7 Dicas de Fisioterapia para Evitar Lesões de Panturrilha na Maratona

7 Dicas de Fisioterapia para Evitar Lesões de Panturrilha na Maratona

Você decidiu encarar o desafio dos 42km. Parabéns pela coragem! A maratona é uma jornada transformadora, mas exige respeito ao corpo. E se tem uma estrutura que sofre — e reclama — nessa jornada, é a panturrilha.[1][2][3][4] Chamamos essa musculatura de “segundo coração” por um motivo nobre: ela bombeia o sangue de volta para cima. Mas na corrida, ela é o motor principal da sua propulsão e o amortecedor do seu impacto.

Muitos corredores me procuram no consultório com aquela famosa “pedrada” ou com uma tensão crônica que impede a evolução nos treinos longos. A boa notícia é que a maioria dessas lesões é totalmente previsível e evitável. Não é azar, é biomecânica e planejamento.

Se você quer cruzar a linha de chegada sorrindo e não mancando, precisa encarar suas panturrilhas como o ativo mais valioso da sua corrida. Vamos mergulhar em sete estratégias práticas, testadas na clínica e no asfalto, para blindar suas pernas.

1. Fortalecimento Exêntrico: O Segredo da Resistência

A maioria dos corredores faz o básico: sobe e desce na ponta do pé. Isso é bom, mas não é suficiente para uma maratona. Durante a corrida, o momento mais crítico para a panturrilha não é quando você empurra o chão, mas quando você aterrissa. O músculo precisa frear o impacto do corpo enquanto se alonga. Isso é o que chamamos de contração excêntrica.[5] Se você não treina essa fase específica, suas fibras musculares sofrem microtraumas que, acumulados ao longo de quilômetros, viram uma lesão.

Você precisa incorporar exercícios onde a descida do calcanhar seja lenta e controlada. Imagine estar em um degrau: suba com os dois pés, tire um do apoio e desça apenas com o pé que está sendo trabalhado, contando até quatro segundos na descida. Essa lentidão ensina as fibras de colágeno do seu tendão e as fibras musculares a suportarem tensão sob alongamento. É exatamente isso que acontece a cada passada na maratona quando seu pé toca o solo.

Além disso, a força excêntrica melhora a rigidez do tendão de Aquiles, o que é ótimo. Um tendão mais “elástico” (no sentido de armazenar energia) funciona como uma mola, devolvendo energia grátis para sua corrida. Sem esse fortalecimento específico, o músculo trabalha dobrado para estabilizar o tornozelo, fadigando muito antes da linha de chegada. Comece devagar, pois esse treino deixa a perna dolorida, mas o resultado na proteção contra distensões é incomparável.

2. Diferencie o Treino de Sóleo e Gastrocnêmio

Aqui está um erro clássico que vejo na avaliação fisioterapêutica: o corredor tem uma panturrilha visualmente definida, mas funcionalmente desequilibrada. A panturrilha é formada principalmente pelo gastrocnêmio (aquela “batata” mais externa e visível) e pelo sóleo (que fica por baixo).[6] O gastrocnêmio cruza o joelho e o tornozelo; o sóleo, apenas o tornozelo.[3] Por que isso importa? Porque a posição do seu joelho durante o exercício muda completamente qual músculo está trabalhando.

Quando você faz exercícios de elevação de calcanhar com o joelho esticado, você foca no gastrocnêmio. É importante, claro, pois ele é um músculo de explosão e velocidade. Porém, na maratona, o sóleo é o verdadeiro herói silencioso. Ele é composto majoritariamente por fibras de resistência e trabalha incessantemente para estabilizar sua tíbia durante a fase de apoio. Muitos casos de canelite e dores profundas na panturrilha vêm de um sóleo fraco.

Para atingir o sóleo, você precisa fazer o exercício de panturrilha com o joelho flexionado (dobrado), como na cadeira “sóleo” da academia ou sentado com um peso sobre os joelhos em casa. Negligenciar o sóleo é pedir para ter fadiga precoce nos longões. Garanta que sua rotina de fortalecimento contemple essas duas variações: joelho esticado para o gastrocnêmio e joelho dobrado para o sóleo. O equilíbrio entre eles é o que mantém a perna estável por horas.

3. Mobilidade de Tornozelo: Destravando o Movimento

Você pode ter a panturrilha mais forte do mundo, mas se o seu tornozelo for rígido, você terá problemas. A dorsiflexão é o movimento de trazer a ponta do pé em direção à canela. Na corrida, você precisa de um grau mínimo dessa amplitude para que o corpo passe sobre o pé apoiado no chão de forma eficiente. Se o tornozelo é “travado”, o corpo busca compensação. E adivinha quem paga a conta? A fáscia plantar e a própria panturrilha, que fica sob tensão excessiva.[3][7][8]

Um tornozelo rígido força você a tirar o calcanhar do chão muito cedo na passada, aumentando o tempo de contração da panturrilha. É como se você estivesse correndo na ponta dos pés o tempo todo, mesmo sem querer. Isso gera uma sobrecarga brutal. Teste sua mobilidade: encoste o joelho na parede sem tirar o calcanhar do chão, afastando o pé da parede. Se não conseguir uma distância mínima de 10cm, precisamos trabalhar isso urgente.

Exercícios de mobilidade devem ser diários, não apenas antes do treino. Use elásticos para tração articular ou faça movimentos de afundo focando em levar o joelho à frente sem tirar o calcanhar do solo. Liberar a articulação do tornozelo permite que a panturrilha trabalhe na sua amplitude ideal, sem ficar “estrangulada” por uma articulação que não cede. Uma passada fluida começa com um tornozelo móvel.

4. A Importância do “Drop” do Tênis

A escolha do tênis vai muito além da estética ou da marca da moda. Para quem sofre com panturrilhas, o “drop” — a diferença de altura entre o calcanhar e a ponta do pé — é um fator crítico. Tênis com drop baixo (zero a 4mm) tendem a estimular uma pisada mais natural, muitas vezes com o médio-pé ou antepé. Isso é ótimo para performance, mas exige muito mais alongamento e força da cadeia posterior, especialmente das panturrilhas e do tendão de Aquiles.

Se você não está acostumado e troca bruscamente para um tênis de drop baixo, a tensão na sua panturrilha vai disparar. Para a maratona, o ideal é que você use um calçado com o qual sua musculatura já esteja adaptada. Se você tem histórico de encurtamento ou lesões recorrentes nessa região, um tênis com drop um pouco mais alto (8mm a 10mm) pode aliviar a tensão mecânica no tendão de Aquiles, funcionando como um pequeno “salto” que deixa a musculatura em uma posição mais relaxada.

Não mude de time em véspera de campeonato. Se quiser experimentar um tênis mais baixo ou minimalista, faça isso no início do ciclo de treinamentos, nas rodagens curtas. Deixe o longo e a prova para o calçado que protege sua anatomia. O tênis deve ser uma ferramenta que joga a seu favor, compensando suas limitações momentâneas enquanto você trabalha para corrigi-las na fisioterapia.[9]

5. Cadência e Biomecânica da Pisada

A forma como você corre dita a carga que suas pernas recebem. Um erro muito comum é a “overstriding”, que é quando o corredor dá passadas muito largas e aterra com o pé muito à frente do centro de gravidade do corpo. Isso atua como um freio a cada passo. Para vencer esse freio e continuar correndo, sua panturrilha tem que fazer uma força descomunal para empurrar o chão novamente. Multiplique isso por 42 mil passos e você entenderá a fadiga.

Ajustar a cadência (número de passos por minuto) é uma das correções mais eficientes e baratas que existem. Tente aumentar sua cadência para algo em torno de 170 a 180 passos por minuto. Passos mais curtos e rápidos fazem com que você aterrisse com o pé mais próximo debaixo do quadril. Isso reduz a força de frenagem e diminui a carga vertical absorvida pela musculatura da perna.

Não tente mudar sua pisada conscientemente de “calcanhar” para “ponta de pé” de uma hora para outra. Isso geralmente causa mais lesões do que previne, pois sobrecarrega absurdamente a panturrilha de quem não está adaptado. Focar na cadência e em “cair macio” costuma ajustar a pisada de forma natural e segura. Uma corrida eficiente é silenciosa; se você está fazendo muito barulho ao bater o pé no chão, sua panturrilha está sofrendo.

6. Hidratação e Eletrólitos: A Química Muscular

Você pode treinar perfeitamente, mas se a química do músculo falhar, a cãibra vem. E a cãibra na panturrilha durante uma maratona pode ser o fim da prova ou o início de um calvário até a chegada. A contração muscular depende de um equilíbrio fino entre sódio, potássio, cálcio e magnésio. Quando suamos muito por horas a fio, perdemos esses eletrólitos. Se houver desequilíbrio, o músculo perde a capacidade de relaxar e trava.

Muitos corredores bebem apenas água, o que em excesso pode diluir ainda mais o sódio no sangue (hiponatremia), piorando o risco de cãibras. É vital planejar sua estratégia de hidratação com repositores eletrolíticos, especialmente se a prova for em clima quente ou se você for um “suador pesado”. O músculo desidratado fica menos elástico e mais propenso a estiramentos e rasgos fibrilares.

Além disso, a nutrição prévia importa.[1] Garanta que seus níveis de magnésio e potássio estejam adequados na dieta do dia a dia, não só no dia da prova. A fisiologia da contração muscular não aceita desaforo. Se faltar “combustível químico”, a parte mecânica falha, independentemente da sua força de vontade. Trate a hidratação como parte do seu equipamento de proteção individual.

7. Recovery Ativo e Liberação Miofascial

O treino não acaba quando você para o relógio. O que você faz nas horas seguintes dita como sua panturrilha estará amanhã. O acúmulo de tensão na fáscia (o tecido que envolve o músculo) cria pontos de gatilho que encurtam a fibra muscular. Um músculo encurtado e tenso é um músculo fraco e vulnerável. A liberação miofascial, seja com rolo, stick ou massagem, ajuda a manter o tecido maleável e irrigado.

Não espere a dor aparecer para usar o rolinho. Faça disso um hábito, como escovar os dentes. Passe o rolo na panturrilha e também na sola do pé (com uma bolinha de tênis ou lacrosse), pois a fáscia plantar se conecta diretamente com a fáscia da panturrilha. Soltar a sola do pé muitas vezes alivia a tensão lá em cima, na batata da perna. É tudo interligado.

Nos dias de descanso, considere atividades de baixo impacto como natação ou bicicleta leve. Isso promove um fluxo sanguíneo que “lava” os metabólitos do treino intenso sem gerar novo impacto. Ficar totalmente parado no sofá o dia todo após um longão pode deixar suas pernas mais rígidas. O movimento suave é o melhor lubrificante para suas fibras musculares em recuperação.


Aprofundando a Avaliação: O Olhar Clínico

Para irmos além do básico, precisamos entender que a dor na panturrilha raramente é culpa apenas da panturrilha. O corpo funciona em cadeias cinéticas e, muitas vezes, a “vítima” grita, mas o “criminoso” está escondido em outro lugar. Vamos analisar isso em detalhes.

Avaliação Biomecânica Funcional[10]

Uma avaliação fisioterapêutica completa para corredores não olha apenas para o local da dor.[2] Precisamos filmar você correndo. Hoje, com a tecnologia de slow-motion dos celulares, conseguimos ver desvios sutis. Analisamos o “chicote” do pé: se o seu pé roda muito para dentro (pronação excessiva) ou para fora (supinação) na fase de apoio, os músculos da perna precisam trabalhar dobrado para evitar que você caia. Essa torção repetitiva gera um cisalhamento nas fibras musculares da panturrilha.

Além da filmagem, realizamos testes funcionais como o Single Leg Squat (agachamento unipodal). Se, ao agachar com uma perna só, seu joelho desaba para dentro (valgo dinâmico), isso indica fraqueza de glúteo médio. O que isso tem a ver com a panturrilha? Tudo. Se o glúteo não estabiliza a pelve e o fêmur, a perna inteira roda internamente, e a panturrilha e o arco plantar têm que segurar essa instabilidade lá embaixo. Fortalecer o quadril muitas vezes cura a dor na panturrilha.

Também avaliamos a simetria de força. Usamos dinamômetros ou testes de repetição máxima para ver se sua perna direita tem a mesma força da esquerda. Diferenças acima de 10% a 15% são um sinal de alerta vermelho. Numa maratona, essa assimetria fará com que o lado mais forte trabalhe por dois, sobrecarregando-se, ou que o lado fraco falhe primeiro. Identificar e corrigir esses desequilíbrios antes da prova é crucial.[1][2]

O Papel do Quadril e Glúteos na Sobrecarga

Parece contraintuitivo, mas a panturrilha é, muitas vezes, escrava de um glúteo preguiçoso. A propulsão na corrida deve vir primariamente da extensão do quadril (glúteo máximo). Se o seu glúteo não “acorda” ou é fraco, o corpo busca ajuda. A panturrilha, que deveria apenas finalizar o movimento e estabilizar, acaba tendo que gerar mais força propulsiva do que foi desenhada para fazer.[5]

Chamamos isso de dominância sinérgica indevida. O músculo menor e mais distal (panturrilha) tenta fazer o trabalho do músculo maior e mais proximal (glúteo). O resultado é fadiga prematura, cãibras e lesões por overuse. Na fisioterapia, focamos em “reprogramar” o seu cérebro para usar o quadril. Exercícios de ponte, hip thrust e extensões de quadril são fundamentais.

Você deve sentir o glúteo queimar nos treinos de tiro e subida. Se só sente a panturrilha, sua mecânica está ineficiente. Corrigir a ativação do glúteo não só salva sua panturrilha, como melhora seu pace. É biomecânica pura: músculos maiores geram mais força com menos custo energético metabólico comparativo. Use os motores grandes do seu corpo.

Testes de Rigidez e Elasticidade[1]

Não basta ter força, é preciso ter a rigidez certa no tendão. Parece estranho falar em rigidez como algo bom, mas para o tendão de Aquiles, é vital. Um tendão muito complacente (muito mole) não armazena energia elástica de forma eficiente. Um tendão com a rigidez ideal age como uma mola potente. Avaliamos isso através de testes de saltos (pliometria), como o Drop Jump.

Se você tem muito tempo de contato com o solo durante o salto, isso sugere que você está “amortecendo” demais e aproveitando pouco a energia elástica. Isso custa caro para a musculatura, que precisa contrair mais para te tirar do chão. Treinos de pliometria (saltitos, pular corda, saltos em caixotes) ajudam a calibrar essa mola.

Porém, cuidado: a pliometria é a cereja do bolo. Só deve ser introduzida quando você já tem uma base boa de força e nenhuma dor aguda. Quando bem aplicada, ela aumenta a tolerância do complexo músculo-tendíneo às cargas de impacto da maratona, tornando sua panturrilha à prova de balas.


Estratégias Avançadas de Recovery

Se você treina como um atleta, precisa se recuperar como um. O descanso passivo (apenas dormir e comer) às vezes não dá conta do volume de uma preparação para 42km. Vamos falar de tecnologias e técnicas que aceleram esse processo, ajudando você a estar pronto para o próximo treino com as pernas frescas.

Compressão Pneumática e Meias de Compressão

Você já deve ter visto aquelas “botas de astronauta” em clínicas ou pós-provas. A compressão pneumática intermitente funciona inflando e desinflando câmaras de ar ao redor da perna, criando uma onda de pressão que empurra o fluido dos pés em direção ao coração. Isso é fantástico para drenar edema (inchaço), remover lactato e outros subprodutos metabólicos acumulados após um longão. É uma “super massagem” vascular.

Se você não tem acesso às botas, as meias de compressão graduada são grandes aliadas. O segredo é usá-las após o treino (para recuperação) ou durante (para conforto e redução da vibração muscular). A vibração que o músculo sofre ao bater no chão gera microdanos; a meia segura o músculo, reduzindo essa oscilação. Isso poupa energia e diminui a sensação de pernas pesadas no final da corrida.

O uso durante viagens também é essencial. Se você vai viajar de avião ou carro para fazer sua maratona em outra cidade, use as meias no trajeto. Ficar sentado por horas prejudica o retorno venoso, e você não quer chegar na cidade da prova com as pernas inchadas. A compressão ajuda a manter as pernas leves e prontas para a largada.

Crioterapia vs. Termoterapia: O Duelo Térmico

A dúvida eterna: gelo ou calor? Para prevenção e recuperação imediata pós-treino intenso, a imersão em gelo (banheira com água e gelo) por 10 a 15 minutos é o padrão ouro para muitos atletas. O frio faz vasoconstrição (fecha os vasos), diminuindo o processo inflamatório agudo e a dor muscular tardia. É ótimo logo após aquele treino mais brutal da semana.

Já o calor tem seu lugar no pré-treino ou nos dias de recuperação leve, se o objetivo for relaxar a musculatura tensa. O calor faz vasodilatação, trazendo mais sangue, oxigênio e nutrientes para o tecido, além de deixar a fáscia mais maleável. Se você sente a panturrilha rígida cronicamente (mas sem dor aguda de lesão), calor e massagem antes de alongar podem ajudar muito.

Cuidado com o gelo excessivo. Inflamação é parte do processo de adaptação do corpo para ficar mais forte. Se tomamos anti-inflamatórios ou usamos gelo o tempo todo, podemos “desligar” o sinal que o corpo precisa para se regenerar e ficar mais forte. Use o gelo estrategicamente quando a dor ou o cansaço forem excessivos, não como regra absoluta diária sem critério.

Sleep Hygiene: O Sono como Anabolizante Natural

Nenhuma técnica de fisioterapia, bota de compressão ou suplemento supera uma boa noite de sono. É durante o sono profundo que o hormônio do crescimento (GH) é liberado, reparando as microlesões que você causou na panturrilha durante o treino. Se você dorme mal, a reparação é incompleta. O acúmulo de “reparos mal feitos” leva à lesão crônica.

Higiene do sono envolve criar um ambiente propício: quarto escuro, frio e silencioso. Evite telas de celular uma hora antes de dormir. A luz azul inibe a melatonina, hormônio essencial para o início do sono. Para o maratonista, dormir 7 a 9 horas não é luxo, é parte da planilha de treino. Se você corta horas de sono para treinar mais, está jogando contra sua fisiologia.

Considere cochilos estratégicos de 20 a 30 minutos (“power naps”) se sua rotina permitir. Isso ajuda a baixar os níveis de cortisol (hormônio do estresse), que em excesso é catabólico (destrói músculo). Priorizar o sono é a forma mais barata e eficiente de garantir que suas panturrilhas aguentem o ciclo de treinamento até o dia da prova.


Terapias e Condutas Clínicas Indicadas

Se, apesar de toda a prevenção, você sentir desconforto, saiba que a fisioterapia moderna tem um arsenal poderoso para tratar lesões de panturrilha e acelerar o retorno ao esporte.[2] Não é mais apenas “choquinho e gelo”. Trabalhamos com fisioterapia baseada em evidências para regeneração tecidual.

Laser de Baixa/Alta Potência e a Fotobiomodulação são excelentes para acelerar a cicatrização de estiramentos musculares e reduzir a inflamação no tendão de Aquiles, agindo a nível celular (mitocondrial) para aumentar a produção de energia (ATP) necessária para o reparo.

Eletroterapia (TENS/FES) pode ser usada tanto para analgesia (alívio da dor) quanto para reeducação muscular, ajudando a ativar fibras que podem estar inibidas pela dor.

Técnicas manuais como a Liberação Miofascial Instrumental (IASTM – raspadores) e o Dry Needling (Agulhamento a Seco) são muito eficazes para desativar pontos de tensão (trigger points) profundos no sóleo e gastrocnêmio que o alongamento sozinho não alcança. Essas técnicas melhoram a perfusão sanguínea local e restauram a elasticidade do tecido.

Por fim, a Bandagem Funcional (Taping) pode ser aplicada para dar suporte mecânico e feedback sensorial durante os treinos de retorno, ajudando a drenar edema ou a reduzir a carga sobre o músculo lesionado enquanto ele termina de cicatrizar.

Lembre-se: sentir dor não é normal.[4] O desconforto do esforço passa em minutos; a dor da lesão persiste. Ouça seu corpo, procure um fisioterapeuta especializado em corrida aos primeiros sinais e trate suas panturrilhas com o carinho que elas merecem. Elas são as asas que te levarão até a linha de chegada da sua maratona. Boa prova!

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