Fala, tudo bem? Puxa uma cadeira e vamos conversar um pouco sobre aquele seu pequeno campeão ou campeã que não para quieto em casa. Se você está aqui, provavelmente já notou algo diferente na forma como seu filho corre, ou talvez ele tenha reclamado de uma dorzinha chata depois do treino de futebol ou da aula de ballet. É normal ficar preocupado. Afinal, queremos que eles pratiquem esportes, gastem energia e sejam saudáveis, mas o medo de uma lesão precoce sempre ronda a cabeça de quem cuida.
Como fisioterapeuta que lida diariamente com essas mini máquinas de energia, eu vejo muita coisa que poderia ter sido evitada com um olhar um pouco mais atento lá no começo. A gente costuma achar que criança é de borracha, que aguenta tudo e que “dor de crescimento” é a resposta para qualquer incômodo. Mas a verdade é que o corpo em desenvolvimento é um canteiro de obras complexo. As peças estão mudando de tamanho, os músculos estão tentando se adaptar e, no meio disso tudo, a gente coloca eles para chutar, saltar e girar.
Hoje eu quero te levar para dentro do meu universo da avaliação biomecânica. Não vou usar termos complicados de livro de anatomia. Quero que você entenda como a gente olha para o movimento da criança e como identificar pequenos desvios antes que eles virem um problema de gente grande. Vamos desmistificar essa história de que avaliação é só para atleta olímpico e mostrar como ela pode ser a chave para seu filho ter uma vida esportiva longa e feliz.
O que é essa tal de avaliação biomecânica e por que ela não é só para profissionais?
Muito além de olhar se o pé é chato ou cavo
Quando falo em avaliação biomecânica, muita gente pensa logo naquela pegada no carbono para ver se o pé é chato. Isso é apenas a ponta do iceberg. Avaliar a biomecânica de uma criança é entender a história que o corpo dela conta quando está em movimento. O pé é importante, claro, é a nossa base. Mas eu preciso saber o que acontece com o joelho quando esse pé toca o chão. Preciso ver se o quadril está segurando a onda ou se está “dançando” a cada passada.
É uma investigação de detetive. Se o seu filho pisa muito para dentro, o que chamamos de pronação excessiva, isso pode ser apenas uma característica do pé dele ou pode ser culpa de um quadril fraco que não está fazendo o trabalho dele lá em cima. A avaliação serve para conectar esses pontos.[2] Não olhamos para a “peça” defeituosa, olhamos para o sistema inteiro funcionando. É dinâmica, é movimento, é vida real.
Muitas vezes, o desvio não está na estrutura óssea, mas no software de controle, ou seja, em como o cérebro dele coordena os músculos. E a boa notícia é que software a gente atualiza com exercícios corretos. Identificar se o problema é “hardware” (osso) ou “software” (controle motor) é o primeiro grande passo da nossa avaliação para traçar o destino desse pequeno atleta.
A “máquina humana” em fase de construção e seus desafios
Imagine que você está tentando dirigir um carro enquanto ele ainda está sendo montado na fábrica. As rodas mudam de tamanho, o chassi estica, o motor ganha potência. É mais ou menos isso que acontece com uma criança ou adolescente praticando esporte. O corpo deles não é uma versão em miniatura de um adulto; é um organismo em constante ebulição e transformação. As alavancas mudam, o centro de gravidade muda.
Nesse cenário caótico de crescimento, pequenos desvios biomecânicos podem surgir ou se acentuar. Um joelho que era alinhado pode começar a virar para dentro (o famoso valgo dinâmico) porque o fêmur cresceu rápido demais e a musculatura da coxa ainda não entendeu como estabilizar esse osso mais longo. A avaliação biomecânica nessa fase é como um alinhamento e balanceamento periódico do carro.
Nós precisamos garantir que, durante essas mudanças drásticas da puberdade e do estirão, as articulações continuem trabalhando nos eixos corretos. Se deixarmos um desvio passar batido agora, ele pode moldar a forma como o osso termina de crescer. E corrigir um osso formado é muito mais difícil do que corrigir um movimento em desenvolvimento. Por isso, o timing aqui é tudo.
Economizar tempo de estaleiro: A prevenção como melhor investimento
Eu sei, a rotina é corrida. Escola, inglês, natação, judô. Parar para fazer uma avaliação preventiva parece um luxo. Mas pense comigo: quanto tempo e dinheiro custa tratar uma lesão séria? Sem falar no custo emocional para a criança de ficar meses parada, vendo os amigos jogarem enquanto ela faz compressa de gelo. A avaliação biomecânica é, antes de tudo, uma ferramenta de proteção.
Ao detectarmos que seu filho está aterrissando do salto de um jeito que sobrecarrega o ligamento do joelho, podemos intervir com três ou quatro exercícios simples de correção. Isso pode evitar uma ruptura de ligamento lá na frente. Estamos trocando meses de reabilitação dolorosa por alguns minutos de atenção preventiva. É a matemática mais inteligente que existe no esporte.
Além de prevenir dor, corrigir a biomecânica melhora a performance. Um corpo que se move de forma eficiente gasta menos energia e gera mais potência. Então, se o argumento da saúde não for suficiente, pense que alinhar a máquina vai fazer seu filho correr mais rápido e chutar mais forte. É um ganho duplo: ele joga melhor e joga por mais tempo.
Sinais de fumaça: O que você pode observar em casa ou no treino
O mistério do tênis gasto de forma desigual
Você não precisa ser um expert para começar a notar coisas estranhas. Uma das dicas mais valiosas está jogada no canto do quarto: o tênis velho do seu filho. Pegue o calçado e olhe a sola. O desgaste deve ser mais ou menos uniforme. Se você perceber que a parte de dentro do calcanhar está completamente comida enquanto o resto está novo, ou se a ponta do tênis está rasgada de um jeito estranho, o corpo está deixando pistas.
Esse desgaste assimétrico grita para a gente que a distribuição de carga está errada. Significa que, a cada passo dos milhares que ele dá por dia, uma parte do pé está recebendo uma pancada muito maior do que foi projetada para aguentar. Isso, a longo prazo, sobe para o tornozelo, joelho e até coluna. O tênis é o dedo-duro da pisada.
Outra coisa para olhar é a forma do tênis quando está no pé. Se você olha por trás e parece que o calcanhar do tênis está “desabando” para dentro ou para fora, saindo do alinhamento da perna, é hora de acender o sinal amarelo. O calçado deve ser um suporte, não uma estrutura que cede sob o peso de uma mecânica ruim.
“Mãe, meu joelho dói quando corro”: Diferenciando manha de sinal clínico
Criança reclama, a gente sabe. Às vezes é manha para não ir na aula, às vezes é cansaço. Mas existe um padrão de reclamação que não deve ser ignorado. Se a dor é consistente, sempre no mesmo lugar e sempre associada ao mesmo gesto (ex: “dói quando eu chuto” ou “dói quando eu pulo”), isso é um sinal clínico importante.
A famosa “dor do crescimento” geralmente é difusa, acontece mais à noite, nas duas pernas, e melhora com massagem e carinho. Já a dor mecânica, causada por desvio biomecânico, tem hora marcada. Ela aparece no treino, piora com a intensidade e muitas vezes faz a criança mudar o jeito de se mexer para fugir do incômodo. Se você notar que seu filho começou a mancar levemente ou a poupar uma perna, não espere “passar”.
Outro ponto de atenção é a dor que persiste no dia seguinte ao esporte. Criança tem uma capacidade de recuperação invejável. Se ela acorda “travada” ou reclamando de dor articular, é porque a sobrecarga do dia anterior foi maior do que a capacidade do corpo de absorver. Isso é biomecânica ineficiente gritando por socorro.
Aquele jeito de correr “diferente” que todo mundo comenta
Sabe quando você está na arquibancada e consegue reconhecer seu filho de longe só pelo jeito que ele corre? Cada um tem sua assinatura de movimento, mas alguns padrões são visualmente “estranhos” e indicam problemas. Braços que cruzam demais na frente do corpo, joelhos que batem um no outro a cada passada, ou um correr muito “sentado”, com o quadril baixo.
Esses padrões visuais são a manifestação macroscópica de desequilíbrios musculares. Se a criança corre com os braços cruzando a linha média do corpo, ela provavelmente está tentando compensar uma rotação excessiva do tronco. Se os joelhos se encostam, os glúteos podem estar fracos. Não é apenas “o jeito dele”. É um jeito ineficiente que pode gerar lesão.
Treinadores experientes costumam ter um olho bom para isso. Se o professor de educação física ou o técnico comentar algo como “ele está correndo meio torto” ou “ele parece ter pouca coordenação”, leve a sério. Eles veem centenas de crianças e sabem quando algo foge do padrão saudável de desenvolvimento motor.
O terremoto do crescimento: O impacto do “Estirão” na mecânica
Quando o osso cresce mais rápido que o músculo consegue acompanhar
Chegamos na fase do estirão, aquele momento mágico e terrível da puberdade. Biologicamente, o osso é quem dita o ritmo. Ele cresce e alonga. O problema é que os músculos e tendões não têm a mesma velocidade de adaptação. Eles precisam ser “esticados” pela nova estrutura óssea. Isso gera um período em que a criança fica naturalmente encurtada.
Você vai notar que seu filho, que antes colocava a mão no chão com as pernas esticadas, agora mal consegue tocar o joelho. Essa perda súbita de flexibilidade não é preguiça, é fisiologia. Esse encurtamento temporário cria uma tensão enorme nas inserções dos tendões, especialmente no joelho (Osgood-Schlatter) e no calcanhar (Doença de Sever).
Durante a avaliação biomecânica nessa fase, nós identificamos esses encurtamentos perigosos. Se a musculatura posterior da coxa está muito tensa, ela impede o joelho de esticar direito na corrida, sobrecarregando a patela. Saber que isso é uma fase ajuda a gente a adaptar o treino, focando mais em mobilidade e menos em carga, até que o músculo “alcance” o tamanho do osso.
A síndrome do “patinho feio”: A perda temporária da coordenação motora
Além de ficarem menos flexíveis, eles ficam desengonçados. O cérebro da criança tinha um mapa do corpo: “meu braço tem X centímetros, minha perna tem Y”. De repente, o braço tem X+5 e a perna Y+10. O cérebro erra o cálculo. Eles tropeçam no próprio pé, derrubam copos, perdem a noção de distância da bola.
Chamamos isso de desajeitamento adolescente. É frustrante para o jovem atleta que, meses antes, dominava a técnica. Ele começa a errar passes, a aterrissar mal do salto. O risco de lesão traumática (torções, quedas) aumenta muito aqui, porque a propriocepção – a noção do corpo no espaço – está descalibrada.
Nossa avaliação nessa fase foca muito em testes de equilíbrio e controle neuromuscular. Precisamos re-ensinar o cérebro a controlar esse corpo novo e maior. É como se tivéssemos feito um upgrade no chassi do carro, mas o piloto ainda estivesse acostumado com o modelo antigo. Precisamos de um recall de treinamento motor.
Ajustando a carga: O perigo de treinar como adulto sendo criança
O maior erro que vejo nessa fase é manter a carga de treino intensa enquanto o corpo está nessa revolução interna. Treinadores e pais, na ânsia de resultados, continuam exigindo performance máxima. Mas um corpo que está gastando uma energia absurda para crescer e lutar contra encurtamentos não deveria estar sendo massacrado com treinos de pliometria (saltos) intensos ou cargas altas.
A avaliação biomecânica nos dá o argumento técnico para dizer: “Olha, nas próximas 8 semanas, vamos reduzir o impacto”. As placas de crescimento (fises) estão abertas e vulneráveis. O excesso de carga repetitiva em cima de uma biomecânica alterada pelo crescimento é a receita para lesões de estresse.
A gente precisa modular a intensidade. É melhor dar um passo atrás no volume de treino por alguns meses e garantir que a estrutura se consolide, do que forçar a barra e causar uma lesão que vai afastar o atleta por um ano. É gestão de carreira a longo prazo, pensando na saúde do adulto que ele vai ser.
Tecnologia e Olho Clínico: Como desmontamos o movimento no consultório
A verdade em câmera lenta: O que o vídeo nos mostra que o olho perde
No consultório, a tecnologia é nossa grande aliada. O olho humano é bom, mas ele não consegue captar detalhes em movimentos rápidos como um salto ou um sprint. Por isso, usamos aplicativos de vídeo análise. A gente filma o seu filho correndo na esteira ou saltando e depois assiste quadro a quadro, em câmera lenta.
É nessa hora que a mágica acontece. A gente consegue ver o momento exato em que o calcanhar descola do chão, o ângulo preciso que o joelho faz na aterrissagem, se a pélvis cai para um lado quando ele apoia o pé. Coisas que passam despercebidas na velocidade normal ficam óbvias no vídeo.
E o mais legal é mostrar isso para a criança e para os pais. Quando o atleta vê o próprio vídeo, ele entende. “Nossa, meu joelho está entrando muito!”. O feedback visual é uma ferramenta poderosa de aprendizado. Ele sai da avaliação não só com um diagnóstico, mas com uma consciência corporal nova sobre o que precisa corrigir.
Plataformas de força: Entendendo como seu filho pisa no mundo
Além do vídeo, usamos plataformas de força ou baropodometria. São tapetes com sensores que mostram onde está a pressão do pé. Isso nos diz não só como ele pisa, mas com que força e com que velocidade ele transfere o peso.
Às vezes, a criança tem um pé visualmente normal, mas na plataforma a gente vê que ela joga 90% do peso no dedão e quase nada no calcanhar. Ou que um pé pisa muito mais forte que o outro, indicando uma assimetria de força ou uma perna mais curta que a outra.
Esses dados objetivos tiram o “achismo” da jogada. A gente para de adivinhar e passa a medir. Com números, a gente consegue acompanhar a evolução. Daqui a três meses, repetimos o teste e vemos se os exercícios de fortalecimento realmente mudaram a forma como ele interage com o solo.
Testes funcionais: A hora de pular, agachar e aterrissar
Nem só de tecnologia vive a avaliação. Os testes funcionais são a prova de fogo. Pedimos para a criança agachar com uma perna só, saltar de uma caixa e aterrissar, fazer afundos. São movimentos que imitam a demanda do esporte.
Aqui eu avalio a qualidade do movimento. Ele consegue manter o equilíbrio? O tronco fica estável ou balança para todo lado? O joelho treme? Esses testes expõem as fraquezas musculares. Se o glúteo está fraco, o joelho vai denunciar no agachamento unipodal.
É um circuito de desafios. As crianças costumam até gostar, encaram como uma gincana. Mas, para mim, cada desequilíbrio é uma pista do que precisamos trabalhar na fisioterapia preventiva para blindar esse corpo contra lesões futuras.
Especialização precoce e os desvios silenciosos
O risco de fazer o mesmo movimento mil vezes na semana
Existe uma tendência mundial de especializar as crianças cada vez mais cedo. O menino de 8 anos que só joga tênis, a menina de 9 que só faz ginástica. O problema disso é a repetição do mesmo padrão biomecânico. O corpo humano precisa de variedade para se desenvolver de forma equilibrada.
Quando a criança faz apenas um esporte, ela fortalece muito certos grupos musculares e negligencia outros. O tenista fica com um braço e ombro muito fortes, mas pode desenvolver escoliose pela assimetria. O jogador de futebol encurta a cadeia posterior e perde mobilidade de tronco.
A avaliação biomecânica detecta esses vícios do esporte. A gente consegue ver que o corpo está se moldando para aquela atividade específica, o que pode ser bom para a performance agora, mas perigoso para a saúde articular a longo prazo. O excesso de uso (overuse) é a principal causa de lesão em jovens atletas especializados.
Assimetrias: Quando um lado do corpo trabalha dobrado
Ninguém é perfeitamente simétrico, mas no esporte infantil, as assimetrias podem ficar gritantes. Se uma perna é muito mais forte que a outra, a criança vai sobrecarregar o lado dominante em todo salto e aterrissagem. O lado fraco fica protegido, mas o lado forte começa a sofrer desgaste acelerado.
Na avaliação, medimos a força e a flexibilidade de cada lado separadamente. É comum encontrar diferenças de 20% ou 30% de força entre a perna direita e a esquerda. Nosso objetivo é reduzir essa diferença para menos de 10%. O equilíbrio é a chave da longevidade.
Corrigir assimetrias não é só fortalecer o lado fraco. É entender por que ele ficou fraco. Pode ser uma dor antiga mal curada, uma falta de mobilidade no tornozelo daquele lado. Investigar a causa raiz nos permite reequilibrar o sistema antes que uma lesão séria aconteça.
O papel da variabilidade motora na proteção articular
A melhor vacina contra lesões de repetição é a variabilidade. Eu sempre recomendo aos pais: deixem seus filhos praticarem múltiplos esportes até a adolescência. O movimento diferente “lava” o corpo, tira a sobrecarga dos pontos de tensão habituais e desenvolve novas habilidades motoras.
A avaliação biomecânica nos ajuda a prescrever exercícios compensatórios. Se ele só joga futebol (membros inferiores), vamos colocar na rotina exercícios de tronco e membros superiores para compensar. Se faz natação (muita rotação de ombro), vamos trabalhar a estabilidade escapular.
Criar um atleta completo é mais seguro do que criar um especialista precoce. O corpo agradece, as articulações duram mais e a chance de burnout (esgotamento mental) diminui drasticamente. Diversão e variedade são remédios poderosos.
Para fechar, se a nossa avaliação detectou algum desses sinais, não entre em pânico. Temos um arsenal de terapias incríveis. O RPG (Reeducação Postural Global) é fantástico para alinhar a estrutura em crescimento. O Pilates Kids trabalha o controle motor e a estabilidade do core de forma lúdica.
Em casos específicos, podemos usar Palmilhas Posturais feitas sob medida para corrigir a pisada e alinhar o eixo do joelho. E, claro, o Fortalecimento Funcional, focado em ensinar o cérebro a usar os músculos certos na hora certa. O importante é não deixar para depois. Avaliar hoje é garantir que seu filho continue correndo, brincando e competindo com um sorriso no rosto e o corpo blindado.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”