Decidir entre uma barra de porta e uma barra fixa de parede vai muito além de comparar preços ou estética. Estamos falando sobre a ferramenta que vai sustentar todo o seu peso corporal e impactar diretamente a saúde dos seus ombros, coluna e cotovelos. Como fisioterapeuta, vejo muitos pacientes chegarem ao consultório com dores que poderiam ter sido evitadas com a escolha correta do equipamento e a execução adequada do movimento. Vamos analisar cada opção sob a ótica da biomecânica, segurança e funcionalidade para que você faça a escolha certa para o seu corpo e sua casa.
A barra fixa é um dos equipamentos mais completos e honestos que existem, pois ela não permite que você trapaceie facilmente. Ela expõe suas fraquezas e constrói uma força real e funcional. No entanto, a base onde você executa esse movimento dita a qualidade do seu treino. Se você está inseguro com o equipamento, seu sistema nervoso central limita a produção de força como mecanismo de proteção. Por isso, entender as diferenças estruturais entre os modelos de porta e de parede é o primeiro passo para um treino eficiente e livre de lesões.
Nesta análise, não vamos apenas olhar para parafusos e batentes. Vamos mergulhar na fisiologia do exercício e entender como cada barra afeta a sua cadeia cinética. Você vai descobrir que a “melhor” barra depende não apenas do seu imóvel, mas do seu nível de força, histórico de lesões e objetivos terapêuticos ou estéticos. Prepare-se para uma visão técnica, mas totalmente descomplicada, sobre esse acessório essencial.
Entendendo a Barra de Porta (Pressão e Alavanca)
A mecânica da instalação por pressão e alavanca
As barras de porta funcionam, majoritariamente, através de dois mecanismos físicos: a pressão lateral, onde você rosqueia a barra até que ela se expanda contra as laterais do batente, ou o sistema de alavanca, que se apoia na parte superior da guarnição da porta e utiliza o peso do seu corpo para travar o equipamento. Do ponto de vista da engenharia simples, é uma solução brilhante para quem busca praticidade imediata. Você não precisa furar paredes, não faz sujeira e pode remover o equipamento em segundos quando não estiver usando.
No entanto, essa praticidade cobra um preço na estabilidade. A barra de pressão depende inteiramente do atrito e da integridade do batente da sua porta. Se a madeira for velha, oca ou se a pintura for muito lisa, o coeficiente de atrito diminui drasticamente. Isso significa que movimentos bruscos ou balanços podem fazer a barra escorregar. Já o modelo de alavanca é mais seguro nesse aspecto, pois a força vertical do seu peso aumenta o travamento, mas ele exige que a moldura da porta seja robusta o suficiente para aguentar essa compressão sem ceder.
Como fisioterapeuta, minha preocupação aqui é a previsibilidade. Quando você se pendura, precisa ter 100% de certeza de que o apoio é sólido. Nas barras de porta, sempre existe uma pequena margem de insegurança, especialmente em modelos mais baratos. Isso faz com que você, inconscientemente, tensione músculos que não deveriam estar tensos apenas para “segurar” o movimento, prejudicando a técnica correta da puxada e gerando padrões de movimento compensatórios.
Limitações de amplitude e posicionamento do corpo
O espaço físico de uma porta padrão tem entre 60 a 80 centímetros de largura. Isso impõe uma limitação biomecânica severa para a maioria dos adultos: a impossibilidade de realizar uma pegada aberta (wide grip) confortável. Para trabalhar a porção mais lateral do grande dorsal e ter uma ativação diferente da musculatura das costas, muitas vezes precisamos de uma pegada que exceda a largura dos ombros. Na barra de porta, você fica restrito à largura do batente, o que te força a usar quase exclusivamente pegadas supinadas (palmas para você) ou neutras e pronadas fechadas.
Outro ponto crítico é a altura. Portas têm uma altura padrão que, para pessoas com mais de 1,80m, torna-se um problema. Você precisará dobrar muito os joelhos para não tocar o chão, o que altera o seu centro de gravidade e a estabilidade do core. Quando você flexiona os joelhos excessivamente para trás, tende a aumentar a lordose lombar, criando uma hiperextensão que pode gerar desconforto ou dor na região baixa das costas durante a execução do exercício.
Além disso, a estrutura lateral da porta limita o movimento dos seus cotovelos. Se você tentar fazer uma puxada mais aberta, seus cotovelos baterão nos batentes antes de você completar o movimento. Isso impede a amplitude total de movimento (ROM), e na fisioterapia sabemos que força ganha em amplitude parcial nem sempre se traduz em força em amplitude total. Você acaba treinando o músculo de forma encurtada, o que é menos eficiente para a saúde articular a longo prazo.
Riscos ocultos para a estrutura do imóvel e segurança
Precisamos falar abertamente sobre o risco de queda. Embora muitos modelos prometam suportar até 100kg ou mais, essa carga é estática. Quando você faz uma puxada, especialmente se for explosiva, a força dinâmica exercida pode duplicar o peso real que a barra precisa suportar momentaneamente. Se o batente da porta não for de madeira maciça ou se a instalação não estiver perfeita, a barra pode se soltar. Uma queda de costas a partir dessa altura pode resultar em traumas cranianos, lesões na coluna cervical ou fraturas de cóccix.
Também existe o dano ao imóvel. A pressão lateral constante pode afastar os batentes da parede, rachar a pintura ou deformar a madeira. Para quem mora de aluguel, isso pode significar um prejuízo na hora de entregar o imóvel. O modelo de alavanca frequentemente deixa marcas pretas na parede acima da porta ou amassa a guarnição superior.
Do ponto de vista terapêutico, o risco de o equipamento falhar gera uma “cinesiofobia” leve — o medo do movimento. Você evita se soltar completamente na fase excêntrica (descida) do exercício por medo de a barra sair do lugar. Essa falta de controle excêntrico total rouba de você uma das fases mais importantes para o ganho de força e hipertrofia, além de impedir o alongamento completo da musculatura dorsal sob carga.
A Robustez da Barra Fixa de Parede
Estabilidade estrutural e confiança no movimento
A barra fixa de parede, quando instalada corretamente com parafusos e buchas adequadas (ou parabolts), torna-se parte estrutural da sua casa. A sensação de rigidez é incomparável. Não há oscilação, não há rangidos e não há a sensação de que o equipamento vai ceder. Essa estabilidade sólida é fundamental para o seu sistema neuromuscular. Quando o cérebro percebe que a base é inabalável, ele permite um recrutamento maior de unidades motoras, permitindo que você aplique mais força real no movimento.
Essa robustez permite que você realize movimentos que seriam impossíveis ou perigosos em uma barra de porta. Você pode adicionar carga extra com um cinto de lastro, pode fazer movimentos mais explosivos e pode trabalhar com isometrias longas sem preocupação. A segurança psicológica que o equipamento fixo proporciona permite que você foque 100% na sua propriocepção, ou seja, na percepção do seu corpo no espaço e na contração muscular correta.
Para um fisioterapeuta, a barra fixa de parede é a ferramenta ideal para reabilitação e treino de força. Ela permite que controlemos todas as variáveis do exercício sem interferência de instabilidade do equipamento. Você pode confiar seu peso total para realizar descompressões vertebrais ou exercícios de mobilidade de ombro, sabendo que o suporte não falhará.
Liberdade biomecânica e variações de pegada
A grande vantagem da barra de parede é o distanciamento da superfície de apoio. A maioria dos modelos projeta a barra cerca de 40 a 60 centímetros para fora da parede. Esse espaço é vital para a liberdade de movimento da cabeça e do tronco. Você pode realizar o movimento de “kipping” (uso do balanço do quadril) se for um praticante de CrossFit, ou pode fazer exercícios abdominais elevando as pernas sem raspar os joelhos ou os pés na parede ou na porta.
Além disso, muitas barras de parede modernas vêm com múltiplas opções de pegada: pronada, supinada, neutra e pegadas anguladas. Isso é fantástico para a saúde dos seus ombros e punhos. Se você tem um histórico de dor no ombro, uma pegada neutra (palmas viradas uma para a outra) é geralmente muito mais amigável anatomicamente. A barra de parede te dá essa opção com larguras variadas, algo que a barra de porta raramente oferece com qualidade.
A capacidade de variar a largura da pegada também permite alterar o foco muscular. Uma pegada bem aberta enfatiza o latíssimo do dorso e exige mais estabilidade do manguito rotador. Uma pegada fechada recruta mais o bíceps e o peitoral. Ter um equipamento que permite essa versatilidade em casa transforma seus treinos, evitando lesões por esforço repetitivo (LER), já que você não está preso a um único padrão de movimento dia após dia.
O compromisso da instalação definitiva
A principal barreira para a barra de parede é a instalação. Você precisa de uma furadeira de impacto, brocas de vídea de alta qualidade e habilidade manual para garantir que os furos fiquem nivelados e na profundidade correta. É uma alteração permanente no imóvel. Se você decidir mudar a barra de lugar, terá que lidar com furos profundos na parede que precisarão ser tapados e pintados.
Outra questão é a escolha da parede. Você não pode instalar uma barra fixa em qualquer parede. Paredes de drywall (gesso acartonado) ou tijolos ocos de má qualidade podem não suportar a carga de tração e cisalhamento. Idealmente, a instalação deve ser feita em vigas de concreto, colunas ou paredes de tijolo maciço estrutural. Instalar em uma superfície inadequada é receita para desastre, onde a barra pode ser arrancada da parede junto com um pedaço do reboco.
Apesar do trabalho inicial, encaro isso como um investimento na sua saúde. O esforço de instalação dura uma hora, mas os benefícios de ter uma estação de treino profissional em casa duram anos. Se você não tem as ferramentas ou a habilidade, contratar um profissional para fazer a instalação vale cada centavo pela paz de espírito de saber que o equipamento está seguro.
Análise Biomecânica e Cinesiológica
Ativação muscular e a cadeia cinética fechada
A puxada na barra é um exercício de cadeia cinética fechada, o que significa que suas mãos estão fixas e seu corpo se move em relação a elas. Esse tipo de exercício é superior para a integração funcional do corpo. Diferente de uma puxada alta na máquina da academia (cadeia aberta), onde você puxa a barra até você, na barra fixa você precisa estabilizar seu tronco no espaço. Isso recruta absurdamente mais o seu core, glúteos e estabilizadores da coluna.
O grande dorsal é o motor primário, mas o trapézio inferior, romboides e serrátil anterior trabalham intensamente para controlar a escápula. Na fisioterapia, valorizamos muito essa coativação. Se a sua barra (como a de porta) limita seu movimento, você pode acabar usando excessivamente o trapézio superior (a parte perto do pescoço), gerando tensão cervical e dores de cabeça tensionais.
A barra fixa permite que você execute a técnica do “hollow body” (corpo em canoa), onde você mantém as pernas esticadas e o abdômen contraído, criando uma linha de tensão global. Esse posicionamento protege a lombar e aumenta a eficiência da transferência de força. Em barras de porta baixas, onde você precisa dobrar os joelhos, essa posição “hollow” é perdida, e a ativação do core fica comprometida.
O impacto na articulação glenoumeral e escápulas
O ombro é a articulação mais móvel e instável do corpo. Durante uma barra fixa, a cabeça do úmero precisa girar dentro da cavidade glenoide sob carga pesada. Para que isso ocorra sem pinçamento (impacto subacromial), as escápulas precisam se mover livremente – elas devem rodar para cima e se deprimir. Se o equipamento restringe sua pegada, você pode forçar uma rotação interna do ombro que, combinada com a elevação do braço, é o mecanismo clássico para machucar os tendões do manguito rotador.
Uma barra fixa de parede bem posicionada permite que você inicie o movimento com a depressão escapular (puxando os ombros para longe das orelhas) antes de dobrar os cotovelos. Isso é crucial. Muitos iniciantes puxam apenas com os braços, jogando os ombros para frente. Com uma barra estável e alta, você tem espaço e segurança para aprender e praticar essa “ativação escapular” isolada antes de fazer a puxada completa.
Além disso, a estabilidade da barra de parede permite trabalhar a fase excêntrica (a descida) de forma lenta e controlada. É na fase excêntrica que ocorrem os maiores ganhos de força tendínea e remodelagem do colágeno. Controlar a descida por 3 a 5 segundos é um “remédio” poderoso para tendinites, mas exige um equipamento que não balance ou ameace cair.
Compensações posturais induzidas pelo equipamento
O corpo humano é mestre em compensar. Se você não tem força para subir, seu corpo vai tentar “roubar”. Na barra de porta, devido ao espaço reduzido, é comum ver pessoas jogando o pescoço para frente (anteriorização da cabeça) para tentar passar o queixo da barra, ou chutando com as pernas para ganhar impulso. Como o espaço é confinado, essas compensações são mais frequentes e perigosas.
Outra compensação comum em barras baixas é a hiperextensão lombar. Ao dobrar os joelhos para trás, o psoas (músculo do quadril) traciona as vértebras lombares. Se o seu abdômen não for forte o suficiente para contrapor essa força, você termina o treino com dor nas costas. Na barra de parede, instalada na altura correta, você pode manter as pernas retas ou levemente à frente do corpo, o que naturalmente retifica a lombar e ativa o abdômen, prevenindo dores.
Por fim, a largura da pegada na barra de porta muitas vezes força os cotovelos a abrirem excessivamente para os lados (abdução horizontal extrema) em vez de virem em direção às costelas. Isso coloca o ombro em uma posição mecânica desvantajosa e estressante. Na barra de parede, você tem liberdade para ajustar os cotovelos em um ângulo mais natural e seguro, geralmente apontando levemente para frente.
Perfil do Usuário e Contexto de Uso
O iniciante e a fase de condicionamento
Se você está começando agora e ainda não consegue fazer nenhuma barra completa, a barra de porta pode ser um ponto de partida aceitável e econômico, desde que usada com cautela. Para o iniciante, o foco costuma ser apenas ficar pendurado ou fazer isometrias. A barra de porta serve para testar sua adesão ao treino: você realmente vai treinar em casa ou a barra vai virar um cabide de toalhas? É um investimento baixo para testar a rotina.
No entanto, o iniciante é justamente quem tem menos consciência corporal e controle motor. O risco de fazer movimentos errados ou balanços descontrolados é maior. Por isso, se optar pela barra de porta, o ideal é usar faixas elásticas (super bands) para ajudar na subida, reduzindo a carga e o risco de movimentos bruscos que poderiam deslocar o equipamento.
Mas, sob o olhar clínico, eu recomendaria ao iniciante, se possível, já partir para a barra de parede. Aprender a técnica correta desde o dia 1, sem as limitações espaciais da porta, cria engramas motores (memórias de movimento) mais limpos e eficientes. É mais fácil aprender certo do que corrigir vícios depois.
O praticante avançado e movimentos dinâmicos
Para quem já treina calistenia, CrossFit ou musculação pesada, a barra de porta é insuficiente e limitante. Movimentos como o Muscle-Up, Front Lever, ou mesmo barras com palmada, são impossíveis ou suicidas em uma barra de porta. A física não permite. A barra fixa de parede é mandatória para esse público.
O atleta avançado precisa de volume e intensidade. Fazer séries com cinto de lastro pendurando 20kg ou 30kg adicionais exige uma fixação com parafusos de aço em concreto. Tentar isso num batente de madeira é pedir para quebrar a casa e se machucar. Além disso, a variedade de estímulos que o avançado precisa para continuar evoluindo (mudança de pegadas, larguras, velocidades) só é plenamente atendida pelo modelo de parede.
A rigidez da barra de parede também permite o uso de argolas olímpicas penduradas nela. Isso abre um universo novo de exercícios para o avançado, como mergulhos (dips) e remadas em suspensão, transformando a barra em uma academia completa. A barra de porta raramente oferece altura ou segurança para acoplar argolas.
Considerações sobre antropometria e espaço físico
Sua altura e peso são fatores decisivos. Se você pesa mais de 90kg, eu desaconselho fortemente a barra de porta, independentemente do que diz a caixa do produto. A margem de segurança é muito pequena. A fadiga do material do batente da porta é cumulativa; pode aguentar hoje, mas ceder amanhã.
Se você tem braços longos (grande envergadura), a barra de porta vai parecer uma jaula. Você se sentirá espremido. A barra de parede deve ser instalada em um local onde você tenha pelo menos um metro de espaço livre para trás e para os lados, permitindo que você se mova sem medo de bater em móveis.
Para quem mora em apartamentos muito pequenos, a barra de porta ganha pontos por não ocupar espaço útil quando não está em uso. Existem modelos de parede dobráveis, mas são mais caros e complexos. É uma questão de prioridade: você prefere liberar espaço ou garantir a qualidade do seu treino? Como fisioterapeuta, voto sempre na qualidade do movimento e segurança.
Instalação e Integridade Estrutural
Avaliando a alvenaria e tipos de fixadores
Antes de comprar uma barra de parede, dê “toc tocs” na sua parede. Se o som for oco, pare. Paredes de bloco cerâmico oco exigem buchas muito específicas e, mesmo assim, não são ideais para cargas dinâmicas pesadas. O cenário perfeito é uma viga de concreto ou uma coluna. Nesses locais, usamos “Parabolts” (chumbadores mecânicos) que se expandem dentro do concreto e suportam cargas de tração imensas.
Se sua parede é de tijolo maciço, buchas de nylon de alta qualidade (tamanho 10mm ou 12mm) com parafusos sextavados costumam dar conta do recado, desde que a parede esteja em bom estado. Evite instalar em paredes que tenham infiltração ou reboco esfarelando. A força que a barra exerce na parede funciona como uma alavanca: o peso do seu corpo na ponta da barra tenta “arrancar” os parafusos superiores para fora da parede. Por isso, os fixadores superiores são os mais críticos.
Para barras de porta, avalie a guarnição. Ela é pregada ou apenas colada? É madeira maciça ou MDF? Molduras de MDF tendem a esfarelar sob pressão ou deformar com o tempo. Se a guarnição for muito fina ou decorativa, ela não suportará a alavanca do modelo de porta.
A física das forças de cisalhamento e tração
É importante entender como a força atua. Na barra de parede, os parafusos superiores sofrem força de tração (são puxados para fora) e os inferiores sofrem força de cisalhamento (são empurrados para baixo) e compressão contra a parede. Por isso, a instalação deve ser perfeitamente nivelada. Se a barra ficar torta, um lado receberá muito mais carga que o outro, podendo causar falha catastrófica dos parafusos daquele lado.
Na barra de porta por pressão, a força é de cisalhamento puro contra o atrito. Se houver poeira ou gordura no batente, o atrito cai a zero. Limpe bem a área com álcool antes de instalar. No modelo de alavanca para porta, a força rotacional é transferida para a parte superior da moldura, pressionando-a contra a parede. Se a moldura não estiver bem fixada na alvenaria, ela pode se soltar inteira.
Verifique sempre o torque dos parafusos. Com o uso e a vibração, parafusos tendem a afrouxar. Uma vez por mês, pegue a chave e dê um aperto geral. É uma manutenção simples que garante sua integridade física.
Protocolos de verificação e manutenção preventiva
Crie o hábito de testar a barra antes de cada treino. Dê uma puxada forte sem tirar os pés do chão. Ouça. Fez algum barulho de estalo? A parede soltou poeira? A barra se moveu milimetricamente? Se sim, não treine. Investigue a fixação.
Nas barras de porta, verifique se as borrachas de proteção estão ressecadas. Borracha seca escorrega. Verifique também se o metal da barra não está entortando no centro. Barras tubulares baratas podem flambar (curvar) permanentemente com o uso, perdendo a capacidade de pressão lateral.
A oxidação (ferrugem) é inimiga da segurança. Se sua barra fica em área externa ou varanda, use produtos anticorrosivos nos parafusos. Um parafuso enferrujado pode ter sua resistência à tração reduzida pela metade sem que você perceba visualmente por fora.
Progressões e Uso Terapêutico
O Dead Hang para Descompressão
Um dos melhores usos para sua barra, seja ela qual for, é o “Dead Hang” (pendurar-se passivamente). Você simplesmente segura a barra e deixa o corpo pesar, relaxando tudo (exceto as mãos). Isso cria uma tração natural na coluna vertebral, ajudando a hidratar os discos intervertebrais e aliviar a compressão que sofremos ao ficar sentados o dia todo.
Essa descompressão é fantástica para quem tem dores lombares leves ou sensação de “achatamento” no final do dia. Na barra de parede, como você não toca o chão, o efeito é melhor. Tente ficar 30 a 60 segundos pendurado diariamente. Apenas evite se tiver instabilidade grave no ombro (como luxações recorrentes), pois a tração no ombro será alta.
Esse exercício simples também alonga o grande dorsal e o peitoral menor, dois músculos que, quando encurtados, jogam nossos ombros para frente e estragam a postura. É um “reset” postural instantâneo.
Fortalecimento de Grip e Antebraço
Sua força na barra é ditada pela sua pegada. Se você não consegue segurar, não consegue puxar. A barra fixa é a melhor ferramenta para desenvolver antebraços de aço. Isso não é apenas estético; força de preensão (grip) está diretamente correlacionada com a saúde do manguito rotador e longevidade geral.
Você pode treinar a sustentação usando toalhas jogadas sobre a barra para aumentar a dificuldade, ou apenas focando em tempos de isometria (ficar pendurado). Na barra de porta, devido à limitação de altura, treinar o grip pode ser menos confortável, mas ainda é viável. Na de parede, você pode variar a espessura da barra (usando acessórios como “Fat Gripz”) para desafiar ainda mais os flexores dos dedos.
Ter uma pegada forte alivia a tensão nos cotovelos durante exercícios de musculação, prevenindo as temidas epicondilites. É uma cadeia de benefícios que começa nas mãos e sobe até o pescoço.
Exercícios de Retração Escapular
Antes de conseguir fazer 10 barras, você deve dominar a retração escapular. Pendurado na barra com os braços totalmente esticados, você deve tentar “quebrar a barra” ou puxar as escápulas para baixo e para trás, elevando o corpo apenas alguns centímetros, sem dobrar os cotovelos. Chamamos isso de “Escápula Pull-up”.
Esse exercício isola a porção inferior do trapézio e ensina seu cérebro a iniciar o movimento pelas costas, e não pelos braços. É um exercício corretivo fundamental. Na barra de parede, você tem estabilidade total para focar nessas micro-movimentações precisas. Na barra de porta, cuidado para não balançar e desestabilizar o encaixe.
Incorporar séries de retração escapular no seu aquecimento prepara a articulação do ombro, lubrifica a cápsula articular e ativa a musculatura que protege a coluna torácica.
Terapias Aplicadas e Prevenção de Lesões
Para finalizar nossa conversa de consultório, quero te passar como usamos a barra como ferramenta terapêutica e como evitar que o “remédio” vire “veneno”.
Manejo de Tendinites e Epicondilites
A barra fixa pode ser agressiva para os cotovelos se usada incorretamente. A “Epicondilite Medial” (cotovelo de golfista) é comum em quem exagera na força de pegada e flexão de punho durante a puxada. Se você sentir dor na parte interna do cotovelo, pare imediatamente. O tratamento envolve massagem transversa profunda, alongamento dos flexores do punho e, na barra, a troca temporária para uma pegada neutra (palmas para dentro) ou o uso de argolas, que permitem a rotação natural do punho durante o movimento, aliviando a torção no tendão.
Liberação Miofascial e Mobilidade
Você pode usar a própria estrutura da barra de parede (as colunas verticais) como ponto de apoio para liberar pontos de tensão (trigger points) nas costas. Encostar uma bola de massagem ou lacrosse ball entre suas costas e a coluna da barra permite que você pressione áreas difíceis de alcançar no trapézio e romboides. Além disso, usar a barra para alongamentos passivos do peitoral (um braço de cada vez) é excelente para combater a postura cifótica (corcunda).
Protocolos de Retorno ao Esporte
Para pacientes que estão voltando de lesões no ombro, usamos a barra em fases avançadas de reabilitação. Começamos com isometrias (segurar o queixo acima da barra por tempo), evoluímos para a fase excêntrica controlada (subir com ajuda de um banco e descer segurando o peso do corpo o mais devagar possível) e só depois entramos na fase concêntrica (puxada). Esse protocolo respeita a cicatrização dos tecidos e constrói força tendínea robusta.
Resumo da Ópera: Se você tem casa própria e uma parede sólida, a barra fixa de parede é infinitamente superior em segurança, versatilidade e biomecânica. É um equipamento para a vida toda. A barra de porta é um quebra-galho válido para inquilinos ou iniciantes leves, mas deve ser encarada como uma solução temporária ou complementar, sempre respeitando seus limites de segurança. Escolha com sabedoria, instale com cuidado e bons treinos!

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”