Quando você entra em uma loja de artigos esportivos ou navega por um site de calçados, a quantidade de informações sobre “tecnologias de amortecimento” pode ser avassaladora.[1] Parece que cada marca promete uma revolução, uma espuma mágica ou uma placa que vai fazer você voar. Mas, como fisioterapeuta, eu preciso que você olhe para além do marketing. O amortecimento não é apenas sobre conforto ou sensação de “pisar nas nuvens”; é uma ferramenta biomecânica fundamental que interage diretamente com a forma como seu corpo lida com a gravidade e o impacto repetitivo.
Escolher o amortecimento errado pode ser o gatilho para aquela dorzinha chata no joelho evoluir para uma lesão ou pode simplesmente tornar sua corrida ineficiente, fazendo você gastar mais energia do que o necessário. O segredo está em entender que “mais amortecimento” nem sempre é sinônimo de “melhor proteção”. Existe um equilíbrio fino entre absorver o choque e manter a estabilidade que suas articulações precisam para funcionar corretamente.[2][3]
Neste guia, vamos dissecar o que realmente importa quando falamos de entressolas e absorção de impacto. Vou te ensinar a olhar para o tênis com os olhos de quem entende de anatomia e movimento, para que sua escolha seja baseada no que o seu corpo pede, e não apenas no modelo mais bonito da prateleira. Vamos mergulhar fundo nisso.
A Tríade do Amortecimento: Absorção, Retorno e Estabilidade
O Papel da Absorção de Impacto na Saúde Articular
Quando você corre, a cada passo, seu corpo recebe uma carga que pode chegar a três vezes o seu peso corporal. Isso é o que chamamos de Força de Reação do Solo. O papel primário do amortecimento é dissipar essa energia agressiva antes que ela suba pela sua cadeia cinética — ou seja, antes que ela viaje do calcanhar para o tornozelo, tíbia, joelho, quadril e coluna. Um bom sistema de amortecimento atua como um filtro, reduzindo o pico desse impacto e tornando a desaceleração do pé mais suave.[4]
Do ponto de vista fisioterapêutico, a absorção de impacto é crucial para preservar a integridade da cartilagem e evitar o estresse ósseo. Se o tênis é duro demais para o seu peso ou para a superfície onde você corre, seus músculos precisam trabalhar dobrado para atuar como amortecedores naturais. Isso gera fadiga precoce. Quando a musculatura cansa, ela para de proteger as articulações, e é aí que o risco de lesões por sobrecarga aumenta exponencialmente.
No entanto, é preciso cuidado com o excesso de maciez. Um tênis que afunda demais pode absorver o impacto maravilhosamente bem, mas pode falhar em dar suporte. Imagine correr na areia fofa: o impacto é zero, mas o esforço para se mover é enorme. O amortecimento ideal deve proteger suas estruturas ósseas sem anular a capacidade elástica dos seus tendões, permitindo que você continue correndo de forma eficiente por mais tempo.
Responsividade: O Conceito de Retorno de Energia[2][5]
Você já deve ter ouvido o termo “responsividade”. Diferente da absorção pura, que apenas “apaga” o impacto, a responsividade é a capacidade da espuma de se deformar e voltar ao estado original rapidamente, devolvendo parte da energia aplicada na passada. Para nós, na clínica, isso é interessante porque ajuda na economia de corrida. Um tênis responsivo exige menos esforço metabólico da sua panturrilha e dos flexores plantares para te empurrar para a frente.
As espumas modernas, muitas vezes baseadas em compostos como PEBAX ou infusão de nitrogênio, conseguiram unir duas coisas que antes eram opostas: serem macias e elásticas ao mesmo tempo. Antigamente, ou o tênis era macio e “morto” (sem impulsão), ou era duro e rápido. Hoje, você pode ter um calçado que protege suas articulações na aterrissagem e, milissegundos depois, funciona como uma mola propulsora na fase de desprendimento dos dedos.
Para quem busca performance ou pretende aumentar distâncias, observar a responsividade é vital.[1][2][4][5][6][7][8][9] Um tênis com baixo retorno de energia pode fazer com que suas pernas pareçam “pesadas” após os primeiros quilômetros. Já um modelo com boa responsividade ajuda a manter o ritmo (cadência) mais alto, o que, biomecanicamente, é excelente para reduzir a sobrecarga em joelhos e quadris.
A Estabilidade em Jogo: O Perigo da “Gelatina”
Aqui entra um ponto que muitos corredores ignoram: a estabilidade da espuma. Um amortecimento excessivamente macio e alto pode criar uma superfície instável para o pé. Pense nisso como tentar se equilibrar em cima de um colchão de água. Se o seu tornozelo não tiver uma estabilidade intrínseca muito boa (força muscular e propriocepção), um tênis muito “bouncy” (saltitante) pode aumentar a velocidade de pronação ou supinação, gerando torques rotacionais perigosos no joelho.
Eu atendo muitos pacientes com dores na banda iliotibial ou tendinites no tornozelo justamente porque compraram o tênis com a espuma mais alta e macia da loja, sem ter a musculatura preparada para controlar essa instabilidade. O amortecimento precisa ter uma certa firmeza estrutural. É por isso que muitas marcas hoje alargam a base do solado: para compensar a altura e a maciez da espuma, oferecendo uma plataforma de aterrissagem mais larga e segura.
Ao testar o tênis, observe se o seu pé “samba” dentro dele ou se a espuma cede de forma desigual (afundando muito mais na parte interna, por exemplo). O amortecimento deve guiar o seu pé, não deixá-lo solto.[4] A estabilidade é a guardiã da sua segurança, enquanto o amortecimento é o guardião do seu conforto. Os dois precisam andar de mãos dadas.
Materiais e Densidades: Decifrando a Entressola[9]
EVA Tradicional vs. Super Espumas
O EVA (Etileno Vinil Acetato) foi o rei das entressolas por décadas. Ele é confiável, durável e oferece uma sensação de chão mais firme. Muitos fisioterapeutas ainda recomendam tênis com base de EVA para corredores iniciantes ou para aqueles que precisam de mais estabilidade, justamente porque ele não deforma tanto. Ele oferece uma proteção honesta e direta, sendo excelente para treinos de rodagem diária onde a velocidade não é a prioridade máxima.
No entanto, a revolução das “super espumas” mudou o jogo. Materiais injetados com gases, compostos termoplásticos e outras químicas avançadas criaram tênis que são incrivelmente leves e, ao mesmo tempo, extremamente macios. Essas espumas têm a vantagem de retardar a fadiga muscular, pois filtram as microvibrações que sobem pela perna a cada impacto. Para quem corre maratonas ou treinos longos, essa tecnologia preserva as pernas para os dias seguintes.
A desvantagem das super espumas é, muitas vezes, a durabilidade. Enquanto um EVA tradicional pode manter suas propriedades por 600km ou 800km, algumas espumas de altíssima performance começam a perder a capacidade de retorno de energia bem antes disso. Você precisa pesar o custo-benefício: você quer um tênis “de guerra” que dure uma eternidade, ou um tênis de “fórmula 1” que oferece a melhor experiência, mas tem vida útil mais curta?
Stack Height: A Altura do Solado Importa
“Stack Height” é o termo técnico para a altura da pilha de material entre o seu pé e o chão. A tendência maximalista trouxe tênis com solados altíssimos, prometendo amortecimento infinito. Biomecanicamente, aumentar a distância do chão altera a sua percepção sensorial. Tênis muito altos desconectam um pouco os receptores da planta do pé das informações do solo, o que pode alterar seu equilíbrio dinâmico.
Tênis com perfil baixo (mais próximos ao chão) tendem a favorecer uma corrida mais natural e fortalecem a musculatura intrínseca do pé, mas exigem uma adaptação lenta e gradual para não sobrecarregar o tendão de Aquiles e a panturrilha. Já os tênis de perfil alto (maximalistas) são ótimos para dias de recuperação ou para corredores mais pesados, pois a grande quantidade de espuma comprime e protege as estruturas ósseas.
O que você deve observar é o seu histórico de lesões.[2] Se você tem histórico de entorses de tornozelo, cuidado com stack heights muito elevados, pois eles aumentam o braço de alavanca em caso de uma virada de pé. Se o seu problema é dor articular crônica (joelho ou quadril), a altura extra de espuma pode ser um alívio bem-vindo, desde que o tênis tenha uma base larga para compensar.
Placas de Carbono e a Interação com o Amortecimento[1][5]
É impossível falar de amortecimento moderno sem citar as placas (carbono, nylon, TPU). Muita gente acha que a placa serve apenas para propulsão, mas ela desempenha um papel crucial na estabilização das espumas super macias. Sem a placa rígida no meio, essas espumas “gelatinosas” seriam instáveis demais para correr rápido. A placa age como um esqueleto, estruturando o amortecimento.
Para o corredor amador, o benefício da placa + super espuma é a economia de energia. Você termina o treino longo sentindo-se menos “quebrado”. No entanto, essa rigidez altera a mecânica natural dos dedos do pé. O pé não flexiona tanto, funcionando mais como uma alavanca rígida. Isso poupa a fáscia plantar e os dedos, mas joga a carga de trabalho para cima, para o tornozelo e joelho.
Portanto, se você optar por um tênis com placa e muito amortecimento, saiba que a dinâmica da sua corrida vai mudar. É uma ferramenta poderosa, mas que não deve ser usada em todos os treinos. Intercalar um tênis com placa (rígido e amortecido) com um tênis mais flexível (menos amortecimento estruturado) é a melhor estratégia para manter seus pés fortes e funcionais.
Biomecânica Clínica: O Olhar do Fisioterapeuta (Item Extra 1)
Força de Reação do Solo e Cadeia Cinética
Como fisioterapeuta, eu não olho apenas para o pé; eu olho para a cadeia cinética inteira. O amortecimento do tênis é a primeira linha de defesa contra a Força de Reação do Solo (FRS). Se o amortecimento é insuficiente, essa força viaja rápido. O primeiro a sofrer é o periósteo da tíbia (causando a famosa canelite), depois os meniscos no joelho e, finalmente, os discos intervertebrais na lombar.
Um erro comum é achar que o tênis resolve tudo. O amortecimento ajuda a atenuar o pico de força, mas a sua técnica de corrida é quem dita o tamanho da pancada. Se você aterra com o pé muito à frente do corpo (overstriding), nem o melhor amortecimento do mundo vai salvar seu joelho. O tênis ideal facilita uma aterrissagem mais próxima do centro de gravidade, trabalhando em conjunto com o material da entressola para dissipar a carga.
Você deve observar se o tênis permite que você mantenha uma cadência boa.[7][9] Tênis muito pesados ou com amortecimento “chiclete” (que prende o pé no chão) podem fazer você arrastar a passada, aumentando o tempo de contato com o solo. Quanto maior o tempo de contato, maior a carga acumulada nas articulações. O amortecimento deve ser um facilitador do movimento, não uma âncora.
O “Drop” e a Influência na Cadeia Posterior
O “drop” é a diferença de altura entre o calcanhar e a ponta do pé. Tênis com muito amortecimento no calcanhar geralmente têm drops altos (8mm, 10mm, 12mm). Isso é confortável para quem aterrissa com o calcanhar, pois a espuma absorve o impacto inicial e encurta a cadeia posterior, aliviando a tensão na panturrilha e no tendão de Aquiles. É uma configuração segura para a maioria dos iniciantes.
Já tênis com drops baixos (0mm a 4mm) tendem a ter um amortecimento mais distribuído ou reduzido. Eles estimulam uma aterrissagem com o meio ou antepé. Isso transfere a responsabilidade de amortecimento do tênis para a sua panturrilha e arco plantar. É uma forma de correr mais “natural”, mas que exige uma musculatura muito forte e elástica.
A escolha do amortecimento deve considerar o drop que você está acostumado.[2] Se você sempre correu com drop alto e muito amortecimento no calcanhar, mudar repentinamente para um drop zero com pouco amortecimento é a receita certa para uma tendinite de Aquiles ou fascite plantar. A transição deve ser lenta. O amortecimento no calcanhar é um amigo para quem tem pouca mobilidade de tornozelo.
Lesões Silenciosas e o Amortecimento “Vencido”
Uma das coisas que mais vejo no consultório são lesões causadas por tênis que parecem novos por fora, mas estão mortos por dentro. A espuma do amortecimento tem uma vida útil. Com o tempo, as células de ar dentro do EVA ou da espuma colapsam e não voltam mais. O tênis perde a capacidade de absorção, e você começa a receber o impacto “seco” nas articulações.
O perigo é que essa perda é gradual. Você não percebe de um dia para o outro. Começa com um desconforto no joelho pós-treino, uma dorzinha na lombar que não existia. Visualmente, o tênis está lindo, o cabedal está intacto, a sola de borracha ainda tem desenho. Mas a entressola — a alma do amortecimento — já virou um tijolo.
Observe os vincos na lateral da entressola. Se a espuma estiver cheia de rugas profundas e não recuperar a forma quando você pressiona com o dedo, o amortecimento acabou. Não insista. O custo de um novo par de tênis é infinitamente menor do que o custo de sessões de fisioterapia para tratar uma fratura por estresse ou uma condromalácia agudizada.
O Teste Prático: Como Avaliar Antes de Comprar (Item Extra 2)
O Teste de Torção e Flexão
Antes de calçar o tênis, pegue-o na mão. Faça o teste de torção: segure o calcanhar e a ponta e tente torcer o tênis como se fosse um pano molhado. Um tênis com bom amortecimento estruturado deve oferecer alguma resistência.[1][2][5][7][8] Se ele torcer com muita facilidade, significa que a estabilidade é baixa. Isso pode ser bom para corredores avançados que querem liberdade total, mas para a maioria dos mortais, um pouco de resistência à torção ajuda a evitar que o pé desabe para dentro (pronação excessiva) quando a espuma comprimir.
Depois, faça o teste de flexão: dobre a ponta do tênis para cima. Ele deve dobrar onde os seus dedos dobram (metatarsos). Se ele dobrar no meio do arco plantar, fuja. O amortecimento não deve comprometer a integridade da estrutura do meio do pé. Se o tênis for rígido demais e não dobrar nada, saiba que ele vai exigir mais da sua panturrilha, pois o tênis não vai “ajudar” na rolagem final da passada.
Esses testes manuais te dão uma prévia de como o amortecimento vai se comportar sob carga. Um amortecimento que parece macio na mão, mas que não tem estrutura nenhuma, vai virar uma gelatina instável quando você colocar 70kg ou 80kg de carga em cima dele durante a corrida.
O Teste do Dedo na Entressola
Esse é clássico e muito útil. Pressione o polegar firmemente na espuma branca (ou colorida) da entressola. Você quer sentir uma resistência elástica. Se o dedo afundar como se fosse um marshmallow mole e demorar para voltar, aquele amortecimento provavelmente é macio demais e vai durar pouco (“bottom out”). Se for duro como pedra e você não conseguir fazer nenhuma indentação, o amortecimento pode ser insuficiente para longas distâncias.
O ideal, para a maioria dos corredores recreativos, é uma densidade média. Você sente que a espuma cede, mas logo encontra uma barreira de firmeza. Isso indica que o tênis tem um “curso” de amortecimento: ele macio no contato inicial, mas oferece suporte na carga total.
Lembre-se também de testar em diferentes pontos. Algumas marcas colocam uma espuma mais macia no calcanhar (para o impacto) e uma mais firme na frente (para a propulsão).[5] Pressione as duas áreas e veja se faz sentido para a sua pisada.[6] Se você pisa com o antepé, não adianta nada ter um colchão no calcanhar e uma pedra na frente.
A Hora Certa e a Sensação Proprioceptiva
Nunca compre tênis de manhã cedo. Seus pés incham durante o dia e incham ainda mais durante a corrida. O ideal é provar o tênis no final da tarde ou após uma caminhada. O amortecimento precisa de espaço para funcionar. Se o tênis estiver apertado, a compressão lateral impede que o pé se espalhe naturalmente na aterrissagem, anulando parte da função de absorção de choque do próprio pé.
Ao calçar, feche os olhos e tente sentir o chão. Você se sente flutuando, sem noção de onde está pisando? Ou sente cada detalhe do piso? O excesso de amortecimento tira a propriocepção (a noção de posição do corpo). Para quem está voltando de lesão de tornozelo, eu recomendo um tênis com amortecimento moderado, onde você ainda sinta o chão. Isso ajuda o cérebro a ativar a musculatura estabilizadora na hora certa.
Caminhe e dê uns trotes na loja. O amortecimento não deve fazer barulho de “ploc ploc” seco. Deve ser um som abafado. Se você sente que está lutando contra o tênis para se equilibrar, aquele amortecimento não é para você, não importa o quão famosa seja a tecnologia. O melhor tênis é aquele que “some” do pé quando você corre.[4]
Terapias e Cuidados Complementares
Agora que já conversamos sobre o equipamento, preciso te lembrar que o tênis é apenas uma parte da equação. Como fisioterapeuta, vejo que muitas dores atribuídas ao “tênis ruim” são, na verdade, falta de manutenção do corpo. Para quem corre e se preocupa com impacto, algumas terapias são grandes aliadas.[5]
A Liberação Miofascial é fantástica para soltar a musculatura da panturrilha e a fáscia plantar, que tendem a ficar rígidas com o impacto repetitivo. Manter esses tecidos flexíveis ajuda o próprio corpo a amortecer melhor. Exercícios de Fortalecimento Intrínseco do Pé (como tentar pegar uma toalha com os dedos) são essenciais; eles tornam o seu arco plantar uma mola forte, tirando a responsabilidade excessiva do tênis.
Também indicamos muito o Treino de Propriocepção. Ficar em um pé só, usar discos de equilíbrio ou a cama elástica ajuda a ensinar seu tornozelo a reagir rápido a instabilidades, o que é vital se você usa tênis com muito amortecimento (que são naturalmente mais instáveis). E, claro, a Osteopatia ou Quiropraxia podem ajudar a manter a mobilidade das articulações do tornozelo e quadril em dia, garantindo que a mecânica da sua corrida flua sem bloqueios. O melhor amortecedor que existe é o seu corpo funcionando em harmonia.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”