Escolher o tapete certo é tão importante quanto executar o movimento corretamente.[1][5][9] Vejo muitos pacientes chegarem ao consultório com dores nos punhos ou na lombar que não vêm do exercício em si. A culpa muitas vezes é da superfície onde eles treinam.[1] Você já parou para pensar que aquele colchonete fininho da academia pode estar sabotando sua reabilitação? A base de apoio define como seu corpo reage à gravidade. Vamos conversar sobre isso como se estivéssemos aqui na minha sala de avaliação.
A escolha do material do seu colchonete muda completamente a biomecânica do seu treino.[1] Não existe um material perfeito para tudo.[1] Existe o material certo para o objetivo que você tem hoje.[1][2][5] Se você precisa de estabilidade para um equilíbrio em um pé só, precisa de uma base firme. Se vai passar quarenta minutos deitado fazendo abdominais, sua coluna implora por amortecimento. Entender a “sopa de letrinhas” dos materiais — EVA, NBR e PVC — é o primeiro passo para treinar sem dor.
Vamos mergulhar fundo nas características de cada um. Quero que você saiba exatamente o que está comprando ou usando. Não quero que você gaste dinheiro à toa ou, pior, que se machuque por falta de informação. Vou te explicar tudo o que a indústria muitas vezes não conta nas etiquetas dos produtos. Prepare-se para olhar para o chão da sua academia com outros olhos a partir de agora.
Entendendo a Base Clássica: O Policloreto de Vinila (PVC)[10]
A questão da durabilidade e resistência ao tempo
Você provavelmente conhece o PVC.[1] É aquele material presente na maioria dos “Yoga Mats” que encontramos em estúdios pelo mundo todo.[1] A grande fama dele vem da sua resistência quase infinita.[1] Um bom colchonete de PVC aguenta o tranco do dia a dia. Você pode usar tênis, pode suar, pode arrastar de um lado para o outro. Ele dificilmente vai rasgar ou esfarelar nos primeiros meses de uso. Para quem tem um fluxo intenso de treino ou para donos de estúdio, essa durabilidade é um fator econômico crucial.
O PVC tem uma estrutura de células fechadas muito densa. Isso significa que ele não absorve o suor para dentro da fibra do material.[1] O suor fica na superfície.[1] Isso é ótimo para a durabilidade, pois evita que o material apodreça por dentro.[2] No entanto, cria uma necessidade de limpeza constante durante a prática. A resistência do PVC também se nota na manutenção da forma.[1] Ele não cria aquelas “covinhas” permanentes onde você apoia os cotovelos, voltando ao estado original rapidamente após o uso.
Outro ponto sobre a resistência é a tolerância à abrasão.[1][11] Em exercícios funcionais onde você troca de posição rapidamente — como burpees ou mountain climbers — o atrito é alto. Materiais mais frágeis começam a soltar pedacinhos.[1] O PVC de alta densidade segura essa onda muito bem. Ele é o “cavalo de batalha” dos materiais de colchonetes. Pode não ser o mais tecnológico ou o mais ecológico, mas é, sem dúvida, um dos mais robustos que temos à disposição no mercado atual.
Aderência e segurança: o fator antiderrapante[1][2][3][4][5][6][8]
A aderência é o que chamamos na fisioterapia de “grip”. O PVC tem uma característica natural de ser “pegajoso” (no bom sentido) quando está limpo e seco.[1] Isso oferece uma segurança biomecânica excelente.[1] Quando você está em uma postura de prancha ou de cachorro olhando para baixo, suas mãos não podem deslizar. Se deslizarem, você tenciona os ombros e sobrecarrega os trapézios para compensar a falta de atrito. O PVC ajuda você a economizar energia muscular desnecessária.[1]
Contudo, essa aderência tem um ponto cego. Como o PVC não absorve líquidos, se você transpirar muito, a superfície vira um sabonete. O líquido fica entre sua mão e o tapete, criando uma camada de deslizamento. Por isso, sempre recomendo aos meus pacientes que suam muito nas mãos (hiperidrose) que usem uma toalha sobre o mat de PVC. Mas em condições secas, a tração que ele oferece é superior a muitos materiais mais macios, permitindo que você confie plenamente no apoio.
A textura do PVC também varia.[1] Existem modelos lisos e modelos texturizados.[1] Os texturizados aumentam mecanicamente o atrito.[1] Para idosos ou pessoas em reabilitação de tornozelo, essa segurança extra é fundamental. O medo de escorregar inibe o movimento correto. Quando o paciente sente que o chão (ou o tapete) “segura” o pé dele, a ativação muscular é mais eficiente e o treino rende muito mais.
Custo-benefício para quem está começando[1][2]
Sejamos práticos e diretos sobre o bolso. O PVC geralmente é a opção de entrada mais acessível. Você encontra tapetes de PVC por preços muito baixos em qualquer loja de departamento. Para quem está começando a fisioterapia em casa ou iniciou o Pilates solo agora, é um investimento de baixo risco. Você não precisa gastar uma fortuna para ter um material decente para começar.[1] Essa acessibilidade democratiza o acesso a uma prática segura em casa.[1]
No entanto, cuidado com o “barato que sai caro”. Existem diferentes graus de pureza e densidade no PVC. Aqueles muito baratos, que parecem papel, não protegem suas articulações. Vale a pena investir um pouco mais em um PVC de alta densidade (geralmente chamado de “HD” ou “Eco-PVC”). Eles ainda são mais baratos que borrachas naturais, mas oferecem o dobro de conforto e durabilidade. É o equilíbrio ideal para o praticante recreativo.
O custo-benefício também se reflete na versatilidade.[1] Como ele é fino e resistente, você pode enrolar e levar para o parque, usar no chão da sala ou levar para a clínica.[1] Ele serve para Yoga, serve para alongamento e serve para funcional.[1][4][8] Um único investimento cobre várias frentes de tratamento e treinamento.[2] Para meus pacientes que viajam muito, sempre indico um PVC dobrável, pois cabe na mala e garante a continuidade dos exercícios prescritos onde quer que estejam.
A Leveza e Versatilidade do EVA (Etileno Vinil Acetato)[1][7]
Densidade variável e absorção de impacto inicial[1][4][9]
O EVA é aquele material clássico dos tatames de luta e dos colchonetes coloridos de academia. A grande mágica do EVA é que ele pode ser fabricado em diversas densidades.[1] Você encontra desde aquele EVA mole de papelaria até placas duras usadas em solados de tênis. Para colchonetes, a densidade média é a mais comum. Ele oferece um amortecimento honesto contra o chão duro.[1][8] Se você vai fazer exercícios de ajoelhar, o EVA já tira aquela dor aguda do contato da patela com o solo.
A absorção de impacto do EVA funciona por compressão das microbolhas de ar presas no material. Quando você pisa ou apoia, essas bolhas cedem. Isso é ótimo para quedas leves ou rolamentos.[1][7] Na fisioterapia pediátrica, usamos muito o EVA justamente por isso. Ele protege contra o impacto súbito.[1] Mas, diferentemente do PVC, ele tem menos retorno elástico imediato. Ele absorve a energia, mas não a “devolve” tão rápido, o que deixa o movimento um pouco mais lento.
Porém, é preciso estar atento à espessura.[3][4][6][9] Um EVA muito fino não serve para quase nada em termos clínicos.[1] Para um adulto médio, precisamos de pelo menos 10mm de espessura se o objetivo for conforto lombar. Menos que isso, você vai sentir o chão. O EVA engana visualmente.[1] Ele parece grosso, mas se a densidade for baixa, ele “esmaga” até ficar fino como papel quando você deita em cima. Teste sempre apertando com os dedos: se ele afundar muito fácil e demorar a voltar, a densidade é baixa.[1]
Portabilidade e facilidade no transporte diário[1][2][4][6][8]
Aqui o EVA ganha medalha de ouro. O material é absurdamente leve.[1] É basicamente espuma injetada com ar.[1] Para você que vai a pé para a clínica ou pega transporte público carregando seu material, cada grama conta. Um colchonete de EVA, mesmo sendo grosso, pesa muito menos que um de borracha ou PVC da mesma espessura. Isso facilita a adesão ao tratamento.[1][2] Se o equipamento é um fardo pesado, você acaba deixando em casa.
A portabilidade também se dá pelo formato.[1] Muitos colchonetes de EVA não são de enrolar, mas de dobrar ou encaixar (tipo quebra-cabeça). Isso permite que você monte áreas do tamanho que precisar.[1] Se sua sala é pequena, usa duas placas. Se vai fazer um exercício de deslocamento, monta quatro. Essa modularidade é fantástica para quem treina em casa em espaços limitados.[1] Você adapta o chão ao seu treino, e não o contrário.[1]
Além disso, por ser leve, é fácil de manusear durante a aula.[2] Em grupos de idosos, por exemplo, pedir para o paciente buscar seu próprio colchonete de borracha pesada pode ser um risco de lesão no ombro ou coluna. Com o EVA, eles têm autonomia. Conseguem pegar, estender e guardar sem esforço físico excessivo.[1] Essa independência é parte fundamental do processo de reabilitação funcional.
Limitações na Vida Útil e Deformação[1]
Nem tudo são flores no mundo do EVA.[1] A principal queixa que tenho é a memória de deformação. Sabe quando você deixa um peso apoiado no colchonete e, dias depois, a marca ainda está lá? O EVA sofre disso. Com o uso contínuo, especialmente em áreas de alta pressão (como onde ficam os calcanhares ou o quadril), ele vai ficando mais fino. Ele perde a capacidade de amortecer exatamente onde você mais precisa.
A superfície do EVA também é mais frágil a cortes e arranhões.[1] Se você treina de tênis, o atrito da sola pode começar a “esfarelar” o material. Unhas de animais domésticos também são inimigas mortais do EVA. Uma vez que a superfície é rompida, ele começa a absorver suor e sujeira naquela fissura, tornando-se um foco de bactérias difícil de higienizar. Por isso, a vida útil de um colchonete de EVA em uso intenso é curta.
Outro ponto é que, com o tempo, ele pode ficar escorregadio. A textura original se desgasta, e o EVA liso não oferece tração nenhuma. Pelo contrário, pode ser perigoso.[9] Se você notar que seu colchonete de EVA está ficando brilhante nas áreas de apoio, é hora de trocar. Não espere rasgar. A perda de textura é um sinal de que a segurança biomecânica já foi comprometida. Considere o EVA um material de transição ou para exercícios de baixo atrito.
O Conforto Superior do NBR (Borracha de Nitrilo Butadieno)
Proteção Articular e Espessura Elevada[1][2][4][9]
Quando falamos de conforto, o NBR é o rei. Esse material é uma borracha sintética que permite a fabricação de tapetes bem espessos, geralmente entre 10mm e 15mm, mantendo a maciez. Para pacientes com sensibilidade articular, artrose de joelho, ou idosos com pouca gordura corporal (que sentem os ossos proeminentes), o NBR é um alívio. É como treinar sobre uma nuvem firme.[1] Ele isola completamente a sensação do piso duro.[1]
Essa espessura elevada é crucial para exercícios de decúbito (deitados). Na coluna vertebral, temos os processos espinhosos — aqueles ossinhos que você sente nas costas. Em um chão duro ou tapete fino, o contato direto gera dor por compressão. O NBR acomoda essas estruturas ósseas.[1] Ele se molda ao redor do osso, distribuindo a pressão. Isso permite que o paciente foque na contração abdominal e não na dor nas costas.[1]
Eu indico muito NBR para pós-operatórios tardios de quadril ou coluna, onde o conforto é prioridade para perder o medo do movimento. A sensação acolhedora do material reduz a tensão muscular defensiva.[1] O paciente relaxa mais. E um músculo relaxado (no sentido de não estar em guarda) trabalha melhor.[1] Se você sente dor nos ossos ao fazer exercícios de solo, troque seu colchonete por um de NBR urgente. Sua experiência vai mudar da água para o vinho.
Textura e Sensação ao Toque na Pele[1]
O toque do NBR é diferente.[1] Ele tem uma sensação mais aveludada, menos “plástica” que o PVC e menos “áspera” que o EVA.[1] Para exercícios onde há muito contato de pele nua — como no Pilates ou Yoga — isso faz diferença. Não “queima” a pele por atrito.[1] É um material mais gentil com a derme.[1] Pacientes com pele sensível ou mais fina se beneficiam muito dessa textura suave.[1]
Além disso, o NBR é um isolante térmico fantástico. No inverno, deitar no chão é um desafio. O frio passa para o corpo e gera rigidez muscular.[1] O NBR, por ser uma borracha espessa com ar aprisionado, cria uma barreira térmica eficiente. Você mantém o calor do corpo.[1] Isso ajuda a manter a viscosidade muscular ideal durante o treino, prevenindo aquelas distensões chatas que acontecem quando o corpo esfria nos intervalos.
A textura, no entanto, pode variar.[9] Alguns NBRs são lisos demais. Procure sempre os que têm “estrias” ou texturas em relevo.[1] Como o material é macio, a mão tende a afundar. Se a superfície for lisa, ela escorrega junto com o afundamento. A textura ajuda a travar o movimento.[1][3] É um detalhe visual que faz toda a diferença na funcionalidade do produto.
Estabilidade em Exercícios de Equilíbrio
Aqui entramos no “Calcanhar de Aquiles” do NBR. A mesma maciez que protege sua coluna pode destruir seu equilíbrio.[1] Imagine tentar ficar em pé num colchão de água. É exagerado, mas a lógica é a mesma. Quando você faz exercícios de pé em um colchonete de NBR grosso, seu pé afunda. Isso cria instabilidade.[1] Para um treino de propriocepção avançado, isso pode ser proposital. Mas para um iniciante tentando aprender a postura, é desastroso.
O material cede lateralmente.[1] Se você faz um afundo ou agachamento, o NBR pode esticar e deformar sob seus pés.[1] Isso altera o alinhamento do joelho e tornozelo.[1] Já vi pacientes torcerem o pé levemente porque o colchonete “sambou” embaixo deles. Para treinos de alta intensidade ou que exigem base firme, o NBR atrapalha. Ele absorve a força que você deveria estar aplicando contra o chão para se impulsionar.[1]
Outro ponto é a elasticidade longitudinal.[1] Em posturas como o “Cachorro Olhando para Baixo” do Yoga, o tapete de NBR tende a esticar. Suas mãos vão para frente e o tapete vai junto.[1] Isso dá uma insegurança terrível.[1] Você gasta energia tentando segurar o tapete no lugar.[1] Portanto, reserve o NBR para o que ele é bom: exercícios deitados, sentados ou de quatro apoios. Para ficar em pé, pise no chão ou use um material mais rígido.
Biomecânica e Prevenção de Lesões no Solo
O Papel da Superfície na Propriocepção
Seus pés são cheios de sensores chamados proprioceptores. Eles dizem ao seu cérebro onde seu corpo está no espaço.[1] Quando você pisa em uma superfície dura e estável, esses sensores disparam sinais claros e rápidos.[1] Seu cérebro responde ajustando o equilíbrio instantaneamente.[1] Quando você coloca uma espuma muito grossa e instável entre o pé e o chão, esse sinal fica “abafado” ou confuso.
Na fisioterapia, manipulamos isso de propósito. Mas no seu treino diário, você precisa saber o que quer. Se o objetivo é força bruta e estabilidade, a superfície deve ser firme (PVC ou EVA de alta densidade). Se a superfície for muito mole, seu tornozelo fará micro-movimentos constantes para buscar estabilidade. Isso pode sobrecarregar os tendões fibulares e tibiais.[1]
Você precisa sentir o chão para empurrá-lo.[1] A terceira lei de Newton (ação e reação) é vital aqui.[1] Para pular ou levantar peso, você empurra o chão. Se o colchonete absorve essa energia (como o NBR faz), você perde potência e sobrecarrega as articulações para compensar.[1] Escolha a superfície que permita que seus proprioceptores trabalhem a seu favor, não contra você.
Amortecimento Versus Instabilidade Articular
Existe uma linha tênue entre proteger a articulação e deixá-la vulnerável.[1] O amortecimento protege contra o impacto vertical — a batida do osso no chão.[1] Isso é ótimo para bursites trocantéricas (dor na lateral do quadril) ou para apoiar os joelhos.[1] Nesse caso, quanto mais grosso, melhor a proteção passiva contra a compressão.
Porém, a articulação precisa de estabilidade para funcionar. O joelho, por exemplo, é uma dobradiça. Ele não gosta de girar e sambar. Superfícies muito fofas permitem que o fêmur rode internamente de forma excessiva durante um agachamento. Isso coloca o ligamento cruzado anterior e o menisco em risco.[1] O amortecimento excessivo tira a referência mecânica da articulação.[1]
O segredo é o equilíbrio. Se você tem uma lesão aguda e muita dor ao toque, priorize o amortecimento (NBR).[1] Se você já está na fase de fortalecimento e retorno ao esporte, priorize a estabilidade (PVC ou borracha fina). Não use o mesmo colchonete para todas as fases da sua reabilitação.[1] O material deve evoluir junto com a sua melhora clínica.[1]
Impacto na Coluna Vertebral e Apoio Sacral[1]
A coluna lombar e o sacro (aquele osso triangular na base da coluna) sofrem muito em exercícios de solo. Muitas pessoas têm o cóccix proeminente ou pouca massa muscular nos glúteos.[1] Fazer abdominais num colchonete fino pode causar escoriações ou hematomas no sacro.[1] Isso inviabiliza o treino no dia seguinte. Aqui, a densidade é mais importante que a espessura.
Um colchonete de EVA de baixa densidade, mesmo grosso, vai “fechar” totalmente sob o peso do quadril, e você vai sentir o chão. Um de PVC fino, mas denso, pode ser melhor que um EVA grosso e mole. Mas o ideal mesmo para a coluna em exercícios de rolamento (como no Pilates) é uma densidade média-alta com espessura de pelo menos 10mm.
Lembre-se das curvaturas da coluna.[1] Quando deitamos, a lordose lombar pode ficar sem apoio. O material do colchonete deve ceder levemente para acomodar as curvas, mas não tanto a ponto de você afundar num buraco.[4] O suporte adequado ajuda a manter a pelve neutra.[1] Uma pelve neutra ativa melhor o transverso do abdômen.[1] Ou seja: o colchonete certo ajuda você a “trincar” o abdômen de forma mais eficiente e segura.[1]
Escolhendo o Material Certo para Cada Objetivo Terapêutico
Materiais para Reabilitação Neurológica e Idosos
Para idosos e pacientes neurológicos (AVC, Parkinson), a segurança é inegociável. A percepção sensorial muitas vezes está alterada.[1] Para esse público, evito colchonetes muito grossos que causam desequilíbrio. O risco de queda é real. Prefiro materiais firmes e antiderrapantes. O PVC texturizado ou o TPE (que é uma evolução ecológica) são ótimos aqui.[1]
A cor também importa, acredite se quiser. Um colchonete com alto contraste em relação ao piso ajuda o paciente a delimitar visualmente o espaço de treino. Materiais como EVA permitem cores vibrantes que ajudam nessa orientação espacial.[1] Mas o foco principal é a aderência. O idoso precisa sentir que, se pisar, o pé não vai deslizar um milímetro.
Para exercícios de chão com idosos, no entanto, o conforto ósseo volta a ser prioridade devido à osteopenia ou osteoporose. Nesse cenário específico (apenas deitado), usamos o NBR. A estratégia é: exercícios de pé no chão ou tapete fino e aderente; exercícios deitados no colchonete grosso.[1] Ter as duas opções à disposição é o padrão ouro na geriatria.[1]
Opções para Fortalecimento Core e Pilates Solo[1]
O Pilates Solo (Mat Pilates) exige muito da coluna em movimentos de rolamento. Exercícios como “Rolling Like a Ball” ou “Open Leg Rocker” são tortura em tapetes finos.[1] Para o Pilates, o NBR de 10mm a 15mm é o favorito. Ele permite o fluxo do movimento sem dor nas apófises espinhosas.[1] O aluno consegue focar na fluidez, que é um princípio do método.
No entanto, para o fortalecimento de Core estático (pranchas), o NBR pode incomodar os punhos pela instabilidade. Se o punho afunda de forma desigual, comprime o nervo mediano. Para pranchas longas, um colchonete de densidade maior (EVA de alta densidade ou PVC grosso) é melhor. Ele mantém o punho alinhado.
Se você pratica Pilates clássico, que tem muitas inversões e apoios de peso sobre a cervical, a densidade tem que ser alta. Não pode ser mole demais senão o pescoço comprime.[1] Existem mats específicos de Pilates (frequentemente de TPE ou PU) que equilibram essa equação: grossos o suficiente para a coluna, firmes o suficiente para o punho.
Alternativas para Mobilidade e Alongamento Passivo
Para sessões de alongamento passivo, onde você fica parado na posição por minutos relaxando, o conforto térmico e tátil é tudo. O EVA e o NBR ganham destaque.[1][2][3] Você quer relaxar, soltar a musculatura. Se o chão for frio ou duro, seu corpo contrai como defesa. Um tapete “fofinho” convida ao relaxamento.[1]
Em exercícios de mobilidade ativa (onde você se move para ganhar amplitude), a superfície não pode travar seu movimento. O PVC às vezes “agarra” demais a roupa ou a pele, dificultando deslizar uma perna, por exemplo. Um EVA de superfície mais lisa pode facilitar exercícios onde é preciso deslizar o calcanhar no chão.
Pense no objetivo da sessão. Se é para relaxar e soltar fáscias, busque maciez e calor (NBR).[1] Se é mobilidade dinâmica, busque uma superfície que permita um deslizamento controlado sem prender seu corpo no meio do movimento.
Manutenção e Higiene Clínica dos Materiais
Protocolos de Limpeza para PVC e EVA[1]
Higiene é saúde.[1] Colchonetes são vetores de fungos e bactérias se não cuidados. O PVC é o mais fácil de limpar. Por ser células fechadas, você pode usar um pano com álcool 70% ou soluções desinfetantes hospitalares sem medo. Ele aguenta. Recomendo limpar após cada uso, sem exceção. O suor seca e cria uma crosta invisível de sais e bactérias.[1]
O EVA exige um pouco mais de cuidado com produtos químicos fortes. O álcool em excesso pode ressecar o EVA ao longo do tempo, fazendo ele rachar. Prefira água e sabão neutro para limpezas profundas e um desinfetante suave para o dia a dia.[1] Evite deixar o EVA secando no sol direto, pois ele empena e encolhe com o calor excessivo.[1]
Se você tem um estúdio, crie a cultura do “limpou, guardou”. Tenha borrifadores disponíveis para os alunos. No PVC, a secagem é rápida. No EVA, certifique-se de que está bem seco antes de empilhar, senão o cheiro de mofo é garantido.
Cuidados Específicos com a Porosidade do NBR
O NBR é mais poroso e absorvente que o PVC.[1] Isso é um problema para a higiene.[1] Se você suar muito em um tapete de NBR e não limpar, ele vai absorver aquele líquido. Com o tempo, o cheiro fica impregnado e impossível de tirar. O NBR age como uma esponja densa.[1]
Para limpar NBR, não encharque o material. Use pano úmido, não molhado. E nunca, jamais, coloque na máquina de lavar (alguns PVCs até aguentam, o NBR destrói). Use óleos essenciais (como Melaleuca/Tea Tree) diluídos em água.[1] A Melaleuca é antifúngica e bactericida natural e não agride a borracha sintética do NBR.[1]
Deixe secar à sombra e em local ventilado.[1] Como ele retém umidade, demora mais para secar. Se você guardar úmido enrolado, vai criar uma colônia de fungos. A durabilidade do NBR depende diretamente da sua disciplina na secagem.[1]
Sinais de Desgaste e Hora da Troca
Nada dura para sempre.[1] Usar material vencido é pedir para se lesionar.[1] No PVC, o sinal de troca é quando ele começa a esfarelar. Pequenos pedacinhos de plástico soltam na sua roupa. Outro sinal é a perda do “grip”.[1] Se você limpa, limpa, e ele continua escorregando, a camada aderente já era.
No EVA, observe a espessura.[2][3][5][6][9][12] Se o meio do colchonete está com 5mm e as bordas com 10mm, ele já perdeu a função de amortecimento. Jogue fora ou use para forrar o chão da garagem, mas não para treinar. O EVA também tende a ficar rígido e quebradiço com os anos.[1]
No NBR, o sinal é a elasticidade e a integridade da superfície. Se ele começar a rasgar “do nada” ou se você sentir que está afundando até tocar o chão sem resistência, a espuma cansou. As células de ar estouraram e não voltam mais. Um colchonete “morto” não protege sua coluna.[1] Respeite seu corpo e troque o material regularmente.[1]
Terapias Aplicadas e Indicações Clínicas
Para finalizar nossa conversa, quero conectar esses materiais com as terapias que aplicamos no dia a dia. Não é só sobre “ginástica”.[1] É sobre tratamento.
O NBR é a minha escolha número um para terapias de consciência corporal passiva, como o Feldenkrais ou técnicas de relaxamento progressivo de Jacobson. Nessas terapias, o paciente passa muito tempo deitado, investigando micro-movimentos. O conforto elimina as “interferências” de dor no contato com o solo, permitindo foco total no sistema nervoso. Também é indispensável no Pilates Solo (Mat Pilates) clássico para proteger a coluna nos rolamentos.[1]
O PVC de alta densidade é o rei do Yoga Terapêutico e da Reabilitação Vestibular (equilíbrio).[1] Precisamos da firmeza. Em exercícios de McKenzie para a lombar (extensões), o PVC oferece a resistência firme que ajuda a alavancar o movimento sem instabilidade. Também é o ideal para a Cinesioterapia clássica, onde fazemos pontes, agachamentos e exercícios com faixas elásticas.
O EVA tem seu lugar de honra na Pediatria (Neurodesenvolvimento – Bobath) e na Ludoterapia. Montar um tatame colorido de EVA cria um ambiente seguro para a criança cair, rolar e engatinhar. É uma superfície de aprendizado motor. Também uso placas de EVA para criar desníveis e desafios de equilíbrio para pacientes em fase final de reabilitação de entorse de tornozelo, aproveitando justamente aquela instabilidade que criticamos antes, mas agora usada de forma controlada e terapêutica.
Escolha com sabedoria. Seu corpo é sua casa, e o colchonete é o alicerce onde você constrói sua saúde.

“Olá! Sou a Dra. Fernanda. Sempre acreditei que a fisioterapia é a arte de devolver sorrisos através do movimento. Minha trajetória na área da saúde começou com um propósito claro: oferecer um atendimento onde o paciente é ouvido e compreendido em sua totalidade, não apenas em sua dor física.
Graduada pela Unicamp e com especialização em Fisioterapia, dedico meus dias a estudar e aplicar técnicas que unam conforto e resultado. Entendo que cada corpo tem seu tempo e cada reabilitação é uma jornada única.
No meu consultório, você encontrará uma profissional apaixonada pelo que faz, pronta para segurar na sua mão e guiar seu caminho rumo a uma vida com mais qualidade e liberdade.”