 90% das pessoas fazendo errado.[1] O objetivo não é ver quanto tempo você aguenta tremendo, mas sim quanto tempo você mantém a tensão perfeita. O erro mais comum é deixar a lombar “selar” (cair em direção ao chão), o que comprime as vértebras.[1] Ou então, levantar o bumbum lá no alto, tirando a carga do abdômen.[1]
Para fazer uma prancha de ciclista, apoie os antebraços no chão.[1][6] Imagine que você quer aproximar seus cotovelos dos pés, fazendo uma força de tração no chão sem sair do lugar. Isso ativa o serrátil e o abdômen intensamente.[1] Contraia os glúteos com força — isso é crucial![1] Se o glúteo estiver mole, a lombar sofre.[1] Mantenha o pescoço neutro, olhando para as mãos, não para os pés.
Comece com séries curtas, de 20 a 30 segundos, mas com intensidade máxima de contração. Qualidade vence quantidade sempre. Uma variação excelente para nós é a prancha dinâmica: na posição de prancha, tire um pé do chão apenas alguns centímetros sem deixar o quadril girar.[1] Isso simula a instabilidade de pedalar e obriga seu core a trabalhar dobrado para manter o nivelamento.[1]
O Perdigueiro: Controle Rotacional e Equilíbrio
O exercício “perdigueiro” (ou Bird-Dog) é fantástico porque trabalha as cadeias cruzadas, exatamente como no ciclismo (perna direita empurra, braço esquerdo estabiliza).[1] Em quatro apoios (mãos e joelhos no chão), você vai estender o braço direito à frente e a perna esquerda para trás.[1] O desafio não é o movimento em si, mas o que não se move.
Imagine que você tem uma taça de vinho cheia apoiada na sua lombar. Ao esticar o braço e a perna, a taça não pode derramar.[1] Isso exige um controle fino dos multífidos e do transverso.[1] Muitos ciclistas balançam o tronco todo ao fazer isso.[1] Seu objetivo é manter o tronco congelado, movendo apenas as extremidades.[1]
Faça movimentos lentos. Estenda, segure por 3 segundos sentindo a contração nas costas e glúteo, e volte devagar sem tocar o chão, se possível. Esse exercício ensina dissociação: mover pernas e braços independentemente do tronco, uma habilidade chave para manusear a bike em terrenos difíceis ou pegar a caramanhola (garrafa) sem perder a linha de prova.[1]
Ponte de Glúteos: Ativando a Potência Posterior
Como passamos o dia sentados no escritório e depois sentados na bike, nossos glúteos tendem a sofrer de “amnésia glútea”.[1] Eles esquecem como contrair.[1] A ponte de glúteos é o remédio para acordar esse motor primário.[1] Deitado de barriga para cima, joelhos dobrados, pés no chão.[1][3] Eleve o quadril até ficar alinhado com os joelhos e ombros.[1][6]
O segredo aqui é a intenção. Não empurre apenas com a lombar.[1][7] Pense em apertar uma moeda entre as nádegas. Empurre o calcanhar contra o chão para subir.[1] Você deve sentir o bumbum queimar, não as costas.[1] Se sentir a lombar ou muito posterior de coxa (cãibras), você está compensando.[1] Abaixe um pouco e foque em contrair o glúteo antes de subir.
Para ciclistas, a evolução para a ponte unilateral (uma perna só) é obrigatória.[1] Tire uma perna do chão e suba o quadril usando apenas a outra.[1] Observe se seu quadril “cai” para o lado da perna levantada.[1] Se cair, é sinal de fraqueza do core e glúteo médio.[1] Treine até conseguir manter o quadril perfeitamente nivelado mesmo com uma perna só. Isso se transfere diretamente para a fase de potência da pedalada.[1]
A Biomecânica da Eficiência[1]
Eliminando o “Vazamento” de Energia na Pedalada
Já falamos sobre a canoa e o canhão, mas vamos olhar para os números. Estudos biomecânicos mostram que um core instável pode resultar em uma perda de eficiência mecânica significativa.[1] Imagine que a cada pedalada, 5% da força que suas pernas geram é absorvida pela torção do seu tronco em vez de ir para a corrente.[1] Em uma pedalada de 4 horas, com uma cadência média de 80 rpm, você gira o pedivela quase 20.000 vezes.[1]
Se você desperdiça um pouquinho de energia 20.000 vezes, o acúmulo de fadiga é enorme.[1] Um core forte age como um bloco de transmissão rígido.[1] Ele permite que você relaxe a parte superior do corpo.[1] Você já notou como ciclistas tensos cansam mais rápido? A tensão desnecessária consome oxigênio e glicogênio.[1]
Ao fortalecer o centro, você ganha o direito de relaxar os ombros e braços.[1] Isso melhora sua economia de corrida (ou de pedalada, no caso).[1] Você termina o longão com a sensação de que tinha “mais tanque” para gastar, simplesmente porque parou de jogar energia fora tentando equilibrar o próprio corpo em cima da bicicleta.[1]
A Importância da Pressão Intra-abdominal e Respiração
Aqui entra um conceito avançado: a Pressão Intra-Abdominal (PIA).[1] Imagine uma lata de refrigerante fechada. Ela é dura e impossível de amassar.[1] Agora abra a lata e esvazie.[1] Ela amassa facilmente. Seu tronco funciona igual.[1] A pressão interna criada pelo diafragma descendo e o abdômen resistindo cria uma “lata pressurizada” que protege sua coluna.[1]
Muitos ciclistas respiram apenas com o peito, uma respiração curta e ansiosa, especialmente quando o esforço aumenta.[1] Isso não gera pressão interna.[1] Você precisa aprender a respiração diafragmática: ao inspirar, sua barriga e costelas devem expandir para os lados e para frente, não seus ombros subirem.[1] Essa expansão cria estabilidade hidrostática.[1]
Treinar o core não é encolher a barriga para dentro (o antigo “sucking in”).[1] É criar uma cinta de força para fora e para os lados (bracing).[1] Tente pedalar mantendo uma leve tensão abdominal, como se fosse levar um soco na barriga, mas continuando a respirar fluidamente.[1] É difícil no começo, mas quando você domina essa técnica, sua coluna ganha um “airbag” natural contra os impactos da estrada.[1]
Core e Controle da Bicicleta em Descidas Técnicas
Ciclistas de estrada tendem a achar que técnica é coisa de Mountain Bike.[1] Errado. Descer uma serra a 60km/h com vento lateral exige um core de aço.[1] A bicicleta responde aos movimentos do seu centro de massa.[1] Se seu corpo é mole, a bicicleta fica nervosa, instável.[1] Qualquer rajada de vento te empurra.[1]
Com um core forte, você abaixa o centro de gravidade e se “conecta” à bike.[1] Nas curvas, a força para inclinar a bicicleta e mantê-la na trajetória vem do tronco, não apenas de virar o guidão.[1] Você usa o core para resistir à força centrífuga que quer te jogar para fora da curva.[1]
Além disso, em caso de imprevistos — um buraco, uma freada brusca — a capacidade de reação rápida depende da sua estabilidade central.[1] Um corpo estável reage mais rápido e com mais precisão.[1] Portanto, fortalecer o core é também uma medida de segurança ativa, evitando quedas que poderiam acontecer por falta de controle postural em alta velocidade.[1]
Estratégias de Longevidade no Ciclismo[1]
Integrando Mobilidade e Fortalecimento na Rotina Semanal
Não adianta ter um core de ferro se seu quadril é travado.[1] A rigidez excessiva nos flexores de quadril (psoas) e isquiotibiais compete com seu core.[1] Se o psoas está encurtado (comum em quem pedala muito), ele puxa sua lombar para uma lordose excessiva, desligando o abdômen.[1] Por isso, a rotina ideal combina força e mobilidade.[1]
Você não precisa virar rato de academia. Como fisioterapeuta, recomendo “micro-doses” de treino.[1] Faça 15 a 20 minutos de core e mobilidade, 3 vezes na semana. Pode ser antes do pedal ou nos dias de descanso. A consistência vence a intensidade.[1] Uma rotina curta que você faz toda semana vale mais que um treino matador que você faz uma vez e desiste porque ficou dolorido demais.[1]
Alterne os dias. Se terça é dia de tiros intensos na bike, quarta pode ser um dia de recuperação ativa com foco em mobilidade de quadril e core isométrico.[1] Não treine core até a falha total logo antes de um treino longo de bike, pois você precisará dessa musculatura fresca para pedalar.[1] O ideal é separar as sessões por pelo menos 6 horas.
Sinais de Alerta: Diferenciando Dor Muscular de Lesão
É crucial que você saiba “ouvir” seu corpo.[1] Dor muscular tardia (aquela dorzinha boa de treino) aparece 24 a 48h depois do exercício, é difusa e melhora com movimento leve.[1] Isso é normal quando você começa a fortalecer o core.[1] Significa que os músculos estão se adaptando.[1]
Agora, fique atento à dor aguda, em pontada ou que irradia.[1] Se você sentir choque descendo pela perna, formigamento nos pés ou uma dor que piora muito ao tossir ou espirrar, pare imediatamente. Isso pode indicar problemas discais (hérnias ou protusões).[1] Dor articular aguda no quadril ou joelho durante o exercício de fortalecimento também é sinal vermelho.[1]
Nunca ignore uma dor que altera sua mecânica.[1] Se você está mancando ou pedalando torto para fugir da dor, você está criando um problema secundário.[1] Nesse estágio, o autotratamento ou vídeos da internet não bastam.[1] Procure ajuda profissional para avaliar se não há uma lesão estrutural que precise de tratamento antes do fortalecimento.[1]
O Papel do Bike Fit na Saúde do Core
Por fim, preciso ser honesto: nem o core mais forte do mundo salva um Bike Fit ruim.[1] Se sua bicicleta está ajustada errada — selim muito alto, mesa muito longa (te deixando muito esticado) — você está colocando seu core em uma posição de desvantagem mecânica impossível de sustentar.[1]
Um guidão muito baixo, por exemplo, exige uma flexibilidade de isquiotibiais e uma força lombar que a maioria dos amadores não tem.[1] O resultado é que a pelve gira para trás, a lombar arredonda e o core desliga.[1] O fortalecimento deve andar de mãos dadas com o ajuste da máquina.[1]
Muitas vezes, ao fortalecer o core e melhorar a flexibilidade, seu fit muda.[1] Você consegue sustentar uma posição mais agressiva e aerodinâmica.[1] Por isso, o Bike Fit não é algo que se faz uma vez na vida.[1] É um processo dinâmico.[1] Conforme seu corpo muda e fica mais forte, sua bike deve acompanhar essa evolução para otimizar sua nova potência.[1]
Terapias Aplicadas e Indicações[1]
Para finalizar nossa conversa, se você já sente dores crônicas ou quer acelerar seus resultados, existem terapias excelentes que complementam o treino de força:
- Pilates: É, talvez, a melhor modalidade complementar para ciclistas.[1] O Pilates foca exatamente no “Power House” (o core) e trabalha muito a dissociação de membros e a respiração.[1] Para quem odeia o ambiente de academia, o Pilates é uma alternativa fantástica para construir um core blindado com supervisão constante da postura.[1]
- RPG (Reeducação Postural Global): Se você já tem desvios posturais ou encurtamentos severos que te impedem de ficar confortável na bike, o RPG é o caminho.[1] Ele trabalha o alongamento das cadeias musculares globais, ajudando a “desenrolar” o corpo que fica muito tempo na posição fetal da bicicleta.[1]
- Osteopatia e Quiropraxia: São ótimas para “destravar” articulações.[1] Muitas vezes, uma pelve bloqueada ou uma vértebra com pouca mobilidade impede que o músculo trabalhe corretamente.[1] Essas terapias manuais devolvem a mobilidade articular, permitindo que os exercícios de fortalecimento sejam muito mais eficazes.[1]
Lembre-se: pedalar longe é um jogo de paciência e eficiência. Cuide do seu centro, e suas pernas te levarão a lugares incríveis, sem dor e com muito mais prazer.[1] Nos vemos na estrada!

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”