Como fazer manutenção básica em esteira ergométrica

Como fazer manutenção básica em esteira ergométrica

Para você que investe na sua saúde e nos seus treinos em casa, manter o equipamento em dia é tão importante quanto manter a regularidade dos exercícios.[1][2] Como fisioterapeuta, vejo muitos pacientes que desenvolvem dores articulares ou musculares não por execução errada do movimento, mas porque o equipamento que utilizam está “lutando” contra eles. Uma esteira mal lubrificada ou desalinhada altera a sua biomecânica de corrida, sobrecarrega tendões e pode ser o gatilho para lesões que te afastarão dos treinos.

Vamos conversar sobre como você pode cuidar desse investimento e, por consequência, proteger seus joelhos e coluna, garantindo que sua caminhada ou corrida seja fluida e segura.

A Importância da Limpeza: Muito Além da Estética[3]

Manter sua esteira limpa não é apenas uma questão de vaidade ou de ter a casa organizada. O acúmulo de sujeira é um dos principais fatores que reduzem a vida útil do motor e da placa controladora. Quando você corre, o atrito estático gera eletricidade e atrai poeira. Essa poeira, combinada com pelos de animais e resíduos de tecido das roupas, entra nas frestas do motor e impede a dissipação correta do calor. O superaquecimento resultante é uma das causas mais comuns de “morte súbita” de esteiras residenciais. Portanto, encare a limpeza como um ritual de preservação do coração da sua máquina.

O Suor é um Inimigo Corrosivo

Você já parou para pensar na composição do seu suor? Ele é rico em sais minerais e possui um pH ácido que é altamente corrosivo para metais e componentes eletrônicos. Quando você termina aquele treino intenso e deixa as gotas de suor secarem naturalmente no painel ou nas laterais da esteira, você está permitindo um processo lento de oxidação. Com o tempo, isso pode corroer os sensores de batimento cardíaco nas manoplas e até infiltrar nos botões do painel, causando mau contato.

A limpeza do suor deve ser imediata. Utilize um pano macio levemente umedecido — nunca encharcado — com água e, se necessário, um sabão neutro bem diluído. Passe em todas as áreas onde suas mãos tocaram e onde o suor pode ter respingado, incluindo as laterais da plataforma de corrida. Isso evita que o sal cristalize e atue como uma lixa microscópica entre as partes móveis. Lembre-se de secar tudo logo em seguida com outro pano limpo para remover qualquer umidade residual.[1]

É crucial evitar produtos químicos abrasivos, como álcool puro, cloro ou limpadores multiuso fortes. Esses produtos ressecam os plásticos e a borracha do painel, fazendo com que botões rachem ou que a tela de proteção fique opaca com o tempo. O objetivo é remover o sal e a gordura da pele, não esterilizar o equipamento como se fosse uma sala de cirurgia. A simplicidade aqui é sua melhor aliada para manter os materiais íntegros por anos.

Poeira: O Assassino Silencioso do Motor

A poeira doméstica tem uma capacidade incrível de se alojar onde não deve. Na esteira, ela tende a se acumular embaixo da carenagem frontal, onde fica o motor, e também debaixo da própria lona de corrida. Quando há muita sujeira entre a lona e o deck (a prancha de madeira onde você pisa), o atrito aumenta drasticamente. Isso força o motor a trabalhar com uma amperagem muito mais alta do que o necessário para manter a velocidade que você programou.

Você deve criar o hábito de aspirar a área ao redor da esteira semanalmente.[4] Mas, mais importante que isso, uma vez por mês, desconecte o aparelho da tomada e utilize o bico fino do aspirador para limpar as frestas laterais e a parte traseira. Se o modelo da sua esteira permitir fácil acesso, remova a tampa do motor com uma chave de fenda e aspire o interior com muito cuidado para não tocar nas placas eletrônicas com o bico do aspirador. Essa remoção de “cobertores” de poeira permite que o sistema de ventilação funcione e o motor respire aliviado.

Outro ponto de atenção é a parte inferior da lona.[1] Com a esteira desligada, afrouxe um pouco a tensão da lona (contando as voltas do parafuso para voltar ao lugar depois) e passe um pano seco por baixo dela e sobre o deck. Você ficará surpreso com a quantidade de resíduo preto que sai dali. Esse pó é resultado do desgaste natural da borracha e do deck. Remover esse resíduo diminui o atrito e faz com que a sensação da corrida seja mais leve, poupando a musculatura da sua panturrilha de um esforço extra desnecessário.

A Higiene do Painel e Manoplas

Como fisioterapeuta, preciso alertar sobre a saúde biológica, não apenas a mecânica. As manoplas da esteira e o painel são pontos de alto contato. Se você compartilha o equipamento com outras pessoas da casa, esses locais tornam-se vetores de transmissão de bactérias e fungos. Além disso, o acúmulo de gordura das mãos nas manoplas pode interferir na leitura correta dos sensores de frequência cardíaca, te dando dados imprecisos sobre a intensidade do seu treino.

Para essa limpeza específica, você pode usar um pano com um pouco de limpador desinfetante próprio para equipamentos de academia ou uma solução suave de detergente. A limpeza deve ser feita com movimentos circulares suaves. Preste atenção especial às frestas dos botões, onde a sujeira das pontas dos dedos tende a se acumular e endurecer, podendo fazer com que os botões travem ou deixem de responder ao toque leve.

Nunca borrife líquidos diretamente no painel. O líquido pode escorrer pelas bordas da tela ou dos botões e atingir a placa de circuito impresso logo abaixo, causando um curto-circuito irreparável. Sempre aplique o produto no pano primeiro. Mantenha essa rotina e você terá um painel sempre responsivo e higienizado, pronto para o próximo desafio.

A Arte da Lubrificação Correta[1][3][5][6]

A lubrificação é, sem dúvida, o procedimento de manutenção mais crítico de uma esteira ergométrica. A falta de lubrificação é a causa número um de queima de placas controladoras. Imagine tentar deslizar em um tobogã sem água; o atrito queimaria sua pele e você ficaria preso. É exatamente isso que acontece entre a lona e o deck da esteira. Sem o deslizamento adequado, o motor precisa fazer uma força descomunal para arrastar seu peso, o que gera picos de energia e desgaste prematuro.

Escolhendo o Lubrificante Certo

Aqui reside um dos maiores erros que vejo as pessoas cometerem. Jamais, em hipótese alguma, use óleos comuns, graxa, vaselina, WD-40 ou qualquer lubrificante à base de petróleo na sua esteira. Esses produtos atacam a borracha da lona, fazendo-a inchar, deformar ou desmanchar. Além disso, eles viram uma cola pegajosa que atrai toda a sujeira do ambiente, travando o sistema em pouco tempo.

O único produto recomendado para a grande maioria das esteiras residenciais e profissionais é o silicone líquido específico para esteiras. Ele deve ser 100% silicone, sem aditivos e solventes. Existem versões em spray e versões líquidas (viscosas). A versão líquida costuma ter maior durabilidade e adere melhor à superfície do deck, criando uma película protetora duradoura. O spray é mais prático, mas tende a evaporar ou secar mais rápido, exigindo aplicações mais frequentes.

Verifique sempre o manual do seu equipamento. Algumas esteiras modernas de altíssimo padrão possuem decks autolubrificantes ou impregnados com cera fenólica que dispensam lubrificação por longos períodos. Aplicar silicone nessas esteiras pode, ironicamente, estragar o sistema. Mas, para 90% das esteiras domésticas, o silicone líquido é o “sangue” que mantém o sistema vivo. Tenha sempre um frasco de reserva em casa.

A Frequência Ideal de Aplicação

A pergunta que mais recebo é: “de quanto em quanto tempo devo lubrificar?”. A resposta honesta é: depende do quanto você usa.[3] Uma regra geral segura para uso residencial moderado (cerca de 3 a 4 vezes por semana, caminhadas ou trotes leves) é verificar a lubrificação a cada 10 ou 15 horas de uso, ou pelo menos uma vez por mês. Se você corre todos os dias ou se há várias pessoas na casa usando o equipamento, essa verificação deve ser quinzenal.[3]

Não confie apenas no calendário; confie no tato. O melhor teste é o físico. Com a esteira desligada, levante a borda da lona e coloque sua mão entre a lona e a madeira do deck, o mais fundo que conseguir alcançar. A superfície deve estar oleosa ao toque, deixando seu dedo brilhando de silicone. Se estiver seca ou áspera, está na hora de lubrificar imediatamente.[3] Se estiver muito molhada ou pingando, você pode ter exagerado na dose anterior, o que também é ruim pois pode fazer a lona patinar nos rolos.

Outro indicativo claro é o comportamento da máquina.[6] Se você sentir que a esteira está “pesada”, ou se ela parece perder velocidade momentaneamente quando você pisa com mais força, é um sinal clássico de atrito excessivo por falta de lubrificante.[3] Não ignore esses sinais.[2] Lubrificar a tempo é muito mais barato do que trocar um motor ou uma placa queimada.

O Passo a Passo da Aplicação

Aplicar o silicone é um processo simples que você domina rapidamente. Primeiro, certifique-se de que a esteira está desligada da tomada.[1][3][4][6] Levante a borda lateral da lona de um dos lados, aproximadamente no centro do comprimento da esteira (onde seus pés aterrissam com mais frequência). Aplique cerca de 10 a 15 ml de silicone em uma linha reta longitudinal ou em zigue-zague, garantindo que o produto chegue o mais próximo possível do centro da plataforma.

Repita o procedimento do outro lado da esteira. Não é necessário encharcar as bordas, pois a própria rotação da esteira vai espalhar o produto. O foco é a área central onde ocorre o impacto da pisada. A quantidade total geralmente recomendada é de cerca de 20ml a 30ml por aplicação, mas verifique a recomendação do fabricante do seu silicone. O excesso é perigoso, pois pode contaminar as correias do motor e causar deslizamentos indesejados.

Após a aplicação, ligue a esteira em velocidade baixa (cerca de 3 a 4 km/h) e deixe-a rodar sozinha por cerca de 5 minutos. Isso permite que o silicone se espalhe uniformemente por toda a superfície de contato. Depois desse tempo, caminhe lentamente sobre a esteira por alguns minutos, pisando em diferentes áreas (mais à esquerda, mais à direita) para garantir que toda a lona recebeu a lubrificação. Pronto, seu equipamento está protegido.

Alinhamento e Tensão da Lona[6][7]

Uma lona desalinhada ou frouxa é um pesadelo biomecânico. Quando você corre em uma superfície instável, seu corpo tenta compensar inconscientemente. Isso gera microtensões nos tornozelos, joelhos e quadris. Se a lona dá trancos (patina), o risco de uma distensão muscular nos isquiotibiais (músculos posteriores da coxa) é altíssimo, pois o músculo contrai esperando resistência e o chão “some” sob o pé.

Por que a Lona Desalinha?

É natural que a lona saia do centro com o tempo. Isso acontece porque ninguém corre de forma perfeitamente simétrica. Quase todos nós temos uma perna dominante que exerce um pouco mais de força na impulsão. Com milhares de passadas, essa diferença de força empurra a lona milimetricamente para um dos lados. Além disso, se o piso onde a esteira está não for perfeitamente nivelado, a gravidade ajudará a empurrar a lona para o lado mais baixo.

O desalinhamento pode causar o desgaste prematuro das bordas da lona, que começam a desfiar ao roçar nas laterais da estrutura. Em casos graves, a lona pode dobrar ou encavalar, exigindo a troca completa da peça. Portanto, verificar o alinhamento visualmente antes de cada treino é uma prática rápida que economiza dinheiro e evita acidentes.

Não se preocupe se a lona não estiver milimetricamente centralizada. O importante é que ela não esteja raspando em nenhuma das laterais. Uma pequena variação é aceitável, mas se você notar que ela está consistentemente migrando para a direita ou esquerda, é hora de agir nos parafusos de ajuste localizados na parte traseira da esteira.

O Teste de Tensão

A tensão da lona é o que garante que ela não escorregue sobre os rolos quando você pisa. Se estiver muito frouxa, ela patina. Se estiver muito apertada, ela força excessivamente os rolamentos dos rolos e o motor, além de aumentar o risco de rompimento da própria lona. Para testar, com a esteira desligada, tente levantar a lona pelas bordas laterais no meio do comprimento. Você deve conseguir levantá-la cerca de 5 a 7 centímetros do deck.

Se levantar muito mais que isso, está frouxa. Se mal conseguir levantar, está tensa demais. Outro teste prático é ligar a esteira a uns 3 km/h e pisar com firmeza, tentando “frear” a lona com o pé enquanto segura nos apoios laterais. A lona não deve parar se o rolo frontal continuar girando. Se a lona parar e o motor continuar girando (fazendo barulho), ela está frouxa e precisa de aperto.

O equilíbrio aqui é fundamental. Fisiologicamente, correr em uma esteira frouxa causa insegurança na passada. Você acaba encurtando o passo e tencionando os ombros e pescoço por medo de cair. Manter a tensão correta devolve a confiança para você soltar o corpo e correr com técnica adequada.

Centralizando a Passada

Para ajustar o alinhamento, você vai precisar da chave Allen que geralmente vem com o equipamento. Os parafusos de ajuste ficam na extremidade traseira da esteira, um de cada lado. O segredo é fazer ajustes minúsculos. Ligue a esteira a uma velocidade média, entre 4 e 6 km/h, sem ninguém em cima. Observe para qual lado a lona está pendendo.

Se a lona estiver indo para a direita, aperte o parafuso direito em sentido horário (apenas ¼ de volta). Aguarde cerca de 30 segundos para ver a reação da lona. Se ela ainda não centralizou, dê mais ¼ de volta. Se a lona estiver indo para a esquerda, aperte o parafuso esquerdo em sentido horário.[6] A lógica é: ao apertar o lado para onde ela está fugindo, você “empurra” o rolo e faz a lona voltar para o centro.

Tenha paciência. A resposta da lona não é imediata.[1][3][4][5][6][7] Muitas pessoas erram ao girar várias voltas de uma vez, jogando a lona violentamente para o outro lado e desregulando a tensão geral. Faça ajustes cirúrgicos. Quando ela estiver centralizada, caminhe nela por alguns minutos para garantir que, com o peso do seu corpo, ela se mantém estável.

Cuidados com o Coração da Máquina: O Motor[2][4][5][8]

O motor é a peça mais cara da sua esteira. Ele foi projetado para durar muitos anos, mas é extremamente sensível ao calor e à corrente elétrica instável. Cuidar do motor é garantir que seu treino não seja interrompido abruptamente e que seu investimento financeiro seja protegido a longo prazo.[2][3]

Ventilação e Superaquecimento

Como mencionei antes, o calor é o maior inimigo. O motor elétrico gera calor naturalmente durante o uso, e ele possui ventoinhas internas projetadas para resfriá-lo. Se você cobre a esteira com roupas, toalhas ou a encosta na parede bloqueando as saídas de ar, você está sufocando o motor. Certifique-se de que a carenagem frontal tenha espaço livre ao redor para a troca de ar.

Durante treinos muito longos, acima de uma hora, verifique se a carenagem do motor está excessivamente quente ao toque. Se estiver cheirando a verniz queimado ou plástico derretido, pare imediatamente. Isso é sinal de que o isolamento dos fios de cobre do motor está sofrendo. Talvez seja necessário intercalar o uso ou verificar se a lubrificação da lona não está insuficiente, o que sobrecarregaria o motor.

Para quem caminha muito devagar (abaixo de 3 km/h) por longos períodos, atenção redobrada: em baixas rotações, a ventoinha acoplada ao motor gira devagar e refrigera menos, mas a força de torque exigida para arrastar seu peso é alta. Isso aquece o motor mais rápido do que uma corrida leve. Alguns modelos possuem ventilação forçada independente, mas a maioria depende da rotação.

Escovas do Motor

Muitos motores de esteiras residenciais utilizam escovas de carvão para conduzir a eletricidade ao rotor. Com o tempo, essas escovas se desgastam naturalmente, como a grafite de um lápis. Quando elas ficam muito gastas, o contato elétrico falha, causando perda de potência, cheiro de queimado e faíscas visíveis através das aberturas do motor.

Verificar as escovas é uma manutenção um pouco mais técnica, mas acessível. Geralmente, elas ficam sob tampas rosqueáveis nas laterais do motor. Se você notar que sua esteira está perdendo força ou falhando, pode ser hora de checar se as escovas ainda têm comprimento suficiente. Se estiverem muito curtas, a substituição é barata e simples, prevenindo que o motor pare de vez ou danifique o coletor.

Se você não se sente confortável abrindo a carenagem para mexer nisso, chame um técnico especializado a cada 1 ou 2 anos para uma revisão preventiva. É como trocar as pastilhas de freio do carro: uma manutenção barata que evita um conserto caro.

A Parte Elétrica e Tomadas

A alimentação elétrica da sua esteira deve ser exclusiva. Nunca ligue a esteira em benjamins (Tês) junto com outros aparelhos potentes. O pico de corrente quando o motor arranca é alto e pode desarmar disjuntores ou aquecer a fiação. Além disso, verifique se a tomada na parede está firme. Uma tomada frouxa gera arcos voltaicos que danificam a placa eletrônica sensível da esteira.

O uso de estabilizadores de computador comuns geralmente não é recomendado, pois eles não suportam a amperagem de uma esteira em funcionamento pleno. O ideal é ligar direto na tomada (se a rede for estável) ou usar um filtro de linha de alta qualidade com disjuntor interno. Se você mora em uma região com muita oscilação de energia, considere um condicionador de energia específico para fitness.

Lembre-se sempre de desconectar o aparelho da tomada quando não estiver em uso, especialmente em dias de tempestade. As placas controladoras de esteiras são notoriamente sensíveis a raios e surtos na rede elétrica. Um simples hábito de tirar da tomada pode salvar seu equipamento.

Inspeção Estrutural: Parafusos e Amortecedores[6]

Uma esteira é submetida a impactos violentos e repetitivos. Cada vez que seu pé aterrissa, você aplica de 2 a 3 vezes o seu peso corporal sobre a estrutura. Essa vibração constante tem um efeito natural: afrouxar parafusos. Uma estrutura bamba não só é barulhenta, como também instável, prejudicando sua propriocepção e aumentando o risco de quedas.

O Reaperto Geral

A cada dois ou três meses, faça um “tour” pela sua esteira com as chaves Allen e de fenda em mãos. Verifique os parafusos que seguram o painel, os braços laterais e a base da estrutura. Você ficará surpreso com o quanto eles podem girar. O aperto não precisa ser excessivo a ponto de espanar a rosca, apenas o suficiente para garantir firmeza.

Preste atenção especial aos parafusos que fixam a estrutura vertical à base. Se eles estiverem soltos, o painel vai balançar excessivamente enquanto você corre, dificultando a leitura dos dados e a visualização de vídeos ou séries, caso você use tablet. Essa oscilação visual pode causar tontura ou desequilíbrio em algumas pessoas.

Verifique também os parafusos dos rolos traseiros (os mesmos do alinhamento). Às vezes, a vibração os solta, alterando a tensão da lona sem que você perceba. Manter a rigidez estrutural da esteira garante que a energia da sua passada seja absorvida corretamente pelos amortecedores, e não dissipada em barulhos de metal batendo.

Verificando os Elastômeros

Os elastômeros são as “borrachas” que ficam entre o deck de madeira e a estrutura de metal da esteira. Eles são os responsáveis por absorver o impacto da sua corrida. Como fisioterapeuta, considero essa a parte mais vital para a saúde das suas articulações. Se os elastômeros estiverem ressecados, rachados ou colapsados, a esteira perde o amortecimento e você passa a correr praticamente no asfalto duro.

Inspecione visualmente essas borrachas. Elas devem ser flexíveis e retornar à forma original quando pressionadas. Se estiverem esfarelando, é hora de trocar o kit de amortecimento. Correr em uma esteira com amortecimento vencido aumenta drasticamente a carga compressiva nos meniscos e discos intervertebrais.

A troca dos elastômeros é geralmente simples, exigindo apenas soltar o deck e substituir as peças. É um investimento pequeno que renova o conforto da corrida e protege sua longevidade no esporte. Não negligencie o conforto; ele é sinal de proteção biomecânica.

A Estrutura Dobrável

Se sua esteira é dobrável, o pistão hidráulico e a trava de segurança merecem atenção. Verifique se o pistão ainda oferece resistência ao descer a esteira. Se a plataforma cair de uma vez ao ser destravada, o pistão perdeu a pressão e pode causar um acidente grave, esmagando pés ou machucando animais de estimação e crianças que estejam por perto.

Lubrifique as articulações de dobra com um pouco de silicone spray ou graxa branca (aqui sim, nas articulações metálicas, a graxa é permitida, mas cuidado para não sujar a lona). Isso garante que o ato de dobrar e desdobrar seja suave e não exija esforço excessivo da sua lombar.

Verifique sempre se a trava de segurança engata totalmente quando você levanta a esteira. Uma trava “meia-boca” é um perigo silencioso. Garanta que ela faça o “clique” audível e teste puxando levemente para ver se está firme antes de se afastar do equipamento.

O Ambiente Ideal para sua Esteira[7]

Muitas vezes, a manutenção começa antes mesmo de você tocar na máquina: começa onde você escolhe colocá-la. O ambiente influencia diretamente a durabilidade dos componentes e a qualidade do seu treino. Uma esteira mal posicionada pode sofrer mais desgaste e te induzir a erros posturais.[8]

Nivelamento do Piso

O chão onde a esteira está apoiada deve ser perfeitamente plano.[4] Se o piso for irregular, a estrutura da esteira sofrerá torção a cada passo. Isso não só desalinha a lona constantemente, como pode trincar a solda da estrutura metálica a longo prazo. Além disso, correr em uma superfície inclinada lateralmente (mesmo que poucos graus) gera uma assimetria funcional no seu quadril, podendo levar a dores na banda iliotibial ou lombalgias.

Utilize um nível de bolha para verificar a inclinação lateral e frontal. A maioria das esteiras possui pés ajustáveis rosqueáveis na base para corrigir pequenas imperfeições do piso. Ajuste-os até que a bolha do nível esteja centralizada. Se o piso for muito irregular, considere usar um tapete de borracha denso específico para equipamentos de fitness, que ajuda a nivelar e ainda reduz a vibração transmitida para o chão (seus vizinhos de baixo agradecerão).

Umidade e Temperatura

Evite instalar a esteira em varandas abertas, garagens úmidas ou perto de piscinas aquecidas. A umidade excessiva oxida os contatos elétricos da placa e enferruja o motor internamente. O painel eletrônico é particularmente vulnerável à condensação, que pode fazer os dígitos falharem.

A luz solar direta também é prejudicial. O sol resseca a borracha da lona e do painel, tornando-os quebradiços em pouco tempo. Além disso, o calor excessivo do sol somado ao calor do motor pode levar ao desligamento por proteção térmica. Escolha um local ventilado, seco e ao abrigo da luz solar direta para prolongar a vida útil dos plásticos e borrachas.

A Zona de Segurança Traseira

Embora não seja uma manutenção da máquina, é uma manutenção da sua integridade física. Certifique-se de que haja pelo menos 1,5 a 2 metros de espaço livre atrás da esteira. Em caso de desequilíbrio ou falha súbita do equipamento (como uma parada brusca ou aceleração involuntária), você precisa de espaço para ser “ejetado” sem bater em paredes, móveis ou vidros.

Muitos acidentes graves em esteiras ocorrem não pela queda em si, mas pelo impacto contra objetos logo atrás. Mantenha essa zona livre. É o seu “airbag” espacial. Verifique se não há tapetes soltos nessa área onde você possa escorregar ao descer do equipamento.

Sinais de Alerta: O Que Sua Esteira Tenta Dizer[3][6][7]

Sua esteira fala com você. Antes de quebrar completamente, ela emite sinais sonoros e táteis que indicam que algo não vai bem. Aprender a “auscultar” sua máquina, assim como eu ausculto um paciente, permite diagnósticos precoces e soluções baratas.

O Cheiro de “Atrito” ou Queimado

Se durante o treino você sentir um cheiro acre, de borracha queimada ou algo quente, pare. Esse é o sinal mais urgente. Pode ser atrito da lona seca contra o deck (precisa lubrificar), pode ser a correia do motor patinando (precisa esticar) ou pode ser o próprio motor superaquecendo (sujeira ou sobrecarga).

Ignorar esse cheiro e continuar correndo “só mais 10 minutos” é a receita para queimar a placa controladora. O cheiro é o grito de socorro do sistema elétrico. Investigue a fonte imediatamente.

Estalos Rítmicos e Rangidos

Um barulho de “tec-tec-tec” que aumenta conforme a velocidade pode indicar várias coisas: um rolamento do rolo que estourou, uma pedra presa na sola do seu tênis batendo no deck, ou uma costura da lona que está abrindo e batendo na proteção plástica a cada volta.

Rangidos agudos (“nhec-nhec”) geralmente vêm da estrutura metálica e indicam falta de aperto nos parafusos ou falta de lubrificação nas articulações de dobra e inclinação. Identifique de onde vem o som e atue. Uma esteira silenciosa é uma esteira saudável.

A Sensação de “Patinação” ou Trancos

Se você sente que o chão falha por uma fração de segundo quando você pisa, a lona está frouxa ou a correia de transmissão do motor (que liga o motor ao rolo dianteiro) está deslizando. Essa sensação é horrível para seus tendões, pois o corpo reage com uma contração reflexa de proteção muito rápida.

Ajuste a tensão da lona conforme ensinado anteriormente. Se a lona estiver esticada e o problema persistir, pode ser a correia do motor. Nesse caso, é preciso remover a carenagem do motor e ajustar a tensão do motor em si, afastando-o um pouco do rolo. É um ajuste fino, mas essencial para uma corrida fluida.


Como fisioterapeuta, não posso deixar de conectar o estado do seu equipamento com as terapias que aplicamos na clínica. Quando falamos de reabilitação e condicionamento, a esteira é uma das ferramentas mais versáteis que temos, mas ela precisa estar em perfeita sintonia com o paciente.

Na reabilitação de ligamento cruzado anterior (LCA) de joelho ou entorses de tornozelo, utilizamos a esteira para o treino de marcha e propriocepção. Nesses casos, a estabilidade da lona é inegociável. Uma esteira que trepida ou patina pode causar microtraumas no enxerto ou ligamento em cicatrização, atrasando a recuperação.

Para pacientes em reabilitação cardíaca, o controle preciso da velocidade e inclinação é vital para manter a frequência cardíaca na zona alvo segura. Um painel com sensores sujos ou motor descalibrado pode fornecer dados errados, colocando o paciente em risco de esforço excessivo.

Além disso, em terapias de reeducação postural e de marcha, analisamos a simetria da passada. Se a esteira estiver desalinhada ou em piso torto, ela induz o paciente a compensações posturais, como rotação de quadril ou pisada pronada excessiva, sabotando o objetivo do tratamento.

Portanto, cuidar da sua esteira é, em última análise, cuidar da qualidade do movimento terapêutico que você oferece ao seu corpo diariamente. Mantenha-a limpa, lubrificada e alinhada, e ela retribuirá com anos de saúde cardiovascular e articular para você. Bons treinos e cuide-se bem!

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