Fala, corredor! Se você já sentiu aquela fisgada chata no joelho depois de um longão ou vive lidando com dores que parecem nunca ir embora, precisamos ter uma conversa séria sobre como você se move. No consultório, recebo diariamente atletas amadores focados em comprar o tênis com a placa de carbono mais moderna ou o relógio com o GPS mais preciso. Mas, na maioria das vezes, a solução para a longevidade no esporte é gratuita e mora dentro da sua própria biomecânica: a cadência.[1]
Muitos corredores acreditam que dor no joelho é o preço a se pagar por correr distâncias maiores ou que é apenas uma questão de “fortalecer a perna”.[2] Embora o fortalecimento seja crucial, ele não corrige um padrão de movimento ruim. Se você corre com uma mecânica que agride sua articulação a cada passo, nem o quadríceps mais forte do mundo vai conseguir blindar seu joelho para sempre.[2] É aqui que entra o conceito de passos por minuto.
Neste artigo, vamos mergulhar fundo na ciência do movimento de uma forma que você consiga aplicar no seu próximo treino. Vou te explicar, de fisioterapeuta para atleta, por que aumentar a frequência dos seus passos pode ser a melhor “joelheira” que você poderia usar. Esqueça as fórmulas mágicas e vamos entender como o seu corpo funciona.[2]
O que é cadência e por que ela é o “segredo” biomecânico
Cadência, no universo da corrida, é simplesmente a contagem de quantas vezes seus pés tocam o solo durante um minuto.[1][2][3][4][5][6][7] É o ritmo da sua corrida, o “beat” do seu movimento.[2][7] Pode parecer apenas um número no seu relógio esportivo, mas esse dado carrega informações vitais sobre a carga que suas articulações estão recebendo.[2][5] Quando manipulamos essa variável, alteramos toda a cadeia cinética do membro inferior.
A maioria dos corredores recreativos tende a ter uma cadência naturalmente baixa, algo em torno de 150 a 160 passos por minuto (SPM). Isso acontece porque, intuitivamente, achamos que para correr mais rápido ou com mais “vigor”, precisamos dar passadas gigantescas.[2] O problema é que essa estratégia instintiva muitas vezes vai contra a eficiência mecânica.[2] Ao manter uma cadência baixa, você obriga seu corpo a ficar mais tempo no ar e, consequentemente, mais tempo no chão a cada aterrissagem.[2]
Entender a cadência é entender a distribuição de energia.[2] Pense nela como a rotação do motor de um carro. Você pode tentar subir uma ladeira em quinta marcha com a rotação baixa, forçando o motor ao extremo, ou pode reduzir a marcha, aumentar a rotação e subir com eficiência. Aumentar a cadência é, basicamente, aprender a usar a marcha correta para poupar as peças do seu “veículo”, que nesse caso, são seus tendões, ligamentos e cartilagens.[2]
Definindo SPM (Passos Por Minuto) de forma simples
Para simplificar, SPM é a soma dos passos dados pelo pé direito e pelo pé esquerdo em 60 segundos.[2] Se o seu relógio diz que sua cadência é 160, isso significa que cada pé tocou o chão 80 vezes.[2] A beleza dessa métrica é que ela é democrática.[2] Não importa se você corre a um pace de 4:00/km ou 7:00/km, a cadência é uma variável que pode ser otimizada independentemente da sua velocidade atual.[2]
Muitos pacientes chegam à clínica achando que cadência alta é sinônimo de correr rápido.[2] Isso não é verdade. Você pode correr devagar com uma cadência alta (passos curtos e rápidos) ou correr rápido com uma cadência baixa (passos longos e lentos).[2][5] A diferença está no custo biológico de cada escolha. Manter uma frequência de passos mais elevada em velocidades baixas é um exercício de controle motor refinado que protege suas estruturas.[2]
Monitorar o SPM tornou-se fácil com a tecnologia, mas você não precisa de gadgets caros. Conte quantos passos seu pé direito dá em 30 segundos e multiplique por 4. O resultado é sua cadência atual.[2][4] Ter esse número em mente é o ponto de partida para qualquer intervenção que visamos fazer para tirar sua dor no joelho. É o seu diagnóstico basal de comportamento na corrida.[2]
A ilusão da passada larga[8]
Existe uma crença visual muito forte de que corredores de elite dão passadas quilométricas, como se estivessem saltando de um ponto a outro.[8] Quando vemos fotos estáticas de maratonistas profissionais, vemos uma amplitude de movimento incrível. O que a foto não mostra é que essa amplitude é resultado da força que eles aplicam contra o chão para trás, e não de esticar a perna para frente na tentativa de ganhar terreno.[8]
O corredor amador, ao tentar imitar essa amplitude, acaba “buscando” o chão lá na frente.[2] Ele lança o pé muito à frente do corpo na esperança de cobrir mais distância. Isso cria uma passada artificialmente longa.[2][8] A sensação subjetiva é de esforço e velocidade, mas a realidade física é de frenagem e impacto. Você está literalmente lutando contra a física a cada passo que tenta alongar demais.[2]
Essa ilusão é perigosa porque ela associa “correr bem” com “correr grande”.[2] Na fisioterapia, preferimos que você “corra compacto”.[2] Uma passada mais curta, porém mais frequente, mantém seus pés sempre próximos a você.[2] Isso oferece controle.[1][2] Quando você desiste da ilusão da passada larga e aceita a passada curta e rápida, você para de agredir o solo e começa a fluir sobre ele.
O mito dos 180 passos: existe um número mágico?
Você provavelmente já ouviu falar que “180” é o número sagrado da corrida.[2] Essa ideia surgiu de observações feitas pelo treinador Jack Daniels em atletas olímpicos na década de 80.[1] Embora seja uma referência excelente, tratar o 180 como uma regra rígida para todos pode ser frustrante e até contraproducente.[2] A anatomia individual, a altura e a velocidade de corrida influenciam o seu número ideal.
Não precisamos que você atinja exatamente 180 amanhã. Para um corredor que está “preso” nos 150 SPM, tentar pular para 180 de uma vez só vai gerar uma mecânica robótica e desconfortável, podendo até causar outras lesões, como no quadril ou nos flexores da coxa.[2] A meta não é um número fixo, mas sim sair da zona de perigo (abaixo de 160-165) e entrar na zona de eficiência (geralmente entre 170 e 180).[5][9]
O que buscamos na reabilitação é uma melhoria relativa.[2] Estudos mostram que aumentar sua cadência atual em apenas 5% a 10% já é suficiente para reduzir drasticamente a absorção de energia pelas articulações do joelho e quadril.[2] Portanto, se você corre a 160, mirar em 168-170 já trará benefícios imensos de proteção.[2] O “número mágico” é aquele que é um pouco mais alto do que o seu atual, até que você encontre sua fluidez natural.[2]
O mecanismo da lesão: Entendendo o Overstriding[2][8][10]
Agora vamos falar da causa raiz de tanta dor patelofemoral e de menisco que vejo no consultório: o overstriding. Esse termo em inglês significa, basicamente, aterrissar com o pé muito à frente do seu centro de massa (ou centro de gravidade). Imagine traçar uma linha vertical do seu quadril até o chão; se o seu pé toca o solo muito à frente dessa linha, você está em overstriding.[2][8]
Esse padrão biomecânico é problemático porque coloca o joelho em uma posição de vulnerabilidade mecânica.[2] Geralmente, o overstriding vem acompanhado de um contato com o calcanhar e com o joelho quase totalmente estendido (reto). O joelho estendido perde sua capacidade natural de agir como uma mola, transferindo toda a força do impacto diretamente para a estrutura óssea e articular, em vez de dissipá-la pelos músculos.
Corrigir o overstriding é a intervenção número um para proteger joelhos.[2] E a maneira mais eficaz, simples e direta de corrigir o overstriding não é pensar “pise mais perto”, mas sim “aumente a cadência”.[10] Ao acelerar o ritmo dos passos, seu cérebro não tem tempo de lançar a perna lá na frente. O aumento da cadência corrige o overstriding quase que automaticamente, trazendo a aterrissagem para baixo do corpo.[2]
O “efeito freio” a cada aterrissagem
Imagine que você está correndo e, a cada passo, alguém empurra levemente seu peito para trás. É exatamente isso que acontece quando você aterrissa muito à frente do corpo.[2][8][10] Cria-se uma força de reação do solo com um vetor horizontal contrário ao seu movimento.[2] Você acelera, pisa lá na frente, freia, acelera de novo, pisa lá na frente, freia de novo.
Esse ciclo de aceleração e frenagem é devastador para as articulações.[2] O seu corpo precisa dissipar essa força de frenagem, e quem geralmente paga a conta é o joelho. Além de ser ineficiente energeticamente – você gasta combustível para reacelerar a cada passo – essa força de cisalhamento (que empurra o osso da perna para trás enquanto o fêmur vai para frente) agride as estruturas internas do joelho.
Ao aumentar a cadência e encurtar a passada, o pé toca o chão quando já está se movendo para trás em relação ao corpo, ou pelo menos, toca o chão logo abaixo de você. Isso elimina ou reduz drasticamente o vetor de frenagem.[2] A corrida deixa de ser uma sequência de paradas bruscas e torna-se um movimento contínuo de propulsão. Você deixa de brigar com o chão e passa a usá-lo para se impulsionar.[2]
A anatomia do impacto no joelho (Patelofemoral)
A articulação patelofemoral (onde a “bolacha” do joelho encontra o fêmur) é extremamente sensível à carga compressiva.[2] Quando você corre com cadência baixa e overstriding, a tendência é aterrissar com o joelho mais esticado.[2] Nesse ângulo, a capacidade do quadríceps de absorver o choque excentricamente é reduzida, e o pico de impacto sobe rapidamente pela tíbia até a cartilagem atrás da patela.
Estudos de biomecânica mostram que aumentar a cadência reduz a carga acumulada na articulação patelofemoral em até 20% por quilômetro corrido.[2] Pense nisso a longo prazo. Em uma maratona, estamos falando de toneladas a menos de carga que seus joelhos teriam que suportar. É uma redução de danos massiva apenas por ajustar o ritmo dos seus pés.[2]
Para quem sofre de Condromalácia Patelar ou Síndrome da Dor Patelofemoral, o aumento da cadência atua quase como um analgésico mecânico.[2] Ao dobrar um pouco mais o joelho na aterrissagem (consequência natural da cadência alta), aumentamos a área de contato entre a patela e o fêmur, distribuindo a pressão por uma área maior e aliviando os pontos de estresse focal que causam dor e desgaste.
Por que seu tênis caro não resolve isso sozinho
A indústria do calçado esportivo investe bilhões em tecnologias de amortecimento: espumas, géis, placas e câmaras de ar. Embora esses materiais ajudem a absorver parte do impacto vertical, eles não corrigem a física do overstriding. Se você pisa lá na frente com o joelho esticado, a força de alavanca sobre o joelho continua existindo, não importa quão macio seja o tênis.
Na verdade, alguns tênis com amortecimento excessivo no calcanhar podem até encorajar o overstriding, pois mascaram a sensação dolorosa do impacto no calcanhar, permitindo que o corredor continue batendo forte no chão sem perceber o dano imediato.[2] O tênis amortece o pé, mas a onda de choque viaja pelo esqueleto até encontrar o ponto fraco: o joelho ou o quadril.
O melhor amortecimento que existe é o seu sistema muscular.[2] Seus músculos (panturrilha, quadríceps, glúteos) são os amortecedores naturais desenhados pela evolução.[2] A cadência correta coloca esses músculos na posição ideal para trabalhar.[2] O tênis é um complemento, uma ferramenta de proteção da pele e conforto, mas ele não substitui uma mecânica de corrida competente. Não terceirize a responsabilidade da proteção para o calçado.[2]
Biomecânica da Aterrissagem Suave[11]
Quando falamos de proteger o joelho, o “como” você aterrissa é tão importante quanto o “onde”.[2] A suavidade na corrida não é um traço genético; é uma habilidade adquirida.[2] Corredores eficientes mal fazem barulho ao tocar o solo.[2] Se você ouve um “plaft-plaft” alto enquanto corre na esteira ou no asfalto, isso é o som da energia de impacto sendo desperdiçada e agredindo seu corpo.
Uma cadência mais alta facilita uma aterrissagem que chamamos de “midfoot” (médio pé) ou uma aterrissagem de calcanhar suave.[2] Mas o foco não deve ser forçar a pisada com a ponta do pé – isso pode gerar lesões na panturrilha e tendão de Aquiles. O foco deve ser aterrissar suavemente.[2][8] E a biomecânica dita que a suavidade é dependente da posição do pé em relação ao quadril no momento do contato.[2]
Ao otimizar a cadência, você naturalmente altera os ângulos das articulações no momento do impacto inicial.[2] Isso muda a forma como as forças de reação do solo viajam perna acima. Em vez de um pico agudo de força (como uma martelada), temos uma curva de força mais suave e distribuída. Seu corpo agradece essa gentileza mecânica a cada passada.[2]
Centro de massa e ponto de contato
O conceito chave aqui é o Centro de Massa (CM), que fica aproximadamente na altura do seu umbigo, dentro do corpo.[2] Para máxima estabilidade e mínima frenagem, o ponto de contato inicial do pé deve ocorrer o mais próximo possível da projeção vertical desse centro de massa no chão.
Quando você aumenta a cadência, o tempo de voo diminui.[5] Com menos tempo no ar, o pé não tem tempo de viajar muito à frente.[2] Isso força a aterrissagem a acontecer “embaixo” de você. Nessa posição, a perna funciona como uma coluna de sustentação eficiente, pronta para carregar o peso do corpo e empurrá-lo para o próximo passo, sem a necessidade de lutar contra forças contrárias.
Essa aterrissagem sob o centro de massa também melhora o equilíbrio.[2] Pisando longe, você cria um braço de alavanca longo que exige muito mais torque (força de rotação) dos músculos do quadril e do joelho para manter você em pé. Pisando perto, a demanda de estabilização diminui, sobrando mais energia para a propulsão. É uma questão de alavancas físicas básicas aplicadas ao corpo humano.
A flexão do joelho na fase de apoio
Um detalhe biomecânico crucial que a cadência alta promove é um aumento na flexão do joelho no momento do contato inicial (stance phase).[2] Enquanto no overstriding o joelho chega travado (reto), na cadência alta ele chega levemente dobrado.[2] Esses poucos graus de flexão fazem toda a diferença na saúde articular.
O joelho flexionado permite o acionamento do mecanismo de “mola”.[2] O quadríceps e os isquiotibiais podem se contrair simultaneamente (co-contração) para estabilizar a articulação e absorver a carga. Se o joelho está reto, essa absorção muscular é impossível, e a carga vai para o osso e ligamento.[2]
Pense em pular de um degrau de escada. Você aterrissa com os joelhos rígidos ou macios? Macios, claro, para amortecer. Correr é uma sucessão de pequenos saltos.[2] Aumentar a cadência nos obriga a adotar essa postura “macia” repetidamente, transformando o impacto destrutivo em energia elástica que pode ser reutilizada para o próximo passo.[2]
Oscilação vertical: parando de saltar e começando a correr
Outro vilão da dor no joelho associado à cadência baixa é a oscilação vertical excessiva.[2] Corredores com poucos passos por minuto tendem a deslocar-se muito para cima e para baixo a cada passada.[2] Eles gastam energia para lançar o corpo verticalmente, apenas para cair de uma altura maior a cada passo. Quanto mais alto você sobe, maior a queda e maior o impacto na aterrissagem.
A corrida é um deslocamento horizontal, não vertical.[2] Queremos ir para frente, não para o céu. Aumentar a cadência nivela sua corrida.[1][2][6] Você passa a ter uma trajetória mais linear da cabeça e do tronco.[2] Isso reduz drasticamente a magnitude da força de impacto vertical.
Menos oscilação vertical significa menos estresse compressivo na coluna e nos meniscos do joelho.[2] É a diferença entre pular corda avançando (muito impacto) e deslizar sobre rodas (impacto contínuo e baixo).[2] Ao focar em passos rápidos, você naturalmente corta os picos dessa oscilação, tornando-se um corredor mais “rente ao chão” e econômico.[2][10]
Estratégias para aumentar a cadência
Entendida a teoria, como colocamos isso em prática? Mudar um padrão motor enraizado não é tarefa fácil.[1][2] Seu corpo corre do jeito que corre há anos, e o cérebro vai resistir à mudança.[2] A sensação inicial de aumentar a cadência é estranha – parece que você está correndo “curtinho”, parecendo um personagem de desenho animado apressado. Isso é normal.
O segredo é a repetição consciente até que se torne inconsciente (automático).[2] Não tente mudar tudo no dia da sua prova ou no treino mais longo da semana. Dedique momentos específicos para o treino de cadência. É um trabalho neuromuscular: estamos reconfigurando o software que controla suas pernas.[2]
Você precisará de feedback externo.[2] Como a percepção do próprio corpo (propriocepção) pode ser falha, usar ferramentas que ditem o ritmo é essencial para garantir que você não volte ao padrão antigo assim que se cansar ou se distrair com a paisagem.[2]
Uso de metrônomo e playlists musicais
A ferramenta mais clássica e eficaz é o metrônomo.[1][2] Hoje, qualquer aplicativo de celular gratuito oferece essa função.[2] Você ajusta para a frequência desejada (por exemplo, 170 bpm) e tenta sincronizar cada toque do pé no chão com o “bip” do aplicativo.[2] Pode ser mentalmente exaustivo no início, mas é infalível para calibrar o ritmo.
Se o “bip-bip-bip” constante te deixa maluco, a música é sua melhor amiga.[2] Existem playlists no Spotify e Apple Music desenhadas especificamente para corredores, filtradas por BPM (Batidas Por Minuto).[2] Procure por “Running 170 BPM” ou “Running 175 BPM”.[2] A música induz o movimento rítmico de forma mais natural e prazerosa. O corpo tende a entrar em sincronia (entrainment) com a batida sem que você precise forçar tanto o pensamento.[2]
Comece usando essas ferramentas apenas em trechos do treino. Por exemplo, em um treino de 5km, use o metrônomo por 1 minuto a cada 5 minutos. Isso serve como um “check-up” de técnica, lembrando ao corpo como ele deve se comportar, sem tornar a corrida uma tarefa matemática chata o tempo todo.
Educativos de corrida (Drills) específicos
Os educativos de corrida não servem apenas para aquecer; eles servem para ensinar ao corpo o padrão de movimento rápido. Exercícios como o skipping baixo (correr no lugar elevando pouco os joelhos mas com muita velocidade de troca de pés) são excelentes para ensinar o tempo de contato curto com o solo.
Outro drill fantástico é o Ankling, onde você foca apenas no trabalho dos tornozelos, com passos minúsculos e altíssima frequência.[2] A ideia é ensinar ao sistema nervoso a disparar o comando de “tirar o pé do chão” o mais rápido possível.[2] Lembre-se: cadência não é sobre pisar rápido no chão, é sobre tirar o pé do chão rápido.[2] O foco é na recuperação da perna.
Tente incorporar 5 a 10 minutos desses educativos antes de cada treino.[2] Eles funcionam como um priming (preparação) para o sistema nervoso.[2] Você “acorda” as vias neurais de velocidade e, quando começa a correr de fato, seu corpo já está mais propenso a manter uma cadência mais alta naturalmente.[9]
A regra dos 5 a 10 por cento de incremento[5]
A maior armadilha é a pressa.[2] Se você corre a 155 SPM e tenta fazer um treino inteiro a 180 SPM amanhã, você vai se machucar. Seus flexores de quadril vão gritar, sua frequência cardíaca vai disparar e você vai odiar a experiência. A adaptação dos tecidos (músculos e tendões) leva tempo.[2]
Use a regra da progressão gradual. Aumente sua cadência atual em 5% por 2 a 3 semanas. Se você está em 160, mire em 168.[2] Quando 168 parecer natural e fácil (o que pode levar um mês), aumente mais 5% para chegar a ~176.[2] Essa adaptação progressiva permite que o sistema cardiorrespiratório e musculoesquelético acompanhem a mudança técnica.[2]
O objetivo é que a nova cadência se torne o seu “novo normal”. Você saberá que conseguiu quando sair para correr sem relógio, sem música e, ao conferir os dados depois, ver que sua cadência média subiu naturalmente. Isso significa que a reprogramação motora foi um sucesso.[2]
Terapias e tratamentos aliados[2]
Ajustar a cadência é uma intervenção poderosa de “autotratamento”, mas muitas vezes o corpo precisa de ajuda extra para permitir que essa mudança aconteça. Restrições de mobilidade ou fraquezas específicas podem estar impedindo você de atingir essa frequência ideal, e é aqui que entramos com a fisioterapia especializada.
Não adianta forçar uma cadência alta se seu tornozelo está bloqueado ou se seu quadril não estende.[2] O corpo vai compensar em outro lugar.[2] Portanto, o trabalho clínico deve caminhar lado a lado com o treinamento técnico na rua. Olhamos para o corredor como um todo, não apenas como um par de pernas.
Se você está em processo de reabilitação de uma dor no joelho ou querendo prevenir, considere as seguintes abordagens terapêuticas como fundamentais para dar suporte à sua nova técnica de corrida:
Fortalecimento específico[2][4]
Para sustentar uma cadência alta, você precisa de glúteos de aço. O Glúteo Médio é o principal estabilizador da pelve.[2] Se ele falha, seu joelho cai para dentro (valgo dinâmico) a cada passo, independentemente da sua cadência.[2] Exercícios como a “Ostra”, passadas laterais com elástico (mini-band) e afundos são obrigatórios na sua rotina.
Além disso, o core (centro do corpo) precisa estar estável.[2] Imagine tentar disparar um canhão de uma canoa instável. Se seu tronco balança muito, suas pernas perdem eficiência.[2][8] Fortalecimento de abdômen e lombar garante que a energia gerada pelas pernas empurre você para frente, e não seja dissipada em movimentos parasitas do tronco.
Liberação miofascial[2]
Aumentar a frequência de passadas pode sobrecarregar inicialmente a musculatura da panturrilha e os flexores do quadril. A liberação miofascial (manual ou com rolo) ajuda a manter esses tecidos flexíveis e hidratados.[2] Músculos tensos e encurtados roubam a amplitude de movimento e aumentam a resistência interna, tornando a corrida mais cansativa.
Focar na liberação do tensor da fáscia lata (na lateral da coxa) e do quadríceps ajuda a “destravar” o joelho, reduzindo a tensão que a patela sofre contra o fêmur. É uma manutenção preventiva que deve fazer parte da rotina semanal de qualquer corredor que busca longevidade.[2]
Reeducação funcional[2]
Em casos mais teimosos, utilizamos a Avaliação Cinética da Corrida (frequentemente com análise de vídeo em câmera lenta e softwares de biomecânica). Isso nos permite ver, quadro a quadro, onde está o erro. Às vezes o problema não é só a cadência, mas uma queda pélvica excessiva ou uma pronação tardia do pé.[2]
A reeducação funcional envolve exercícios de controle motor onde ensinamos o paciente a aterrissar corretamente, a ativar o glúteo no momento exato do contato e a usar o braço para ditar o ritmo da perna. É um trabalho de “aprender a correr” novamente, construindo uma base sólida para que seus joelhos durem por muitos e muitos quilômetros. Lembre-se: correr é um esporte de habilidade, e toda habilidade pode ser treinada e aprimorada.[2]

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”