Você já parou para pensar que aquela dorzinha chata no ombro ou o desconforto no cotovelo após o jogo de domingo pode não ser apenas falta de treino, mas sim o equipamento que você está segurando? Muitas vezes, focamos tanto na estética da raquete ou na marca famosa que esquecemos do fator biomecânico mais crucial para a saúde da sua articulação: o peso. Como fisioterapeuta, vejo diariamente em meu consultório atletas amadores e profissionais tratando lesões que poderiam ter sido evitadas com uma escolha mais consciente do material.
A escolha do peso ideal não é apenas uma questão de preferência pessoal, é uma decisão de saúde que envolve física e anatomia. Quando você segura uma raquete, ela se torna uma extensão do seu braço, e cada grama a mais ou a menos altera a força de alavanca que seus tendões precisam suportar. Se a raquete for leve demais, você acaba compensando com força excessiva para gerar potência; se for pesada demais, a inércia do movimento pode sobrecarregar as estruturas estabilizadoras do seu ombro.[1]
Neste artigo, vamos mergulhar fundo na ciência por trás do peso das raquetes de Beach Tennis. Não vamos falar apenas de números, mas de como esses números interagem com seus músculos, tendões e ligamentos. Quero que você termine esta leitura entendendo exatamente o que o seu corpo precisa para jogar em alto nível por muitos anos, longe das macas de fisioterapia. Vamos descomplicar essa escolha e garantir que seu único foco na quadra seja a próxima bola.
Entendendo as Faixas de Peso[2][3][4][5][6][7][8][9]
Raquetes Leves (300g – 320g)
Quando falamos de raquetes leves, geralmente estamos nos referindo àquelas que variam entre 300g e 320g, e elas são frequentemente as favoritas dos iniciantes ou de quem já sofreu alguma lesão prévia. A grande vantagem biomecânica aqui é a manuseabilidade, pois com menos massa para mover, seus músculos de reação rápida conseguem posicionar a raquete para a defesa com muito mais agilidade. Isso é excelente para aquele jogo rápido na rede, onde o tempo de reação é mínimo e você precisa apenas bloquear a bola sem fazer grandes movimentos de amplitude.
No entanto, do ponto de vista fisioterapêutico, precisamos ter cautela com a “leveza excessiva”, pois existe uma lei física simples: massa absorve impacto. Quando você rebate uma bola forte vinda de um adversário com uma raquete muito leve, a raquete tende a vibrar mais e recuar no momento do contato, transferindo essa instabilidade diretamente para o seu punho e cotovelo. Para compensar essa falta de massa e fazer a bola andar, você acaba sendo obrigado a fazer muito mais força muscular, o que pode gerar fadiga precoce nos flexores do antebraço.
Portanto, indico raquetes nessa faixa de peso para jogadores que têm um estilo de jogo muito focado em controle e toque, ou para adolescentes e mulheres com estrutura muscular mais leve. Se você optar por uma raquete leve, lembre-se de que sua técnica precisa ser limpa, usando o corpo todo para golpear, e não apenas o braço. A leveza ajuda na prevenção de lesões por “arrasto” (cansaço do ombro), mas pode aumentar o risco de lesões por impacto se a estrutura da raquete não for de alta qualidade.[1]
Raquetes Médias (320g – 340g)
A faixa de peso entre 320g e 340g é considerada o “ponto doce” para a grande maioria dos praticantes de Beach Tennis, sejam eles amadores regulares ou avançados. Biomecanicamente, esse peso oferece um equilíbrio saudável entre a estabilidade necessária para bloquear um saque potente e a agilidade para volear na rede. Nessa faixa, a raquete tem massa suficiente para absorver parte da vibração da bola, poupando seus tendões de microtraumas repetitivos que ocorrem a cada impacto.
Para a maioria dos meus pacientes que buscam performance sem abrir mão da segurança, eu sugiro começar a testar raquetes exatamente no meio dessa faixa, por volta de 330g. Com esse peso, você consegue gerar potência no smash sem sentir que está arrastando uma âncora, e ao mesmo tempo, consegue defender sem que a raquete gire na sua mão ao contato com a bola. É a faixa onde a tecnologia dos materiais, como o carbono 3K ou 12K, consegue entregar sua melhor performance de elasticidade e retorno de energia.
É importante notar que, dentro dessa categoria média, a percepção de peso pode mudar drasticamente dependendo do balanço, que discutiremos mais à frente. Uma raquete de 330g pode parecer muito mais pesada se o peso estiver todo na cabeça. Mas, de modo geral, se você não tem histórico de lesões graves e quer um equipamento versátil, manter-se nessa zona de segurança é a melhor aposta para a longevidade no esporte, permitindo evolução técnica sem sobrecarga excessiva.
Raquetes Pesadas (Acima de 340g)[3]
As raquetes acima de 340g são verdadeiros canhões, mas exigem uma musculatura preparada e uma técnica apurada para serem domadas sem causar danos. O benefício óbvio aqui é a potência: a massa extra gera uma energia cinética muito maior quando em movimento, fazendo com que a bola saia da raquete com peso e velocidade impressionantes, muitas vezes com um swing mais curto. Jogadores de nível profissional ou ex-tenistas que já possuem uma cadeia cinética muito bem trabalhada costumam gostar desse peso extra para definir pontos.
Contudo, como fisioterapeuta, é aqui que vejo o maior risco de lesões no manguito rotador e na cintura escapular. Mover 350g ou 360g repetidamente acima da cabeça, em movimentos de saque e smash, gera uma tração enorme na articulação do ombro e exige uma desaceleração excêntrica muito forte dos músculos posteriores das costas. Se você não tiver um trabalho de fortalecimento específico para suportar essa carga, a tendência é que seu ombro comece a falhar, gerando compensações que descem para o cotovelo.
Eu raramente indico raquetes dessa faixa para jogadores recreativos de fim de semana, pois o custo-benefício para a saúde não compensa. A menos que você seja um atleta de competição com acompanhamento físico regular, o peso extra vai cobrar seu preço no final do segundo ou terceiro set, quando a musculatura fadigar e sua técnica cair. Lembre-se que no Beach Tennis o volume de golpes é muito alto, e carregar esse peso extra por uma hora inteira é um desafio fisiológico considerável.
O Papel do Balanço na Sensação de Peso[4]
Balanço na Cabeça (Head Heavy)[2][7]
Você já pegou uma raquete que pesava 330g na balança, mas parecia pesar 350g na mão? Isso acontece quando o balanço é deslocado para a cabeça, ou seja, a maior parte da massa está concentrada na ponta da raquete, longe da sua mão. Isso aumenta o que chamamos de “Swing Weight” (peso em movimento), criando uma alavanca longa que potencializa muito a força do golpe, funcionando quase como um martelo.
Para quem busca potência agressiva no saque e no smash, esse balanço é fenomenal, pois a cabeça da raquete “cai” sobre a bola com autoridade. No entanto, para a saúde do seu punho e cotovelo, esse é o tipo de configuração mais perigoso se a técnica não for perfeita. A força de torque necessária para frear o movimento da raquete ou para trazê-la de volta à posição de defesa é muito alta, sobrecarregando os extensores do punho e predispondo à epicondilite lateral.
Se você optar por uma raquete com peso na cabeça, minha recomendação clínica é que você faça um trabalho preventivo intenso de fortalecimento de antebraço. A sensação de “cabeça pesada” pode fazer com que o movimento atrase um pouco se você estiver cansado, e é nesse atraso que a lesão acontece, pois você tenta corrigir a trajetória usando apenas o punho. Use com moderação e consciência do seu nível físico atual.
Balanço no Cabo (Head Light)[2]
No oposto do espectro, temos as raquetes com o balanço voltado para o cabo, mais próximo da sua mão. Essa configuração faz com que a raquete pareça muito mais leve do que realmente é, proporcionando uma sensação de controle absoluto. É como segurar um martelo perto da cabeça de metal: o peso está lá, mas você o controla com facilidade. Jogadores que priorizam a defesa, o posicionamento rápido e a prevenção de dores articulares costumam se adaptar muito bem a esse balanço.
A vantagem terapêutica aqui é clara: menor torque nas articulações pequenas (punho) e menor exigência do ombro em movimentos de amplitude aberta. Você consegue mudar a direção da face da raquete em milésimos de segundo, o que é essencial nos duelos de rede à queima-roupa. A desvantagem é que você perde aquela “ajuda” da gravidade e da inércia para acelerar a bola, exigindo que você use mais a rotação de tronco e a extensão de braço para gerar potência.
Eu costumo indicar esse tipo de balanço para pacientes que estão retornando de lesões de cotovelo ou ombro. Ele permite que o jogador continue praticando o esporte enquanto recupera sua força total, minimizando o estresse nas estruturas em cicatrização. É uma escolha inteligente para quem quer jogar por horas seguidas sem sentir aquele peso morto no braço no dia seguinte.
Balanço Central (Balanced)
O balanço central é a escolha democrática, onde o peso é distribuído de forma homogênea por toda a raquete, geralmente em torno de 25 a 26 cm da base do cabo. Essa distribuição tenta capturar o melhor dos dois mundos: potência suficiente sem sacrificar o controle, e manuseio ágil sem perder a estabilidade no impacto. Para a grande maioria dos jogadores amadores, essa é a configuração mais segura e ergonômica.
Do ponto de vista da biomecânica, o balanço central promove uma mecânica de golpe mais natural e fluida. O corpo não precisa lutar contra a raquete para levantá-la (como nas ‘head heavy’), nem precisa empurrar excessivamente para a bola andar (como nas ‘head light’). Isso resulta em uma fadiga muscular distribuída de forma mais igualitária entre ombro, braço e antebraço, evitando a sobrecarga focal em um único tendão.
Se você está em dúvida sobre qual raquete comprar e não tem a oportunidade de testar várias, busque uma com balanço equilibrado (geralmente indicado nas especificações técnicas). É a aposta mais segura para evitar vícios de postura e para garantir que o seu equipamento não seja um obstáculo para o seu aprendizado ou para a sua saúde física.
Biomecânica e Adaptação Muscular
O Efeito Alavanca e o Torque no Punho
Para entender realmente o impacto do peso, você precisa visualizar o seu braço e a raquete como um sistema de alavancas. O seu cotovelo é o ponto de apoio (fulcro), e a raquete é a resistência que está na ponta dessa alavanca. Quanto mais pesada a raquete, ou quanto mais o peso estiver na ponta (longe da mão), maior será o torque gerado na articulação do punho e do cotovelo. Torque é, basicamente, a força de rotação.
Quando você está atrasado em uma bola e tenta corrigir o golpe apenas com o punho, usando uma raquete pesada, o torque gerado é imenso. Seus pequenos músculos do antebraço não foram desenhados para suportar essa carga de forma repentina e repetitiva. É nesse momento que as fibras colágenas dos tendões começam a sofrer micro-rupturas, iniciando o processo inflamatório que tanto tememos.
Por isso, insisto tanto na importância de preparar o corpo para o equipamento que você usa. Se você quer usar uma raquete que gera muito torque (pesada ou head heavy), seus músculos precisam funcionar como amortecedores de alta performance. Sem essa preparação, o torque vence a resistência do tecido, e a lesão se instala. A física é implacável: aumentou a alavanca, tem que aumentar a força de estabilização.
Tensão nos Flexores e Extensores do Antebraço
Os músculos flexores (parte interna do antebraço) e extensores (parte externa) são os que controlam a sua pegada, o “grip”. No Beach Tennis, diferentemente do tênis de campo, você não troca de empunhadura o tempo todo, o que significa que sua mão fica em tensão isométrica (segurando firme) por longos períodos. Se a raquete for muito pesada, você instintivamente aperta o cabo com mais força para não perder o controle.
Essa tensão contínua diminui a circulação sanguínea local e leva à fadiga muscular rápida. Quando o músculo cansa, ele para de absorver o impacto da bola, e essa vibração passa direto para o tendão e para o osso (epicôndilo). Uma raquete com o peso ideal para você permite que você segure o cabo com firmeza, mas sem “esganar” a raquete, mantendo a musculatura relaxada o suficiente para reagir, mas ativa o bastante para estabilizar.
Um teste simples que faço com meus pacientes é pedir para eles segurarem a raquete e fazerem movimentos de “tchau” rápidos. Se o antebraço “queimar” em menos de 15 segundos, ou a raquete for muito pesada, ou o cabo está com a espessura errada, ou a musculatura está muito fraca. O equipamento deve permitir que essa musculatura trabalhe de forma eficiente, sem entrar em exaustão nos primeiros games da partida.
Estabilização da Cintura Escapular
Muitas pessoas culpam o cotovelo, mas a raiz do problema muitas vezes está no ombro, especificamente na cintura escapular (as escápulas ou “ásas” nas costas). Essa região é a base de sustentação para todo o movimento do braço. Se a sua raquete é pesada, a sua escápula precisa estar “colada” no tórax para fornecer uma base sólida. Se ela estiver instável, o peso da raquete vai “arrancar” o seu braço para frente a cada smash.
A musculatura do manguito rotador e os estabilizadores da escápula (como o serrátil anterior e o trapézio inferior) precisam trabalhar em dobro com equipamentos pesados. Quando eles falham, o ombro sobe em direção à orelha (tensão de trapézio superior) e o movimento perde a fluidez biomecânica. Isso gera impacto subacromial, aquela dor na ponta do ombro ao levantar o braço.
Portanto, a escolha do peso passa também pela sua consciência corporal e força de tronco. Uma raquete mais leve permite que você jogue mesmo se sua estabilização escapular não for perfeita (embora devêssemos sempre trabalhar isso). Já a raquete pesada não perdoa: ou você tem a cintura escapular forte e estável, ou você vai desenvolver dores no ombro e pescoço.
Materiais e a Absorção de Impacto
A Influência do EVA Soft e Hard
Dentro da raquete, o “miolo” é feito de uma espuma chamada EVA, e ela interage diretamente com a sensação de peso. O EVA Soft é mais macio, funciona como uma cama elástica: a bola afunda e é expelida. Isso ajuda a gerar potência com menos esforço, fazendo a raquete parecer mais “leve” no impacto, pois a bola sai fácil. É excelente para quem tem dores no braço, pois absorve muita vibração.
Já o EVA Hard é mais denso e rígido. Ele oferece muito controle e precisão, mas a bola não sai se você não fizer força. Isso pode dar a falsa sensação de que a raquete é “pesada” ou “dura”, mesmo que na balança ela tenha as mesmas 330g de uma Soft. O impacto é mais seco e a vibração é transmitida com mais intensidade para o braço.
Ao escolher o peso, considere o tipo de EVA. Uma raquete leve com EVA Hard pode ser terrível para o cotovelo, pois falta massa para absorver o choque e a espuma não ajuda. Já uma raquete um pouco mais pesada, mas com EVA Soft, pode ser extremamente confortável, pois a massa estabiliza e a espuma amortece. O conjunto da obra é o que importa.
Fibras de Carbono e Distribuição de Massa
O material da face (Carbono 3K, 12K, 18K, Kevlar, Fibra de Vidro) também altera a percepção de peso. A fibra de vidro é mais flexível e tolerante, ótima para iniciantes. O carbono é mais rígido. Quanto maior o “K” (milhares de filamentos), geralmente mais rígido é o material (embora isso dependa da resina usada). Uma face muito rígida em uma raquete leve pode ser uma receita para lesão, pois a vibração não tem para onde ir.
A tecnologia atual permite que os fabricantes distribuam a massa de forma inteligente. Às vezes, eles colocam reforços de carbono no coração da raquete para dar estabilidade sem aumentar o peso na ponta. Isso é engenharia pura a favor da sua saúde. Raquetes de entrada muitas vezes não têm essa distribuição refinada, tendo o peso colocado de forma bruta, o que as torna menos ergonômicas.
Investir em uma raquete com boa tecnologia de carbono não é luxo, é saúde. Uma raquete de carbono de boa qualidade consegue ser leve e estável ao mesmo tempo, algo que materiais inferiores têm dificuldade em replicar. Essa estabilidade estrutural evita que a raquete torça na sua mão em golpes descentralizados, poupando seus ligamentos.
Personalização e Uso de Chumbo
Uma prática comum entre jogadores avançados e que eu vejo com bons olhos (quando bem feita) é a personalização com fitas de chumbo ou tungstênio. Você compra uma raquete um pouco mais leve e adiciona peso em pontos estratégicos.[10] Colocar peso no coração da raquete aumenta a estabilidade sem alterar muito o balanço. Colocar na cabeça aumenta a potência (cuidado aqui!).
Isso permite que você adapte o equipamento à sua evolução física. Talvez hoje você precise de uma raquete de 320g. Daqui a um ano, com o braço mais forte, você pode adicionar 5g ou 10g para ganhar potência, sem precisar comprar uma raquete nova. É uma forma inteligente e econômica de manter o “peso ideal” sempre ajustado à sua realidade atual.
Porém, faça isso com orientação. Colocar peso de forma assimétrica pode desbalancear a raquete e causar vibrações estranhas que são nocivas. A customização é uma ferramenta poderosa para o fisioterapeuta e para o treinador ajustarem o equipamento às necessidades específicas de reabilitação ou performance do atleta.
Lesões Comuns Relacionadas ao Peso Incorreto
Epicondilite Lateral e Medial
A famosa “cotovelo de tenista” (lateral) e “cotovelo de golfista” (medial) são as campeãs de audiência no consultório. A epicondilite lateral ocorre principalmente nos movimentos de backhand atrasados, onde o peso da raquete, somado à vibração, sobrecarrega os extensores. Se a raquete é muito pesada, o “atraso” no golpe é frequente, gerando o estresse mecânico.
Já a epicondilite medial (na parte interna do cotovelo) está muito ligada ao movimento de forehand e ao saque/smash, onde usamos muita flexão de punho e pronação. Uma raquete com balanço muito deslocado para a cabeça aumenta o chicoteamento final do movimento (snap), o que pode inflamar esses tendões se a musculatura não for robusta.
O tratamento é chato e demorado, pois usamos as mãos para tudo. Por isso, a prevenção através do peso correto é o melhor remédio. Se você começou a sentir uma pontada no cotovelo, a primeira coisa a verificar é se seu equipamento não está pesado demais para o seu momento atual.
Tendinites no Punho e Mão
O punho é uma articulação complexa, cheia de ossinhos e ligamentos. No Beach Tennis, ele é exigido em posições extremas de extensão e desvio radial/ulnar. Uma raquete pesada exige que os tendões do punho trabalhem como cabos de aço sob tensão máxima para manter a raquete estável. Isso leva a tenossinovites (inflamação da bainha do tendão), como a de De Quervain (na base do polegar).
Além disso, o impacto repetitivo de uma raquete que vibra muito ou que é pesada demais pode causar compressões nervosas, gerando formigamento nas mãos (Síndrome do Túnel do Carpo). O peso ideal permite que o punho trabalhe em sua amplitude funcional sem compressão excessiva das estruturas internas.
Muitas vezes, ajustando o grip (colocando um overgrip a mais para engrossar a pegada) e reduzindo o peso da raquete em 10g ou 20g, conseguimos aliviar completamente essas dores no punho, pois a força de preensão necessária diminui drasticamente.
Sobrecarga no Ombro e Manguito Rotador[1]
O ombro é a articulação com maior mobilidade do corpo, mas paga um preço em estabilidade. O manguito rotador é um grupo de quatro músculos pequenos responsáveis por manter a cabeça do úmero “encaixada”. Raquetes pesadas, especialmente em movimentos overhead (acima da cabeça), criam uma força de distração que “puxa” o braço para fora do encaixe.
Isso pode gerar desde bursites (inflamação da “almofada” da articulação) até rupturas parciais dos tendões do supraespinhal. A dor geralmente aparece à noite, ao dormir sobre o ombro, ou ao tentar levantar o braço para pegar algo no alto. É um sinal clássico de que a relação carga/capacidade do ombro foi excedida.
Se você sente o ombro pesado ou dolorido após o jogo, reavalie seu smash e o peso da sua raquete. Às vezes, baixar o peso permite que você melhore a técnica do movimento, usando mais o tronco e menos o ombro isolado, o que resolve o problema da dor na raiz.
Terapias e Tratamentos Fisioterapêuticos
Como prometido, vamos falar sobre o que fazer se a dor já apareceu ou como preparar seu corpo para evitar que ela chegue. A fisioterapia esportiva evoluiu muito e hoje temos recursos incríveis para tratar o atleta de Beach Tennis. Não se trata apenas de “choquinho” e gelo; a abordagem é ativa e funcional.
Liberação Miofascial e Terapia Manual: Esta é a base do tratamento. Utilizamos técnicas manuais ou instrumentais para soltar a fáscia (o tecido que envolve os músculos) do antebraço, braço e peitoral. Isso melhora a circulação, reduz a tensão e devolve a mobilidade ao tecido. É aquele momento em que o fisioterapeuta “amassa” o seu braço, mas o alívio pós-sessão é imediato, pois removemos os pontos de tensão (trigger points) gerados pelo esforço com a raquete.
Dry Needling (Agulhamento a Seco): Uma técnica fantástica para dores crônicas e contraturas profundas. Utilizamos agulhas finas (semelhantes às de acupuntura) diretamente nos pontos gatilho dos músculos extensores ou no manguito rotador. O agulhamento gera um “reset” neurológico no músculo, diminuindo a dor e relaxando a fibra muscular de dentro para fora. É extremamente eficaz para epicondilites resistentes.
Fortalecimento Exêntrico e Estabilização: Não existe cura sem fortalecimento. Trabalhamos muito com exercícios excêntricos (onde você faz força enquanto alonga o músculo), que são comprovadamente os melhores para remodelar tendões lesionados. Além disso, focamos no fortalecimento da musculatura da escápula e do core. Se o seu centro (core) e sua base (escápula) são fortes, o seu braço sofre muito menos com o peso da raquete. Exercícios com elásticos simulando os gestos do esporte são essenciais para o retorno às quadras.
Lembre-se: o peso ideal da raquete é aquele que permite que você jogue feliz, solto e sem dor. Escute o seu corpo, ele sempre avisa antes de quebrar. Bons jogos e cuide dessa máquina incrível que é o seu corpo!

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”