Você acabou de investir um valor considerável em uma raquete nova e quer que ela dure. Eu entendo perfeitamente essa preocupação. Como fisioterapeuta, vejo a sua raquete não apenas como um objeto esportivo, mas como uma extensão direta do seu braço. Se ela estiver malcuidada, desbalanceada ou com a estrutura comprometida, quem paga a conta não é o seu bolso, mas as suas articulações. Manter o equipamento em dia é uma questão de performance e de saúde preventiva.
Vamos conversar sobre como você deve cuidar desse material. Não se trata apenas de estética ou de manter a raquete bonita para a foto no final do jogo. Trata-se de manter as propriedades mecânicas da raquete intactas. Quando a raquete perde a capacidade de absorver impacto ou vibra de maneira errada por falta de cuidado, essa energia precisa ir para algum lugar. Infelizmente, esse lugar geralmente é o seu cotovelo ou o seu manguito rotador.
Preparei um guia completo para você seguir. Quero que você incorpore esses hábitos na sua rotina de treinos e jogos. Pense nisso como o “desaquecimento” do equipamento. Assim como você precisa alongar ou desmobilizar após o jogo, sua raquete precisa de atenção antes de voltar para a raqueteira. Vamos detalhar cada etapa desse processo para garantir que você jogue sem dor e com o material em perfeito estado por muito mais tempo.
A rotina de limpeza e higiene do material
Removendo o sal e a areia sem danificar
Você joga na praia ou em quadras de areia que muitas vezes contêm sal para manter a umidade. O sal é corrosivo e altamente abrasivo. Quando você termina o jogo, sua raquete está coberta de micropartículas que agem como uma lixa. Se você passar um pano seco direto, você basicamente está lixando o verniz e o tratamento da sua raquete. O primeiro passo é sempre remover o excesso com água corrente, sem pressão.
Use um pano de microfibra levemente úmido apenas com água doce. Não esfregue com força. A ideia é dissolver o sal e carregar a areia para fora da superfície. Se a sua raquete tem tratamento áspero de fábrica ou feito à mão, esfregar com força vai arrancar os grânulos de areia ou quartzo que dão o efeito na bola. Passe o pano suavemente, em movimentos circulares, garantindo que toda a maresia foi removida.
A limpeza deve incluir também a região do coração da raquete, aqueles furos e a ponte. Ali acumula muito suor e areia, criando uma pasta que pode, com o tempo, infiltrar em pequenas fissuras. Limpe cada cantinho com paciência. Encare isso como um ritual pós-jogo para baixar a adrenalina. Você cuida do seu instrumento de lazer para que ele continue te proporcionando bons momentos.
A secagem correta do EVA e da superfície
Após lavar, você não pode simplesmente jogar a raquete na bolsa. O EVA, que é a espuma interna da raquete, e as fibras de carbono ou vidro, não se dão bem com umidade constante. A água pode permear microfissuras invisíveis a olho nu e, ao longo do tempo, descolar as camadas internas. Seque a raquete imediatamente com uma toalha seca e macia, absorvendo toda a umidade visível.
Nunca, em hipótese alguma, acelere esse processo com secador de cabelo ou deixando a raquete exposta ao sol direto para “secar mais rápido”. O calor excessivo altera a densidade da espuma EVA. Se você usar ar quente, você pode expandir a espuma interna, criando bolhas ou deformações que vão inutilizar sua raquete. A secagem deve ser natural, à sombra, em local ventilado.
Deixe a raquete fora da capa por algumas horas após chegar em casa. Mesmo que você tenha secado com a toalha, a umidade residual precisa evaporar. Se você guarda a raquete úmida dentro de uma capa térmica fechada, você cria uma estufa perfeita para a proliferação de fungos no cabo e para a degradação das resinas que colam as folhas de carbono. Deixe ela “respirar” antes de guardar definitivamente.
O que jamais passar na sua raquete
Vejo muitos alunos e pacientes tentando usar produtos de limpeza doméstica nas raquetes para deixá-las brilhando. Esqueça álcool, detergentes fortes, veja, ou qualquer solvente químico. Esses produtos atacam o verniz protetor e a resina epóxi que mantém a fibra de carbono unida. O uso contínuo desses produtos vai deixar a raquete fosca, frágil e propensa a rachaduras.
O álcool, especificamente, resseca o material. Uma raquete ressecada perde a flexibilidade necessária para o efeito de “trampolim” que impulsiona a bola. Você vai sentir a batida mais seca, dura, e vai precisar fazer mais força para a bola andar. Isso altera sua biomecânica e sobrecarrega seu punho. Água é o único solvente que você precisa.
Evite também óleos ou silicones para dar brilho. Isso deixa a superfície escorregadia. No Beach Tennis, precisamos de atrito para gerar o spin (giro) na bola. Se você deixa a face da raquete lisa com produtos oleosos, você perde controle. Mantenha a simplicidade. Água, pano macio e paciência são os melhores amigos da conservação do seu equipamento.
Proteção mecânica e estrutural
A importância vital da fita protetora
A cabeça da raquete é a zona de guerra. É ela que raspa na areia quando você vai buscar aquela bola curta. Sem proteção, o carbono ou a fibra de vidro ficam expostos diretamente à abrasão. Uma vez que as fibras são expostas e começam a desfiar, a integridade estrutural da raquete está comprometida. A fita protetora não é opcional, ela é obrigatória para quem quer durabilidade.
Você deve aplicar uma fita de boa qualidade que cubra toda a borda superior. Existem fitas transparentes, coloridas, mais grossas ou mais finas. O importante é que ela absorva o impacto dos arranhões. Verifique essa fita periodicamente. Se ela estiver muito ralada ou começando a descolar, troque imediatamente. Não espere chegar no material da raquete.
Alguns jogadores evitam a fita achando que ela altera o peso da raquete. Sim, ela adiciona alguns gramas na cabeça, o que altera levemente o balanço. Porém, como fisioterapeuta, prefiro que você se adapte a esses poucos gramas extras do que jogue com uma raquete que pode quebrar no meio do ponto e gerar uma vibração nociva para o seu braço. A proteção supera qualquer desvantagem de peso.
O mito de bater a raquete para tirar areia
Esse é um vício que vem do tênis de campo e que precisamos eliminar no Beach Tennis. Bater a raquete no pé, na mão, ou pior, na rede ou no poste para tirar a areia acumulada é um crime contra o equipamento. As raquetes de Beach Tennis não têm cordas; elas são blocos sólidos. O impacto seco, mesmo que leve, gera ondas de choque que a raquete não foi projetada para suportar nessas direções.
Essas batidinhas constantes criam microfissuras internas. Você pode não ver nada por fora, mas por dentro, o EVA pode estar se descolando da face. Um dia, em um smash forte, a raquete simplesmente racha ou faz um som de “oco”. Além disso, bater a raquete na própria perna ou pé pode causar lesões por contusão em você mesmo.
Para tirar a areia, use a mão. Passe a mão na superfície da raquete suavemente. Crie o hábito de limpar a raquete com a mão entre os pontos. É um momento de foco, de respiração. Não use a raquete como martelo ou sacudidor. Trate-a com gentileza e ela devolverá essa gentileza em forma de potência e precisão nos seus golpes.
Armazenamento e transporte seguro
O transporte da raquete exige cuidado. Jogar a raquete solta no porta-malas junto com cadeiras de praia, cooler e outras tralhas é pedir para ter problemas. Qualquer pressão forte sobre a face da raquete durante o transporte pode causar empenamento ou quebra. Use sempre uma capa, de preferência acolchoada, que proteja contra impactos acidentais.
Cuidado com a pressão de outros objetos. Se você viaja de avião ou ônibus, leve a raquete na mão ou em uma mala rígida específica. A pressão das malas no compartimento de carga pode esmagar a espuma da raquete. Lembre-se que o carbono é muito resistente à tração, mas péssimo contra impactos pontuais e esmagamento.
Ao chegar em casa, tenha um local específico para ela. Não a deixe encostada na parede de qualquer jeito, onde ela pode escorregar e cair no chão. Guarde na horizontal ou pendurada pela capa em um local seguro. Evite locais onde crianças ou animais possam derrubá-la. Um tombo bobo de quina no chão de cerâmica pode ser fatal para a estrutura da raquete.
O Overgrip como ferramenta de saúde e conservação
A barreira contra o suor e a madeira do cabo
O cabo da raquete original vem com um cushion grip direto na estrutura. Você deve sempre usar um overgrip por cima. A função principal do overgrip na conservação é proteger o material do cabo contra o suor excessivo. O nosso suor é ácido e cheio de sais minerais que apodrecem a madeira ou o material sintético do cabo original se houver contato direto e constante.
Sem o overgrip, o suor penetra na estrutura do cabo, podendo causar mau cheiro, proliferação de fungos e até o enfraquecimento da base da raquete. O overgrip age como uma barreira descartável. Ele absorve a maior parte da umidade e evita que ela chegue ao núcleo do cabo. É uma questão de higiene básica que protege o material.
Trocar o overgrip regularmente garante que essa barreira esteja sempre funcional. Um overgrip encharcado e velho já não absorve mais nada; pelo contrário, mantém a umidade em contato com o cabo. Mantenha essa barreira sempre nova e seca para garantir a integridade da parte onde você segura sua ferramenta de jogo.
Aderência e a prevenção de tensão muscular
Aqui entramos na minha área favorita: a prevenção de lesões. Um overgrip velho e liso obriga você a fazer muito mais força para segurar a raquete. Quando a raquete escorrega, seu cérebro automaticamente manda um comando para os músculos do antebraço apertarem mais a mão. Essa contração isométrica excessiva e constante é a receita perfeita para a epicondilite (dor no cotovelo).
Manter o overgrip novo e aderente permite que você segure a raquete com a tensão mínima necessária. Você consegue relaxar a mão entre os golpes. Isso conserva sua energia e poupa seus tendões. A conservação da raquete, neste caso, é sinônimo de conservação dos seus flexores e extensores de punho.
Além disso, um grip escorregadio faz a raquete girar na mão durante o impacto. Isso gera uma força de torção no punho que pode lesionar ligamentos importantes. Conservar a aderência do cabo é fundamental para a estabilidade mecânica do golpe. Não economize nisso; é muito mais barato que sessões de fisioterapia.
Frequência ideal de troca e sinais de desgaste
Não existe uma regra fixa de tempo, pois depende de quanto você sua e da frequência de jogo. No entanto, você deve observar os sinais visuais e táteis. Se o overgrip começou a esfarelar, soltar pedacinhos na sua mão, já passou da hora de trocar. Se ele mudou de cor drasticamente (ficou escuro e encardido), também é hora de substituir.
O teste do tato é o melhor. Se você sente que a raquete está girando ou que precisa apertar mais forte, troque. Para jogadores frequentes (3 a 4 vezes na semana), recomendo trocar a cada duas semanas, ou até menos no verão intenso. Jogadores eventuais podem trocar uma vez por mês.
Lembre-se de remover o plástico protetor do overgrip novo antes de colocar (parece óbvio, mas acontece muito). E ao retirar o velho, verifique se não ficou resto de cola no cabo original. Limpe o cabo com um pano levemente úmido antes de aplicar o novo. Esse cuidado mantém a base do cabo sempre limpa e lisa para receber a nova fita.
A temperatura e a química da raquete
O comportamento do EVA no calor extremo
O material que preenche sua raquete, o EVA (Ethylene Vinyl Acetate), é um polímero sensível à temperatura. Imagine ele como uma espuma de memória. Quando exposto a calor intenso, as moléculas se expandem e o material fica mais mole. Se você joga com a raquete superaquecida, ela vai se comportar de maneira diferente: a bola sai mais, mas você perde controle e a estrutura interna sofre mais estresse.
O problema maior não é jogar no calor, mas armazenar no calor. O interior de um carro sob o sol pode chegar a 60°C ou mais. Essa temperatura é suficiente para deformar permanentemente o EVA ou amolecer as colas que seguram as faces de carbono. A raquete pode “delaminar”, ou seja, descolar a face do miolo. Isso é dano irreversível.
Sempre leve a raquete com você. Não a deixe no porta-malas enquanto vai almoçar depois do jogo. Se estiver na praia e não estiver jogando, mantenha a raquete na sombra, de preferência dentro de uma capa térmica. O sol direto na face preta de carbono aquece o material em minutos, cozinhando o EVA por dentro.
Choque térmico e microfissuras
Materiais diferentes dilatam e contraem em taxas diferentes. O carbono e o EVA têm coeficientes de dilatação térmica distintos. Quando você tira uma raquete muito quente e entra em um ambiente com ar-condicionado gelado, ou joga água gelada nela, ocorre um choque térmico. Essa mudança brusca de temperatura gera tensão interna entre os materiais.
Essa tensão pode criar microfissuras na junção entre a espuma e a capa externa. Com o tempo, essas fissuras crescem e viram rachaduras visíveis. Evite mudanças bruscas de temperatura. Deixe a raquete esfriar naturalmente na sombra antes de colocá-la no ar-condicionado do carro ou de casa.
No inverno, o processo inverso acontece. A raquete fica mais dura e rígida. O EVA contrai e perde elasticidade. Bater forte com uma raquete “congelada” aumenta a chance de quebra, pois o material está menos apto a absorver a energia do impacto. Aqueça a raquete (e o corpo) gradualmente antes de começar a soltar o braço com força total.
A umidade e o peso do equipamento
A umidade é traiçoeira. Se a sua raquete tem furos (o que todas têm), a umidade do ar entra em contato direto com o núcleo de EVA. O EVA pode absorver água com o tempo, especialmente se for de qualidade inferior ou se a vedação dos furos estiver gasta. Água pesa. Uma raquete que absorveu umidade fica mais pesada, alterando o balanço.
Alguns gramas a mais na cabeça da raquete aumentam o torque no seu ombro. Isso pode ser o suficiente para desencadear uma dor no manguito rotador após um longo torneio. Além disso, a umidade interna pode mofar o EVA, degradando suas propriedades elásticas.
Guarde sua raquete em local seco. Evite armários úmidos ou deixar a raqueteira no chão da lavanderia. Use sachês de sílica gel dentro da capa da raquete para ajudar a absorver a umidade residual, especialmente se você mora em cidades litorâneas muito úmidas.
Biomecânica do golpe e integridade do equipamento
Vibração e fadiga do material
Toda vez que a bola bate na raquete, ocorre uma vibração. Essa vibração percorre a estrutura da raquete e chega ao seu braço. Raquetes de carbono são mais rígidas e vibram numa frequência mais alta; raquetes de fibra de vidro são mais flexíveis. Com o tempo e o uso contínuo, as fibras sofrem fadiga. Elas perdem a capacidade de retornar à posição original com a mesma eficiência.
Essa fadiga do material é acelerada se você tem uma técnica de golpe “dura”. Jogadores que seguram o cabo com força excessiva no momento do impacto não permitem que a raquete dissipe a energia, forçando a estrutura. Aprender a relaxar o punho e usar o movimento do corpo ajuda a preservar a raquete, pois a energia flui, em vez de colidir contra um bloqueio rígido.
Uma raquete com fadiga avançada parece “morta”. Você bate e a bola não anda. Isso obriga você a fazer mais força, gerando um ciclo vicioso de desgaste do material e do seu corpo. Identificar quando a raquete perdeu suas propriedades é essencial para saber a hora de trocar.
O ponto doce e a distribuição de força
Toda raquete tem um sweet spot (ponto doce), onde a batida é mais limpa e eficiente. Acertar a bola fora desse ponto, especialmente nas bordas, gera uma torção na estrutura da raquete. Essa torção estressa as laterais e o coração da raquete. Golpes descentralizados frequentes são uma das maiores causas de rachaduras precoces.
Trabalhar a sua técnica para acertar o meio da raquete não é apenas bom para o seu jogo, é vital para a conservação do equipamento. Quando você acerta o centro, a força é distribuída uniformemente pelo EVA e pelas fibras. Quando acerta a borda, você cria alavancas de tensão que o material não foi feito para suportar repetidamente.
Se você está começando, prefira raquetes com um ponto doce mais amplo (geralmente formatos mais arredondados ou com distribuição de furos específica). Isso perdoa mais os erros e evita que você quebre a raquete (e force o braço) enquanto aprimora sua coordenação motora fina.
A técnica correta de defesa baixa
Um dos momentos mais críticos para a raquete é a defesa de bolas baixas, onde a raquete precisa chegar muito perto da areia. A técnica correta envolve flexionar os joelhos e abaixar o centro de gravidade, levando a raquete paralela ao chão. Muitos jogadores dobram as costas e “cavam” a areia com a cabeça da raquete na vertical.
Esse movimento de cavar é terrível para a raquete. Você raspa a cabeça com força contra grãos abrasivos e pedras escondidas na areia. Além de destruir a proteção e o carbono, o impacto desacelerado bruscamente pela areia gera uma carga enorme no seu punho e cotovelo.
Aprenda a chegar na bola com as pernas. Se a bola estiver impossível, deixe o ponto ir. Não vale a pena arriscar quebrar sua raquete de mil reais ou lesionar seu punho por um ponto em um jogo amistoso. A conservação do equipamento passa diretamente pela sua consciência corporal e técnica de jogo.
Desgaste do equipamento e lesões associadas
Relação entre raquete “morta” e epicondilite
A epicondilite lateral, ou “cotovelo de tenista”, é clássica no Beach Tennis. E a raquete tem culpa nisso. Quando a raquete envelhece, o EVA perde a resiliência (capacidade de retorno). Em vez de a raquete ajudar a impulsionar a bola, ela age como um pedaço de madeira morta. Toda a energia do impacto da bola, que deveria ser absorvida e devolvida pelo EVA, passa direto para o seu braço.
Você começa a sentir que precisa empurrar a bola com o braço, em vez de apenas direcionar o golpe. Esse esforço extra sobrecarrega os tendões extensores do punho, que se inserem no epicôndilo lateral. Se você sente que seu cotovelo está reclamando, verifique a idade da sua raquete. Às vezes, o tratamento é trocar de equipamento, não apenas remédio e gelo.
Não insista em jogar com raquetes visivelmente rachadas ou que fazem barulhos estranhos. A vibração caótica de uma estrutura quebrada é veneno para suas articulações. A economia de não comprar uma raquete nova pode custar caro em tratamentos médicos.
Desbalanceamento por reparos caseiros
Tentar colar uma raquete quebrada com superbonder ou resinas caseiras é perigoso. Você altera o peso e o balanço da raquete. Se você adiciona 5 ou 10 gramas de cola em um lado da cabeça para fechar uma rachadura, você desbalanceou o equipamento. Durante o swing (movimento), essa assimetria vai forçar sua musculatura a compensar para manter a trajetória reta.
Essa compensação acontece em milissegundos e de forma inconsciente, mas repetida centenas de vezes num jogo, gera microlesões musculares. O ombro é a principal vítima de raquetes desbalanceadas. Se a raquete quebrou, aceite. O reparo profissional até existe e é feito com carbono, mas deve ser realizado por especialistas que reequilibram o peso depois. Gambiarra caseira é proibida para a saúde do seu ombro.
O mesmo vale para excesso de protetores ou lead tape (fita de chumbo) sem orientação. Alterar as especificações de fábrica sem entender de física e biomecânica pode transformar uma raquete amigável em uma alavanca lesiva.
A superfície lisa e o esforço excessivo de punho
Com o tempo, o tratamento áspero da raquete (que dá o efeito) se desgasta e a face fica lisa. Para conseguir o mesmo efeito de topspin ou slice com uma raquete lisa, você instintivamente tenta “chicoteadar” mais o punho, fazendo movimentos bruscos e forçados de rotação.
Esse excesso de uso do punho para compensar a falta de atrito da raquete leva a tenossinovites e dores no carpo. O tratamento da raquete não é só para a bola cair na quadra adversária; ele serve para você conseguir gerar efeito com menor esforço biomecânico.
Se a sua raquete ficou lisa, existem profissionais que refazem o tratamento com areia ou quartzo. Vale a pena refazer. Você renova a capacidade de spin da raquete e poupa seu punho de movimentos exagerados e antinaturais.
Terapias aplicadas e indicadas
Se você negligenciou esses cuidados e já está sentindo as consequências no corpo, precisamos agir. Na fisioterapia esportiva, focamos muito na reabilitação do membro superior para jogadores de Beach Tennis. A primeira abordagem geralmente envolve a Liberação Miofascial. Soltamos a musculatura do antebraço, bíceps e peitoral, que costumam ficar muito tensos para compensar equipamentos ruins ou técnica errada. Isso alivia a tração nos tendões e melhora a circulação.
Outra técnica excelente é o Dry Needling (Agulhamento a Seco). Usamos agulhas finas para desativar pontos-gatilho (nós musculares) profundos que a mão não alcança. É fantástico para dores crônicas no ombro e no cotovelo, ajudando a “resetar” o músculo fadigado. Associamos isso a exercícios de fortalecimento excêntrico, que preparam o tendão para suportar a carga de desaceleração do golpe, tornando seu braço mais resistente às vibrações da raquete.
Por fim, não podemos esquecer da Osteopatia ou Terapia Manual, ajustando a mobilidade do punho, cotovelo e ombro, garantindo que toda a cadeia cinética esteja livre. Mas lembre-se: a melhor terapia é a prevenção. Cuide da sua raquete com o carinho que descrevi acima e seu corpo agradecerá, permitindo que você jogue em alto nível por muitos anos. Se a dor persistir, procure um fisioterapeuta especializado para uma avaliação funcional completa. Bom jogo!

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”